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6 de ago. de 2012

Reconhecimento.


Portadores do estigma que os mantinha longe do lar, das cidades, do convívio dos homens, eles imploraram a piedade do Mestre de Nazaré.

Jesus os orientou para que fossem se mostrar aos sacerdotes. Aconteceu que, enquanto caminhavam, deram-se conta que estavam limpos.

Estavam curados. Por isso, Jesus os remetera aos sacerdotes. Para que tivessem seus nomes novamente registrados no livro dos vivos.

Felizes, nove deles correram de retorno aos braços dos seus amores, dos seus afazeres, de seus lares, até quem sabe para as suas loucuras na vida.

Um, no entanto, voltou. Retornou para agradecer ao Mestre pela dádiva da cura. Um somente.

O fato é verdadeiro e na atualidade, como àquela época, são poucos os corações que cultivam a gratidão.

Gratidão é uma virtude que deve ser cultivada como uma flor.

Em criança, é-nos ensinado a sempre agradecer o que recebemos: o presente, o brinquedo, o chocolate, a guloseima.

Estranhamente, na medida em que crescemos fisicamente, abandonamos essa maneira salutar de reconhecimento.

Há tantas formas de se manifestar gratidão. Por exemplo, depois de ler um bom livro, poderíamos escrever ao autor, dizendo do quanto nos fizeram bem as suas palavras grafadas.

Como nos fez bem aquele conhecimento que nos foi repassado, graças à sua pesquisa. O quanto nos prendeu a atenção o romance, a história, os exemplos citados.

Podemos expressar gratidão escrevendo cartas de agradecimento a pessoas que fizeram algo de bom por nós ou para outras pessoas.

Quantos de nós tiveram a sua infância abençoada por uma vizinha gentil que, ciente das dificuldades em nossa casa, providenciava nos chegasse o que era considerado supérfluo, mas tão necessário para os pequenos: o chocolate, o bolo, o passeio.

Recordamo-nos, alguma vez, já adultos, de lhe endereçar um cartão pelo aniversário, Natal, Ano Novo?

Um cartão que lhe recorde do quanto lhe somos gratos por aquelas pequenas coisas que fizeram a nossa felicidade de petizes.

Quantos de nós tivemos a ventura de cursar escolas particulares, cursos de aperfeiçoamento porque alguém, amigo, parente, colega nos estendeu os recursos necessários?

Quantas vezes já exercemos a gratidão, expressando-a com um mimo, com uma visita especial?

Quantos tomamos do telefone para dizer obrigado por você existir, obrigado por ser meu amigo, obrigado pelo livro que me emprestou, pelas horas que passou comigo?

Obrigado pela roupa que me cedeu, por ter me levado a passeio, por ter providenciado a viagem que eu tanto desejava, pelas inúmeras caronas nos dias de frio e chuva.

Obrigado ao médico por prescrever a correta medicação que nos devolveu a saúde.

Obrigado ao motorista do ônibus que nos conduz, ao porteiro que nos abre a porta, à servente que nos traz o café.

Obrigado, obrigado.

Afirma-se que o homem ideal é aquele que gosta de prestar favores. E nada espera em troca.

Sim. Os homens bons são assim. Servem e servem. E crescem com isso.

Se, por nossa vez, desejamos crescer e ser felizes, compete-nos cultivar a gratidão.

Agradecer a ternura de alguém, a confiança depositada, a amizade externada.

Quando a gratidão domina os sentimentos da criatura, a vida adquire beleza e felicidade.

Experimente!

Redação do Momento Espírita.
O amor é o coração do Evangelho e o espírito do Espiritismo chama-se caridade. ("Opinião Espírita")

Reconhecimento e gratidão.


O ser humano, de um modo geral, tem a tendência de ver as coisas sempre pelo lado negativo e de dar pouca importância às situações nobres e positivas.

Assim foi o caso de um homem que passava por sérias dificuldades financeiras.

No desespero em que se encontrava, e pela fé que agasalhava no coração, resolveu mandar uma carta a Deus pedindo que Ele o ajudasse com a importância de cem reais, que seria o suficiente para alimentar os filhos por algum tempo.

