Este espaço foi criado com o objetivo de falar um pouco a respeito do Espiritismo, trazer alguns esclarecimentos a respeito desta doutrina tão consoladora.
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12 de jun. de 2015
Amar é sofrer?
Quem disse que “amar é sofrer” jamais amou.
O beijo do ar da madrugada desperta a vida que dorme.
O sorriso da lua engrinaldada de estrelas diminui as sombras.
A carícia do sol vitaliza todas as coisas.
E a chuva que lava a terra, e reverdece o chão, e abençoa o mundo, correndo no rio, esvoaçando na nuvem esgarçada, são as tuas expressões de amor, construtor real, demonstrando o teu poder, a tua grandeza e a minha pequenez.
Quem ama, sempre doa, e não sofre, porque ama.
Quem diz que amar é sofrer ainda está esperando pelo amor e jamais amou.
* * *
As palavras do poeta Tagore são fortes. Desafiam todos os autores que até hoje cantaram, emocionados, as dores do amor.
E foram tantos... E ainda são.
O amor do mundo sempre esteve vinculado à dor, pois sempre foi um amor apego, um amor posse, um amor desespero.
Agia-se no ímpeto por amor, e lá vinha a dor. Esperava-se indefinidamente por amor, e lá se iam anos de sofrer silencioso.
Nossa arte revela isso de forma magistral: o ser humano tentando sobreviver amando dessa forma.
Chegamos ao ponto de nos autoflagelarmos por ele, ou ainda, de acabar com nossa própria vida,por não suportar tal vil pesar. E o pior, achamos isso belo, romântico...
Imaturos fomos, assim como o que chamamos de amor ao longo das eras também o foi.
Inventamos um tal de amor à primeira vista, para justificar paixões retumbantes, apenas desejos ardentes muitas vezes...
Alguns ainda, aprenderam a chamar o ato da união sexual em si, de fazer amor, como se em toda coabitação ele estivesse obrigatoriamente presente – quem dera...
Entendemos pouco de amor.
E não foi por falta de bons exemplos.
Recebemos na Terra o Espírito que irradiava amor, e que proclamou esta palavra aos quatro ventos, de uma forma inesquecível.
O amor do qual Jesus falava era esse amor doação, o amor ágape.
Pode haver sofrimento em nosso coração ainda por algum tempo, mas não por amar, e sim, apenas por não sabermos amar de forma devida.
São nossos vícios que trazem as dores. O amor só traz alegria e paz, pois é responsável pela consciência pacificada.
A carícia do sol vitaliza todas as coisas e o amor verdadeiro é este sol, que sempre vitaliza e nunca enfraquece.
Nas piores noites o sorriso da lua engrinaldada de estrelas diminui as sombras. É novamente o amor, consolando, dando esperança, e jamais provocando mais escuridão.
É tempo de conhecer melhor o amor, agora que podemos ser mais maduros, que entendemos que não possuímos as coisas nem as pessoas; agora que entendemos que não estamos aqui para ter, mas para ser.
Ainda estamos esperando pelo amor, é certo, porém, cada movimento que fazemos em direção ao outro, deixando de lado o vício do egoísmo e do orgulho, é um passo que damos até ele.
E talvez logo descubramos que não fomos nós que esperamos pelo amor durante todo esse tempo, mas ele que sempre esperou por nós...
Redação do Momento Espírita, com base em trecho do
cap. XXII, do livro Estesia, de Rabindranath Tagore, psicografia
de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 25.9.2014.
Amar é...
O que é o amor?
É sentimento. É estado d´alma?
E como buscá-lo, como vivê-lo. desde que todos os grandes Espíritos que vieram à Terra disseram ser ele o caminho seguro?
Os conceitos atribuídos ao amor são inúmeros. As discussões filosóficas tornam-se sem fim.
Porém, o que realmente precisamos conhecer é sua prática, sua vivência em nossos dias.
A compreensão maior virá como consequência, como se precisássemos estar em seu íntimo para finalmente descobri-lo.
O amor é o sacrifício pelo próximo que, aos olhos do mundo, é pesado, é difícil, mas para quem ama é leve, gratificante.
Amar é interessar-se pela vida do outro, é perguntar: Como foi seu dia? É questionar: Você está bem? E estar realmente atento para ouvir a resposta.
Amar é modificar nossa rotina para ouvir um amigo, fazer-lhe uma visita, levar notícias boas.
Amar é reunir a família, sem a necessidade de uma comemoração especial, apenas para celebrar a presença de todos, para fortalecer os laços.
Amar é adiar um sonho para atender as necessidades de um filho, de um pai, de uma mãe.
Amar é respeitar as opiniões dos outros, mesmo que elas sejam diferentes das nossas.
É abraçar os familiares, não apenas quando celebrem aniversários, ou conquistas, mas sempre que o coração lembrar do quanto se querem bem.
Amar é chorar junto. É sorrir junto. É sempre guardar a esperança de que tudo será melhor.
Amar é saber dizer sim. É saber dizer não. É saber ouvir um sim, saber ouvir um não.
Aqueles que amamos jamais serão um peso em nossas vidas. Pelo contrário, serão eles que nos farão mais leves. Serão eles os agentes que farão com que nossa consciência esteja satisfeita, que nosso íntimo receba energias revigorantes do Alto, fazendo-nos mais felizes.
O verdadeiro amor não está distante. Não está apenas nos romances literários, nos poemas inspirados, nas imagens dos sonhos. Ele está conosco nos pequenos gestos de carinho, nas gentilezas inesperadas, nas renúncias.
O verdadeiro amor não está distante. Ele aguarda apenas que as mãos fortes da vontade o alcancem, e concedam-lhe a chance de respirar os ares do mundo.
* * *
Os Espíritos Superiores nos ensinam que amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam.
É procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las.
É considerar como sua a grande família humana, porque essa família todos a encontraremos, dentro de certo período, em mundos mais adiantados, e os Espíritos que a compõem são, como nós, filhos de Deus, destinados a elevar-se ao infinito.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XI, item 10 de
O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.
