Este espaço foi criado com o objetivo de falar um pouco a respeito do Espiritismo, trazer alguns esclarecimentos a respeito desta doutrina tão consoladora.
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13 de jun. de 2015
Amargando decepções
Não somos poucos os que nos tornamos pessoas amargas, indiferentes ou frias, por causa de decepções que afirmamos ter sofrido aqui ou ali, envolvendo outras pessoas.
A decepção foi com o amigo a quem recorremos num momento de necessidade e não encontramos o apoio esperado. Foi com o companheiro de trabalho que nos constituía modelo, parecia perfeito e o surpreendemos em um deslize.
Tais decepções devem nos remeter a exames melhores das situações.
Decepcionarmo-nos com pessoas que estão no Mundo, sofrendo as nossas mesmas carências e tormentos não é muito real.
Primeiro, porque elas não nos pediram para assinar contrato ou compromissos de infalibilidade para conosco. Segundo, porque o simples fato de elas transitarem na Terra, ao nosso lado, é o suficiente para que não as coloquemos em lugares de especial destaque, pois todas têm seu ponto frágil e até mesmo seus pontos sombrios.
A nossa decepção, em realidade, é conosco mesmo, pois que nos equivocamos em nossa avaliação, por precipitação ou por análise superficial.
Não menos errada a decepção que afirmamos ter com a própria religião, com a doutrina de fé cristã que está a espalhar, em toda parte, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo para os seres de boa vontade.
O que acontece é que costumamos confundir as doutrinas que ensinam o bem, o nobre, o bom com os doutrinadores que, embora falem das virtudes que devemos perseguir, conduzem as próprias existências em oposição ao que pregam.
Como vemos, a decepção não é com as mensagens da Boa Nova, mas exatamente com os que conduzem a mensagem. Nesse ponto não nos esqueçamos de fazer o que ensinou Jesus: comparar os frutos com as qualidades das árvores donde eles procedem, de modo a não nos deixarmos iludir.
Avaliemos, desta forma, as nossas queixas contra pessoas e situações e veremos que temos sido os grandes responsáveis pelas desilusões do caminho.
Nós mesmos é que criamos as ondas que nos decepcionam e magoam.
Cabe-nos amadurecer gradualmente nos estudos e na prática do bem, aprendendo a examinar cada coisa, cada situação, analisar a nós mesmos com atenção, a fim de crescermos para a grande luz, sem nos decepcionarmos com nada ou com ninguém.
Precisamos aprender a compreender cada indivíduo no nível em que se situa, não exigindo dele mais do que possa dar e apresentar, exatamente como não podemos pedir à roseira que produza violetas, que não tenha espinhos e que não despetale suas flores na violência dos ventos.
* * *
Para que avancemos em nossa caminhada evolutiva, imponhamo-nos uma conduta de maturidade, de indulgência e de benevolência para com os demais.
Disponhamo-nos a brilhar, sob a proteção de Deus, avançando sempre, não nos detendo na retaguarda a examinar mágoas e depressões, que se apresentam na estrada como pedras e obstáculos, calhaus e detritos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 28 do livro Revelações da luz, pelo Espírito Camilo, psicografado por Raul Texeira, ed. Fráter.
10 de abr. de 2014
Educação em tempos de Convulsão Social - Raul Teixeira
Conferência proferida no 14° Congresso Estadual de Espiritismo, em Serra Negra (SP), em junho de 2009. São os pais que devem ensinar a seus filhos o que é certo e errado. Essa incumbência não deve ser passada à escola, à igreja ou mesmo à policia. Raul Teixeira descreve não somente a responsabilidade dos pais, como também a aristocracia, suas características e traz exemplos de personagens que a representaram ao longo da historia. Realizada no 14° Congresso estadual de Espiritismo em Serra negra (SP). A conferencia "Educação em Tempos de Convulsão Social" alerta sobre o compromisso na educação dos descendentes e como pequenas lições podem moldar o caráter dos jovens.
21 de jan. de 2014
Alguém para amar
O mundo está cheio de queixas. De pessoas que se dizem solitárias. Que desejariam ser amadas. Que vivem em busca de alguém que as ame, que as compreenda.
O mundo está cheio de carências. Carências afetivas. Carências materiais.
Possivelmente, observando o panorama do mundo onde vivia foi que Madre Teresa de Calcutá, certo dia, escreveu:
Senhor, quando eu tiver fome, dai-me alguém que necessite de comida. Quando tiver sede, dai-me alguém que precise de água. Quando sentir frio, dai-me alguém que necessite de calor.
Quando tiver um aborrecimento, dai-me alguém que necessite de consolo. Quando minha cruz parecer pesada, deixai-me compartilhar a cruz do outro.
Quando me achar pobre, ponde a meu lado alguém necessitado. Quando não tiver tempo, dai-me alguém que precise de alguns dos meus minutos. Quando sofrer humilhação, dai-me ocasião para elogiar alguém.
Quando estiver desanimada, dai-me alguém para lhe dar novo ânimo.
Quando sentir necessidade da compreensão dos outros, dai-me alguém que necessite da minha. Quando sentir necessidade de que cuidem de mim, dai-me alguém que eu tenha de atender.
Quando pensar em mim mesma, voltai minha atenção para outra pessoa.
Tornai-nos dignos, Senhor, de servir nossos irmãos que vivem e morrem pobres e com fome no mundo de hoje.
Dai-lhes, através de nossas mãos, o pão de cada dia, e dai-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.
Madre Teresa verdadeiramente conjugou o verbo amar na prática diária. Sua preocupação era em primeiro lugar com os outros.
Todos representavam para ela o próprio Cristo. Em cada corpo enfermo, desnutrido e abandonado, ela via Jesus crucificado em um novo madeiro.
Amou de tal forma que estendeu a sua obra pelo mundo inteiro, abraçando homens de todas as nações e credos religiosos.
Honrada com o Prêmio Nobel da Paz, prosseguiu humilde, servindo aos seus irmãos da romagem terrestre. Tudo o que lhe importava eram os seus pobres. E os seus pobres eram os pobres do mundo inteiro.
Amou sem fronteiras e sem limites. Serviu a Jesus em plenitude. E nunca se ouviu de seus lábios uma queixa de solidão, amargura, cansaço ou desânimo.
Sua vida foi sempre um cântico de fidelidade a Deus, por meio dos compromissos com as lições deixadas por Jesus.
* * *
O Cristo precisa de almas dispostas e decididas que não meçam obstáculos para servi-lO. Almas que se lancem ao trabalho, por mais exaustivo que seja, porém sempre reconfortante e luminoso, desde que possa ser útil de verdade.
Almas que não esperem nada do beneficiado, por suas mãos socorrido, a não ser a sua felicidade, sob as luzes do amigo Jesus.
Almas cujo único desejo seja o de amar intensamente, sem aguardar um único gesto de gratidão.
Almas que tenham entendido o que desejou dizer Francisco de Assis: É melhor amar do que ser amado.
Redação do Momento Espírita,com base no cap. 20 do livro Vida e mensagem, pelo Espírito Francisco de Paula Vítor, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter e no poema de Madre Teresa de Calcutá, intitulado Dai-me alguém para amar.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 7, ed. Fep.
Em 20.01.2011.
20 de jan. de 2014
A imprensa
Todas as formas de reprodução, em larga escala, de textos escritos é chamada imprensa.
A partir daí, todos esses movimentos que têm havido, ao longo da História do homem, desde quando o homem começou a escrever suas ideias, seus pensamentos, nas lajes de pedra, no solo, onde quer que tenha sido, passamos a ter a existência de um veículo de comunicação.
É muito importante que uma geração legue a outras a sua produção, a sua cultura, tudo aquilo que aprendeu.
É muito importante que as gerações novas prestem atenção no legado que lhes foi deixado pelas gerações anteriores. A imprensa se presta a isso.
É dessa forma que achamos nos livros, nos opúsculos, nas revistas, nos textos mais variados, a presença do passado investindo no nosso presente.
A imprensa é profundamente importante para a Humanidade. Desde quando passamos a sentir necessidade de saber das coisas, que se sucedem aqui, ali, acolá, lançamos mão da imprensa.
A imprensa tem ajudado nesse grande movimento de alfabetização das criaturas. Seria muito complicado alfabetizar hoje, bilhões e bilhões de almas mundo afora, através da tradição oral, pertencente a muitos povos antigos.
Hoje, graças ao trabalho da imprensa, esse labor de alfabetizar se torna mais fácil.
Mas a imprensa também colaborou bastante, no movimento da democracia, para esse tipo de governança, esse filosofar social, esse sistema de dirigir comunidades, de dirigir o Estado, a cidade-estado grega. Naturalmente se deve à imprensa da época.
Os textos dos grandes democratas apresentados às comunidades e o povo podendo conhecer direitos, deveres, saber quem era nobre, quem era ignóbil, isso tudo vem colaborando para distender no mundo a democracia.
E o que falar das revoluções científicas?
Tudo quanto os cientistas vão adquirindo em conhecimento, vão desenvolvendo na sua lavra de pesquisas, é a imprensa que divulga.
Hoje, conhecemos jornalistas científicos, aqueles que acompanham o trabalho dos cientistas nos laboratórios e tratam de difundi-los para as comunidades. Isso se deve à imprensa.
Mas, curiosamente, temos observado um fenômeno preocupante: a incapacidade de muitos, que fazem imprensa, de divulgar coisas boas.
Será que, sob a justificativa de que a imprensa busca sempre atender ao interesse popular, e isto é verdade, deve procurar atendê-lo, essa comunidade necessita somente de notícias drásticas, de coisas negativas?
Impossível é pensar que não existam notícias boas para os jornais, para as revistas. Coisas boas para a publicação em livros.
Por que esse compromisso nefasto de grandes grupos da imprensa em divulgar somente o negativo?
Quem estaria lucrando com isto? A sociedade não é.
Quem estaria ganhando com esse movimento pessimista que se alastra pela sociedade, a partir de uma imprensa mal forjada?
Ficamos pensando no trabalho que tiveram os homens, desde o começo da civilização, para estruturar uma sistemática que ganhou grande pulso depois de Johannes Gutenberg, com os seus tipos móveis montados, ao invés das pessoas escreverem manualmente os textos.
Tudo isso ganhou dimensão com os novos trabalhos gráficos, com os novos maquinários gráficos. Mas, por que razão a criatura humana penetrou esse descaminho do negativismo?
Qualquer notícia que lemos tem a sua negatividade, traz o escândalo na sua pauta.
Será que é isto que a sociedade do mundo espera da imprensa?
Será que a imprensa não tem mais possibilidades de trazer esperanças às criaturas? Orientá-las? Elucidificá-las?
Quando pensamos em tudo isso, temos que refletir que está chegado o momento de refundirmos todo o trabalho da nova imprensa.
O interesse popular é pelo bem. Qual é a criatura, qual é a família que gostaria de ler somente tragédias, desastres, infortúnios, infelicidades ao compulsar as páginas de um jornal?
Quem é que gostaria de saber só de escândalos da vida alheia, as intrigas da intimidade dos casais famosos, ao compulsar uma revista?
Quem é que gostaria de ter, nas páginas de um livro, senão aquilo que deleitasse, que ilustrasse, ainda que se narrasse um crime, um desastre passional, mas que fosse para o engrandecimento da vida, para trazer uma mensagem nova?
Todos gostariam. De modo que, quando vemos a imprensa servindo de veículo, exatamente para fazer o oposto daquilo que é a sua missão, informar devidamente, preocupamo-nos com o futuro das comunicações.
Vale a pena pensar nos textos que encontramos redigidos pelos Apóstolos de Jesus, pelos discípulos.
É claro que eles falavam das traições, dos crimes da época, das tragédias sociais. Mas, fundamentalmente, tudo aquilo era para falar da vida, que esplende em toda parte. Da vida que nos concita a amá-la, a respeitá-la, a valorizá-la.
Deveria ser esse o papel da imprensa: divulgar aquilo que é de interesse social, sem qualquer dúvida. Mas o interesse social superior.
Não há nenhum interesse para a sociedade, em tomarmos conhecimento de que, neste exato momento, caiu um ônibus em tal lugar, explodiu um automóvel em outro lugar ou desabou um prédio em qualquer parte do mundo. Há tanta coisa boa para se noticiar.
Lamentavelmente, é raro lermos a respeito de jovens pobres das favelas, que aprenderam a cartilha, a tabuada, que fizeram vestibulares e foram aprovados, que dançam ballet, que foram contratados por empresas internacionais para dançar, para cantar.
E isso diz respeito ao interesse social. Cada criatura pobre, cada menino simples entenderia que, se aquele pôde se superar, ele também poderá. E isso seria incentivo.
Quando vemos a nossa imprensa, em grandes contingentes, preocupada e ocupada tão somente em divulgar o escândalo, é natural refletirmos que também ela estará incentivando as almas frágeis, aos Espíritos débeis, que procurarão, através dos escândalos, um lugar na imprensa.
É por isso que nos lembramos de uma canção, de uma letra de Chico Buarque de Holanda: Meu guri. Ele retrata exatamente isto: ele disse que chegava lá, porque ele via os meninos da favela onde ele vivia, os meninos do morro, do bairro pobre, conseguindo as coisas às custas do roubo, da falcatrua, da criminalidade.
E o poeta popular narra, com riqueza, o que é que vai na alma de um guri que cresce vendo aquilo na imprensa, nos jornais, sem falarmos naquilo que ele vivencia no seu habitat.
Seria tão bom se a imprensa do mundo inteiro se associasse aos interesses do nosso Criador. Trazer luz para as mentes e para os corações.
Ninguém está dizendo que a imprensa não deveria noticiar o crime, a falcatrua, a barbaria. Mas não como algo fundamental. Noticiar en passant para chamar a atenção, não focar a sua venda, a venda de seus produtos no que há de pior.
Ao abrirmos uma revista, um jornal, um periódico qualquer o que encontramos ali é costumeiramente nauseante.
A pornografia, a prostituição, a corrupção política, a corrupção de toda ordem, como se não houvessem outros valores que tivéssemos necessidade de conhecer.
Há tanta gente boa no mundo, há tanta coisa boa na Terra precisando desses spotligths da imprensa. Precisando dessas anotações da imprensa, que jornalistas sensíveis ao progresso do mundo, que periodistas sensíveis à necessidade social de crescer, de se libertar da sombra, não perdessem de vista que, nesses tempos curiosos da Terra, nesses tempos danados do mundo, nessa hora bicuda da Humanidade, todos sentimos necessidade de uma imprensa que sirva o bem, que trabalhe para a luz e nos ajude a crescer.
Raul Teixeira
A partir daí, todos esses movimentos que têm havido, ao longo da História do homem, desde quando o homem começou a escrever suas ideias, seus pensamentos, nas lajes de pedra, no solo, onde quer que tenha sido, passamos a ter a existência de um veículo de comunicação.
É muito importante que uma geração legue a outras a sua produção, a sua cultura, tudo aquilo que aprendeu.
É muito importante que as gerações novas prestem atenção no legado que lhes foi deixado pelas gerações anteriores. A imprensa se presta a isso.
É dessa forma que achamos nos livros, nos opúsculos, nas revistas, nos textos mais variados, a presença do passado investindo no nosso presente.
A imprensa é profundamente importante para a Humanidade. Desde quando passamos a sentir necessidade de saber das coisas, que se sucedem aqui, ali, acolá, lançamos mão da imprensa.