Pegou uma folha de papel e nela escreveu seu pedido. Depois dobrou-a, pôs seu nome e endereço como remetente, e depositou-a numa caixa do correio.

Por ser uma carta aberta e endereçada a Deus, os trabalhadores do correio a leram e, comovidos com o pedido, resolveram se cotizar, fazer uma vaquinha, como se diz popularmente e, com muito custo, conseguiram reunir a quantia de oitenta reais.

Colocaram as notas num envelope e o enviaram ao remetente.

O homem abriu a encomenda e ficou feliz quando percebeu que Deus havia atendido ao seu apelo.

No entanto, ao contar o dinheiro, notou que não estavam ali os cem reais, mas apenas oitenta.

Então, resolveu escrever outra carta para reclamar seus direitos. Pegou outro papel e escreveu a Deus agradecendo pela importância enviada e reclamando que só recebera oitenta reais e que, provavelmente, os funcionários do correio haviam retirado do envelope os vinte reais.


Quando a carta chegou no correio, os funcionários a leram e entenderam porque aquele homem não recebia ajuda de mais ninguém. Era porque tinha um coração duro e mal-agradecido, que só conseguia ver as coisas pelo pior ângulo.
*   *   *
Assim agimos muitos de nós nas mais variadas situações da vida.

Não reconhecemos o esforço que, tantas vezes, as pessoas à nossa volta fazem para nos ajudar.

Esquecemos que, se Deus nos ajuda, é através do próprio homem que o faz.

Geralmente Deus Se utiliza de pessoas de boa vontade e faz com que a ajuda chegue a quem Lhe pede com sinceridade.

É um familiar dedicado, contribuindo com algum valor para completar a renda familiar, possibilitando o sustento com dignidade.

É um amigo fiel, oferecendo o amparo nas noites sem estrelas, tornando possível a caminhada com segurança.

É um vizinho solícito, socorrendo nos momentos amargos para que não caiamos no desespero.

Ou, até mesmo, a ajuda de pessoas desconhecidas, como os funcionários do correio, que chega na hora da aflição para nos oferecer suporte e evitar que nos precipitemos no abismo.

Enfim, são tantos os recursos de que Deus Se utiliza para socorrer Seus filhos e fazê-los crescer na escala evolutiva, sem perder a dignidade nem a honradez...

Por essa razão, nunca despreze o auxílio que chega disfarçado de milagre, pois na verdade são as mãos de Deus que Se distendem sobre as Suas criaturas, amparando e socorrendo através dos homens de boa vontade.

E nunca se esqueça de rogar o auxílio nas horas difíceis, pois jamais Deus deixa de atender Seus filhos.
*   *   *
Seja você também uma pessoa de boa vontade, dispondo-se intimamente a ajudar e socorrer, pois Deus conta com todos nós.

E procure ver o lado bom em todas as circunstâncias, pois sempre há um lado bom. Só é preciso ter olhos de ver e ouvidos de ouvir.

Pense nisso!
Redação do Momento Espírita.
Em 13.10.2010.
O Espiritismo , que se funda no conhecimento de leis até agora incompreendidas, não vem destruir os fatos religiosos, porém sancioná-los, dando-lhes uma explicação racional. (Allan Kardec)

O cultivo da gratidão.


Como consequência, tudo aquilo que recebe da vida lhe parece insignificante em relação ao que espera conquistar.

Facilmente se afasta do afago gentil, do coração generoso, da família, esquecido de ser grato.

Uma senhora americana, de nome Faith Bedford conta como sempre se esmerou para cultivar a gratidão no coração dos seus filhos.

Toda vez que eles recebiam um presente, via correio, ela insistia para que escrevessem, de próprio punho, uma frase de agradecimento à pessoa que o enviara.

Chegou a marcar, certo dia, com as crianças, o tempo que se leva para sair de casa, tomar o carro, chegar ao shopping e escolher um presente para alguém.

Depois, o tempo gasto para fazer o embrulho, endereçar e levar ao correio. Chegou ao tempo de duas horas e 34 minutos.

