Este espaço foi criado com o objetivo de falar um pouco a respeito do Espiritismo, trazer alguns esclarecimentos a respeito desta doutrina tão consoladora.
11 de jul. de 2013
Obsediados e Subjugados
Muito se tem falado dos perigos do Espiritismo.
É de notar-se, entretanto, que os que mais gritam são exatamente os que quase só o conhecem por ouvir dizer.
Já refutamos os principais argumentos que lhe são opostos; a eles, pois, não voltaremos; acrescentaremos apenas que se quiséssemos proscrever da sociedade tudo quanto pode oferecer perigo e dar margem a abusos, não saberíamos muito o que haveria de restar, mesmo daquelas coisas de primeira necessidade, a começar pelo fogo, causa de tantas desgraças; depois as estradas de ferro, etc. etc.
Se se admitir que as vantagens compensam os inconvenientes, o mesmo deve acontecer com tudo o mais: a experiência indica pari passu as precauções que devem ser tomadas para nos garantirmos contra os inevitáveis perigos das coisas.
Na verdade o Espiritismo apresenta um perigo real, mas não é aquele que se supõe; é preciso ser-se iniciado aos princípios da ciência para bem compreendê-lo.
Não nos dirigimos àqueles que lhe são alheios; é aos próprios adeptos, àqueles que o praticam, pois que para estes é que há perigo.
Importa que o conheçam, a fim de se porem em guarda: Sabe-se que um perigo previsto é um perigo meio evitado.
Diremos mais: para quem quer que esteja bem informado da ciência, tal perigo não existe; existe apenas para aqueles que têm a presunção de saber, isto é, como em todas as coisas, para aqueles que não possuem a necessária experiência.
Um desejo muito natural em todos aqueles que começam a se ocupar do Espiritismo é ser médium, principalmente psicógrafo. É realmente o gênero que tem mais atração, dada a facilidade das comunicações e por ser o que melhor se desenvolve com o exercício.
Compreende-se a satisfação que deve experimentar quem, pela primeira vez, vê a própria mão formar letras, depois palavras, depois frases em respostas aos seus pensamentos.
Essas respostas que traça maquinalmente, sem saber o que faz, o mais das vezes estão fora de qualquer idéia pessoal, não lhe podem deixar nenhuma dúvida quanta à intervenção de uma inteligência oculta.
Assim, grande é a sua alegria de poder entreter-se com os seres de além-túmulo, com esses seres misteriosos e invisíveis, que povoam os espaços: parentes e amigos já não mais se encontram ausentes: se não os vê com os olhos nem por isso deixam de ali estar; conversam com ele, e ele os vê por pensamento; podem saber se são felizes, conhecer aquilo que fazem, o que desejam e trocar amabilidades.
Compreende que entre eles a separação não é eterna e faz votos para apressar o instante em que poderiam reunir-se num mundo melhor. E não é tudo. Quanto não pode saber através dos Espíritos que com ele se comunicam? Não irão eles levantar o véu de todas as coisas?
Agora já não há mais mistérios: não tem mais do que interrogar para tudo ficar sabendo.
Já vê à sua frente a antiguidade sacudir a poeira do tempo, escavar as minas, interpretar as escrituras simbólicas e fazer reviver a seus olhos os séculos passados.
Outro, mais prosaico, e pouco preocupado em sondar o infinito onde se perde o pensamento, cuida apenas em explorar os Espíritos em benefício de sua fortuna.
Os Espíritos que devem ver tudo e tudo saber não lhe podem recusar a descoberta de algum tesouro escondido ou algum segredo maravilhoso.
Quem quer que se dê ao trabalho de estudar a ciência espírita jamais deixar-se-á seduzir por esses belos sonhos.
Sabe de que se deve abster a respeito do poder dos Espíritos, de sua natureza e do objetivo das relações que com os mesmos o homem pode estabelecer.
Recordemos, para começar, e em poucas palavras, os pontos principais, que nunca devem ser perdidos de vista, porque são uma espécie de chave da abóbada do edifício.
1º – Os Espíritos não são iguais nem em poder, nem em conhecimento, nem em sabedoria.
Como não passam de almas humanas desembaraçadas de seu invólucro corporal, ainda apresentam uma variedade maior que a que encontramos entre os homens na Terra, por isso que vêm de todos os mundos, e porque entre os mundos a Terra nem é o mais atrasado, nem o mais adiantado.