A imprensa tem ajudado nesse grande movimento de alfabetização das criaturas. Seria muito complicado alfabetizar hoje, bilhões e bilhões de almas mundo afora, através da tradição oral, pertencente a muitos povos antigos.
Hoje, graças ao trabalho da imprensa, esse labor de alfabetizar se torna mais fácil.
Mas a imprensa também colaborou bastante, no movimento da democracia, para esse tipo de governança, esse filosofar social, esse sistema de dirigir comunidades, de dirigir o Estado, a cidade-estado grega. Naturalmente se deve à imprensa da época.
Os textos dos grandes democratas apresentados às comunidades e o povo podendo conhecer direitos, deveres, saber quem era nobre, quem era ignóbil, isso tudo vem colaborando para distender no mundo a democracia.
E o que falar das revoluções científicas?
Tudo quanto os cientistas vão adquirindo em conhecimento, vão desenvolvendo na sua lavra de pesquisas, é a imprensa que divulga.
Hoje, conhecemos jornalistas científicos, aqueles que acompanham o trabalho dos cientistas nos laboratórios e tratam de difundi-los para as comunidades. Isso se deve à imprensa.
Mas, curiosamente, temos observado um fenômeno preocupante: a incapacidade de muitos, que fazem imprensa, de divulgar coisas boas.
Será que, sob a justificativa de que a imprensa busca sempre atender ao interesse popular, e isto é verdade, deve procurar atendê-lo, essa comunidade necessita somente de notícias drásticas, de coisas negativas?
Impossível é pensar que não existam notícias boas para os jornais, para as revistas. Coisas boas para a publicação em livros.
Por que esse compromisso nefasto de grandes grupos da imprensa em divulgar somente o negativo?
Quem estaria lucrando com isto? A sociedade não é.
Quem estaria ganhando com esse movimento pessimista que se alastra pela sociedade, a partir de uma imprensa mal forjada?
Ficamos pensando no trabalho que tiveram os homens, desde o começo da civilização, para estruturar uma sistemática que ganhou grande pulso depois de Johannes Gutenberg, com os seus tipos móveis montados, ao invés das pessoas escreverem manualmente os textos.
Tudo isso ganhou dimensão com os novos trabalhos gráficos, com os novos maquinários gráficos. Mas, por que razão a criatura humana penetrou esse descaminho do negativismo?
Qualquer notícia que lemos tem a sua negatividade, traz o escândalo na sua pauta.
Será que é isto que a sociedade do mundo espera da imprensa?
Será que a imprensa não tem mais possibilidades de trazer esperanças às criaturas? Orientá-las? Elucidificá-las?
Quando pensamos em tudo isso, temos que refletir que está chegado o momento de refundirmos todo o trabalho da nova imprensa.
O interesse popular é pelo bem. Qual é a criatura, qual é a família que gostaria de ler somente tragédias, desastres, infortúnios, infelicidades ao compulsar as páginas de um jornal?
Quem é que gostaria de saber só de escândalos da vida alheia, as intrigas da intimidade dos casais famosos, ao compulsar uma revista?
Quem é que gostaria de ter, nas páginas de um livro, senão aquilo que deleitasse, que ilustrasse, ainda que se narrasse um crime, um desastre passional, mas que fosse para o engrandecimento da vida, para trazer uma mensagem nova?
Todos gostariam. De modo que, quando vemos a imprensa servindo de veículo, exatamente para fazer o oposto daquilo que é a sua missão, informar devidamente, preocupamo-nos com o futuro das comunicações.
Vale a pena pensar nos textos que encontramos redigidos pelos Apóstolos de Jesus, pelos discípulos.
É claro que eles falavam das traições, dos crimes da época, das tragédias sociais. Mas, fundamentalmente, tudo aquilo era para falar da vida, que esplende em toda parte. Da vida que nos concita a amá-la, a respeitá-la, a valorizá-la.
Deveria ser esse o papel da imprensa: divulgar aquilo que é de interesse social, sem qualquer dúvida. Mas o interesse social superior.
Não há nenhum interesse para a sociedade, em tomarmos conhecimento de que, neste exato momento, caiu um ônibus em tal lugar, explodiu um automóvel em outro lugar ou desabou um prédio em qualquer parte do mundo. Há tanta coisa boa para se noticiar.
Lamentavelmente, é raro lermos a respeito de jovens pobres das favelas, que aprenderam a cartilha, a tabuada, que fizeram vestibulares e foram aprovados, que dançam ballet, que foram contratados por empresas internacionais para dançar, para cantar.
E isso diz respeito ao interesse social. Cada criatura pobre, cada menino simples entenderia que, se aquele pôde se superar, ele também poderá. E isso seria incentivo.
Quando vemos a nossa imprensa, em grandes contingentes, preocupada e ocupada tão somente em divulgar o escândalo, é natural refletirmos que também ela estará incentivando as almas frágeis, aos Espíritos débeis, que procurarão, através dos escândalos, um lugar na imprensa.
É por isso que nos lembramos de uma canção, de uma letra de Chico Buarque de Holanda: Meu guri. Ele retrata exatamente isto: ele disse que chegava lá, porque ele via os meninos da favela onde ele vivia, os meninos do morro, do bairro pobre, conseguindo as coisas às custas do roubo, da falcatrua, da criminalidade.
E o poeta popular narra, com riqueza, o que é que vai na alma de um guri que cresce vendo aquilo na imprensa, nos jornais, sem falarmos naquilo que ele vivencia no seu habitat.
Seria tão bom se a imprensa do mundo inteiro se associasse aos interesses do nosso Criador. Trazer luz para as mentes e para os corações.
Ninguém está dizendo que a imprensa não deveria noticiar o crime, a falcatrua, a barbaria. Mas não como algo fundamental. Noticiar en passant para chamar a atenção, não focar a sua venda, a venda de seus produtos no que há de pior.
Ao abrirmos uma revista, um jornal, um periódico qualquer o que encontramos ali é costumeiramente nauseante.
A pornografia, a prostituição, a corrupção política, a corrupção de toda ordem, como se não houvessem outros valores que tivéssemos necessidade de conhecer.
Há tanta gente boa no mundo, há tanta coisa boa na Terra precisando desses spotligths da imprensa. Precisando dessas anotações da imprensa, que jornalistas sensíveis ao progresso do mundo, que periodistas sensíveis à necessidade social de crescer, de se libertar da sombra, não perdessem de vista que, nesses tempos curiosos da Terra, nesses tempos danados do mundo, nessa hora bicuda da Humanidade, todos sentimos necessidade de uma imprensa que sirva o bem, que trabalhe para a luz e nos ajude a crescer.
Raul Teixeira
A reconciliação
Eu conheci Karen numa das viagens que fiz a uma das cidades do Sul do Brasil.
Uma jovem que à época contava 16 para 17 anos. Loira, quase ruiva, olhos de um azul celestial. Magrinha, de pequena estatura, mas uma alma muito querida.
Procurou-me depois de uma palestra e perguntou-me se poderia falar duas coisas comigo. Acedi, dei-lhe o tempo e Karen começou a me falar que carregava um grave problema na alma. As lágrimas chegaram aos seus olhos sem cair. Perguntei-lhe qual era o problema tão grave e ela respondeu-me que era sua mãe.
Mas o que pode haver de tão grave com sua mãe? Retruquei.
E Karen me respondeu, deixando que as lágrimas agora rolassem.
É que minha mãe é meretriz e eu não quero saber dela, envergonho-me dela.Tenho um namoradinho, professor, e tenho muita vergonha que ele saiba que minha mãe é assim. Gostaria de nunca mais vê-la.
Vi o sofrimento daquela jovem, na forma como ela narrava os tormentos do seu coração em relação à situação de sua mãe.
Percebendo isso dirigi-me a Karen e lhe perguntei: Por acaso, minha amiga, você já conversou com sua mãe, para saber dela o que a levou a esse estilo de vida?
Possivelmente sua mãe o tenha feito para defendê-la. Na fragilidade do própriocoração, queria salvar a filha, de repente, de um padrasto, de alguém que elatemesse desrespeitar você. Converse com sua mãe, tenho certeza de que vocêainda vai descobrir a mãe que tem.
Karen chorou, abraçou-me, perguntou se poderia me escrever. Eu assenti.
Duas semanas depois do nosso encontro em sua cidade, eu recebo uma pequena carta da jovenzinha e ela me dizia: Telefonei para minha mãe e pedi a ela um encontro para que conversássemos.
Ela ficou tão contente e marcamos de conversar no dia X.
Fiquei aguardando a chegada do dia X, para ver o que é que a menina iria me escrever depois.
Quase um mês se passou, quando recebi uma cartinha mais longa de Karen e dizia-me que conversaram, ela e sua mãe, durante uma noite inteira. De fato, sua mãe confirmara que tivera medo de casar-se outra vez depois da viuvez e alguém, introduzido no seu lar, abusar de sua filha que ela amava tanto.
Pela fragilidade de sua alma ela, então, se envolveu com um homem, se envolveu com outro homem e quando se deu conta, estava viciada em se envolver com os homens.
A jovem me falava na carta que sentiu uma ternura tão grande por sua mãe, que ficaram amigas ao fim da conversa.
Já tinham combinado de irem morar no mesmo apartamento, as duas ficariam no mesmo quarto para que pudessem conversar durante muitas horas, retirando o atraso daquele tempo em que estiveram distanciadas, não pela mãe mas pela filha.
Tempos depois recebi outra mensagem da jovem do Sul, dizendo-me que sua mãe era a melhor pessoa do mundo, como a amava, como a ajudava e que estava vivendo com sua mãe, um verdadeiro paraíso.
Já tinha apresentado seu namorado para a mãe e sua mãe o tratava muito bem, ele gostava da futura sogra.
Os dias foram se passando, os meses. Dois anos depois da primeira conversa, Karen me diz que tinha ficado noiva, depois me manda o convite do seu casamento para o qual sua mãe seria a madrinha. Seria uma festa de corações. Ela se reconciliara com sua genitora e, agora, Karen tem dois meninos.
Atualmente um tem seis anos, outro tem quatro anos, amam a avó, vivem no mesmo lar.
A antiga mãe atormentada pela prostituição se converteu no anjo tutelar da família. Cuida dos netos para que a filha e o genro possam trabalhar. Ama as crianças de paixão e a reconciliação abriu as portas da alma de Karen para descobrir um amor que a amava tanto, ainda que à distância.
* * *
Quando penso na história de Karen, história que eu conheci pessoalmente, fico imaginando quantos dramas familiares existem nessa mesma direção.
Filhos, filhas que se antagonizam com pais, com mães, cheios de razões e muitas vezes com razões de fato, mas que nunca se predispuseram a ouvir as razões do outro.
Conversar com o pai, conversar com a mãe, saber o que de fato aconteceu e abrir a alma para saber perdoar. Nenhum filho tem esse direito de ficar de mal com sua mãe, de ficar de mal com seu pai, por mais complicados que eles sejam, porque foram eles que nos permitiram chegar.
Há muitas mães certinhas, cheias de virtudes, mas que não deixam os filhos nascer. Há muitos pais certinhos socialmente, cultos, mas que não querem filhos.
Então os nossos pais, as nossas mães ainda que pobres, analfabetos, portando certos vícios, até o hábito da prostituição sexual, mas que abriram as portas da reencarnação para que nós chegássemos.
Não é sem sentido que o Decálogo de Moisés estabelece num dos seus mandamentos: Honra a teu pai e a tua mãe, a fim de viveres longo tempo na terra que o Senhor te dará.
Honrar é respeitar. Ninguém poderá impor a um filho amar o seu pai, amar a sua mãe, principalmente quando consideramos as nuanças da reencarnação.
Muitas vezes renascemos como filhos, como filhas de antigos inimigos nossos. Muitas vezes recebemos no lar como filhos, como filhas, antigos adversários nossos e é natural que, pelas Leis da afinidade, nós não tenhamos tantas aberturas para amar, tanto incentivo para amar. Toleramos, suportamos, no entanto, respeitando sempre.
Não precisamos concordar com tudo que eles fazem. Mas odiar o pai, odiar a mãe, ter raiva do pai, ter raiva da mãe certamente nos complicará porque isso caracterizará um crime de lesa-coração, um crime de desrespeito aos pais, de ingratidão, que o Evangelho aponta como sendo uma das coisas mais sérias que a alma pode contrair, para sua vivência atual e futura.
Do mesmo modo, precisamos nos reconciliar com nossos amores, pai, mãe, irmãos enquanto é tempo, enquanto estamos juntos deles. Não nos esqueçamos que foi Jesus Cristo que nos propôs: Reconcilia-te com teu adversário, enquanto estás a caminho com ele. Enquanto estamos aqui na Terra.
Se o nosso adversário falecer antes de nós ou nós antes dele, teremos aí um grave imbróglio, porque pode ser que ele, no Além, não nos perdoe as ingratidões, a malquerença, os distúrbios provocados em sua vida.
Pode ser que daqui não tenhamos mais chances de pedir-lhes desculpas, de pedir-lhes perdão e carregaremos o complexo de culpa, o tormento íntimo durante uma existência inteira, sentindo sempre que somos culpados ou responsáveis pelas desditas que eles passaram ou mesmo por sua morte.
Quantas vezes encontramos filhos, esposos, amigos que se agarram à alça do ataúde onde estão os corpos das pessoas por eles desamadas e gritam e se desesperam. Para quem esteja vendo parecerá bem querer, mas no fundo da alma de cada uma pode ser complexo de culpa.
Eu podia ter vivido melhor com ele.
Eu podia ter sido melhor para ela.
Eu podia ter feito um pouco mais para nos reconciliarmos.
Eu poderia ter investido um pouco mais, para não deixar murchar o amor, que nunca morre.
A indiferença, a malquerença nos complica. Antes de irmos ao templo entregarnossa oferenda, diz o Evangelho, antes de irmos para as nossas práticas religiosas, sejam elas quais forem, reconciliemos o coração com aquelas pessoas que nos atendem, que nos servem ou mesmo com aqueles que nos antagonizam, que são nossos adversários ou mesmo que sejam nossos inimigos.
É por isto que, baseando-nos nos ensinos de Jesus Cristo, entendo Karen, entendi Karen. E há tantas outras Karens vivendo no mundo, precisando amar.
Raul Teixeira
Uma jovem que à época contava 16 para 17 anos. Loira, quase ruiva, olhos de um azul celestial. Magrinha, de pequena estatura, mas uma alma muito querida.
Procurou-me depois de uma palestra e perguntou-me se poderia falar duas coisas comigo. Acedi, dei-lhe o tempo e Karen começou a me falar que carregava um grave problema na alma. As lágrimas chegaram aos seus olhos sem cair. Perguntei-lhe qual era o problema tão grave e ela respondeu-me que era sua mãe.
Mas o que pode haver de tão grave com sua mãe? Retruquei.
E Karen me respondeu, deixando que as lágrimas agora rolassem.
É que minha mãe é meretriz e eu não quero saber dela, envergonho-me dela.Tenho um namoradinho, professor, e tenho muita vergonha que ele saiba que minha mãe é assim. Gostaria de nunca mais vê-la.
Vi o sofrimento daquela jovem, na forma como ela narrava os tormentos do seu coração em relação à situação de sua mãe.
Percebendo isso dirigi-me a Karen e lhe perguntei: Por acaso, minha amiga, você já conversou com sua mãe, para saber dela o que a levou a esse estilo de vida?