Ela mesma se recorda de seu tio Arthur. Embora não o conhecesse, todo Natal ele lhe mandava um presente. Era um cheque de 5 dólares, preenchido por uma sobrinha, pois que ele era cego.

Faith sempre escrevia, agradecendo e dizendo como gastara o dinheiro. Já crescida, foi estudar em Massachusetts e teve oportunidade de visitar tio Arthur.

Cego e idoso ele lhe falou de como gostava de receber os seus cartões de agradecimento.

Pediu para que ela apanhasse a caixa com o maço de cartas guardadas e foi falando das que mais lhe agradavam.


Faith encontrou, então, entre tantas, uma carta sua que leu em voz alta: Querido tio Arthur: estou debaixo do secador, no salão de beleza, escrevendo para o senhor.

Hoje à noite é o baile de fim de ano da escola e estou gastando seu presente de Natal fazendo o cabelo para a festa. Muito obrigada.

Sei que vou ter uma noite maravilhosa, em parte por causa da sua gentileza. Com carinho. Faith.

Hoje, ao narrar este fato aos seus filhos, Faith recorda que naquela noite, naquele baile, ela encontrou um belo jovem que lhe entregou um buquê.

Ele foi seu par naquela noite e continua a ser até hoje, depois de 36 anos de um casamento, em que geraram três filhos.

Sim, ela diz, devo ser muito grata ao tio Arthur. Foi mesmo um baile muito especial para minha vida.
*   *   *
A gratidão é sentimento que demonstra que a criatura passou do estágio de primitivismo espiritual para os patamares da razão.

Lembrar-se de agradecer sempre pelos benefícios recebidos dos amigos, irmãos, pais e mestres é sinal de bom senso moral.

Mas a verdadeira gratidão é aquela que não esquece, no tempo, os que serviram no anonimato, os que permitiram o nosso crescimento individual, os que contribuíram para nossa formação.

Mesmo que, em algum momento, por algum motivo, eles tenham buscado outros caminhos, distantes e diversos dos nossos.

Onde estejam, não esqueçamos de lhes traduzir gratidão por tudo que representaram em nossas vidas.

Redação do Momento Espírita com base no artigo Uma nova atitude de gratidão,
de Faith Andrews Bedford, publicado na Revista Seleções Reader’s Digest,
maio/2000 e no cap. 42 do livro Suave luz nas sombras, pelo Espírito
João Cléofas, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 18.09.2009
Espiritismo anda no ar: Difunde-se pela força mesma das coisas porque torna felizes os que o professam. (Allan Kardec)

Nobre sentimento da gratidão.

 
 
Existem pessoas que reclamam da ingratidão. Algumas se afirmam desiludidas porque seus gestos de apoio e dedicação foram retribuídos com maldades e injustiças.

O bom, nisso tudo, é que é um número limitado de criaturas que ainda se permite contaminar pela ingratidão.

Quantos de nós recordamos pessoas queridas, que passaram por nossas vidas e deixaram o toque inconfundível de suas presenças, perfumando-nos as existências?

Uma revista de circulação nacional publicou, certa feita, uma carta recebida por uma grande editora brasileira. Dizia assim:

"Prezado senhor. Tomo a liberdade de tomar seu valioso tempo para lhe contar uma historinha inusitada e quase inacreditável, não fosse o fato do senhor ter conhecido bem o personagem da mesma: o Sr. Victor, seu pai.

Eu morava numa vila, em fins da década de 40 e começo de 50 e a garotada de 8 a 10 anos chegava da escola, jogava a mala em casa e saía para brincar.

Era só o que queríamos. Mas, nas tardes em que saíam revistas na banca de jornais, não havia brincadeiras.

A garotada ia para a banca adquirir as revistas e se enfurnava em casa para se deliciar com as historinhas.

À tarde, nos reuníamos para os nossos comentários sobre nossos heróis.

Mas, logo depois, certas histórias eram interrompidas para continuar na semana seguinte. Nós nos sentimos ultrajados. E se não desse para comprar a próxima? Como ficaríamos?

Então, do alto de nossa autoridade de estudantes primários fomos reclamar na editora, instalada em acanhadas salinhas.