Há, pois, Espíritos muito superiores, como os muito inferiores; muito bons e muito maus, muito sábios e muito ignorantes, há os levianos, malévolos, mentirosos, astutos, hipócritas, facetos, espirituosos, trocistas, etc.
2º – Estamos incessantemente cercados por uma nuvem de Espíritos que, nem por serem invisíveis aos nossos olhos materiais, deixam de estar no espaço, em redor de nós, ao nosso lado, espiando os nossos atos, lendo os nossos pensamentos, uns para nos fazer bem, outros para nos fazer mal, conforme eles próprios sejam bons ou maus.
3º – Pela inferioridade física e moral de nosso globo na hierarquia dos mundos, os Espíritos inferiores aqui são mais numerosos que os superiores.
4º – Entre os Espíritos que nos cercam há os que se ligam a nós, que agem mais particularmente sobre o nosso pensamento, aconselhando-nos, e cujo impulso seguimos sem nos apercebermos; felizes se escutarmos a voz dos bons.
5º – Ligam-se os Espíritos inferiores àqueles que os escutam, Junto aos quais têm acesso e aos quais se agarram.
Se conseguirem estabelecer domínio sobre alguém, identificam-se com o seu próprio Espírito, fascinam-no, obsidiam-no, subjugam-no e o conduzem como se fosse uma verdadeira criança.
6º – A obsessão jamais se dá senão por Espíritos inferiores. Os bons Espíritos não produzem nenhum constrangimento: aconselham, combatem a influência dos maus e afastam-se desde que não sejam escutados.
7º – O grau de constrangimento e a natureza dos efeitos que produzem marcam a diferença entre a obsessão, a subjugação e a fascinação.
A obsessão é a ação quase que permanente de um Espírito estranho, que leva a pessoa a ser solicitada por uma necessidade incessante de agir desta ou daquela maneira e de fazer isto ou aquilo.
A estreita subjugação é uma ligação moral que paralisa a vontade de quem a sofre, impelindo a pessoa as mais desarrazoadas ações e, por vezes, às mais contrárias ao seu próprio interesse.
A fascinação é uma espécie de ilusão produzida ora pela ação direta de um Espírito estranho, ora por seus raciocínios capciosos; e essa ilusão produz um logro sobre as coisas morais, falseia o julgamento e leva a tomar-se o mal pelo bem.
8º – Por sua vontade pode sempre o homem sacudir o jugo dos Espíritos imperfeitos, porque em virtude de seu livre arbítrio ele tem escolha entre o bem e o mal.
Se aquela ligação chegou a ponto de paralisar a vontade e se a fascinação é tão grande que oblitera a razão, a vontade de uma terceira pessoa pode substituí-la.
Antigamente dava-se o nome de “possessão” ao império exercido pelos maus Espíritos, quando sua influência ia até a aberração das faculdades.
Mas a ignorância e os preconceitos muitas vezes tomaram como possessão aquilo que não passava de um estado patológico.
Para nós a possessão seria sinônimo de subjugação.
Não adotamos este termo por dois motivos: primeiro porque implica a crença em seres criados para o mal e a ele votados perpetuamente, quando apenas existem seres mais ou menos imperfeitos e todos podem melhorar; segundo porque ele implica igualmente a idéia de tomada de posse do corpo pelo Espírito estranho, uma espécie de coabitação: ao passo que existe apenas uma ligação.
O vocábulo “subjugação” dá uma perfeita idéia. Assim, para nós não há “possessos”, no sentido vulgar da palavra; há simplesmente “obsidiados, subjugados e fascinados”.
Por idêntico motivo não usamos o vocábulo demônio na acepção de Espírito imperfeito, de vez que freqüentemente esses Espíritos não valem mais que os chamados demônios: é apenas por causa da especialidade e da perpetuidade que estão ligadas a este vocábulo.
Assim, quando dizemos que não há demônios, não queremos dizer que apenas existem bons Espíritos; longe disto: sabemos muito bem que os há maus e muito maus, que nos solicitam para o mal, armam-nos ciladas e isto nada tem de admirável, porque eles foram homens.
Queremos dizer que não formam uma classe à parte na ordem da criação, e que Deus deixa a todas as criaturas o poder de melhorar-se.
Bem assentado isto, voltemos aos médiuns.