Possivelmente sua mãe o tenha feito para defendê-la. Na fragilidade do própriocoração, queria salvar a filha, de repente, de um padrasto, de alguém que elatemesse desrespeitar você. Converse com sua mãe, tenho certeza de que vocêainda vai descobrir a mãe que tem.
Karen chorou, abraçou-me, perguntou se poderia me escrever. Eu assenti.
Duas semanas depois do nosso encontro em sua cidade, eu recebo uma pequena carta da jovenzinha e ela me dizia: Telefonei para minha mãe e pedi a ela um encontro para que conversássemos.
Ela ficou tão contente e marcamos de conversar no dia X.
Fiquei aguardando a chegada do dia X, para ver o que é que a menina iria me escrever depois.
Quase um mês se passou, quando recebi uma cartinha mais longa de Karen e dizia-me que conversaram, ela e sua mãe, durante uma noite inteira. De fato, sua mãe confirmara que tivera medo de casar-se outra vez depois da viuvez e alguém, introduzido no seu lar, abusar de sua filha que ela amava tanto.
Pela fragilidade de sua alma ela, então, se envolveu com um homem, se envolveu com outro homem e quando se deu conta, estava viciada em se envolver com os homens.
A jovem me falava na carta que sentiu uma ternura tão grande por sua mãe, que ficaram amigas ao fim da conversa.
Já tinham combinado de irem morar no mesmo apartamento, as duas ficariam no mesmo quarto para que pudessem conversar durante muitas horas, retirando o atraso daquele tempo em que estiveram distanciadas, não pela mãe mas pela filha.
Tempos depois recebi outra mensagem da jovem do Sul, dizendo-me que sua mãe era a melhor pessoa do mundo, como a amava, como a ajudava e que estava vivendo com sua mãe, um verdadeiro paraíso.
Já tinha apresentado seu namorado para a mãe e sua mãe o tratava muito bem, ele gostava da futura sogra.
Os dias foram se passando, os meses. Dois anos depois da primeira conversa, Karen me diz que tinha ficado noiva, depois me manda o convite do seu casamento para o qual sua mãe seria a madrinha. Seria uma festa de corações. Ela se reconciliara com sua genitora e, agora, Karen tem dois meninos.
Atualmente um tem seis anos, outro tem quatro anos, amam a avó, vivem no mesmo lar.
A antiga mãe atormentada pela prostituição se converteu no anjo tutelar da família. Cuida dos netos para que a filha e o genro possam trabalhar. Ama as crianças de paixão e a reconciliação abriu as portas da alma de Karen para descobrir um amor que a amava tanto, ainda que à distância.
* * *
Quando penso na história de Karen, história que eu conheci pessoalmente, fico imaginando quantos dramas familiares existem nessa mesma direção.
Filhos, filhas que se antagonizam com pais, com mães, cheios de razões e muitas vezes com razões de fato, mas que nunca se predispuseram a ouvir as razões do outro.
Conversar com o pai, conversar com a mãe, saber o que de fato aconteceu e abrir a alma para saber perdoar. Nenhum filho tem esse direito de ficar de mal com sua mãe, de ficar de mal com seu pai, por mais complicados que eles sejam, porque foram eles que nos permitiram chegar.
Há muitas mães certinhas, cheias de virtudes, mas que não deixam os filhos nascer. Há muitos pais certinhos socialmente, cultos, mas que não querem filhos.
Então os nossos pais, as nossas mães ainda que pobres, analfabetos, portando certos vícios, até o hábito da prostituição sexual, mas que abriram as portas da reencarnação para que nós chegássemos.
Não é sem sentido que o Decálogo de Moisés estabelece num dos seus mandamentos: Honra a teu pai e a tua mãe, a fim de viveres longo tempo na terra que o Senhor te dará.
Honrar é respeitar. Ninguém poderá impor a um filho amar o seu pai, amar a sua mãe, principalmente quando consideramos as nuanças da reencarnação.
Muitas vezes renascemos como filhos, como filhas de antigos inimigos nossos. Muitas vezes recebemos no lar como filhos, como filhas, antigos adversários nossos e é natural que, pelas Leis da afinidade, nós não tenhamos tantas aberturas para amar, tanto incentivo para amar. Toleramos, suportamos, no entanto, respeitando sempre.
Não precisamos concordar com tudo que eles fazem. Mas odiar o pai, odiar a mãe, ter raiva do pai, ter raiva da mãe certamente nos complicará porque isso caracterizará um crime de lesa-coração, um crime de desrespeito aos pais, de ingratidão, que o Evangelho aponta como sendo uma das coisas mais sérias que a alma pode contrair, para sua vivência atual e futura.
Do mesmo modo, precisamos nos reconciliar com nossos amores, pai, mãe, irmãos enquanto é tempo, enquanto estamos juntos deles. Não nos esqueçamos que foi Jesus Cristo que nos propôs: Reconcilia-te com teu adversário, enquanto estás a caminho com ele. Enquanto estamos aqui na Terra.
Se o nosso adversário falecer antes de nós ou nós antes dele, teremos aí um grave imbróglio, porque pode ser que ele, no Além, não nos perdoe as ingratidões, a malquerença, os distúrbios provocados em sua vida.
Pode ser que daqui não tenhamos mais chances de pedir-lhes desculpas, de pedir-lhes perdão e carregaremos o complexo de culpa, o tormento íntimo durante uma existência inteira, sentindo sempre que somos culpados ou responsáveis pelas desditas que eles passaram ou mesmo por sua morte.
Quantas vezes encontramos filhos, esposos, amigos que se agarram à alça do ataúde onde estão os corpos das pessoas por eles desamadas e gritam e se desesperam. Para quem esteja vendo parecerá bem querer, mas no fundo da alma de cada uma pode ser complexo de culpa.
Eu podia ter vivido melhor com ele.
Eu podia ter sido melhor para ela.
Eu podia ter feito um pouco mais para nos reconciliarmos.
Eu poderia ter investido um pouco mais, para não deixar murchar o amor, que nunca morre.
A indiferença, a malquerença nos complica. Antes de irmos ao templo entregarnossa oferenda, diz o Evangelho, antes de irmos para as nossas práticas religiosas, sejam elas quais forem, reconciliemos o coração com aquelas pessoas que nos atendem, que nos servem ou mesmo com aqueles que nos antagonizam, que são nossos adversários ou mesmo que sejam nossos inimigos.
É por isto que, baseando-nos nos ensinos de Jesus Cristo, entendo Karen, entendi Karen. E há tantas outras Karens vivendo no mundo, precisando amar.
Raul Teixeira
29 de ago. de 2013
Adoração a Deus
Em seu Evangelho, o apóstolo João relata, com sentimento e poesia, o encontro de Jesus com a mulher samaritana.
No longo diálogo, percebe-se que Jesus conhece a intimidade daquela alma sofredora e perturbada, enquanto ela mesma somente aos poucos vai se dando conta da condição de Jesus, à medida que ouve Suas palavras.
Acredita-O um profeta. Mas Israel tinha tantos profetas.
No desdobramento das falas, o Mestre lhe informa acerca da verdadeira adoração ao Criador, que dispensa lugares geográficos, mas que busca o íntimo das criaturas.
A mulher ouve e entende, mas não consegue perceber a autoridade naquelas palavras.
É como se ela pensasse: o que Tu me dizes é interessante, é importante mesmo, mas aguardo o Messias, o Cristo, que virá, e, quando Ele vier, nos anunciará todas as coisas.
* * *
Muitos de nós somos como a samaritana. Guardamos as palavras de Jesus na memória, sem Lhe darmos o verdadeiro crédito, como à espera de uma confirmação.
Contudo, os ensinos de Jesus seguem claros e disponíveis a todos os que os queiram entender em Espírito e Verdade.
Para o Cristo, a adoração ao Pai não é importante se dê aqui ou ali, em algum templo luxuoso, em lugar minúsculo ou em plena natureza.
Em síntese, a alma humana também compõe a natureza, e é a alma humana a que tem condições de pensar em Deus.
Por isso mesmo, não há lugar mais apropriado para a adoração ao Criador do que a intimidade do ser.
Para adorar a Deus não há necessidade de nada material: nem símbolos, nem flores, nem velas, cânticos ou palavras. Nem mesmo posturas especiais.
Basta o coração que sente e a mente que pensa, fechando o circuito entre a criatura e o Criador.
* * *
Porque a samaritana esperasse a chegada do Messias, para tudo confirmar, o Mestre apresentou-Se a ela não como mais um profeta de Israel, mas como sendo o próprio Messias esperado com tanta ansiedade: Eu o Sou, Eu que falo contigo.
Especial momento aquele, de insuperável sublimidade.
Jesus é assim mesmo: o Caminho da verdadeira vida.
Quando nos demoramos em dúvidas, ou quando damos passos indecisos, Ele se mostra de diversas maneiras, em nossas existências, afirmando-Se o Cristo de Deus, o Messias.
Eu o Sou, Eu que falo contigo.
E os que temos ouvidos de ouvir, podemos perceber-Lhe a voz terna, assegurando-nos o constante ensino.
* * *
O episódio de Jesus com a samaritana, ocorreu num mês de dezembro ou janeiro.
No Seu diálogo, Jesus selou o ensino acerca da verdadeira adoração ao Pai com estas palavras: Virá a hora em que adorareis ao Pai, não neste monte, nem em Jerusalém, mas em Espírito e Verdade, pois Deus é Espírito e os que O adoram, em Espírito e Verdade é que devem adorá-Lo.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 14 do livro
Quem é o Cristo?, pelo Espírito Camilo, psicografia de
J.Raul Teixeira, ed, Fráter.
Em 19.06.2009.
6 de ago. de 2013
Aborrecimentos
Nada mais comum, nas atividades terrenas, do que o hábito enraizado das querelas, dos desentendimentos, das chateações.
Nada mais corriqueiro entre os indivíduos humanos.
Como um campo de meninos, em que cada gesto, cada nota, cada menção se torna um bom motivo para contendas e mal-entendidos, também na sociedade dos adultos o mesmo fenômeno ocorre.
Mais do que compreensível é que você, semelhante a um menino de pavio curto, libere adrenalina nos episódios cotidianos que desafiem a sua estabilidade emocional.
Compreensível que se agite, que se irrite, que alteie a voz, que afivele ao rosto expressões feias de diversos matizes.
Em virtude do nível do seu mundo íntimo, tudo isso é possível de acontecer.
Contudo, você não veio à Terra para fixar deficiências, mas para tratá-las, cultivando a saúde.
Você não se acha no mundo para submeter-se aos impulsos irracionais, mas para fazê-los amadurecer para os campos da razão lúcida.
Você não nasceu para se deixar levar pelo destempero, pela irritação que desarticula o equilíbrio, mas tem o dever de educar-se, porque tem na pauta da sua vida o compromisso de cooperar com Deus, à medida que cresça, que amadureça, que se enobreça.
Desse modo, os seus aborrecimentos diários, embora sejam admissíveis em almas infantis e destemperadas, já começam a provocar ruídos infelizes, desconcertantes e indesejáveis, nas almas que se encontram no mundo para dar conta de compromissos abençoados com Jesus Cristo e com Seus prepostos.
Assim, observe-se. Conheça-se no aprendizado do bem, um pouco mais. Esforce-se por melhorar-se.
Resista um pouco mais aos impulsos da fera que ainda ronda as suas experiências íntimas.
Aproxime-se um pouco mais dos Benfeitores Espirituais que o amparam.
Perante as perturbações alheias, aprenda a analisar e não repetir.
Diante da rebeldia de alguém, analise e retire a lição para que não faça o mesmo.
Notando a explosão violenta de alguém, reflita nas consequências danosas, a fim de não fazer o mesmo.
Cada esforço que você fizer por melhorar-se, por educar-se, será secundado pela ajuda de luminosos Imortais que estão, em todo tempo, investindo no seu progresso, para que, pouco a pouco, mas sempre, você cresça e se ilumine, fazendo-se vitorioso cooperador com Deus, tendo superado a si mesmo, transformando suas noites morais em radiosas manhãs de perene formosura.
* * *
Quando você for visitado por uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponha-se a ela.
E, quando houver conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, diga, de si para consigo, cheio de justa satisfação: Fui o mais forte.
Redação do Momento Espírita com base no cap. 13 do livro
Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira,
ed. Fráter.
Em 06.12.2010.
12 de jun. de 2013
ADOÇÃO POR CASAIS HOMOSSEXUAIS! COMO A DOUTRINA ESPÍRITA ENCARA ESTE TEMA?
Haveria algum tipo de problema ou conseqüência negativa para a criança que é adotada por casais homossexuais?
A princípio não. Porque a grande massa de homossexuais que existe na sociedade é filha de casais heterossexuais. E por que ficaram homossexuais?De repente poderíamos concluir que são casais heterossexuais que fazem filhos homossexuais.
E até hoje não temos nenhuma notícia dentre os casais homossexuais que criaram filhos que tenham se tornado igualmente homossexuais. Particularmente conheço vários rapazes, hoje pais de família, que foram criados por suas tias homossexuais, que viviam com elas e com outras pessoas, na maior discrição, e se tornaram homens de bem, médicos, engenheiros.
Só souberam que as tias eram homossexuais quando eles cresceram e elas os chamaram para dizer. Eles nunca presenciaram nenhum ato menos lógico e lúcido dentro de casa, nunca presenciaram qualquer desrespeito, nunca viram estas tias tocarem nas mãos uma das outras. Eles chamavam uma de tia verdadeira e a outra era a companheira.
Então, isto nos leva a verificar que muitas vezes a sociedade estereotipa determinados comportamentos. Vemos casais homossexuais, porque eu lido com muita gente, de uma respeitabilidade social incrível. Como vemos casais heterossexuais de um desrespeito brutal.
Eles brigam, eles se agridem, eles batem, o marido passa com outra mulher na frente da esposa, a mulher passa com outro homem na frente do marido, e os casais homossexuais têm demonstrado uma maior autenticidade no bem querer. Não estamos defendendo e nem acusando homossexuais, estamos constatando o que se vê no mundo.
De modo que os bons espíritos nos dizem que o amor não tem sexo. Como é que podemos imaginar que o melhor para uma criança é ser criada na rua, ao relento, submetida a todo tipo de execração, a ser criada nutrida, abençoada por um lar de casal homossexual?
Muita gente assevera que a criança corre riscos. Mas como? Nós estamos acompanhando as crianças correndo riscos nas casas de seus pais heterossexuais todos os dias.
Logo, não devemos entrar nessa discussão que é tola e preconceituosa, aquele que tem amor para dar que dê. Naturalmente, vivendo numa sociedade cristã hipócrita, as pessoas falam contra a adoção por homossexuais, mas não se predispõem a adotar.
Temos que verificar que Deus não está observando qual é o direcionamento que estamos dando a nossa libido, Ele está acompanhando o amor que nós temos.
J. Raul Teixeira
5 de jun. de 2013
Problemas sociais
No Evangelho de Jesus, identificamos um dos Seus ensinos notáveis, no Evangelho segundo João, no capítulo XIV, itens 1 a 3. Nesses versículos Jesus Cristo estabelece o seguinte:
Credes em Deus, crede também em Mim. Na casa do Meu Pai há muitas moradas. Eu Me vou para vos preparar o lugar, se assim não fosse Eu já vos teria dito.
Quando lemos isso no Evangelho, nos damos conta de que vivemos num planeta que é uma das casas de Deus espalhadas pelo Cosmo, pelo Universo inteiro.
O nosso planeta é a casa que momentaneamente estamos habitando e, não estamos aqui por casualidade. Existirá, sem dúvida, uma razão para que Deus nos haja situado neste planeta.