Fomos recebidos por um senhor alto e muito simpático que logo nos desarmou com um sorriso e nos convidou a sentar.

Em seguida, nos ofereceu água e nos fez diversas perguntas sobre as revistas. E, curiosamente, prestava atenção às nossas respostas.

Ele aproveitou a presença de duas "autoridades" de 8 e 9 anos para fazer uma das primeiras pesquisas de opinião do Brasil."

O autor da missiva concluía dirigindo votos de sucesso sempre maior à editora, dizendo que o fato aconteceu há mais ou menos 50 anos.

A carta poderia ser simplesmente considerada como um elogio à atitude de um homem de visão, um empresário bem sucedido.

Contudo, nas entrelinhas, o missivista deixa clara a sua emoção, o sentimento de gratidão a um grande homem que, um dia, parou tudo que estava fazendo, em seu escritório, e dedicou a duas crianças alguns minutos do seu precioso tempo.
*   *   *
Ouvir as opiniões das criaturas é sinal de sabedoria, pois sempre se pode colher flores onde menos se espera.

Deter-se e doar tempo aos pequeninos é sinal de grandeza, pois todos os que são verdadeiramente grandes conhecem a importância dos pequenos.

E a gratidão é sentimento nobre que brota, espontâneo, dos corações enriquecidos por emoções altruístas.

Constituem formas de gratidão o gesto de ternura, a expressão de afeto, o testemunho da simpatia e da solidariedade.
 

Redação do Momento Espírita, com base no verbete Gratidão, do livro
Repositório de sabedoria, v.I, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal, e em
artigo de Sergio Tiezzi, publicado na revista Caras.
Em 11.09.2009
A missão do Espiritismo é educar para salvar... Educar: eis o rumo a seguir, o programa do momento. (Vinicius, "Em torno do Mestre")

O custo da gratidão.

 
 
Qual será o melhor método para se ensinar a virtude da gratidão aos filhos? Haverá uma fórmula especial que dê resultado garantido?

Por vezes, o mais acertado provém de uma tomada de atitude, que determina um período de reflexão.

Mais ou menos como aconteceu com aquele garoto aos seus 13 anos.

Ele e o pai costumavam passear juntos aos sábados. Nada espetacular. Simplesmente uma ida ao parque, ou à marina para olhar os barcos.

Por vezes, uma visita em lojas de bugigangas, só para comprar aparelhos eletrônicos baratos, para desmontá-los ao chegar em casa e verificar seu sistema de funcionamento.

Algumas vezes havia uma parada na sorveteria. Randal nunca sabia se o pai iria ou não parar na sorveteria. Por isso, esperava ansioso, na volta para casa, que o pai enveredasse por aquela esquina decisiva. A esquina que significava animação e água na boca.

O pai do garoto, por vezes, tomava o caminho mais longo. Dizia que era para mudar um pouco o trajeto. Em verdade, parecia um jogo, onde ele ficava testando o autocontrole do filho.

Quando chegava na esquina, ele oferecia:

Quer um sorvete de casquinha?

O garoto pedia sorvete de chocolate, e o pai, de creme. Andavam devagar até o carro e ficavam saboreando o sorvete. Para o garoto, aquilo era o paraíso.


Certo dia, em que rumando para casa, passavam pela esquina, o pai perguntou: E aí, quer um sorvete de casquinha hoje?

Boa pedida! Disse Randal.

Também acho, concordou o pai. Não quer pagar hoje?

O sorvete custava então vinte centavos. A cabeça de Randal começou a girar. Ele podia pagar. Ganhava uma mesada semanal de vinte e cinco centavos, mais uns trocados por serviços eventuais.

Mas ele queria economizar. Economizar era importante. E, por se tratar do seu dinheiro, Randal achou que sorvete não era um bom investimento.

E aí ele disse as palavras mais feias que podia ter dito naquele momento: Bom, nesse caso, acho que vou desistir.

A resposta do pai foi lacônica. Concordou e começou a andar em direção ao carro estacionado. Assim que fizeram a curva a caminho de casa, o garoto percebeu o quanto estava errado.