Em alguns destes o progresso é lento, mesmo muito lento; por vezes submetem-se a uma rude prova, a sua paciência.
Noutros é rápido: e em pouco tempo chega o médium a escrever com tanta facilidade e, às vezes, com mais presteza do que faria em condições ordinárias.
É então que pode tomar-se de entusiasmo – e aí é que está o perigo, porque o entusiasmo enfraquece e com os Espíritos é necessário ser-se forte.
Parece um paradoxo dizer que o entusiasmo enfraquece. Entretanto nada mais certo.
Dir-se-á que o entusiasmo marcha com uma convicção e uma confiança que lhe permitem vencer todos os obstáculos, com o que haverá mais força.
Sem dúvida: mas nós nos entusiasmamos pelo falso tanto quanto pelo verdadeiro. Deixai que abundem as mais absurdas idéias do entusiasta e dele fareis tudo quanta quiserdes.
O objeto de seu entusiasmo é, pois, o seu lado fraco, pelo qual podereis sempre dominá-lo.
O homem frio e impassível, ao contrário, vê as coisas sem ilusões: combina, pesa, examina maduramente e não se deixa seduzir por subterfúgios.
É isto o que lhe dá força.
Os Espíritos malévolos sabem-no tão bem ou melhor do que nós; sabem também empregar isto em seu proveito, para subjugar os que desejam ter sob sua dependência; e a faculdade de escrever como médium lhes serve maravilhosamente, porque é poderoso meio de captar a confiança e assim não a desprezam, se não soubermos pôr-nos em guarda.
Felizmente, como veremos mais tarde, o mal traz em si o remédio.
Seja por entusiasmo e por fascínio dos Espíritos, ou seja por amor próprio, em geral o médium psicógrafo é levado a acreditar que os Espíritos que se lhe comunicam são superiores; e isto é tanto mais quanto mais os Espíritos, vendo sua propensão, não deixam de ornar-se com títulos pomposos, conforme a necessidade e, segundo as circunstâncias, tomam nomes de santos, de sábios, de anjos, da própria Virgem Maria e fazem o seu papel como atores, vestindo ridiculamente a roupagem das pessoas que representam.
Tirai-lhes a máscara e se tornam o que eram: ridículos. É isto o que se deve saber fazer, tanto com os Espíritos, quanto com os homens.
Da crença cega e irrefletida na superioridade dos Espíritos que se comunicam à confiança em suas palavras há apenas um passo; assim também entre os homens.
Se chegarem a inspirar essa confiança, alimentam-na por meio de sofismas e dos mais capciosos raciocínios, ante os quais freqüentemente a gente baixa a cabeça.
Os Espíritos grosseiros são menos perigosos: reconhecemo-los imediatamente e não inspiram mais que repugnância.
Os mais temíveis, em seu mundo, como no nosso, são os Espíritos hipócritas: falam sempre com doçura, lisonjeando as inclinações; são meigos, manhosos, pródigos em expressões carinhosas e em protestos de dedicação.
É preciso ser realmente forte para resistir a semelhantes seduções.
Perguntareis onde está o perigo se os Espíritos são impalpáveis? O perigo está nos conselhos perniciosos que dão, sob a aparência de benevolência; nos movimentos ridículos, intempestivos ou funestos que nos levam a empreender.
Já vimos alguns que fizeram certas pessoas andar seca e meca, em busca de coisas fantásticas, com o risco de comprometer a saúde, a fortuna e a própria vida. Vimo-los ditar, com a aparência de gravidade, as coisas mais burlescas e as máximas mais esquisitas.
Desde que convém dar o exemplo ao lado da teoria, vamos relatar a história de uma pessoa nossa conhecida, que se encontrou sob o domínio de uma fascinação semelhante.
O Sr. F., moço instruído, de esmerada educação, de caráter suave e benevolente, mas um pouco fraco e sem resolução pronunciada, tomou-se médium psicógrafo hábil com muita rapidez.
Obsediado pelo Espírito que dele se apoderou e lhe não dava repouso escrevia incessantemente.
Desde que uma pena ou um lápis lhe caía na mão, tomava-o num movimento convulsivo. Na falta de material, simulava escrever com o dedo, em qualquer parte onde se encontrasse: na rua, nas paredes, nas portas, etc.
Entre outras coisas, esta lhe era ditada:
“o homem é composto de três coisas: o homem, o mau Espírito e o bom Espírito.