É óbvio que, nessa altura dos acontecimentos do mundo, da Ciência, do pensamento filosófico, não há mais espaço para admitirmos que seja somente o nosso planeta habitado nesse Universo de bilhões e bilhões de estrelas, cada uma dessas estrelas, cada um desses sois rodeados por seus planetas. Como é que somente o nosso teria o privilégio da vida inteligente no Universo inteiro?
O bom senso nos leva a pensar que há muitas outras cidades cósmicas, continentes siderais, como nós quisermos pensar.
Mas, a nossa Terra foi aquela casa planetária, aquela casa de Deus destinada a nossa habitação. Por isso mesmo estamos aqui numa sociedade, humana, da qual fazemos parte psiquicamente.
Todos os que vivemos neste planeta somos aparentados, temos um parentesco. Deus nos trouxe de alguns lugares, nos reuniu aqui e, naturalmente esses diversos lugares de onde viemos para a Terra, essas múltiplas moradas da casa do Pai, como lembrou Jesus, eram casas, moradas, planetas em que tínhamos características específicas, certas singularidades, certas propriedades, certas inclinações, certas tendências.
Quando nos reunimos aqui formamos a sociedade terrestre. E, essa sociedade terrestre é composta pelos elementos que vivemos nos mais diversos continentes, nos cinco continentes da Terra.
Notamos que, por mais que haja nesses continentes hábitos próprios, culturas próprias, alimentação específica, todos somos muito assemelhados. Enquanto criaturas humanas, sentimos amor, tristezas, mágoas, ódios, temos acessos de ira, temos expressões de ternura.
Somos muito similares, não importa qual seja a língua que estejamos falando; se o nosso país é de primeiro mundo, de segundo mundo, de terceiro ou quarto mundo, o importante é que nós somos muito assemelhados nas nossas reações espirituais.
Isto quer dizer que fazemos parte de uma mesma família evolutiva, um mesmo grupo em que manifestamos aquilo que já tenhamos adquirido.
É óbvio que vamos encontrar na Terra, figuras de exceção. Vamos achar aqui almas como Francisco de Assis, como Chico Xavier, como Abade Pierre, na França, como Luther King, nos Estados Unidos, Lincoln. Vamos achar criaturas como Madre Teresa, como Irmã Dulce. Vamos encontrar gente maravilhosa como João Paulo II. Vamos encontrá-los assim, espalhados nessa imensa massa humana.
Mas, a maioria de nós ainda se debate nas suas próprias tormentas. O ciúme, a mágoa, o ódio, a inveja, o despeito, o orgulho, a vaidade, a alegria exacerbada.
A nossa alegria é tão exacerbada, é tão estranha aqui na Terra que, quando queremos comemorar nossas festividades, temos que beber muito, temos que comer muito, temos que cair na vala do excesso, mostrando que ainda não sabemos aproveitar a nossa vida no planeta.
Tudo conosco raia para os extremos. Se gostamos de uma pessoa, nos apegamos a ela, ficamos ciumentos e, por causa do ciúme, nos atormentamos.
Se gostamos de comer alguma coisa, comemos aquilo até que nos faça mal. Vejamos como nos falta muito equilíbrio, dosando aquilo que o planeta nos oferece.
Por causa disso é que a sociedade em que nós estamos vivendo na Terra é a sociedade que nós merecemos.
Todos somos animais sociais, já disse o filósofo, todos somos criaturas que temos necessidade da vida social mas, enquanto estamos na Terra, nos assemelhamos a crianças colocadas na escola.
Temos que aprender boas maneiras, temos que desenvolver bons modos, temos que aprender a conviver uns com os outros, sabedores de que nessa convivência uns com os outros, alcançaremos o progresso que buscamos.
É a Terra o berço da nossa sociedade atual.
Sendo aqui o berço da nossa sociedade atual, tudo que fazemos aqui, fazemos em função da nossa volição, da nossa vontade, do nosso livre arbítrio.
Os atos de nossa vida são coordenados pela liberdade que temos de fazê-los. Por causa disto, a partir do momento em que acionamos a roda das nossas ações, estamos submetidos inexoravelmente às consequências dessas ações.
Por isso, Jesus Cristo estabeleceu para nós, que a sementeira que fazemos é de total liberdade, é livre a nossa sementeira, mas depois que se semeou, o que se vai colher é obrigatório.
Assim, na vivência social, vale a pena termos cuidado com aquilo que estamos plantando no território das almas humanas, no território dos corações alheios, no íntimo das vidas que nos rodeiam porque, em verdade, nós teremos as consequências dessa plantação.
E, pensando no fato de que na Terra, quase nunca sabemos semear boas sementes, quase sempre estamos envoltos em tormentas, Jesus Cristo nos diz, com certa dose de amargura:
No mundo só tereis aflições. Que coisa mais estranha.
Mas, se pararmos para pensar, este é o mundo das dúvidas, este é o mundo das incertezas, este é o mundo das impermanências. Nada neste mundo é para sempre, tudo é relativo, tudo é temporário, então, é o mundo das aflições.
Afligimo-nos porque não sabemos se vamos chegar a tempo, na estrada cheia como está, ao nosso trabalho; afligimo-nos porque não sabemos se vamos ser aprovados no vestibular, se seremos aprovados no concurso que fizemos.
Afligimo-nos porque não sabemos se determinada comida nos fará mal ou não, nos afligimos porque não sabemos... nos afligimos.
No mundo só tereis aflições.
Afligimo-nos por não saber se alguém gosta da gente como a gente afirma gostar desse alguém. A mulher tem ciúme do marido: Será que ele gosta de mim como eu gosto dele?O marido tem ciúme da esposa: Será que ela me ama como eu a amo?
E, deste modo, nós vivemos o tempo todo nesses conflitos. Conflitos de fora, da vida social, das necessidades prementes, conflitos por dentro, as nossas incertezas, aquilo que não se imagina se será ou se não será amanhã.
Então, a vida na Terra é uma consequência dos nossos atos. Se vivemos num mundo com essas características, é porque desenvolvemos em algum tempo, em alguma dessas moradas na casa do Pai, situações que nos impuseram viver hoje na Terra.
Deus não dá ponto sem nó O Criador não se equivoca jamais. Todas as coisas estão corretas aqui. Vale a pena pensarmos, e pensarmos bem naquilo que desejamos transformar a nossa sociedade.
Se damos bons exemplos, se damos bons ensinos, se passamos boas orientações para nossa criança, essa criança será um jovem bem orientado, bem instruído, bem assistido, que assistiu a bons exemplos.
Se ensinamos as crianças a serem corruptas ou corruptoras, se lhes ensinamos a fazer o mal, a prejudicar os animais, a ferir os bichinhos, a agredir a quem as agride na rua, pagar o mal com o mal, é óbvio que nós também participaremos da colheita dessa tragédia.
E é desta maneira que vale a pena pensar que vivemos na sociedade do mundo terrestre, porque é esta sociedade que fizemos por merecer. Deus não nos pôs aqui por mero acaso.
Quantas são as pessoas que se perguntam: Que mal eu fiz a Deus? Eu acho que eu nasci em tempo errado. Isto aqui não é o meu lugar, não é o meu mundo. É óbvio que é o nosso lugar.
Recordo-me de que, oportunamente, tive um desses surtos de criaturas humanas. Fiquei triste porque cada lugar que a gente vai, acha aqueles que não nos entendem, aqueles que estão sempre tramando contra nós, aqueles que nos tratam mal, aqueles que são ríspidos, que são grosseiros, que são indiferentes, e essa tristeza tomou-me conta da alma. Cheguei a minha casa muito preocupado, assentei-me no sofá e fiquei meditando. Algumas lágrimas me vieram aos olhos, por ver uma sociedade tão complexa como é a nossa.
Nesse momento, registrei uma criatura do outro lado da vida que me sugeriu o seguinte raciocínio:
E pensar meu filho, que você já poderia estar vivendo outra situação, diferente desta.
Foi o modo que ele encontrou de me dizer que o que eu estava vivendo aqui era fruto de minha própria escolha, consciente ou inconscientemente, porque aqui, na nossa sociedade terrestre, ganhamos o bônus do bem praticado, nas outras moradas da casa do Pai ou temos que resgatar o ônus de todos os gestos negativos que realizamos por esse mundo afora ou aqui no nosso planeta.
Raul Teixeira,
Credes em Deus, crede também em Mim. Na casa do Meu Pai há muitas moradas. Eu Me vou para vos preparar o lugar, se assim não fosse Eu já vos teria dito.
Quando lemos isso no Evangelho, nos damos conta de que vivemos num planeta que é uma das casas de Deus espalhadas pelo Cosmo, pelo Universo inteiro.
O nosso planeta é a casa que momentaneamente estamos habitando e, não estamos aqui por casualidade. Existirá, sem dúvida, uma razão para que Deus nos haja situado neste planeta.
É óbvio que, nessa altura dos acontecimentos do mundo, da Ciência, do pensamento filosófico, não há mais espaço para admitirmos que seja somente o nosso planeta habitado nesse Universo de bilhões e bilhões de estrelas, cada uma dessas estrelas, cada um desses sois rodeados por seus planetas. Como é que somente o nosso teria o privilégio da vida inteligente no Universo inteiro?
O bom senso nos leva a pensar que há muitas outras cidades cósmicas, continentes siderais, como nós quisermos pensar.
Mas, a nossa Terra foi aquela casa planetária, aquela casa de Deus destinada a nossa habitação. Por isso mesmo estamos aqui numa sociedade, humana, da qual fazemos parte psiquicamente.
Todos os que vivemos neste planeta somos aparentados, temos um parentesco. Deus nos trouxe de alguns lugares, nos reuniu aqui e, naturalmente esses diversos lugares de onde viemos para a Terra, essas múltiplas moradas da casa do Pai, como lembrou Jesus, eram casas, moradas, planetas em que tínhamos características específicas, certas singularidades, certas propriedades, certas inclinações, certas tendências.
Quando nos reunimos aqui formamos a sociedade terrestre. E, essa sociedade terrestre é composta pelos elementos que vivemos nos mais diversos continentes, nos cinco continentes da Terra.
Notamos que, por mais que haja nesses continentes hábitos próprios, culturas próprias, alimentação específica, todos somos muito assemelhados. Enquanto criaturas humanas, sentimos amor, tristezas, mágoas, ódios, temos acessos de ira, temos expressões de ternura.
Somos muito similares, não importa qual seja a língua que estejamos falando; se o nosso país é de primeiro mundo, de segundo mundo, de terceiro ou quarto mundo, o importante é que nós somos muito assemelhados nas nossas reações espirituais.
Isto quer dizer que fazemos parte de uma mesma família evolutiva, um mesmo grupo em que manifestamos aquilo que já tenhamos adquirido.
É óbvio que vamos encontrar na Terra, figuras de exceção. Vamos achar aqui almas como Francisco de Assis, como Chico Xavier, como Abade Pierre, na França, como Luther King, nos Estados Unidos, Lincoln. Vamos achar criaturas como Madre Teresa, como Irmã Dulce. Vamos encontrar gente maravilhosa como João Paulo II. Vamos encontrá-los assim, espalhados nessa imensa massa humana.
Mas, a maioria de nós ainda se debate nas suas próprias tormentas. O ciúme, a mágoa, o ódio, a inveja, o despeito, o orgulho, a vaidade, a alegria exacerbada.
A nossa alegria é tão exacerbada, é tão estranha aqui na Terra que, quando queremos comemorar nossas festividades, temos que beber muito, temos que comer muito, temos que cair na vala do excesso, mostrando que ainda não sabemos aproveitar a nossa vida no planeta.
Tudo conosco raia para os extremos. Se gostamos de uma pessoa, nos apegamos a ela, ficamos ciumentos e, por causa do ciúme, nos atormentamos.
Se gostamos de comer alguma coisa, comemos aquilo até que nos faça mal. Vejamos como nos falta muito equilíbrio, dosando aquilo que o planeta nos oferece.
Por causa disso é que a sociedade em que nós estamos vivendo na Terra é a sociedade que nós merecemos.
Todos somos animais sociais, já disse o filósofo, todos somos criaturas que temos necessidade da vida social mas, enquanto estamos na Terra, nos assemelhamos a crianças colocadas na escola.
Temos que aprender boas maneiras, temos que desenvolver bons modos, temos que aprender a conviver uns com os outros, sabedores de que nessa convivência uns com os outros, alcançaremos o progresso que buscamos.
É a Terra o berço da nossa sociedade atual.
Sendo aqui o berço da nossa sociedade atual, tudo que fazemos aqui, fazemos em função da nossa volição, da nossa vontade, do nosso livre arbítrio.
Os atos de nossa vida são coordenados pela liberdade que temos de fazê-los. Por causa disto, a partir do momento em que acionamos a roda das nossas ações, estamos submetidos inexoravelmente às consequências dessas ações.
Por isso, Jesus Cristo estabeleceu para nós, que a sementeira que fazemos é de total liberdade, é livre a nossa sementeira, mas depois que se semeou, o que se vai colher é obrigatório.
Assim, na vivência social, vale a pena termos cuidado com aquilo que estamos plantando no território das almas humanas, no território dos corações alheios, no íntimo das vidas que nos rodeiam porque, em verdade, nós teremos as consequências dessa plantação.
E, pensando no fato de que na Terra, quase nunca sabemos semear boas sementes, quase sempre estamos envoltos em tormentas, Jesus Cristo nos diz, com certa dose de amargura:
No mundo só tereis aflições. Que coisa mais estranha.
Mas, se pararmos para pensar, este é o mundo das dúvidas, este é o mundo das incertezas, este é o mundo das impermanências. Nada neste mundo é para sempre, tudo é relativo, tudo é temporário, então, é o mundo das aflições.
Afligimo-nos porque não sabemos se vamos chegar a tempo, na estrada cheia como está, ao nosso trabalho; afligimo-nos porque não sabemos se vamos ser aprovados no vestibular, se seremos aprovados no concurso que fizemos.
Afligimo-nos porque não sabemos se determinada comida nos fará mal ou não, nos afligimos porque não sabemos... nos afligimos.
No mundo só tereis aflições.
Afligimo-nos por não saber se alguém gosta da gente como a gente afirma gostar desse alguém. A mulher tem ciúme do marido: Será que ele gosta de mim como eu gosto dele?O marido tem ciúme da esposa: Será que ela me ama como eu a amo?
E, deste modo, nós vivemos o tempo todo nesses conflitos. Conflitos de fora, da vida social, das necessidades prementes, conflitos por dentro, as nossas incertezas, aquilo que não se imagina se será ou se não será amanhã.
Então, a vida na Terra é uma consequência dos nossos atos. Se vivemos num mundo com essas características, é porque desenvolvemos em algum tempo, em alguma dessas moradas na casa do Pai, situações que nos impuseram viver hoje na Terra.
Deus não dá ponto sem nó O Criador não se equivoca jamais. Todas as coisas estão corretas aqui. Vale a pena pensarmos, e pensarmos bem naquilo que desejamos transformar a nossa sociedade.
Se damos bons exemplos, se damos bons ensinos, se passamos boas orientações para nossa criança, essa criança será um jovem bem orientado, bem instruído, bem assistido, que assistiu a bons exemplos.
Se ensinamos as crianças a serem corruptas ou corruptoras, se lhes ensinamos a fazer o mal, a prejudicar os animais, a ferir os bichinhos, a agredir a quem as agride na rua, pagar o mal com o mal, é óbvio que nós também participaremos da colheita dessa tragédia.