Como ele pudera ser tão mesquinho? Seu pai já perdera a conta de quantos sorvetes lhe pagara e ele nunca comprara nenhum para ele. Como ele pudera perder aquela oportunidade rara de dar alguma coisa àquele pai tão generoso?

Pediu ao pai que voltasse. Em vão. Randal ficou se sentindo péssimo por seu egoísmo, sua ingratidão. Foram para casa.

Aquela semana foi terrível, longa, angustiante. O pai não agiu como se estivesse desapontado ou desiludido. Contudo, o garoto pensava e pensava.

No final de semana seguinte, quando fizeram o novo passeio, ele fez questão de conduzir o pai até à sorveteria e lhe oferecer, sorrindo: Pai, quer um sorvete de casquinha hoje? Eu pago!

Naqueles dias, Randal aprendeu que a generosidade tem mão dupla, que a gratidão algumas vezes custa um pouco mais do que um simples obrigado. No seu caso específico, lhe custou vinte centavos. E lhe valeu uma lição para a vida.
*   *   *
No processo da educação, quase sempre um gesto tem efeito mais poderoso do que muitas palavras.

A sabedoria está, para o educador, em saber usar as palavras certas, nos momentos adequados e a utilizar a eloquência do silêncio, nas horas precisas.
 
 
Redação do Momento Espírita, com base no cap.
O custo da gratidão, de Randal Jones, do livro Histórias para
aquecer o coração dos adolescentes, de Jack Canfield,
Mark Victor Hansen, Kimberly Kirberger, ed. Sextante.
Em 31.01.2010.
O amor é o coração do Evangelho e o espírito do Espiritismo chama-se caridade. ("Opinião Espírita")

Deus não desampara.


Por conta disso, sua leitura costuma ser um tanto árdua.

Mesmo assim, dele podem ser extraídas preciosas lições, hábeis a ampliar o progresso espiritual.

Em determinado ponto da narrativa, consta o seguinte versículo:

E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição e não se arrependeu.

Essa pequena frase é rica de significados.

Ela evidencia a extrema bondade de Deus, manifestada para com todos os Seus filhos.

Perante os erros mais clamorosos, Ele Se posiciona como um Pai amantíssimo, embora justo.

Muitos insistem pela rigidez e irrevogabilidade das determinações de origem Divina.

Entretanto, convém refletir sobre a essência sublime do Amor que tudo gerou e a tudo sustenta.

Esse amor apaga vidas escuras e faz nascer novo dia nos horizontes da alma.

Mediante as sucessivas vidas, viabiliza os mais improváveis reajustes e redenções.

Mesmo entre os juízes terrestres, existem providências fraternas, como a liberdade sob condições.

Por certo, não será o Tribunal Celeste constituído por inteligências mais duras e inflexíveis.

A casa do Pai é muito mais generosa do que qualquer figuração de magnanimidade que se possa conceber.


Em Seus celeiros abundantes, os recursos são infinitos.

Neles há empréstimos e moratórias, para quem muito deve em face das soberanas Leis que regem a vida.

Também são habituais as concessões de tempo para aquele que se complicou espiritualmente, ao longo dos séculos.

Em suma, os recursos da Misericórdia Divina não podem ser concebidos pela mais vigorosa imaginação humana.

O Altíssimo fornece dádivas a todos, em Sua generosidade.

É aconselhável que o homem medite no que tem feito desses recursos.

Que cesse de reclamar e de se achar injustiçado.

Que jamais se permita imaginar o Pai Amoroso apresentado por Jesus como um ser vingativo e mesquinho.

Mas ponha a mão na consciência e se encha de gratidão por tudo o que tem.

Aprenda a valorizar seus amores, seu trabalho e suas lutas.

Esses recursos sublimes não devem ser desperdiçados.

Eles se destinam a propiciar uma retificação de rumos.

Mediante sua utilização, o homem deve crescer em discernimento e em bondade.

Deve se desgostar de velhos vícios, arrepender-se de equívocos e marchar rumo ao Alto, com galhardia.

Muitos são prisioneiros da concepção de justiça implacável.

Tais ignoram os maravilhosos auxílios do Todo Poderoso, que se manifestam por mil modos diferentes.