Em 30.09.2009.
5 de jun. de 2015
Amar ao próximo
Se alguém diz que ama a Deus, mas não ama o seu semelhante, é mentiroso. Isso foi escrito pelo Apóstolo João e nos convida a uma profunda reflexão.
Por que o amor a Deus passa inevitavelmente pelo amor ao próximo? Por que não basta amar a Deus no isolamento das criaturas, ou na indiferença ao semelhante?
Deus, ao nos criar, não nos cria perfeitos, mas oferece as oportunidades e possibilidades de se chegar à perfeição.
E, por grandiosidade de Sua justiça, essa perfeição se alcança por esforço próprio, por dedicação, e jamais por gratuidade ou dom divino, a escolher uns ou outros como mais ou menos amados por Ele e, consequentemente, com mais ou menos virtudes e dons.
Quando lemos a biografia de grandes vultos do amor ao próximo, como Madre Teresa de Calcutá, Chico Xavier ou Irmã Dulce, vemos a exemplificação do exercício no amor ao próximo.
E é natural que questionemos de onde eles retiraram forças para amar incondicional e intensamente, ao longo de toda uma vida?
Aprenderam a amar ao próximo no exercício do amor a que se propuseram, saindo de si mesmos, indo em direção ao outro, encontrando Deus.
O amor a Deus não se constrói de forma mística, transcendental ou isoladamente.
Entendendo isso, Jesus, personificação maior do amor a Deus, nos ensina que toda vez que auxiliarmos, que dermos de comer, que matarmos a sede de nosso irmão, é a Ele mesmo que estaremos fazendo isso.
Convida-nos Jesus a experimentar o exercício do amor a Deus aprendendo a amar ao próximo.
Afirma mesmo o Mestre Galileu que o maior mandamento da Lei de Deus é amar ao Pai, seguido do exercício de amar-se para amar ao próximo.
Se você busca o entendimento das Leis de Deus, de instaurá-Lo na sua intimidade, um bom início será o de olhar para o próximo, no exercício do amor.
Sempre temos recursos e meios de auxiliar, de demonstrar o amor na forma do desvelo, do carinho, da solidariedade ou da compaixão.
Ofereçamos a palavra edificante para incentivar os desvalidos, a presença fraterna para aqueles abandonados na solidão, ouvidos pacientes para um coração aflito com necessidade de desabafar.
Somos convidados ao exercício do amor ao próximo construído na compreensão frente àquele em desatino, em benevolência para o irmão em desequilíbrio ou indulgência na ação precipitada.
São pequenos gestos que se fazem exercícios de amor ao próximo, no objetivo de amar a Deus. Afinal, como nos alerta o Apóstolo João, se não conseguimos compreender nosso irmão, jamais teremos condições de amar e compreender a Deus.
Redação do Momento Espírita.
Em 29.12.2009.
14 de mai. de 2014
Quando me amo...
Acendo uma luz que clareia meus porões esquecidos, deixando para trás os erros e derrotas de tempos idos, e volto a respirar.
Quando me amo...
Aprendo a olhar para dentro, descobrindo-me em parte “potência”, em parte “possibilidade” – aquilo que já sou, aquilo que serei; onde já estou, onde quero estar.
Quando me amo...
Acolho-me feito mãe acolhe um filho ferido: dando colo, amparando o choro, aconselhando a refazer os caminhos. Não me engole a culpa; não me desestimula a derrota.
Quando me amo...
Cuido do corpo, como o lavrador cuida de sua enxada – instrumento preciso de trabalho e de vida adorada.
Cuido também da nutrição da alma: o que escolho assistir, o que escolho ler, pensar e dizer.
Quando me amo...
Vejo minh´alma como a escultura debaixo do mármore de Michelangelo, e entendo que a dor é cinzel que vai retirando um pouco aqui, um pouco lá, até que tudo se transforme em belo Davi.
Quando me amo...
Clareio também a tua face, pois toda luz não fica guardada, não há quem disfarce, um farol a reluzir sobre um monte erguido no ar.
Quando me amo...
Inspiro o teu autoamor, para que possas te amar e crescer, assim como nova flor, que um dia foi broto, que um dia foi semente, que um dia foi sonho de florescer.
Quando me amo...
Amo-te com mais profundidade, pois conhecendo-me, conheço-te melhor também.
* * *
A proposta de Jesus em torno do amor é das mais belas psicoterapias que existe:
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, numa trilogia harmônica.
Como ainda temos dificuldade em conceber o absoluto, para nos adequarmos à proposição crística, invertemos a ordem do mandamento, amando-nos de início, afim de desenvolver as aptidões que dormem em latência e acumularmos valores iluminativos, ao longo dos dias.
Assim, nosso grande caminho de amor precisa começar com o autoamor, pois sem autoamar-se, o homem não consegue amar ao seu próximo e tão pouco amar o Criador.
Começamos a jornada dentro de nós, pois autoamor pede autoconhecimento, pede mergulho profundo para dentro de nós.
O autoconhecimento é o meio prático mais eficaz que temos para melhorar nesta vida e resistirà atração do mal.
E quem trabalha por sua melhora está se autoamando.
Cada movimento que fazemos no sentido de desenvolver nossas aptidões, e de acumular valores que nos façam pessoas melhores, é autoamor.
Naturalmente, esse amor a nós mesmosnos conduzirá ao nosso próximo.
Primeiro, porque o autoamor só se constrói e se vitaliza no encontro.
Segundo, porque quando temos uma cota de amor mais madura, mais consciente, conseguimos amar o outro melhor.
Nossas relações se harmonizam, nosso coração fica em paz, nossas angústias desaparecem.
* * *
Que possamos nos proporcionar mais momentos de autoencontro, com o objetivo de aprimorar nosso autoamor, que é a chave de todo nosso desenvolvimento no Universo.
17 de mar. de 2014
Amor, a regra de ouro (parte 1)
Sergito de Souza Cavalcanti
Retirado do livro “Além das Estrelas”
“Os que amam vivem, os demais são mortos que caminham.”