E é desta maneira que vale a pena pensar que vivemos na sociedade do mundo terrestre, porque é esta sociedade que fizemos por merecer. Deus não nos pôs aqui por mero acaso.
Quantas são as pessoas que se perguntam: Que mal eu fiz a Deus? Eu acho que eu nasci em tempo errado. Isto aqui não é o meu lugar, não é o meu mundo. É óbvio que é o nosso lugar.
Recordo-me de que, oportunamente, tive um desses surtos de criaturas humanas. Fiquei triste porque cada lugar que a gente vai, acha aqueles que não nos entendem, aqueles que estão sempre tramando contra nós, aqueles que nos tratam mal, aqueles que são ríspidos, que são grosseiros, que são indiferentes, e essa tristeza tomou-me conta da alma. Cheguei a minha casa muito preocupado, assentei-me no sofá e fiquei meditando. Algumas lágrimas me vieram aos olhos, por ver uma sociedade tão complexa como é a nossa.
Nesse momento, registrei uma criatura do outro lado da vida que me sugeriu o seguinte raciocínio:
E pensar meu filho, que você já poderia estar vivendo outra situação, diferente desta.
Foi o modo que ele encontrou de me dizer que o que eu estava vivendo aqui era fruto de minha própria escolha, consciente ou inconscientemente, porque aqui, na nossa sociedade terrestre, ganhamos o bônus do bem praticado, nas outras moradas da casa do Pai ou temos que resgatar o ônus de todos os gestos negativos que realizamos por esse mundo afora ou aqui no nosso planeta.
Raul Teixeira,
Sofrimentos e resignação
Temos que admitir que na Terra todos sofremos. Sim, todos sofremos na Terra.
Este é um planeta de provações e de expiações. Isso não é bom, nem é ruim, é a condição evolutiva do planeta.
Desde os mundos primitivos destinados às primeiras existências humanas até os mundos divinos, celestes, conforme a classificação dos Espíritos, encontramos os mundos de provas e expiações.
Afirmam os Guias da Humanidade que, nos mundos de provas e expiações predomina o mal. O bem ainda se elabora, mas predomina o mal.
Se nesses mundos predomina o mal, todos aqueles que neles vivemos, estamos, de certa maneira, sujeitos ao mal desse mundo.
É muitíssimo importante pensar nessa questão. Cada vez que olhamos a nossa volta encontramos sofrimentos de todos os níveis.
Sofrimentos na área social. Há indivíduos que nascem, que vivem em estado de tamanha pobreza, de miséria sociologicamente ditos, abaixo da linha da pobreza, economicamente também entendidos assim.
E ficamos a nos perguntar: Como é que no mundo onde se põe fora, onde se exorbita, onde há lixo rico, nas grandes cidades, pode existir tanta fome?
Encontramos criaturas que, desde que nascem são marcadas por enfermidades soezes, indivíduos que são autistas, hidrocéfalos, microcéfalos, macrocéfalos, cegos, surdos-mudos, criaturas que nascem com lesões intransponíveis como os anencéfalos, os descerebrados; crianças que nascem com parte do tronco cerebral apenas e, por isso, a vida orgânica não pode avançar.
Olhamos para outro lado deste mesmo mundo e achamos criaturas que nascem em berço de ouro, ricas, de famílias poderosas, mas elas próprias marcadas por insidiosas paralisias, lesões cerebrais, com esquizofrenias, tormentas no campo psicológico, no campo psiquiátrico.
Então ficamos a pensar: Que mundo é este? Um mundo de provas e expiações.
Desta maneira, temos dois caminhos: ou entendermos por que é que vivemos neste mundo e por que este mundo tem essas características ou desarvorarmo-nos ou nos perdermos na revolta.
Este segundo caminho é completamente inábil. Não nos serve, não nos levará a lugar algum que não seja o enlouquecimento maior. Resta-nos a primeira possibilidade: tratar de compreender porque nesse mundo se sofre tanto.
Ora, na medida que entendemos que esse é um mundo de provações e de expiações fica claro porque todos sofremos, de uma maneira ou de outra.
Não existe uma só criatura que não tenha as suas lesões. Pessoas bonitas, bem postas mas, quando conversamos com elas, são dadas a enxaquecas, têm problemas de coluna, têm crises hepáticas, carregam mil e um problemas que o rosto não mostra.
Ficamos a pensar nas condições deste mundo. Se é um mundo onde o mal ainda predomina, nós que estamos aqui ainda carregamos muitas marcas desse mal que na Terra predomina.
Por que carregamos essas marcas? Porque proviemos de outras existências onde essas coisas foram realizadas e Cristo afirmou que não sairíamos daqui até pagarmos o último quadrante, a última moeda, para usar uma linguagem figurada do mundo.
Por causa disso, vale a pena pensar numa saída para toda essa gama de sofrimentos, de males, que encontramos ao longo do nosso planeta.
Fugir deles? Impossível. Para onde quer que vamos, lá estará o problema, a dificuldade, o acicate da Lei Divina, as Leis naturais funcionando.
E cada qual de nós precisará se acostumar com essas ocorrências do planeta Terra, a driblar esse mal que exacerba no nosso mundo e procurarmos, ao longo dos dias, trabalhar para que a Terra seja mais feliz do que é hoje.
* * *
Quando pensamos nessa gama de sofrimentos do nosso planeta, muitas vezes ficamos a nos perguntar a respeito do sofrimento dos bichos, dos animais. Por que é que eles sofrem?
Chegamos a compreender porque é que nós, seres humanos, sofremos. Nossos erros, nossos delitos, nossos crimes cometidos em outras existências, em outras experiências aqui no mundo, nesta mesma vida, em vidas passadas.
Mas e os bichos? Os bichos não erram, eles não cometem erros. Os animais seguem a Lei do determinismo e, dentro da Lei do determinismo, eles não erram nunca.
Jamais uma serpente dá o bote em alguém porque não gostou do rosto, porque não simpatizou com a pessoa. Ela dá o bote para se defender, porque se sente acuada. Assim fazem todos os demais animais com as suas defesas.
Quando pensamos no sofrimento dos animais temos que perceber que, cada ser que sofre neste mundo, tem um objetivo determinado pela Lei Divina.
Os bichos sofrem não para resgatar os erros cometidos. É para despertar-lhes os centros psíquicos.
Os animais são princípios espirituais, são Espíritos em evolução e, certamente, precisam da dor, do sofrimento para se acostumarem a buscar no planeta os recursos salvadores.
Jamais a Humanidade soube existir veterinários, nas florestas. No entanto, os animais sofriam e buscavam recursos na floresta. Sofrem e buscam recursos na floresta.
Naturalmente que tudo isso se deveu a esse processo evolutivo. A dor, nos irracionais, não tem o mesmo objetivo que a dor no ser humano.
No ser humano, a dor nos fustiga o lado moral para que a gente aprenda a perdoar, a ser humilde, a baixar a crista do orgulho. Mas, nos irracionais não, a dor tem outro sentido. É de fazê-los crescer, fazê-los progredir.
Olhamos o nosso gato em casa, o nosso cão e, de repente, eles vão comer grama, comem capim. A gente não sabia o que eles estavam sentindo. Põem para fora, regurgitam e ficam sãos.
Quem foi que ensinou a esses animais a buscar em a natureza vegetal o remédio para seus problemas?
Assim se passa com as aves, com as feras, na intimidade da floresta e, naturalmente, temos que convir que há um caminho importantíssimo a trilharmos, que é o da compreensão.
Na medida em que sabemos disso, encaramos melhor as dores do mundo, as dores da Terra, com uma virtude que se chama resignação.
A resignação, de maneira alguma, será acomodação. Não temos que cruzar os braços porque sofremos ou diante das dores e deixar que Deus resolva.
Se estamos desempregados, temos que correr atrás do trabalho. Se estamos enfermos, temos que buscar a medicina, a medicação, o tratamento. Se temos qualquer problema neste mundo, neste mundo teremos que resolvê-lo.
Mas a resignação não é sinônimo de acomodação, vale repetir, a resignação é o olhar que temos para esses fenômenos, é a maneira como vemos esses fenômenos.
Se não fosse a resignação, entraríamos na rota do desespero, entraríamos no circuito da desolação porque, quando não compreendemos porque sofremos, sofremos duas vezes.
A primeira vez pelo sofrimento em si, a segunda vez pela ignorância a respeito dele.
Por isso, é a Doutrina dos Espíritos que tem, no seu contexto e nos seus textos, essas explicações, esses recursos para nos fazer pensar na razão pela qual os seres humanos sofremos e por qual razão os irracionais sofrem na Terra.
Vale a pena pensar que os animais sofrem por um sentido: para despertar-lhes a vida psíquica, acordamento dos seus valores psíquicos enquanto o ser humano sofre para resgatar seus débitos e realizar aprendizagens no campo moral.
Daí começarmos a perceber como é importante essa virtude da resignação.
O Evangelho segundo o Espiritismo, a terceira obra da Codificação da Doutrina Espírita, feita por Allan Kardec nos explica que, enquanto a obediência corresponde ao consentimento do raciocínio, da razão, a resignação corresponde ao consentimento do coração. É o nosso sentimento que nos dá ensejo à resignação.
Ser resignado não é ser paralisado, estagnado, acomodado, inerme, inerte. Resignado é ter o entendimento da razão das coisas, o que não nos impede de sofrer, nem de chorar, mas que nos dá a alegria de saber que estamos dando conta do nosso recado no mundo.
Raul Teixeira
Este é um planeta de provações e de expiações. Isso não é bom, nem é ruim, é a condição evolutiva do planeta.
Desde os mundos primitivos destinados às primeiras existências humanas até os mundos divinos, celestes, conforme a classificação dos Espíritos, encontramos os mundos de provas e expiações.
Afirmam os Guias da Humanidade que, nos mundos de provas e expiações predomina o mal. O bem ainda se elabora, mas predomina o mal.
Se nesses mundos predomina o mal, todos aqueles que neles vivemos, estamos, de certa maneira, sujeitos ao mal desse mundo.
É muitíssimo importante pensar nessa questão. Cada vez que olhamos a nossa volta encontramos sofrimentos de todos os níveis.
Sofrimentos na área social. Há indivíduos que nascem, que vivem em estado de tamanha pobreza, de miséria sociologicamente ditos, abaixo da linha da pobreza, economicamente também entendidos assim.
E ficamos a nos perguntar: Como é que no mundo onde se põe fora, onde se exorbita, onde há lixo rico, nas grandes cidades, pode existir tanta fome?
Encontramos criaturas que, desde que nascem são marcadas por enfermidades soezes, indivíduos que são autistas, hidrocéfalos, microcéfalos, macrocéfalos, cegos, surdos-mudos, criaturas que nascem com lesões intransponíveis como os anencéfalos, os descerebrados; crianças que nascem com parte do tronco cerebral apenas e, por isso, a vida orgânica não pode avançar.
Olhamos para outro lado deste mesmo mundo e achamos criaturas que nascem em berço de ouro, ricas, de famílias poderosas, mas elas próprias marcadas por insidiosas paralisias, lesões cerebrais, com esquizofrenias, tormentas no campo psicológico, no campo psiquiátrico.
Então ficamos a pensar: Que mundo é este? Um mundo de provas e expiações.
Desta maneira, temos dois caminhos: ou entendermos por que é que vivemos neste mundo e por que este mundo tem essas características ou desarvorarmo-nos ou nos perdermos na revolta.
Este segundo caminho é completamente inábil. Não nos serve, não nos levará a lugar algum que não seja o enlouquecimento maior. Resta-nos a primeira possibilidade: tratar de compreender porque nesse mundo se sofre tanto.
Ora, na medida que entendemos que esse é um mundo de provações e de expiações fica claro porque todos sofremos, de uma maneira ou de outra.
Não existe uma só criatura que não tenha as suas lesões. Pessoas bonitas, bem postas mas, quando conversamos com elas, são dadas a enxaquecas, têm problemas de coluna, têm crises hepáticas, carregam mil e um problemas que o rosto não mostra.
Ficamos a pensar nas condições deste mundo. Se é um mundo onde o mal ainda predomina, nós que estamos aqui ainda carregamos muitas marcas desse mal que na Terra predomina.
Por que carregamos essas marcas? Porque proviemos de outras existências onde essas coisas foram realizadas e Cristo afirmou que não sairíamos daqui até pagarmos o último quadrante, a última moeda, para usar uma linguagem figurada do mundo.
Por causa disso, vale a pena pensar numa saída para toda essa gama de sofrimentos, de males, que encontramos ao longo do nosso planeta.
Fugir deles? Impossível. Para onde quer que vamos, lá estará o problema, a dificuldade, o acicate da Lei Divina, as Leis naturais funcionando.
E cada qual de nós precisará se acostumar com essas ocorrências do planeta Terra, a driblar esse mal que exacerba no nosso mundo e procurarmos, ao longo dos dias, trabalhar para que a Terra seja mais feliz do que é hoje.
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Quando pensamos nessa gama de sofrimentos do nosso planeta, muitas vezes ficamos a nos perguntar a respeito do sofrimento dos bichos, dos animais. Por que é que eles sofrem?
Chegamos a compreender porque é que nós, seres humanos, sofremos. Nossos erros, nossos delitos, nossos crimes cometidos em outras existências, em outras experiências aqui no mundo, nesta mesma vida, em vidas passadas.
Mas e os bichos? Os bichos não erram, eles não cometem erros. Os animais seguem a Lei do determinismo e, dentro da Lei do determinismo, eles não erram nunca.
Jamais uma serpente dá o bote em alguém porque não gostou do rosto, porque não simpatizou com a pessoa. Ela dá o bote para se defender, porque se sente acuada. Assim fazem todos os demais animais com as suas defesas.
Quando pensamos no sofrimento dos animais temos que perceber que, cada ser que sofre neste mundo, tem um objetivo determinado pela Lei Divina.
Os bichos sofrem não para resgatar os erros cometidos. É para despertar-lhes os centros psíquicos.
Os animais são princípios espirituais, são Espíritos em evolução e, certamente, precisam da dor, do sofrimento para se acostumarem a buscar no planeta os recursos salvadores.
Jamais a Humanidade soube existir veterinários, nas florestas. No entanto, os animais sofriam e buscavam recursos na floresta. Sofrem e buscam recursos na floresta.
Naturalmente que tudo isso se deveu a esse processo evolutivo. A dor, nos irracionais, não tem o mesmo objetivo que a dor no ser humano.
No ser humano, a dor nos fustiga o lado moral para que a gente aprenda a perdoar, a ser humilde, a baixar a crista do orgulho. Mas, nos irracionais não, a dor tem outro sentido. É de fazê-los crescer, fazê-los progredir.
Olhamos o nosso gato em casa, o nosso cão e, de repente, eles vão comer grama, comem capim. A gente não sabia o que eles estavam sentindo. Põem para fora, regurgitam e ficam sãos.
Quem foi que ensinou a esses animais a buscar em a natureza vegetal o remédio para seus problemas?
Assim se passa com as aves, com as feras, na intimidade da floresta e, naturalmente, temos que convir que há um caminho importantíssimo a trilharmos, que é o da compreensão.
Na medida em que sabemos disso, encaramos melhor as dores do mundo, as dores da Terra, com uma virtude que se chama resignação.
A resignação, de maneira alguma, será acomodação. Não temos que cruzar os braços porque sofremos ou diante das dores e deixar que Deus resolva.