Todos vós tendes vosso mau Espírito, que está ligado ao corpo por laços materiais.
Para expulsar o mau Espírito é necessário quebrar esses laços, para o que é preciso enfraquecer o corpo.
Quando este se acha suficientemente enfraquecido, o laço se parte e o mau Espírito vai embora, deixando apenas o bom.”
Em conseqüência desta bela teoria fizeram-no jejuar durante cinco dias consecutivos e velar a noite.
Quando estava extenuado, eles lhe disseram: “Agora a coisa está feita e o laço partido. Teu mau Espírito se foi: ficamos apenas nós, em quem deves crer sem reservas.”
E ele, persuadido de que seu mau Espírito havia fugido, teve uma fé cega em todas as suas palavras. A subjugação havia chegado a um ponto que se lhe tivessem dito para atirar-se a água ou partir para os antípodas ele o teria feito.
Quando queriam obrigá-lo a fazer qualquer coisa que lhe repugnava, era arrastado por uma força invisível. Damos um exemplo abaixo de sua moral, por onde o resto poderá ser julgado.
“Para ter melhores comunicações é necessário primeiro orar e jejuar durante vários dias, uns mais, outros menos. O jejum enfraquece os laços que existem entre o “Ego” e um demônio particular ligado a cada “ser” humano.
Este demônio está ligado a cada pessoa pelo invólucro que une corpo e alma. Este invólucro se enfraquece pela falta de alimento e permite que os Espíritos arranquem aquele demônio.
Então Jesus desce ao coração da pessoa possessa, em lugar do mau Espírito. Este estado de possuir Jesus em si é o único meio de atingir toda verdade e muitas outras coisas.
“Enquanto a criatura não conseguir substituir o demônio por Jesus não possui a verdade. Para tê-la é necessário crer. Deus não dá a verdade aos que duvidam: seria fazer algo de inútil e Deus nada faz em vão.
Como a maioria dos médiuns novos duvidam do que dizem e escrevem, os bons Espíritos, pesar seu, “por ordem formal de Deus, são obrigados a mentir e não têm outro jeito senão mentir até que o médium fique convencido”; mas assim que ele acredita numa dessas mentiras os Espíritos elevados se apressam em lhe desvelar os segredos do céu: a verdade inteira dissipa num instante essa nuvem de erros com que tinham sido obrigados a envolver o seu protegido.
“Chegando a este ponto, nada mais tem o médium a temer. Os bons Espíritos jamais o deixarão. Contudo, não deve crer que tenha sempre a verdade e só a verdade.
Seja para o experimentar, seja para o punir de faltas passadas, seja ainda para o castigar por perguntas egoísticas ou curiosas, os bons Espíritos lhe “inflingem convicções físicas e morais”, vindo atormentá-lo por ordem de Deus.
Por vezes esses Espíritos elevados se lastimam da triste missão que desempenham: um pai persegue o filho durante semanas inteiras, um amigo ao seu amigo, tudo para a grande felicidade do médium.
Então os Espíritos “nobres” dizem tolices, blasfêmias e até torpezas. É necessário que o médium resista e diga: Vos me tentais; sei que estou entre mãos caridosas de Espíritos ternos e afetuosos; que os maus já não podem aproximar-se de mim. Boas almas que me atormentais, não me impedireis de crer naquilo que me dissestes e que me haveis de dizer.
“Os católicos expelem mais facilmente o demônio (este rapaz era protestante) porque este afastou-se um instante no dia do batismo. Os católicos são julgados pelo Cristo e os outros por Deus.
E melhor ser julgado pelo Cristo. Os protestantes não tem razão de não admitir isto: assim é necessário que te tornes católico quanto antes. E enquanto não fizerdes isto, vai tomar água benta: será o teu batismo.”
Mais tarde, curado da obsessão de que era vítima, por meios que relataremos, nós lhe havíamos pedido que nos escrevesse esta história, fornecendo-nos também o texto dos preceitos que lhe haviam sido ditados.
Transcrevendo-os, inscreveu sobre a cópia que nos enviou: “Pergunto-me a mim mesmo se não ofendo a Deus e aos bons Espíritos transcrevendo tolices semelhantes.”
A isto nós lhe respondemos: Não. O senhor não ofende a Deus; longe disso, desde que agora reconhece a cilada em que caiu.