Um fariseu estudioso das leis mosaicas, querendo experimentar Jesus, pergunta-lhe: “Mestre, qual é o grande mandamento da lei?”
Ao que Ele responde:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este é: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”1
A definição consiste exatamente na comparação “como a ti mesmo”, é uma das comparações entre as mais belas frases do ensino do Mestre Jesus. Os encarnados no orbe são seres em diferentes fases evolutivas, numa escala que varia ao infinito. Jesus se dirigiu a todos indistintamente, iniciando por aqueles cujo amor ainda não ultrapassou a matéria, e então usa o símbolo concreto, material: coração (“de todo teu coração”). Segue além, dirigindo-se aos que já amam além da matéria, o amor que toca a alma (“de toda a tua alma”), e finaliza, dirigindo-se àqueles que já atingiram o amor-entendimento, o amor-razão (“de todo o teu espírito, ou entendimento).
Essa idéia encontra-se já desenvolvida em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI, item 8, quando o espírito Lázaro diz:
“O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é a doutrina por excelência e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento. Não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais.”
Os instintos são a germinação e os embriões dos sentimentos.
Prossegue Fénelon em O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 9:
“O amor é de essência divina. Desde o mais elevado até o mais humilde, todos vós possuís, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado. Esse germe se desenvolve e cresce com a moralidade e com a inteligência e, embora freqüentemente comprimido pelo egoísmo, é a fonte das santas e doces virtudes que constituem as afeições sinceras e duradouras e que vos ajuda a transpor a rota escarpada e árida da existência humana e a felicidade durante a vida terrena. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão reformar-se quando presenciarem os benefícios produzidos pela prática deste princípio: “Não façais aos outros o que não quereis que os outros vos façam, mas fazei, pelo contrário, todo o bem que puderdes.”
Léon Denis disserta doce e sinceramente sobre o amor:
“O amor é uma força inexaurível, renova-se sem cessar e enriquece, ao mesmo tempo, aquele que dá e aquele que recebe. É pelo amor, sol das almas, que Deus, mais eficazmente, atua no mundo.”
Essa passagem evangélica ficou conhecida como a famosa “Lei de ouro”, consubstanciada em três tipos de amor inseparáveis: o amor a Deus, o amor ao próximo e o amor a nós mesmos.
Amar a Deus de todo o coração, de toda nossa alma e de todo o nosso entendimento está expresso no dever que cada um de nós, seus filhos, temos: o de amá-lo, com toda força de nosso espírito. Deus é nosso Pai de bondade e sabedoria. A quem tudo devemos e Ele quer sempre a nossa felicidade. Infelizmente, na fase evolutiva em que vivemos, não podemos entendê-lo em sua plenitude, entretanto podemos estar certos de que tudo o que nos acontece, absolutamente tudo, seja uma injustiça, uma ingratidão, uma traição ou uma maldade, tem sua razão de ser. Ele é bom e justo também. Aliás, é o único Ser que sabe equilibrar bondade e justiça com precisão absoluta, porque é perfeito.
Amar a Deus não é amar um velhinho com expressão venerável, sentado numa nuvem, como muitas vezes O encontramos nas abóbadas de muitos templos religiosos. Amar a Deus é fazer a Sua vontade que é a de que nos amemos uns aos outros como Jesus nos amou.
O apóstolo João diz mesmo que: “Se alguém disser: amo a deus e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê”.2
Portanto, é impossível amar a Deus sem amarmos nosso irmão. O próximo é a ponte que nos liga à divindade. Deus é nosso Pai amoroso, no entanto, na fase evolutiva em que nos situamos, não podemos compreendê-lo em sua plenitude. Como entender um Ser que é muito mais que o infinito, que não tem início nem fim?
Amar a Deus é “amar nosso próximo como a nós mesmos”, e nessa “Lei de ouro” e divina está contida toda a lei e os profetas.
Os dez mandamentos entregues a Moisés no Monte Sinai, podem se resumir em um só: o grande mandamento do amor.
Quem ama ao próximo não mata, não furta, não trai, não adultera e nem pratica o mal, pois amar ao próximo é fazer aos outros o que gostaríamos de que os outros nos fizessem. O amor ao próximo está contido na lei de Deus porque, sendo ela todo amor e justiça, o nosso Pai, amando igualmente a todos, jamais poderá permitir que cheguemos até Ele sem passar pelo nosso próximo. Temos aqui a fraternidade aplicada, pois, se não queremos o mal para nós, igualmente não o devemos querer para o nosso próximo.
Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz: “Se o amor ao próximo é o princípio da caridade, amar aos inimigos é a sua aplicação sublime, porque essa virtude é uma das maiores vitórias alcançadas sobre o egoísmo e o orgulho.”
Em um momento inspirado do Sermão da Montanha, Jesus disse: “Ouviste o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem e caluniam.”
É lógico que não se pode ter pelo inimigo a ternura que se tem para com um irmão ou amigo.
Amar aos inimigos é não ter contra eles, ódio, rancor ou desejo de vingança. É perdoar-lhes, sem segundas intenções e incondicionalmente, o mal que nos fazem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação. É desejar-lhes o bem em lugar do mal.
Embora a ênfase seja acerca de amar a Deus e ao próximo, a pessoa deve amar a si mesma. Amar a nós mesmos não quer dizer egoísmo recalcitrante, pois o amor não pode ser dividido, e o verdadeiro eu não pode ser separado de Deus ou do próximo. Ou a pessoa ama a Deus, ao próximo e a si mesma, ou não ama a nenhum deles. O povo judeu já admitia essas verdades no Velho Testamento quando recitava o “Shema” que continha essa “Lei de ouro”.
O amor a nós mesmos manifesta-se de três formas: espiritual, intelectual e materialmente. Espiritualmente, pela nossa transformação moral, pela mudança e renovação de atitudes.