Se estamos desempregados, temos que correr atrás do trabalho. Se estamos enfermos, temos que buscar a medicina, a medicação, o tratamento. Se temos qualquer problema neste mundo, neste mundo teremos que resolvê-lo.
Mas a resignação não é sinônimo de acomodação, vale repetir, a resignação é o olhar que temos para esses fenômenos, é a maneira como vemos esses fenômenos.
Se não fosse a resignação, entraríamos na rota do desespero, entraríamos no circuito da desolação porque, quando não compreendemos porque sofremos, sofremos duas vezes.
A primeira vez pelo sofrimento em si, a segunda vez pela ignorância a respeito dele.
Por isso, é a Doutrina dos Espíritos que tem, no seu contexto e nos seus textos, essas explicações, esses recursos para nos fazer pensar na razão pela qual os seres humanos sofremos e por qual razão os irracionais sofrem na Terra.
Vale a pena pensar que os animais sofrem por um sentido: para despertar-lhes a vida psíquica, acordamento dos seus valores psíquicos enquanto o ser humano sofre para resgatar seus débitos e realizar aprendizagens no campo moral.
Daí começarmos a perceber como é importante essa virtude da resignação.
O Evangelho segundo o Espiritismo, a terceira obra da Codificação da Doutrina Espírita, feita por Allan Kardec nos explica que, enquanto a obediência corresponde ao consentimento do raciocínio, da razão, a resignação corresponde ao consentimento do coração. É o nosso sentimento que nos dá ensejo à resignação.
Ser resignado não é ser paralisado, estagnado, acomodado, inerme, inerte. Resignado é ter o entendimento da razão das coisas, o que não nos impede de sofrer, nem de chorar, mas que nos dá a alegria de saber que estamos dando conta do nosso recado no mundo.
Raul Teixeira
Sofrimentos voluntários
Há de fato pessoas muito estranhas neste mundo.
Há pessoas que gostam de ser infelizes. Elas fazem de tudo para sofrer.
Se fôssemos olhar psicologicamente, essas criaturas seriam classificadas, algumas, como hipocondríacas, aquelas que têm mania de doença. Elas têm tudo. Se alguém falar que está sentindo uma coisa, elas estão sentindo também; se alguém disser que teve tal doença, elas tiveram também e se alguém falar que o grau de sua doença foi maior, o delas foi superior. Hipocondríacas.
Percebemos que há criaturas assim. Mas, há outras que, formalmente, gostam de sofrer. Elas vão sempre em busca de alguma situação que as leve a dores, a lágrimas, a frustrações. Afirmam serem conduzidas por uma má estrela. Dizem que têm uma má estrela.
Elas são, de si mesmas, pessoas negativas, de autoestima baixa, e porque elas têm uma autoestima baixa, trabalham as energias em torno de si para que as coisas ruins que elas querem, lhes ocorram. Quanta gente que gosta de sofrer! Sofrimentos voluntários, diríamos.
Às vezes, encontramos pessoas que estão se preparando para um determinado concurso e elas dizem assim: Eu vou fazer, mas sei que eu não vou passar.
Elas já estabeleceram sobre as energias cósmicas o que é que elas querem, e elas farão de tudo para provar a sua tese: Eu sei que eu não vou passar. Vou fazer por fazer. E, quando sai o resultado em que foram reprovadas, dizem vitoriosas: Não disse que eu não iria passar? Claro que isto é uma doença psicológica.
Há outras criaturas, uma moça, por exemplo, que está procurando um namorado, está querendo alguém para se relacionar. Aí lhe aparece um rapaz bonito, um Adônis, alguém acima da média e ela será capaz de dizer: É muita areia pro meu caminhão. Eu não mereço.
Vejamos que coisa paranóica. A própria criatura que diz estar buscando uma situação agradável, gosta da situação desagradável.
Encontramos muita gente que, nas diversas situações da vida, em vários momentos da existência, têm para consigo esse autodesamor, ou essa autoestima baixa, ou essa baixa autoestima.
Como é que ela quer que a sua estrela seja boa, se ela faz de tudo para atrair a má estrela?
Verificamos quanta gente gosta de sofrer no mundo, como se o sofrimento fizesse com que elas fossem observadas, acalentadas.
Há criaturas que gostam de se lamuriar, de chorar as tragédias consigo ou de criar tragédias para si. Estão enormes de gordas e dizem que não comem nada, até o momento em que a gente as vê comendo.
Elas dormem a noite inteira, dormem muito e estão sempre se queixando de insônia, como se desejassem que alguém se penalizasse delas. São sofrimentos autoimpostos. As criaturas são doentes psicologicamente, espiritualmente desajustadas.
Devemos evitar esse tipo de comportamento porque, de maneira alguma, vamos sensibilizar as pessoas, vamos conseguir afastar as pessoas do nosso convívio.
Imaginemos alguém que se nos aproxime para se queixar o tempo todo das tragédias da vida, da luta da vida, das dores da vida, das mortes na vida, quando todos sofremos as mesmas coisas e continuamos trabalhando, continuamos com nosso sorriso, continuamos servindo à vida e continuamos a caminhar.
Os sofrimentos voluntários só têm sentido para Deus, para os olhos da Divindade, quando se destinam a socorrer alguém, a salvar alguém numa situação difícil.
Imaginemos alguém que resolva sair a braços dentro d’água, para impedir que outro se afogue, alguém que entre num casario em chamas para retirar quem ali esteja, um animal que ali esteja, colocando em risco a sua própria vida. Este é um sofrimento voluntário, um sacrifício voluntário que tem utilidade.
Mas, fora disto, quando nos defrontarmos com o nosso espelho, cheios de caras e bocas, cheios de lamentação, como se Deus não tivesse Seu olhar voltado para nós, como se as Leis Divinas não nos envolvessem no amor do Criador, certamente teremos que corrigir a nossa postura.
Esse sofrimento autoimposto é pernicioso para nós.
Esse tipo de criatura que se impõe sofrimentos para ser coitada, se deprecia porque a vida foi feita para que pudéssemos nos alegrar, ser felizes.
Disse-nos Jesus que a cada dia já basta o seu mal, a cada dia já bastam suas lutas. Não temos que inventar coisas para sofrer.
Quantas são as pessoas que começam a desconfiar de outras?
Fulano não é meu amigo. Beltrana deve estar falando de mim e, em cima dessas desconfianças, armam um castelo de desgraças e de sofrimentos, até descobrir que não é verdade, que ninguém está falando delas, que ninguém tem nada contra elas e que as pessoas gostam delas.
É esse autodesgostar que faz com que se imagine que as outras pessoas não estejam gostando de nós.
Por outro lado, quem é que disse que as pessoas têm obrigação de gostar da gente, se nós não nos sentimos obrigados a gostar de todo mundo?
Não somos obrigados a gostar de ninguém. Por que todo mundo tem que ser unânime em gostar da gente?
Na medida em que vamos amadurecendo nossa visão de mundo, nossa visão no mundo vamos entendendo que há espaço para que a gente seja feliz, sem buscar sofrimentos voluntários.
Quando alguém começa usar drogas, seja o cigarro, seja o alcoólico, seja o que for, está procurando sofrimentos.
Não são poucas as pessoas que são amputadas, sofrem cirurgias cruéis, por causa do tabagismo. Pouca gente sabe que o tabagismo leva muita gente a amputações, a enfisemas pulmonares, a doenças cardiovasculares, pelo prazer patológico de puxar fumaça e pô-la para fora.
Quantas lesões neurológicas são detectadas pela medicina por causa do alcoolismo. Quantos distúrbios neurológicos, quantos distúrbios sociais, separações, mortes, homicídios e suicídios, orfandade, viuvez, por causa do alcoolismo.
Os indivíduos que pegam um carro, tomam a direção de um veículo alcoolizadas: que desgosto elas têm pela vida, que desamor elas têm por si mesmas e pelos outros, que desconsideração.
Tudo isto são sofrimentos que a pessoa se impõe sem nenhuma necessidade. Bastaria um pouco de respeito a si mesma, bastaria um pouco de autoamor, de autoestima um pouco mais elevada, para que verificasse a importância de não tomar um veículo, depois de haver bebido algum alcoólico. Já não seria de boa orientação se alcoolizar e, ainda depois disso, tomar um veículo...
Allan Kardec perguntou aos Imortais em O livro dos Espíritos, sobre a condição do alcoolizado que cometesse um desatino, se ele teria culpa, já que estava alcoolizado.
E os Espíritos respondem ao Codificador que tem culpa dupla. Primeiro, porque se alcoolizou, isso é contra as leis da natureza. Depois, porque alcoolizado, cometeu o delito.
É por isto que não temos que buscar sofrimentos para nós.
De repente, alguém vai a um banquete, a um jantar e come além da cota, sabendo que não pode, conhecendo o funcionamento do seu fígado, do seu estômago, dos seus rins e, no outro dia, a criatura está lesionada, por causa daquilo que comeu na véspera. Não podia perder a oportunidade de se empanturrar, de comer em excesso, de comer em demasia. Mas, com que prazer, se no dia seguinte estará doente?
Essas são as complicações da mente humana, os paradoxos humanos, principalmente na vida daqueles que buscam sofrimentos voluntários.
Há aqueles que resolvem fazer jejuns intermináveis.
Há aqueles que se tornam anoréxicos e acabam morrendo por inanição.
Jovens ou não, preservemos nossas vidas. Deixemos para que a vida nos imponha qualquer tipo de sofrimento que esteja na nossa pauta de necessidades. Quanto ao mais, busquemos o melhor para a vida, amando-nos, amando e sendo felizes.
Raul Teixeira
Há pessoas que gostam de ser infelizes. Elas fazem de tudo para sofrer.
Se fôssemos olhar psicologicamente, essas criaturas seriam classificadas, algumas, como hipocondríacas, aquelas que têm mania de doença. Elas têm tudo. Se alguém falar que está sentindo uma coisa, elas estão sentindo também; se alguém disser que teve tal doença, elas tiveram também e se alguém falar que o grau de sua doença foi maior, o delas foi superior. Hipocondríacas.
Percebemos que há criaturas assim. Mas, há outras que, formalmente, gostam de sofrer. Elas vão sempre em busca de alguma situação que as leve a dores, a lágrimas, a frustrações. Afirmam serem conduzidas por uma má estrela. Dizem que têm uma má estrela.
Elas são, de si mesmas, pessoas negativas, de autoestima baixa, e porque elas têm uma autoestima baixa, trabalham as energias em torno de si para que as coisas ruins que elas querem, lhes ocorram. Quanta gente que gosta de sofrer! Sofrimentos voluntários, diríamos.
Às vezes, encontramos pessoas que estão se preparando para um determinado concurso e elas dizem assim: Eu vou fazer, mas sei que eu não vou passar.
Elas já estabeleceram sobre as energias cósmicas o que é que elas querem, e elas farão de tudo para provar a sua tese: Eu sei que eu não vou passar. Vou fazer por fazer. E, quando sai o resultado em que foram reprovadas, dizem vitoriosas: Não disse que eu não iria passar? Claro que isto é uma doença psicológica.
Há outras criaturas, uma moça, por exemplo, que está procurando um namorado, está querendo alguém para se relacionar. Aí lhe aparece um rapaz bonito, um Adônis, alguém acima da média e ela será capaz de dizer: É muita areia pro meu caminhão. Eu não mereço.
Vejamos que coisa paranóica. A própria criatura que diz estar buscando uma situação agradável, gosta da situação desagradável.
Encontramos muita gente que, nas diversas situações da vida, em vários momentos da existência, têm para consigo esse autodesamor, ou essa autoestima baixa, ou essa baixa autoestima.
Como é que ela quer que a sua estrela seja boa, se ela faz de tudo para atrair a má estrela?
Verificamos quanta gente gosta de sofrer no mundo, como se o sofrimento fizesse com que elas fossem observadas, acalentadas.
Há criaturas que gostam de se lamuriar, de chorar as tragédias consigo ou de criar tragédias para si. Estão enormes de gordas e dizem que não comem nada, até o momento em que a gente as vê comendo.
Elas dormem a noite inteira, dormem muito e estão sempre se queixando de insônia, como se desejassem que alguém se penalizasse delas. São sofrimentos autoimpostos. As criaturas são doentes psicologicamente, espiritualmente desajustadas.
Devemos evitar esse tipo de comportamento porque, de maneira alguma, vamos sensibilizar as pessoas, vamos conseguir afastar as pessoas do nosso convívio.
Imaginemos alguém que se nos aproxime para se queixar o tempo todo das tragédias da vida, da luta da vida, das dores da vida, das mortes na vida, quando todos sofremos as mesmas coisas e continuamos trabalhando, continuamos com nosso sorriso, continuamos servindo à vida e continuamos a caminhar.
Os sofrimentos voluntários só têm sentido para Deus, para os olhos da Divindade, quando se destinam a socorrer alguém, a salvar alguém numa situação difícil.
Imaginemos alguém que resolva sair a braços dentro d’água, para impedir que outro se afogue, alguém que entre num casario em chamas para retirar quem ali esteja, um animal que ali esteja, colocando em risco a sua própria vida. Este é um sofrimento voluntário, um sacrifício voluntário que tem utilidade.
Mas, fora disto, quando nos defrontarmos com o nosso espelho, cheios de caras e bocas, cheios de lamentação, como se Deus não tivesse Seu olhar voltado para nós, como se as Leis Divinas não nos envolvessem no amor do Criador, certamente teremos que corrigir a nossa postura.
Esse sofrimento autoimposto é pernicioso para nós.
Esse tipo de criatura que se impõe sofrimentos para ser coitada, se deprecia porque a vida foi feita para que pudéssemos nos alegrar, ser felizes.
Disse-nos Jesus que a cada dia já basta o seu mal, a cada dia já bastam suas lutas. Não temos que inventar coisas para sofrer.
Quantas são as pessoas que começam a desconfiar de outras?
Fulano não é meu amigo. Beltrana deve estar falando de mim e, em cima dessas desconfianças, armam um castelo de desgraças e de sofrimentos, até descobrir que não é verdade, que ninguém está falando delas, que ninguém tem nada contra elas e que as pessoas gostam delas.
É esse autodesgostar que faz com que se imagine que as outras pessoas não estejam gostando de nós.
Por outro lado, quem é que disse que as pessoas têm obrigação de gostar da gente, se nós não nos sentimos obrigados a gostar de todo mundo?
Não somos obrigados a gostar de ninguém. Por que todo mundo tem que ser unânime em gostar da gente?
Na medida em que vamos amadurecendo nossa visão de mundo, nossa visão no mundo vamos entendendo que há espaço para que a gente seja feliz, sem buscar sofrimentos voluntários.
Quando alguém começa usar drogas, seja o cigarro, seja o alcoólico, seja o que for, está procurando sofrimentos.
Não são poucas as pessoas que são amputadas, sofrem cirurgias cruéis, por causa do tabagismo. Pouca gente sabe que o tabagismo leva muita gente a amputações, a enfisemas pulmonares, a doenças cardiovasculares, pelo prazer patológico de puxar fumaça e pô-la para fora.
Quantas lesões neurológicas são detectadas pela medicina por causa do alcoolismo. Quantos distúrbios neurológicos, quantos distúrbios sociais, separações, mortes, homicídios e suicídios, orfandade, viuvez, por causa do alcoolismo.
Os indivíduos que pegam um carro, tomam a direção de um veículo alcoolizadas: que desgosto elas têm pela vida, que desamor elas têm por si mesmas e pelos outros, que desconsideração.