Contudo, há também os que procuram a própria iluminação pelo Amor Universal.

Esses sabem que Deus dá sempre e que é necessário aprender a receber e a repartir.

Pense nisso.
*   *   *
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 92 do livro Pão nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 24.11.2010.
"Se Allan Kardec tivesse escrito que 'fora do Espiritismo não há salvação', eu teria ido por outro caminho. Graças a Deus ele escreveu “Fora da Caridade”, ou seja, fora do Amor não há salvação...” (Chico Xavier

A resposta da gratidão.


Num dia de folga, andando pela praia, ele viu uma mulher em perigo. Jogou-se n’água e a trouxe para a praia.

Depois a carregou até o posto salva-vidas, onde uma ambulância a levou para o hospital.

Victória ficou muito agradecida e passou a visitá-lo, de vez em quando, no posto.

Quando sabia que ele estava trabalhando, mandava-lhe pizza. Jim retribuía com visitas e telefonemas.

Os outros rapazes faziam gozação da sua amizade com aquela senhora. Ele não ligava.

Durante anos, mantiveram a amizade. Certo dia, retornando de uma viagem, Jim ligou para a casa dela. Quem atendeu foi uma jovem, que se identificou como bárbara.

Era sua sobrinha. Contou-lhe que Victoria havia morrido, vítima de um derrame. A sobrinha viera de outra cidade para resolver alguns negócios da tia.

Ela sabia tudo a respeito dele porque sua tia lhe falou. O tempo passou.

Uma noite, numa festa na praia, com amigos, Jim percebeu que as coisas estavam saindo do controle.
Bebidas e drogas começaram a circular. Ele decidiu ir embora. Logo depois, uma mulher que ele havia conhecido apenas algumas horas antes, também saiu.

Quando ela foi dada como desaparecida e seu vestido esfarrapado foi encontrado ao lado da estrada, ele foi acusado de assassinato.

Parecia um pesadelo. Ele mal a conhecia. Era uma acusação maluca. Mas a polícia precisava de um suspeito. E ele era um suspeito.


Um defensor público foi indicado para cuidar do seu caso, porque ele não tinha dinheiro. Foi preso e a fiança estipulada em um valor elevadíssimo.

Jim achou que não teria mais saída. Então, um dia, recebeu um telefonema.
Era bárbara. Formada em direito, ela ouviu o noticiário a respeito da sua prisão e perguntava se ele aceitaria que ela o defendesse gratuitamente.

Jim aceitou de pronto. Ela começou a se inteirar dos detalhes do caso.

A única testemunha ocular que identificou Jim, como o homem que saiu da festa com a mulher, descreveu o casal como sendo da mesma altura.

Alguma coisa estava muito errada. A suposta morta tinha 1,65m. Jim tinha quase 1,80m.

Graças a esse detalhe, ela conseguiu que a fiança fosse reduzida e Jim pôde ir para casa. Aquilo foi um presente para ele.

Ela contratou um detetive que, depois de algum tempo, descobriu que a suposta vítima vivia num país vizinho.

Ela decidira sair de casa e abandonar o marido para começar uma nova vida, com outra pessoa.

Depois de muita insistência, meses de trabalho, conseguiram que a mulher retornasse e se mostrasse à polícia, provando que estava viva.

Jim estava livre da acusação. Hoje, ele vive com sua mulher e três filhos. Tem uma fazenda e dirige sua própria fábrica.

Mas nunca vai esquecer aquela amizade especial com Victoria.

Comenta ele: “se aquela doce senhora não falasse de mim para sua sobrinha como o fez, é bem possível que eu estivesse apodrecendo na prisão, pelo resto da minha vida. Devo minha vida àquela mulher.”

No entanto, bárbara tem uma versão diferente: “ele merecia minha ajuda. Ele salvou a vida de alguém que nem conhecia, mesmo não estando em serviço naquela hora. Esse tipo de amor pela humanidade não fica sem recompensa.”
*   *   *
Faça o bem, sem nunca aguardar recompensa. Mas guarde a certeza que os benefícios lhe chegarão, de alguma forma, neste mundo ou no outro.