O espiritismo propõe ao indivíduo um processo de evolução espiritual gradativa, mas constante. Nossa doutrina não é uma doutrina salvacionista, não salvaremos pela prática de rituais. O progresso depende de nossa luta íntima para superar o homem velho, cheio de vícios e defeitos para que possa surgir o homem novo, renovado pelo seu esforço, em domar seus defeitos e suas más inclinações.
Qualquer ser humano pode mudar de vida, mudando de atitude.
Intelectualmente, através da aquisição de conhecimentos, colaborando assim na obra de Deus, pois o homem que sabe está apto a elucidar seus semelhantes. Por isso não foi sem propósito que nosso insigne Codificador começou a sua obra com a exortação do: Amai-vos e instruí-vos.”
Materialmente, cuidando com esmero e carinho do corpo que é o templo sagrado do espírito, cuidando dos bens, da família que é o desdobramento ou a multiplicação do nosso próprio “eu”. O corpo por mais doente e disforme que seja, é uma bênção para o espírito cheio de culpas, que através dele se redime. Não fora assim, Paulo não teria dito: “Acaso não sabeis que vosso corpo é um santuário que está em nós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Agora, pois glorificai a Deus no vosso corpo”.3
Tratemos, nosso corpo com zelo, amor e carinho. Saúde é harmonia aliada às leis da natureza. Doença é desarmonia. As moléstias correm por conta do abuso que o organismo faz das leis da natureza. Abuso é moléstia, uso é saúde.
Quando nosso espírito está perfeitamente equilibrado, não há enfermidade que nos ataque. Cuidemos da mente para que nossa saúde se reflita no corpo.
Existe um consenso, entre todas as escolas da psicologia moderna, de que a auto-estima é o elemento mais crítico a afetar o desempenho humano.
Gostar de nós mesmos depende basicamente do que eu penso de mim mesmo. Auto-estima é como uma pessoa se sente a respeito de si mesma.
Na verdade, os indivíduos que têm aquilo que chamamos de complexo de superioridade são agressivos e dominadores, e aqueles que têm o que chamamos de complexo de inferioridade são inseguros e defensivos, estando em extremidades opostas da mesma aflição, isto é: baixa auto-estima. Ambos os tipos têm um complexo de “auto-imagem”, uma vez que não gostam muito de si mesmos.4
Outro aspecto da auto-estima e do autogostar, diz respeito às relações interpessoais. A maneira pela qual você se relaciona com os outros é diretamente afetada pela forma como se sente a seu próprio respeito. O resultado é que você é incapaz de amar ou gostar de outra pessoa mais do que ama ou gosta de si mesmo. Isso é apenas lógico, uma vez que você não pode esperar dar a alguém uma coisa que não tem.
Você também não pode permitir que qualquer outra pessoa o ame ou goste de você mais do que você mesmo. Em outras palavras, você não pode aceitar de outra pessoa tenha uma opinião a seu respeito que seja mais alta que aquela que você já tem e na qual acredita. Isso também é apenas lógico, uma vez que, um geral você dá mais valor às suas próprias opiniões do que as opiniões alheias.
Assim, à medida da sua auto-estima, o grau até o qual você gosta de si mesmo, determina tanto a qualidade como a extensão de todas as suas relações interpessoais. Você somente é capaz de manter boas relações com os outros e permitir que eles as tenham com você, na extensão em que gosta realmente de si mesmo.
A baixa auto-estima tem um efeito profundamente negativo sobre a personalidade e o comportamento humano. A maioria dos psicólogos acredita que a baixa auto-estima, mais do que qualquer outro fator isolado, é a causa da maior parte dos distúrbios psicológicos, a razão principal da epidemia de fracassos humanos e da resultante miséria em nossa atual sociedade. Testemunhos disso são o aumento no abuso de drogas e álcool, na criminalidade, na gravidez de adolescente, na violência doméstica, estupros, promiscuidade e abuso sexual de crianças. As pessoas que não aceitam a si mesmas como seres humanos valiosos, que têm baixas opiniões de si sempre manifestam suas frustrações e inseguranças nas interação com os outros pessoas.5
- 1 Mt 22,35-40
- 2. Jo 4,20
- 3. 1Cor 19,20
- 4. STAPLES, W. D. Pense como um vencedor. 1994
- 5 STAPLES, W. D. Pense como um vencedor. 1994
Amor, a regra de ouro (parte 2)
Continuação…
Sergito de Souza Cavalcanti
Retirado do livro Além das Estrelas
Efeito Pigmaleão
Cientistas norte-americanos constataram a existência do efeito Pigmalião. Na mitologia grega, Pigmalião, que era escultor, talhou na pedra uma estátua de mulher tão perfeita, tão real, que dela se enamorou. Dia após dia, noite após noite, Pigmalião aguardava que sua estátua adquirisse vida. Com o passar do tempo, sua crença aumentava, e com ela a expectativa de que poderia um dia esposar sua própria criação. Os deuses se compadeceram de Pigmalião e, admirando sua forte crença, deram vida à estátua, que se transformou numa encantadora mulher.
O efeito Pigmalião é algo parecido. Uma equipe de psicólogos observou o que ocorria com um grupo de alunos que foi selecionado, ao acaso, numa escola secundária. Para os professores desses estudantes, foi dito que eles possuíam um coeficiente de inteligência muito superior ao da média. Mas, na realidade, estavam na média. Quando o ano terminou, os psicólogos voltaram à escola e observaram o rendimento do grupo. Constataram que suas notas tinham aumentado significativamente e que o mesmo havia ocorrido com o coeficiente de inteligência de cada um deles.
Qual o milagre? Apenas uma mudança na crença dos professores daquele grupo. Eles passaram a acreditar mais nos estudantes que, a princípio, nada tinham de especial. Mas, após a mudança na expectativa dos mestres com relação a eles, transformaram-se, de forma quase dramática, como a transformação sofrida pela estátua de Pigmalião. Se a crença dos demais com relação a nós tem poder transformador, imagine a força de nossas próprias crenças a respeito de nós mesmos.