Tudo isto são sofrimentos que a pessoa se impõe sem nenhuma necessidade. Bastaria um pouco de respeito a si mesma, bastaria um pouco de autoamor, de autoestima um pouco mais elevada, para que verificasse a importância de não tomar um veículo, depois de haver bebido algum alcoólico. Já não seria de boa orientação se alcoolizar e, ainda depois disso, tomar um veículo...
Allan Kardec perguntou aos Imortais em O livro dos Espíritos, sobre a condição do alcoolizado que cometesse um desatino, se ele teria culpa, já que estava alcoolizado.
E os Espíritos respondem ao Codificador que tem culpa dupla. Primeiro, porque se alcoolizou, isso é contra as leis da natureza. Depois, porque alcoolizado, cometeu o delito.
É por isto que não temos que buscar sofrimentos para nós.
De repente, alguém vai a um banquete, a um jantar e come além da cota, sabendo que não pode, conhecendo o funcionamento do seu fígado, do seu estômago, dos seus rins e, no outro dia, a criatura está lesionada, por causa daquilo que comeu na véspera. Não podia perder a oportunidade de se empanturrar, de comer em excesso, de comer em demasia. Mas, com que prazer, se no dia seguinte estará doente?
Essas são as complicações da mente humana, os paradoxos humanos, principalmente na vida daqueles que buscam sofrimentos voluntários.
Há aqueles que resolvem fazer jejuns intermináveis.
Há aqueles que se tornam anoréxicos e acabam morrendo por inanição.
Jovens ou não, preservemos nossas vidas. Deixemos para que a vida nos imponha qualquer tipo de sofrimento que esteja na nossa pauta de necessidades. Quanto ao mais, busquemos o melhor para a vida, amando-nos, amando e sendo felizes.
Raul Teixeira
Psicogênese das obsessões.
Nos estudos da psicologia, encontramos uma gama de fenômenos que vem merecendo estudos bastante interessantes por parte dessa ciência. São os fenômenos da obsessão.
Quando a psicologia trabalha a questão obsessiva, procura nos mostrar que o indivíduo estará vivenciando essa experiência todas as vezes que nele se manifestar alguma idéia fixa.
A característica basal da obsessão é uma idéia que não cessa, que obsessa, que obsessiona, que perturba o indivíduo e não o abandona. Esteja fazendo o que for, ele está pensando naquilo. Esteja vivenciando o que for, onde estiver, é aquela idéia matriz, chumbada na sua estrutura mental. Isso caracteriza um fenômeno obsessivo.
Imaginemos uma pessoa ciumenta, tem uma fixação naquele objeto idolatrado, amado, querido, gostado, desejado, e esse objeto se torna algo perturbador, a tal ponto que pode se tornar uma idéia obsessiva, um fenômeno obsessivo. Costumeiramente, as criaturas com quadros de neurose, apresentam certas repetições obsessivas.
Natural é pensar então, que a psicologia vem tratando dessas questões com relativo êxito, porque vai buscando onde e como esse estado de coisas teve começo na alma do indivíduo ou na mente do indivíduo, para sermos mais psicológicos.
Desse modo, começamos a pensar em tantos outros fatores que deverão desencadear, sobre a criatura humana, esse tipo de fenômeno obsessivo.
Há criaturas que são, por si mesmas, do contra. Para elas, nada vai dar certo. Para elas ninguém presta, nada presta, são pessimistas, são negativas.
Óbvio que, ao alimentar esse estilo de vida mental, ao alimentar esse modo de pensar e de ser, ela vai se caracterizando por uma fixidez mental, uma fixação de idéias em torno de pessoas, de casos.
Ela tem a mesma idéia sempre sobre determinada coisa, disparatada quase sempre. Costumam ser pessoas fanáticas, obsessivas, se agarram a pessoas, a coisas, a objetos, a idéias e passam a se nutrir dessa tormenta.
É a obsessão psicologicamente considerada. Essas criaturas, naturalmente, vivem muito mal, sua qualidade de vida é terrível, e todas aquelas outras que têm que conviver com elas ou a sua volta, também estarão sendo bombardeadas pelas conseqüências dessas atitudes, dessas posturas, dessa obsessão.
Acontece que, quando pensamos numa criatura humana com todos esses encaixes mentais negativos, pessimistas, do contra, não podemos olvidar que ela será facilmente alvo de mentes que, desprendidas do corpo físico, mentes espirituais, ou se quisermos, seres espirituais, que também compartilham dessas propostas do pessimismo, do negativismo, do contra.
E, como somos nós os chamarizes daquelas criaturas espirituais que nos acompanharão, positivas ou negativas, começará então um processo obsessivo diferenciado.
Todas aquelas características do negativismo, do pessimismo, todas aquelas neuras, engendradas na intimidade do ser, poderemos chamar de uma auto-obsessão.
É um processo obsessivo que a criatura se impõe, é um processo de fixação ao qual a criatura se ajustou. Mas, quando entram elementos espirituais no contexto, quando entram mentes desencarnadas, se aproveitando desse material mental que é exalado, aí nós teremos a hetero-obsessão. A obsessão provocada por seres fora do indivíduo perturbado.
Claro que serão também seres espirituais perturbados se valendo da perturbação da criatura humana. Da mesma maneira que as moscas se valem das feridas abertas ou dos produtos expostos, que exalam aquelas substâncias por elas buscadas, naturalmente no campo mental, no campo do psiquismo, da mente espiritual, passa-se o mesmo.
A cada um, afirmou Jesus, é dado conforme suas obras. Se nos atiramos à obra do negativismo, do pessimismo, teremos criaturas do mesmo naipe, do mesmo teor, que do outro lado da vida nos inspirarão negativamente.
* * *
Todas as vezes que abrirmos as portas da nossa mente para que outros indivíduos nelas penetrem, certamente estaremos correndo um perigo muito maior.
É como alguém que tivesse deixado aberta a porta de sua própria casa. Dentro de sua casa é o seu domínio, o seu domicílio, mas se entrarem pessoas estranhas, desejosas de controlar sua vida, tudo será negativo a partir de então, muito mais do que já o era antes.
É nesse quesito que, quando abrimos o Evangelho de Mateus, e Jesus Cristo se refere aos Espíritos que são expulsos das criaturas, Ele propõe que essas criaturas que se viram liberadas dessa pressão demoníaca, diabólica, espiritual, a palavra pouco importa, trate de se reformar, ou seja, feche a sua porta íntima, vigie as entradas de sua emoção, de seu coração, de seu sentimento.
Cristo diz, conforme o Evangelho de Mateus, que quando isso não ocorre, o perturbador volta com sete espíritos. É um número cabalístico, é um número judaico, que tem uma certa magia, tanto que Ele orientou a Simão, para que perdoasse setenta vezes sete. O candelabro, símbolo judaico, tem sete braços, então o sete é um número místico entre os judeus.
Naturalmente, quando o Cristo estabeleceu que o perturbador voltaria com mais sete espíritos, voltaria com um grupo de entidades. É como qualquer doença na sua recidiva. A recidiva é costumeiramente mais grave do que a doença em si, porque ela já apanha o organismo fragilizado.
Assim, os processos obsessivos que não foram tratados devidamente enquanto era auto-obsessão, quando se convertem em hetero-obsessão, quando agora existem outras mentes encarnadas ou desencarnadas propiciando a gravidade do processo, quando essas coisas passam a se dar com a ajuda de seres externos ao perturbado, tudo fica mais difícil.
Agora, haverá necessidade de uma ajuda de terceiros, já que houve uma intervenção de terceiros no processo da tormenta obsessiva do indivíduo.
Se ele abriu de tal forma a sua casa mental, a sua casa íntima, permitindo que terceiros adentrassem e ali estabelecessem balbúrdia, tumulto, dificuldades, agora haverá necessidade de que outras pessoas ajudem a desfazer o problema ou a minorar o problema.
É então que, os indivíduos que já apelaram para a psiquiatria, para a psicologia, para vários tratamentos terapêuticos, diversos, vão buscar a ação da fé. É nessa hora que nós nos recordamos da oração.
Como é importante colocar a mente em sintonia com o mundo mais alto, com Deus, através dos bons anjos, através dos bons Espíritos, através dos seres imortais que respondem na Terra em Seu nome, junto às nossas necessidades.
Temos que apelar para a oração e, naturalmente, essa oração tem que partir de dentro, não poderá ser apenas uma repetição de palavras ou de fórmulas mágicas.
Para que haja sentido, a prece tem que brotar do cerne, do íntimo, da alma da criatura. Esse é um aspecto. Depois, colocar esse indivíduo perturbado para fazer alguma coisa boa, aprender a lidar no bem. Levar uma comida a um pobre, ajudar a uma criança que precise de material escolar, visitar uma obra de assistência para dar banho em uma criança, num idoso, fazer um curativo, cortar cabelo, cortar as unhas.
Quantos servicinhos pequenos e úteis nós poderemos fazer, e aqueles que estão vivendo o processo para sair da tormenta obsessiva poderão realizar.
Mudar a vida interior é a grande necessidade. Se não mudarmos a nossa composição íntima, será muito difícil nos libertarmos da perturbação obsessiva, da hetero-obsessão, porque os vampirizadores, as entidades negativas se aferram a nós pelas portas que nós lhes oferecemos.
Todo processo obsessivo tem origem na nossa intimidade, tem origem na nossa auto-obsessão, nessa perturbação que nos consentimos e que, depois, costuma ser muito difícil rechaçá-la, transformando a nossa vida para melhor.
Mas, quando tivermos essa consciência, essa busca de Deus, essa vontade de sarar, a oração e todos os seus componentes nos ajudarão bastante a resolver o problema.
Raul Teixeira
Quando a psicologia trabalha a questão obsessiva, procura nos mostrar que o indivíduo estará vivenciando essa experiência todas as vezes que nele se manifestar alguma idéia fixa.
A característica basal da obsessão é uma idéia que não cessa, que obsessa, que obsessiona, que perturba o indivíduo e não o abandona. Esteja fazendo o que for, ele está pensando naquilo. Esteja vivenciando o que for, onde estiver, é aquela idéia matriz, chumbada na sua estrutura mental. Isso caracteriza um fenômeno obsessivo.
Imaginemos uma pessoa ciumenta, tem uma fixação naquele objeto idolatrado, amado, querido, gostado, desejado, e esse objeto se torna algo perturbador, a tal ponto que pode se tornar uma idéia obsessiva, um fenômeno obsessivo. Costumeiramente, as criaturas com quadros de neurose, apresentam certas repetições obsessivas.
Natural é pensar então, que a psicologia vem tratando dessas questões com relativo êxito, porque vai buscando onde e como esse estado de coisas teve começo na alma do indivíduo ou na mente do indivíduo, para sermos mais psicológicos.
Desse modo, começamos a pensar em tantos outros fatores que deverão desencadear, sobre a criatura humana, esse tipo de fenômeno obsessivo.
Há criaturas que são, por si mesmas, do contra. Para elas, nada vai dar certo. Para elas ninguém presta, nada presta, são pessimistas, são negativas.
Óbvio que, ao alimentar esse estilo de vida mental, ao alimentar esse modo de pensar e de ser, ela vai se caracterizando por uma fixidez mental, uma fixação de idéias em torno de pessoas, de casos.
Ela tem a mesma idéia sempre sobre determinada coisa, disparatada quase sempre. Costumam ser pessoas fanáticas, obsessivas, se agarram a pessoas, a coisas, a objetos, a idéias e passam a se nutrir dessa tormenta.
É a obsessão psicologicamente considerada. Essas criaturas, naturalmente, vivem muito mal, sua qualidade de vida é terrível, e todas aquelas outras que têm que conviver com elas ou a sua volta, também estarão sendo bombardeadas pelas conseqüências dessas atitudes, dessas posturas, dessa obsessão.
Acontece que, quando pensamos numa criatura humana com todos esses encaixes mentais negativos, pessimistas, do contra, não podemos olvidar que ela será facilmente alvo de mentes que, desprendidas do corpo físico, mentes espirituais, ou se quisermos, seres espirituais, que também compartilham dessas propostas do pessimismo, do negativismo, do contra.
E, como somos nós os chamarizes daquelas criaturas espirituais que nos acompanharão, positivas ou negativas, começará então um processo obsessivo diferenciado.
Todas aquelas características do negativismo, do pessimismo, todas aquelas neuras, engendradas na intimidade do ser, poderemos chamar de uma auto-obsessão.
É um processo obsessivo que a criatura se impõe, é um processo de fixação ao qual a criatura se ajustou. Mas, quando entram elementos espirituais no contexto, quando entram mentes desencarnadas, se aproveitando desse material mental que é exalado, aí nós teremos a hetero-obsessão. A obsessão provocada por seres fora do indivíduo perturbado.
Claro que serão também seres espirituais perturbados se valendo da perturbação da criatura humana. Da mesma maneira que as moscas se valem das feridas abertas ou dos produtos expostos, que exalam aquelas substâncias por elas buscadas, naturalmente no campo mental, no campo do psiquismo, da mente espiritual, passa-se o mesmo.
A cada um, afirmou Jesus, é dado conforme suas obras. Se nos atiramos à obra do negativismo, do pessimismo, teremos criaturas do mesmo naipe, do mesmo teor, que do outro lado da vida nos inspirarão negativamente.
* * *
Todas as vezes que abrirmos as portas da nossa mente para que outros indivíduos nelas penetrem, certamente estaremos correndo um perigo muito maior.
É como alguém que tivesse deixado aberta a porta de sua própria casa. Dentro de sua casa é o seu domínio, o seu domicílio, mas se entrarem pessoas estranhas, desejosas de controlar sua vida, tudo será negativo a partir de então, muito mais do que já o era antes.
É nesse quesito que, quando abrimos o Evangelho de Mateus, e Jesus Cristo se refere aos Espíritos que são expulsos das criaturas, Ele propõe que essas criaturas que se viram liberadas dessa pressão demoníaca, diabólica, espiritual, a palavra pouco importa, trate de se reformar, ou seja, feche a sua porta íntima, vigie as entradas de sua emoção, de seu coração, de seu sentimento.
Cristo diz, conforme o Evangelho de Mateus, que quando isso não ocorre, o perturbador volta com sete espíritos. É um número cabalístico, é um número judaico, que tem uma certa magia, tanto que Ele orientou a Simão, para que perdoasse setenta vezes sete. O candelabro, símbolo judaico, tem sete braços, então o sete é um número místico entre os judeus.
Naturalmente, quando o Cristo estabeleceu que o perturbador voltaria com mais sete espíritos, voltaria com um grupo de entidades. É como qualquer doença na sua recidiva. A recidiva é costumeiramente mais grave do que a doença em si, porque ela já apanha o organismo fragilizado.
Assim, os processos obsessivos que não foram tratados devidamente enquanto era auto-obsessão, quando se convertem em hetero-obsessão, quando agora existem outras mentes encarnadas ou desencarnadas propiciando a gravidade do processo, quando essas coisas passam a se dar com a ajuda de seres externos ao perturbado, tudo fica mais difícil.
Agora, haverá necessidade de uma ajuda de terceiros, já que houve uma intervenção de terceiros no processo da tormenta obsessiva do indivíduo.
Se ele abriu de tal forma a sua casa mental, a sua casa íntima, permitindo que terceiros adentrassem e ali estabelecessem balbúrdia, tumulto, dificuldades, agora haverá necessidade de que outras pessoas ajudem a desfazer o problema ou a minorar o problema.