Isto porque à toda ação corresponde uma reação. E o bem somente gera bem maior.
*   *   *
Equipe de Redação do Momento Espírita com base no cap. Heróis também precisam de heróis, do livro Triunfos do coração, de autoria de Chris Benghue, ed. Butterfly.
"Se Allan Kardec tivesse escrito que 'fora do Espiritismo não há salvação', eu teria ido por outro caminho. Graças a Deus ele escreveu “Fora da Caridade”, ou seja, fora do Amor não há salvação...” (Chico Xavier)

Em torno da gratidão.


Entre inúmeras e grandes bênçãos, valoriza pequenos problemas.

Essa característica é lamentável, pois pode tornar mesquinho aquele que a possui.

Constitui um triste espetáculo a pessoa abençoada que se lamenta sem cessar.

Esquecida de agradecer pelas alegrias, considera-se mais necessitada do que as outras.

Com esse estado de espírito, não se comove com a miséria alheia.

Deixa de valorizar e utilizar seus recursos na construção de um mundo mais justo e fraterno.

Assim, se você não aprova a ingratidão, cuide para não adotar esse gênero de comportamento.

Preste atenção nas inúmeras graças com que é continuamente brindado pela vida.

Se tem familiares complicados, pense em quem é completamente sozinho.

Inúmeros órfãos não contam com o apoio de ninguém.

Reflita também sobre os velhos sem amparo.

Seus parentes podem ser difíceis, mas estão ao seu lado.

Apesar de todos os embates, são uma presença familiar e fazem parte da sua história.

Valorize-os.

Talvez seu emprego não seja o de seus sonhos.

Mas há tantos desempregados!

É bom que você esteja disposto a lutar por uma colocação profissional melhor.

Contudo, enquanto ela não chega, aprecie a que já tem.

Muitos se sentiriam vitoriosos se estivessem em seu lugar.

Quem sabe você não seja portador de grande beleza.

Mas são tão raras as pessoas com aparência excelente. E nem sempre são as mais felizes.

A beleza física geralmente suscita a vaidade e atrai grandes tentações.

Possuir aparência modesta não o impede de ser amado.

Se não tem um exterior cintilante, valorize sua saúde e seu Espírito.

Torne-se atraente pela nobreza de seu caráter, por seu bom humor, por suas virtudes.

Mais importante do que ter um corpo belo é ser um Espírito equilibrado e bondoso.

A beleza apartada da saúde, física e moral, de pouco adianta.

Antes de reclamar, olhe a sua volta.

Emprego, saúde, família, amigos, instrução, moradia, fé em Deus...

São tantos os tesouros que a vida derrama sobre você!

Se há alguma dificuldade em determinado aspecto de seu viver, lute para vencê-la.

Entretanto, não se amargure por pouca coisa.

Volte sua atenção para o conjunto e alegre-se.

Emocione-se com a Bondade Divina e adquira o hábito de agradecer.

A gratidão manifesta-se no louvor a Deus.

Mas um homem agradecido também é um refrigério na vida dos semelhantes.

Quem percebe a beleza e a abundância do Universo converte-se em uma presença agradável e benfazeja.

Alegre e risonho, espalha bem-estar ao seu redor.

Ao perceber os tesouros de que é dotado, dispõe-se a reparti-los.

Ao invés de atacar os moralmente decaídos, ampara-os.

Arregimenta recursos para atender os necessitados.

Dá exemplos de ética e bom proceder.

Auxilia o próximo em suas dificuldades.

Torna-se um ouvinte atento e um ombro amigo.

Você é rico de talentos e de opções.

Pode valorizar o pouco que lhe falta ou o muito que possui.

Pode ser reclamão e desagradável.

Ou pode optar por lançar um olhar positivo sobre o mundo que o rodeia.

Encantado com suas bênçãos, tornar-se também uma bênção para o seu próximo.

Pense nisso.
*   *   *
Redação do Momento Espírita.
Em 25.05.2009.
"O Espiritismo, que se funda no conhecimento de leis até agora incompreendidas, não vem destruir os fatos religiosos, porém sancioná-los, dando-lhes uma explicação racional." (Allan Kardec)