Se tratarmos um indivíduo como ele é, ele continuará a ser como sempre foi, mas, se o tratarmos como se ele fosse o que poderia ser, ele se transformará naquilo que poderia ser.
Goethe
Somos o que pensamos, se insistirmos em pensar no mal, na dor, na doença, atrairemos todos esses males para nós.
Pensemos na saúde, na alegria e na prosperidade, e nossas vidas tomarão novos rumos.
O amor é o grande antídoto contra todos os males, pois se há uma verdade é a de que: “Quem ama, não adoece”.
Diz a sabedoria popular que “Os que amam vivem, os demais são mortos que caminham”.
Realmente, nada é mais grandioso, mais transcendental que o amor.
“Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”, disse Jesus6
Sem amor, nada somos, pois ele é infinito, e eterno. Todos nós almejamos viver uma vida plena de amor.
Em vez de esperarmos que as pessoas nos ofereçam amor, é muito mais fácil transformarmo-nos em sua fonte.
O próprio Cristo nos ensinou que: “É mais bem-aventurado dar do que receber”.7
Comecemos treinando, enviando pensamentos de amor para as pessoas e para nós mesmos. Amemos cada vez mais, apesar das dores, dos problemas e das frustrações. Iremos descobrir algo realmente transcendental: é muito mais importante amar do que ser amado. O amor que podemos doar pode ser controlado por nossos atos e ações amorosas, já a sua recepção é algo que me foge ao controle.
O verdadeiro amor é uma doação irreversível: nada espera, nada obriga, nada exige, apenas almeja o bem-estar da pessoa a que se quer ajudar.
Amar envolve manifestações recíprocas de afeto, e em família é importantíssimo. As principais condições para que tenhamos harmonia doméstica é conseguida com amor, compreensão e tolerância. Ele é como uma plantinha que, se não for bem cuidada, morre. Muitos casais unidos por legítimos laços de afetividade acabam vendo o amor fenecer por falta de cuidado e atenção.
Abraçar, beijar, dormir de mãos dadas, dizer palavras carinhosas são adubos que devemos usar sempre para que a plantinha se conserve bonita e viçosa. Por maiores que forem os compromissos, obrigações e afazeres, temos que ter espaço para cultivarmos o amor.
Amar é aceitar o ser amado tal como ele é.
No jogo do amor, não há adversários, os dois ganham ou ninguém ganha. Amar é isso – querer o bem de alguém, é permutar sentimentos elevados.
Outro aspecto a se considerado é o da falência familiar que tem propiciado o aumento da violência em nosso orbe. Teremos somente um mundo de fraternidade e paz, quando orientarmos nossos filhos a estabelecer, em seus corações, sentimentos elevados. A família é, o alicerce moral que cada cidadão necessita.
O lar, portanto, é a primeira escola. Aos pais, cabe a sublime missão de guiar seus filhos pelas veredas da educação moral e intelectual.
Saibamos, educar os filhos à luz do evangelho de Jesus, ensinando-os a amar para que, no futuro, possam amar a todos indistintamente.
De acordo com Allan Kardec, “Educação é o conjunto de hábitos adquiridos”,portanto a renovação da humanidade só se processará com o exemplo dos pais. Educar é amar, por isso Pestalozzi não cansava de nos recomendar que “O amor é o fundamento eterno da educação”.
Um dos temas em evidência na atualidade é o amor livre, sem nenhum vínculo sério, sem compromisso em relação ao futuro e, conseqüentemente, sem cogitar de matrimônio e filhos.
Na questão nº 695, de O Livro dos Espíritos, interroga Allan Kardec: “O casamento, ou seja, a união permanente entre dois seres é contrária às leis da natureza?” e tem como resposta: “É um progresso na marcha da humanidade”.
Na questão seguinte, pergunta: “Qual seria o efeito da abolição do casamento na sociedade humana?”
A resposta é: “O retorno à vida animal”.
Kardec comenta que:
“a união livre e fortuita dos sexos pertence ao estado da natureza. A abolição do casamento seria, portanto, o retorno à infância da humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes”.
O amor livre é, uma tentativa de retorno a poligamia, estágio superado de evolução. O chamado amor livre seria melhor conceituado como sexo livre.
É bom que não esqueçamos que, em qualquer relacionamento humano, particularmente nos domínios do sexo, se esperamos alegria e paz, é preciso que o amor venha primeiro.
Jesus, dias antes de seu martírio, deixou-nos grande responsabilidade quando disse aos seus discípulos: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”.
— Qual a novidade de tal mandamento?
— O modo de amar!
Jesus não só prescreveu o amor, mas também a maneira de amar, dizendo: “Amai-vos como eu vos amei”.
O verbo amar tem muitos paradigmas. Até as feras amam quando defendem com solicitude suas crias, dando suas vidas por elas. A galinha, expondo-se aos rigores do tempo, acolhe sob as protetoras asas seus pintainhos. Não é tudo manifestação de amor?
Mas, entre os animais, existe apenas manifestação de amor, pois eles não cuidam de outros filhotes como cuidam dos seus. A galinha se arrepia e ameaça os pintainhos de outra ninhada quando esses invadem a zona onde ela e os seus estão ciscando.
Jesus amou incondicionalmente. Amou sem ser amado, nem correspondido. Amou a amigos e inimigos, a bons e maus, a justos e pecadores, testemunhando com isso sua filiação divina.
Um dia, todos nós seremos perfeitos, pois em nós reside o germe de todas as virtudes que, em tempo propício, desenvolver-se-ão em função de nosso livre arbítrio.
Estudar e principalmente, vivenciar os ensinos dos evangelhos é o roteiro seguro para alcançarmos o caminho para a perfeição. Toda trajetória de nossa vida nos leva ao amor que conduz a Deus. Essa trajetória se chama evolução.