É então que, os indivíduos que já apelaram para a psiquiatria, para a psicologia, para vários tratamentos terapêuticos, diversos, vão buscar a ação da fé. É nessa hora que nós nos recordamos da oração.
Como é importante colocar a mente em sintonia com o mundo mais alto, com Deus, através dos bons anjos, através dos bons Espíritos, através dos seres imortais que respondem na Terra em Seu nome, junto às nossas necessidades.
Temos que apelar para a oração e, naturalmente, essa oração tem que partir de dentro, não poderá ser apenas uma repetição de palavras ou de fórmulas mágicas.
Para que haja sentido, a prece tem que brotar do cerne, do íntimo, da alma da criatura. Esse é um aspecto. Depois, colocar esse indivíduo perturbado para fazer alguma coisa boa, aprender a lidar no bem. Levar uma comida a um pobre, ajudar a uma criança que precise de material escolar, visitar uma obra de assistência para dar banho em uma criança, num idoso, fazer um curativo, cortar cabelo, cortar as unhas.
Quantos servicinhos pequenos e úteis nós poderemos fazer, e aqueles que estão vivendo o processo para sair da tormenta obsessiva poderão realizar.
Mudar a vida interior é a grande necessidade. Se não mudarmos a nossa composição íntima, será muito difícil nos libertarmos da perturbação obsessiva, da hetero-obsessão, porque os vampirizadores, as entidades negativas se aferram a nós pelas portas que nós lhes oferecemos.
Todo processo obsessivo tem origem na nossa intimidade, tem origem na nossa auto-obsessão, nessa perturbação que nos consentimos e que, depois, costuma ser muito difícil rechaçá-la, transformando a nossa vida para melhor.
Mas, quando tivermos essa consciência, essa busca de Deus, essa vontade de sarar, a oração e todos os seus componentes nos ajudarão bastante a resolver o problema.
Raul Teixeira
11 de abr. de 2013
CONFUSÃO ENTRE ESPIRITISMO E OUTROS CULTOS - J. Raul Teixeira
CENTRO ESPIRITUALISTA
Por que no Brasil se confunde Espiritismo com cultos africanistas, com terreiros e coisas assim?
Por que no Brasil se confunde Espiritismo com cultos africanistas, com terreiros e coisas assim?
Raul Teixeira responde: Isso se deve ao fato de termos um grande contingente de pessoas que desconhecem o que seja o Espiritismo e que não se interessam, nem desejam saber o que realmente ele é. Muitos espalham informações sobre o Espiritismo de acordo com o que supõem que seja, demonstrando grande dose de leviandade ou de má intenção. Ainda que o Espiritismo e, por sua vez, os espíritas, não tenham nada contra as práticas e crenças africanistas, é importante que cada coisa esteja no seu lugar, facilitando até a busca e o enquadramento das criaturas que estão procurando novas propostas de vida. Somente por meio das leituras sérias e dos estudos metódicos se conseguirá desfazer a confusão que gera tantos mal entendidos entre os espiritualistas.
OBSERVAÇÃO: Nós espíritas pensamos o seguinte: Espíritos que pedem charuto, bebidas alcoólicas, comida, sangue de um irmão inferior (animal) ou mesmo humano, que participam de trabalhos de vingança ou outra maldade qualquer, precisam de esclarecimento cristão. Eles ainda estão apegados à coisas materiais e sentimentos inferiores. Seria incoerente falarmos de Jesus e nos propor fazer maldade seja lá a quem for. Como podemos pedir ajuda a quem precisa de ajuda? Se Espíritos resolvessem problemas, Chico Xavier, que foi muito mais merecedor que muitos de nós, não teria sofrido com doenças e problemas. Já que vivia em contato direto com eles. Então, sigamos o conselho do apóstolo Paulo:"Não creiais em todos os espíritos, mas examinai se eles são de Deus." (João 4:1). Paulo sabia que todos os Espíritos são de Deus, mas o propósito de alguns não são divino. Por isso, precisamos ter cuidado para não nos confundirmos, não nos aliarmos, não incentivarmos, não nos comprometermos com a lei divina. O Espiritismo é uma doutrina sem sacerdotes, sem dogmas, sem rituais, não adota em suas reuniões e em suas práticas qualquer tipo de paramentos ou vestes especiais (as vestes brancas devem ser as que nos cobrem o espírito e o nosso perispírito); não utilizamos sal grosso, plantas, amuletos, etc. (porque o nosso coração é nosso escudo, quando nele mora o amor); não adotamos cálice com vinho ou bebidas alcoólica (os espíritas não devem alimentar o vício do álcool nem do fumo, porque precisamos estar lúcidos para apreciar a beleza da vida); não utilizamos incenso, mirra, velas (porque são coisas materiais e nós usamos a prece para nos sustentar o espírito); não temos altares, imagens, andores, procissões, pagamento pelos trabalhos espirituais, talismãs, sacrifício animal, santinhos, administração de indulgências, confecção de horóscopos, exercício da cartomancia, quiromancia, astrologia, numerologia, cromoterapia, pagamento de promessas, despachos, riscos de cruzes e pontos, não temos curas espirituais com cortes, orações milagrosas para resolver problemas sentimentais, financeiros, etc.
Atenção: este espaço não é para criticar qualquer prática de outra religião. É apenas para esclarecer a maneira que nós espíritas pensamos e agimos.
Atenção: este espaço não é para criticar qualquer prática de outra religião. É apenas para esclarecer a maneira que nós espíritas pensamos e agimos.
REVOLTADO COM DEUS - J. Raul Teixeira
J. Raul Teixeira fazia uma palestra na cidade de Nova York, cujo tema era: DEUS.
No final, pessoas fizeram perguntas. Uma delas foi um homem, brasileiro, de Juiz de Fora, onde ele e a esposa foram para lá trabalhar. Ele não fez perguntas, apenas afirmou que não concordou com nada que Raul havia falado. Raul disse:
No final, pessoas fizeram perguntas. Uma delas foi um homem, brasileiro, de Juiz de Fora, onde ele e a esposa foram para lá trabalhar. Ele não fez perguntas, apenas afirmou que não concordou com nada que Raul havia falado. Raul disse:
- O senhor tem todo direito de não concordar. Mas eu gostaria de saber por quê?
Respondeu o homem:
- Eu vim para cá para organizar minha vida. Eu, minha esposa e minha filha recém nascida. Mas, com 3 anos de idade minha filha morreu. O senhor acha que eu posso crer em Deus? Agora minha mulher voltou para Juiz de Fora e eu fiquei aqui porque minha filha está enterrada aqui.
- Desde quando o senhor está brigado com Deus?
- Desde que minha filha morreu. Como é que Deus faz isso comigo?
- Com que idade o senhor está?
- Com 43 anos.
- Me desculpe, mas o senhor é egoísta. Nestes 43 anos quantas crianças o senhor Já viu morrer?
- Não sei! Muitas...
- Então, nesses 43 anos, quando Deus matava os filhos dos outros o senhor adorava Ele? E quando foi a vez da sua filha Ele já não presta? Reflita meu amigo. O senhor está causando um problema à sua filha, que veio à Terra e resgatou o que devia e já voltou. Sua mulher fez o que devia e voltou para a cidade dela e continua trabalhando como médica e o senhor fica aqui agarrado aos despojos que não são sua filha, são os elementos que sua filha se utilizou para avançar. O senhor vai ficar cada vez mais longe de sua filha, porque ela deve estar acompanhando a mãe que foi trabalhar no bem. E o senhor aqui revoltado com Deus vai adoecer, enlouquecer numa cidade que ninguém o ama e conhece.
O homem começou a chorar copiosamente. Todos no salão ficaram calados. Depois que ele chorou bastante disse:
- É verdade. A minha filha, antes de ser minha filha é filha de Deus. E se Deus já levou tantas filhas e filhos Dele, por que não levaria a que veio aos meus braços?
Mais tarde, Raul soube que o homem havia voltado para o Brasil.
Quando Cristo disse: “Bem-aventurados os aflitos, porque deles é o Reino dos Céus”, não se referia aos sofredores em geral, porque todos os que estão neste mundo sofrem, quer estejam num trono ou na miséria, mas ah!, poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir ao Reino de Deus.
Ficar reclamando, lamentando, choramingando, revoltado, “culpar Deus e o mundo”, não lutar e desanimar, descontando a dor nos outros não é uma boa forma de sofrer. Além do nosso sofrimento fazemos quem amamos sofrer também.
Deus é Justo e bom, se Ele permite dores e sofrimentos é porque existe uma razão ou uma causa justa.
Quando aceitamos as aflições sem ódio, mágoa ou revolta, ainda que choremos por desabafo, este é o bem sofrer. É preciso ter coragem para enfrentar os problemas quaisquer que eles sejam, pois, na realidade, são conseqüências de nossas atitudes menos felizes nas vidas passadas, ou então são necessárias á nossa própria evolução.
A prece é um sustentáculo da alma, mas não é suficiente por si só: é necessário que nos apoiemos numa fé ardente na bondade de Deus. Temos ouvido freqüentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem. A recompensa será tanto mais esplendente, quanto mais penosa tiver sido a aflição. Mas essa recompensa deve ser merecida, e é por isso que a vida está cheia de tribulações.
Dizer que amamos Deus quando tudo corre bem em nossa vida é fácil.
Dizer que amamos Deus quando tudo corre bem em nossa vida é fácil.
PROFECIA NA VISÃO ESPÍRITA - J. Raul Teixeira
O que é uma profecia? Dá para prever o futuro?
Raul Teixeira: Uma profecia é uma atitude através da qual desvenda o porvir, desvenda o futuro.
A mente humana tem esta possibilidade, parapsicologicamente falando, de registrar, de captar, algo que ainda vai acontecer, o que nós chamamos de futuro. E de registrar coisas que já ocorreram. Então a parapsicologia chamaria isso de retrocognição quando nós conhecemos o passado, pré-cognição quando nós conhecemos o futuro, e cognição que é o conhecimento da atualidade.
E ao longo da história dos homens, muitas foram as criaturas que demonstram ter esta habilidade, este canal aberto para determinadas sutilezas e captações. E a isso se chamou de profetismo, e profecia a atitude do profeta. O que hoje chamamos de paranormal, sensitivo ou de médium. Mas nós encontramos, por exemplo, nos textos bíblicos como profeta. Eles não falavam somente sobre coisas que viriam acontecer, mas falavam coisas da vida das pessoas.
No acidente da GOL, uma menina estava brincando e de repente disse: "O AVIÃO DO PAPAI EXPLODIU". O que é isso?
Raul Teixeira: Isso é uma profecia. Não é uma profecia quanto ao futuro, é quanto ao atual, é uma cognição. Porque o profetismo se caracteriza por este registro paranormal. Não é uma coisa que a pessoa leu num texto, que ouviu alguém falar, é algo que nasce na mente dela, brota na sua intimidade, que ela intui e que acontece, aconteceu ou acontecerá. Daí então, no momento do acidente que estava para ocorrer, a mensagem se espalhou pelo Cosmo, e quem estivesse com a sua antena naquela sintonia, seria capaz de registrar. É como se fossem rádios amadores captando as ondas do Espaço.
Como o profeta recebe esta profecia?
Raul Teixeira: Existem dois tipos de profecia. A profecia mediúnica: quando uma entidade espiritual chega para o médium e diz: "amanhã vai chover ás 3h da tarde." Esta informação ocorre porque este Espírito é conhecedor da meteorologia, ele tem conhecimento que as massas frias, estão se acumulando em tal lugar e dentro de tantas horas haverá chuva. Por que o Espírito diria isso? Raul Teixeira: Porque deve haver algum interesse. Ex.: não viaje; suspenda a festa neste lugar; não levem as crianças para tal ponto. É como aconteceu com José, quando o Espírito veio avisá-lo para fugir com o menino, por causa da sanha que Herodes iria aprontar. Então era uma premonição mediúnica, era um Espírito dizendo para alguém. Mas pode ser, que não seja mediúnica, seja uma profecia anímica (da própria alma do profeta). Há pessoas que tem a mente ativa, e a mente ativa é como um radar que vasculha o ambiente psíquico ao qual está vinculado. E tudo o que vai ocorrer na humanidade está circulando nestas ondas de "herts", está espalhado neste Cosmo. Para os Espíritos superiores não há nenhuma novidade que eles não saibam que vai ocorrer dentro dos destinos da humanidade.
O profeta pode ser enganado por um Espírito?
Raul Teixeira: Pode, e ocorre muitas vezes. Porque há muitas pessoas ansiosas, e outras que são aventureiras. Entidades oportunistas tiram partido disso. Se eu quero ver você sofrer e eu sei que você é ansiosa, eu direi:
- Xiii! Com este temporal que vai acontecer, eu acho que as pessoas da rua não vai chegar em casa.
Você que tem parente na rua começa a se desesperar. Mas é só para lhe ver sofrer. São Espíritos que forjam estas situações ridículas. E há outros que querem tirar proveito, dizendo:
- Se você pagar "tanto" ali na esquina, isso não vai acontecer.
- Se você deitar 7 vezes no chão por dia, isso não vai acontecer.
Fazem isso para zombar de você. São os Espíritos que chamamos na Doutrina Espírita de zombadores ou zombeteiros, eles tiram proveito disso.
Então, se nós estamos lidando com inteligências desencarnadas, junto à inteligências encarnadas, nós tanto vamos encontrar aquelas que são do Bem, buscando o Bem pelo Bem, como encontraremos aquelas que tiram partido.
E como podemos diferenciar as mensagens do Bem e as do que não são do Bem?
Raul Teixeira: Pela lógica. Nós estamos desacostumados a pensar. Nós estamos acostumados a acreditar. Somos pouco criteriosos. Jesus pediu para que fossemos "mansos como as pombas, mas prudentes como as serpentes". E nós somos mansos como as pombas e nos esquecemos de ser prudente como a serpente. E tudo que os outros dizem, nós acreditamos. Vejamos que na idade média, a religião tradicional dizia para o povo que o mundo ia acabar. E o povo saía entregando as fazendas, as cabras, as casas, para a religião dominante. Mas, se o mundo ia acabar, porque a religião recebia? E ninguém refletia sobre isto? Mostrando como somos tolos. Temos que pensar no que está sendo apregoado, se faz sentido. E na maioria das vezes, veremos que são coisas ridículas. E os zombeteiros tiram proveito disso, enquanto nós nos conformamos dizemos que isso é das religiões.
Então, lembremos que, as previsões são os registros capitados pelos profetas (médiuns). Estas previsões sofrem modificações pelas interpretações que correspondem a sua cultura, sua maturidade intelectual e/ou experiências religiosas, o que torna sempre vulnerável a veracidade de tais comunicações. Sem deixarmos de lembrar que os Espíritos Nobres nunca tem o objetivo de amedrontar, de impor, de nos modificar à força, mas, ao contrário, estão sempre dispostos a sugerir, a orientar, a propor sem nada exigir.
Então, lembremos que, as previsões são os registros capitados pelos profetas (médiuns). Estas previsões sofrem modificações pelas interpretações que correspondem a sua cultura, sua maturidade intelectual e/ou experiências religiosas, o que torna sempre vulnerável a veracidade de tais comunicações. Sem deixarmos de lembrar que os Espíritos Nobres nunca tem o objetivo de amedrontar, de impor, de nos modificar à força, mas, ao contrário, estão sempre dispostos a sugerir, a orientar, a propor sem nada exigir.
Compilação de Rudymara retirado de uma entrevista feita por Yasmin Madeira com J. Raul Teixeira
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