Sem amor, nada seremos. Amor incondicional ao irmão, ao amigo e até mesmo ao inimigo, nada é mais transcendental que ele. “Meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”.8
Epístola de Paulo
Eu passo a mostrar-vos ainda um caminho
sobremodo excelente:
Ainda que eu fale
As línguas dos homens e dos anjos,
Se não tiver amor… serei como o bronze que soa,
Ou como o símbolo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar,
E conheça todos os mistérios e toda a ciência;
Ainda que eu tenha tamanha fé
A ponto de transportar montanhas,
Se não tiver amor… nada serei.
E ainda que eu distribua
Todos os meus bens entre os pobres;
E ainda que entregue
O meu próprio corpo para ser queimado,
Se não tiver amor… nada disso me aproveitará.
O amor é paciente, é benigno,
O amor não arde em ciúmes,
Não se ufana, não se ensoberbece,
Não se conduz inconvenientemente,
Não é egoísta, não se exaspera,
Não se ressente do mal;
Não se alegra com a injustiça,
Mas regozija-se com a verdade…
Tudo sofre, tudo crê…
Tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba!…
16 de ago. de 2012
Almas Enamoradas.
Geralmente, é na juventude do corpo que temos despertado o interesse em buscar o sexo oposto para compartilhar dos nossos sonhos. Quando encontramos a alma eleita, o coração parece bater na garganta e ficamos sem ação. Elaboramos frases perfeitas para causar o impacto desejado, a fim de não sermos rejeitados.
Então, tudo começa. O namoro é o doce encantamento.
Logo começamos a pensar em consolidar a união e nos preparamos para o casamento.
Temos a convicção de que seremos eternamente felizes. Nada nos impedirá de realizar os sonhos acalentados na intimidade.
Durante a fase do namoro é como se estivéssemos no cais observando o mar calmo que nos aguarda, e nos decidimos por adentrar na embarcação do casamento.
A embarcação se afasta lentamente do cais e os primeiros momentos são de extrema alegria. São os minutos mais agradáveis. Tudo é novidade.
Mas, como no casamento de hoje observa-se a presença do ontem, representada por almas que se amam ou se detestam, nem sempre o suave encantamento é duradouro.
Tão logo os cônjuges deixem cair as máscaras afiveladas com o intuito de conquistar a alma eleita, a convivência torna-se mais amarga.
Isso acontece por estarem juntos Espíritos que ainda não se amam verdadeiramente, que é o caso da grande maioria das uniões em nosso planeta.
Assim sendo, tão logo a embarcação adentra o alto mar, e os cônjuges começam a enfrentar as tempestades, o primeiro impulso é de voltar ao cais. Mas ele já está muito distante...
O segundo impulso é o de pular da embarcação. E é o que muitos fazem.
E, como um dos esposos, ou os dois, têm seus sonhos desfeitos, logo começam a imaginar que a alma gêmea está se constituindo em algema e desejam ardentemente libertar-se.
E o que geralmente fazem é buscar outra pessoa que possa atender suas carências.
Esquecem-se dos primeiros momentos do namoro, em que tudo era felicidade, e buscam outras experiências.
Alguns se atiram aos primeiros braços que encontram à disposição, para logo mais, sentirem novamente o sabor amargo da decepção.
Tentam outra e outra mais, e nunca acham alguém que consolide seus anseios de felicidade. Conseguem somente infelicitar e infelicitar-se, na busca de algo que não encontram.
Logo começamos a pensar em consolidar a união e nos preparamos para o casamento.
Temos a convicção de que seremos eternamente felizes. Nada nos impedirá de realizar os sonhos acalentados na intimidade.
Durante a fase do namoro é como se estivéssemos no cais observando o mar calmo que nos aguarda, e nos decidimos por adentrar na embarcação do casamento.
A embarcação se afasta lentamente do cais e os primeiros momentos são de extrema alegria. São os minutos mais agradáveis. Tudo é novidade.
Mas, como no casamento de hoje observa-se a presença do ontem, representada por almas que se amam ou se detestam, nem sempre o suave encantamento é duradouro.
Tão logo os cônjuges deixem cair as máscaras afiveladas com o intuito de conquistar a alma eleita, a convivência torna-se mais amarga.
Isso acontece por estarem juntos Espíritos que ainda não se amam verdadeiramente, que é o caso da grande maioria das uniões em nosso planeta.
Assim sendo, tão logo a embarcação adentra o alto mar, e os cônjuges começam a enfrentar as tempestades, o primeiro impulso é de voltar ao cais. Mas ele já está muito distante...
O segundo impulso é o de pular da embarcação. E é o que muitos fazem.
E, como um dos esposos, ou os dois, têm seus sonhos desfeitos, logo começam a imaginar que a alma gêmea está se constituindo em algema e desejam ardentemente libertar-se.
E o que geralmente fazem é buscar outra pessoa que possa atender suas carências.
Esquecem-se dos primeiros momentos do namoro, em que tudo era felicidade, e buscam outras experiências.
Alguns se atiram aos primeiros braços que encontram à disposição, para logo mais, sentirem novamente o sabor amargo da decepção.
Tentam outra e outra mais, e nunca acham alguém que consolide seus anseios de felicidade. Conseguem somente infelicitar e infelicitar-se, na busca de algo que não encontram.
* * *
Se a pessoa com quem nos casamos não é bem o que esperávamos, lembremo-nos de que, se a escolha foi feita pelo coração, sem outro interesse qualquer, é com essa pessoa que precisamos conviver para aparar arestas.
Lembremo-nos de que na Terra não há ninguém perfeito, e que nossa busca por esse alguém será em vão.
E se houvesse alguém perfeito, esse alguém estaria buscando alguém também perfeito que, certamente, não seríamos nós.
Lembremo-nos de que na Terra não há ninguém perfeito, e que nossa busca por esse alguém será em vão.
E se houvesse alguém perfeito, esse alguém estaria buscando alguém também perfeito que, certamente, não seríamos nós.
* * *
Os casamentos são programados antes do berço.
Assim, temos o cônjuge que merecemos e o melhor que as Leis Divinas estabeleceram para nós.
Dessa forma, busquemos amar intensamente a pessoa com quem dividimos o lar, pois só assim conseguiremos alcançar a felicidade que tanto almejamos.
Assim, temos o cônjuge que merecemos e o melhor que as Leis Divinas estabeleceram para nós.
Dessa forma, busquemos amar intensamente a pessoa com quem dividimos o lar, pois só assim conseguiremos alcançar a felicidade que tanto almejamos.
Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 5. ed. Fep.
Em 22.04.2008.
Alguém para amar.
O mundo está cheio de queixas. De pessoas que se dizem solitárias. Que desejariam ser amadas. Que vivem em busca de alguém que as ame, que as compreenda.
O mundo está cheio de carências. Carências afetivas. Carências materiais.
Possivelmente, observando o panorama do mundo onde vivia foi que Madre Teresa de Calcutá, certo dia, escreveu:
Senhor, quando eu tiver fome, dai-me alguém que necessite de comida. Quando tiver sede, dai-me alguém que precise de água. Quando sentir frio, dai-me alguém que necessite de calor.
Quando tiver um aborrecimento, dai-me alguém que necessite de consolo. Quando minha cruz parecer pesada, deixai-me compartilhar a cruz do outro.
Quando me achar pobre, ponde a meu lado alguém necessitado. Quando não tiver tempo, dai-me alguém que precise de alguns dos meus minutos. Quando sofrer humilhação, dai-me ocasião para elogiar alguém.
Quando estiver desanimada, dai-me alguém para lhe dar novo ânimo.
Quando sentir necessidade da compreensão dos outros, dai-me alguém que necessite da minha. Quando sentir necessidade de que cuidem de mim, dai-me alguém que eu tenha de atender.
Quando pensar em mim mesma, voltai minha atenção para outra pessoa.
Tornai-nos dignos, Senhor, de servir nossos irmãos que vivem e morrem pobres e com fome no mundo de hoje.
Dai-lhes, através de nossas mãos, o pão de cada dia, e dai-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.
Madre Teresa verdadeiramente conjugou o verbo amar na prática diária. Sua preocupação era em primeiro lugar com os outros.
Todos representavam para ela o próprio Cristo. Em cada corpo enfermo, desnutrido e abandonado, ela via Jesus crucificado em um novo madeiro.
Amou de tal forma que estendeu a sua obra pelo mundo inteiro, abraçando homens de todas as nações e credos religiosos.
Honrada com o Prêmio Nobel da Paz, prosseguiu humilde, servindo aos seus irmãos da romagem terrestre. Tudo o que lhe importava eram os seus pobres. E os seus pobres eram os pobres do mundo inteiro.
Amou sem fronteiras e sem limites. Serviu a Jesus em plenitude. E nunca se ouviu de seus lábios uma queixa de solidão, amargura, cansaço ou desânimo.
Sua vida foi sempre um cântico de fidelidade a Deus, por meio dos compromissos com as lições deixadas por Jesus.
* * *
O Cristo precisa de almas dispostas e decididas que não meçam obstáculos para servi-lO. Almas que se lancem ao trabalho, por mais exaustivo que seja, porém sempre reconfortante e luminoso, desde que possa ser útil de verdade.
Almas que não esperem nada do beneficiado, por suas mãos socorrido, a não ser a sua felicidade, sob as luzes do amigo Jesus.
Almas cujo único desejo seja o de amar intensamente, sem aguardar um único gesto de gratidão.
Almas que tenham entendido o que desejou dizer Francisco de Assis: É melhor amar do que ser amado.
* * *
Redação do Momento Espírita,com base no cap. 20 do livro Vida e mensagem, pelo Espírito Francisco de Paula Vítor, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter e no poema de Madre Teresa de Calcutá, intitulado Dai-me alguém para amar.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 7, ed. Fep.
Em 20.01.2011.
" Espiritismo anda no ar: Difunde-se pela força mesma das coisas porque torna felizes os que o professam." (Allan Kardec)
A busca do amor
Em plena juventude, como fruto verde que aguarda a primavera, esperei intensamente pelo amor.
Todas as manhãs, abria a janela de minha alma e esperava que o novo dia me trouxesse o amor.
E porque ele tardasse a chegar, fechei as portas e janelas, selei os portões e saí pelo mundo.
Andei por caminhos inúmeros e estradas solitárias. Por vezes, ouvia o cortejo do amor que passava ao longe. Corria e o que conseguia ver era somente corações em festa, risos de alegria. O amor passara e eu continuava só.
Algumas noites, chegando às cidades com suas mil luzes piscando vida, ousava olhar para dentro dos recintos. Via mães acalentando filhos, cantando doces canções de ninar; casais trocando juras; crianças dividindo brincadeiras entre risos e folguedos.
Em todos estava o amor. Somente eu prosseguia solitário e triste.
Depois de muito vagar, tendo enfrentado dezenas de invernos, resolvi retornar.
De longe, pude sentir o perfume dos lírios. Quando me aproximei, pude ver o jardim saudando-me.
Você voltou! - Falaram as rosas, dobrando as hastes à minha passagem.
Seja bem vindo! - Disseram as margaridas, agitando as corolas brancas.
É bom tê-lo de volta. - Saudaram os girassóis, mostrando suas coroas douradas.
Tanto tempo havia se passado e, de uma forma mágica, os jardins estavam impecáveis. As cores bem distribuídas formavam arabescos na paisagem.
Uma emoção me invadiu a alma. Abri as portas e janelas do meu ser. Debruçado à janela da velhice, fitando a ponte que me levará para além desta dimensão, o amor passa por minha porta.
Apressadamente, coloco flores de laranjeira na casa do meu coração. Atapeto o chão para que ele entre, iluminando a escuridão da minha soledade.
Tremo de ternura. Já não sofro desejo, nem aflição.
Os olhos felizes do amor fitam os meus olhos quase apagados, reacendendo neles a luz que volta a brilhar.
Há tanta beleza no amor que me emociono.
Superado o egoísmo, não lhe peço que entre e domine o meu coração rejuvenescido.
Em razão disso, agora que descubro de verdade o que é o amor, não o retenho. Deixo-o seguir porque amando, já não peço nada. Agora posso me doar aos que vêm atrás, em abandono e solidão.
Aprendi a amar.
* * *
Feliz é a criatura que descobriu que o melhor da vida é amar.
Feliz o que leu e entendeu o cântico do pobre de Assis: É dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, é melhor amar que ser amado.
Por ser de essência Divina, o amor supre na criatura todas as suas necessidades e a torna feliz, mesmo em meio às dificuldades, lutas e tristezas.
* * *
Redação do Momento Espírita, com base no cap. LVII, do livro Estesia, pelo Espírito Rabindranath Tagore, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 25.01.2011.
"O amor é o coração do Evangelho e o espírito do Espiritismo chama-se caridade." ("Opinião Espírita")
25 de ago. de 2011
Amor e Renúncia.

Geralmente, um homem deseja ser bom como os outros, ou honesto como os demais, olvidando que o caminho onde todos passam é de fácil acesso e de marcha sem edificações.
A virtude no mundo foi transformada na porta larga da conveniência própria. Há os que amam os que lhes pertencem ao círculo pessoal, os que são sinceros com os seus amigos, os que defendem seus familiares, os que adoram os deuses do favor.
O que verdadeiramente ama, porém, conhece a renúncia suprema a todos os bens do mundo e vive feliz, na sua senda de trabalhos para o difícil acesso às luzes da redenção.
O amor sincero não exige satisfações passageiras, que se extinguem no mundo com a primeira ilusão; trabalha sempre, sem amargura e sem ambição, com os júbilos do sacrifício. Só o amor que renuncia sabe caminhar para a vida suprema...
Somente o sacrifício contém o divino mistério da vida. Viver bem é saber imolar-se. Acreditas que o mundo pudesse manter o equilíbrio próprio tão-só com os caprichos antagônicos e por vezes criminosos dos que se elevam à galeria dos triunfadores?
Toda luz humana vem do coração experiente e brando dos que foram sacrificados. Um guerreiro coberto de louros ergue os seus gritos de vitória sobre os cadáveres que juncam o chão; mas, apenas os que tombaram fazem bastante silêncio, para que se ouça no mundo a mensagem de Deus. O primeiro pode fazer a experiência para um dia; os segundos constroem a estrada definitiva na eternidade.
Já pensaste no que seria o mundo sem as mães exterminadas no silêncio e no sacrifício? Não são elas as cultivadoras do jardim da vida, onde os homens travam a batalha?!... Muitas vezes, o campo florescido se cobre de lama e sangue; entretanto, na sua tarefa silenciosa, os corações maternais não desesperam e reedificam o jardim da vida, imitando a Providência Divina, que espalha sobre um cemitério os lírios perfumados de seu amor!...
Quanto ao futuro, com o infinito de suas perspectivas, é necessário que cada um tome sua cruz, em busca da porta estreita da redenção, colocando acima de tudo a fidelidade a Deus e, em segundo lugar, a perfeita confiança em si mesmo.
Vai!... Sacrifica-te e ama sempre. Longo é o caminho, difícil a jornada, estreita a porta; mas, a fé remove os obstáculos... Nada temas: é preciso crer somente!
Edição de texto retirado do livro “Boa Nova” – Pelo Espírito de Humberto de Campos / Psicografia de Francisco Cândido Xavier
24 de mai. de 2011
Amarás Servindo.

Amarás servindo.
Ainda quando escutes alusões em torno da suposta decadência dos valores humanos, exaltando as forças das trevas, farás da própria alma lâmpada acesa para o caminho.
Mesmo quando a ambição e o orgulho te golpeiem de suspeitas e de rancores o espírito desprevenido, amarás servindo sempre.
Quando alguém te aponte os males do mundo, lembrar-te-ás dos que te suportaram as fraquezas da infância, dos que te auxiliaram a pronunciar a primeira oração, dos que te encorajaram os ideais de bondade no nascedouro, e daqueles outros que partiram da Terra, abençoando-te o nome, depois de repetidos exemplos de sacrifício para que pudesses livremente viver.
Recordarás os benfeitores anônimos que te deram entendimento e esperança, prosseguindo fiel ao apostolado do amor e serviço que te legaram...
Para isso, não te deterás na superfície das palavras.
Colocar-te-ás na posição dos que sofrem, a fim de que faças por eles tudo aquilo que desejarias se te fizesse nas mesmas circunstâncias.
Ante as vítimas da penúria, imagina o que seria de ti nos refúgios de ninguém, sob a ventania da noite, carregando o corpo exausto e dolorido a que o pão mendigado não forneceu suficiente alimentação; renteando com os doentes desamparados, reflete quanto te doeria o abandono sob o guante da enfermidade, sem a presença sequer de um amigo para minorar-te o peso da angústia; à frente das crianças despejadas na rua, pensa nos filhos amados que aconchegas ao peito, e mentaliza o reconhecimento que experimentarias por alguém que os socorresse se estivessem desvalidos na via pública; e, perante os irmãos caídos em criminalidade, avalia o suplício oculto que te rasgarias entranhas da consciência, se ocupasses o lugar deles, e medita no agradecimento que passarias a consagrar aos que te perdoassem os erros, escorando-te o passo, das sombras para a luz.
Ainda mesmo quando te vejas absolutamente a sós, no trabalho do bem, sob a zombaria dos que se tresmalham temporariamente no nevoeiro da negação e do egoísmo, não esmorecerás.
Crendo na misericórdia da Providência Divina e nas infinitas possibilidades de renovação do homem, seguirás Jesus, o Mestre e Senhor, que, entre a humildade e a abnegação, nos ensinou a todos que o amor e o serviço ao próximo são as únicas forças capazes de sublimar a inteligência para que o Reino de Deus se estabeleça em definitivo nos domínios do coração.
Emmanuel
(Alma e Coração - Francisco Cândido Xavier)
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