Se lhe pedi uma cópia dessas máximas perversas foi para marcá-las como elas merecem, desmascarar os Espíritos hipócritas e por em guarda quem quer que receba coisa semelhante.
Um dia fá-lo-ão escrever: “Morrerás esta noite.” E ele responderá: “Sinto-me muito aborrecido neste mundo; morramos se assim deve ser; nada mais peço; tudo quanto desejo e não sofrer.”
A noite adormece, crendo firmemente não mais despertar na Terra. No dia seguinte ficará muito surpreendido e mesmo desapontado por achar-se em seu leito habitual.
Durante o dia escreve: “Agora que passaste pela prova da morte, que acreditaste firmemente que ias morrer, és para nós como um morto: podemos dizer-te toda a verdade; saberás tudo.
Nada haverá oculto para nós; nada mais haverá oculto para ti. Tu és uma reencarnação de Shakespeare. Tua bíblia não é Shakespeare?
No dia seguinte escreve: “Tu és Satã”. – “Isto também é demais, objeta o Sr. F. – “Não fizeste … não devoraste o “Paraíso perdido”? Aprendeste a “Fille du diable” de Beranger. Sabias que Satã havia de converter-se. Não o pensavas sempre? Não o disseste? Não o escreveste?
Para converter-se ele se reencarna. – Concordo que eu tenha sido um anjo rebelde qualquer; mas o rei dos anjos…! – Sim, tu eras o anjo da intrepidez. Não és mau; tens um coração orgulhoso; e este orgulho que e necessário abater.
És o anjo do orgulho, que os homens chamam Satã. Que importa o nome? Foste o mau gênio da Terra. Eis-te humilhado … Os homens vão tomar o seu impulso …
Verás maravilhas. Enganaste aos homens; enganaste a mulher na personificação de Eva, a mulher pecadora. Está dito que Maria, a personificação da mulher sem manchas, esmagar-te-á a cabeça; Maria vai chegar. – Um instante depois escreve lenta e docemente.
“Maria vem ver-te. Ela que te foi procurar no fundo do teu reino de trevas, não te abandonará. Ergue-te, Satã; Deus está pronto para te estender a mão. Lê “O Filho Pródigo”. Adeus.”
Num outro dia escreve: “Disse a Eva a serpente: “Teus olhos abrir-se-ão e serás como os deuses. O demônio disse a Jesus: Dar-te-ei todo o poder. A ti eu digo, pois que acreditas em nossas palavras: nós te amamos; serás tudo … Serás rei da Polônia.
Persevera nas boas disposições em que te colocamos. “Esta lição levará a ciência espírita a dar um grande passo”.
Ver-se-á que os bons Espíritos podem dizer futilidades e mentiras para divertir-se a custa dos sábios.
Disse Allan Kardec que um péssimo meio de reconhecer os Espíritos era fazê-los confessar Jesus em carne. Eu digo que só os bons Espíritos confessam Jesus em carne; e eu o confesso. Dize isto a Kardec.”
Contudo o Espírito não teve pudor de aconselhar aos Sr. F. que imprimisse essas “belas máximas”. Se o tivesse feito, certamente as teria publicado, o que seria uma coisa errada, porque as teria distribuído como coisa séria.
Encheríamos um volume com todas as tolices que lhe foram ditadas e com as circunstâncias que se seguiram.
Entre outras coisas fizeram-no desenhar um edifício de tais dimensões que as folhas de papel, coladas umas às outras chegavam à altura de dois andares.
Observe-se que em tudo isto nada há de grosseiro ou de banal. É uma serie de raciocínios sofísticos, encadeando-se com a aparência de lógica.
Nos meios empregados para o embair há realmente uma arte infernal, e se nos tivesse sido possível relatar todas essas manifestações ver-se-ia até que ponto era levada a astúcia e com que habilidade para isso eram empregadas palavras melífluas.
O Espírito que representava o papel principal neste negócio dava o nome de François Dillois quando não se cobria com a máscara de um nome respeitável.
Mais tarde viemos a saber o que esse tal Dillois tinha sido em vida. Assim, nada havia que admirar em sua linguagem. Mas no meio de todo esse aranzel era fácil reconhecer um bom Espírito que lutava, fazendo de quando em quando ouvir algumas boas palavras de desmentido dos absurdos do outro.
Havia um combate, mas evidentemente a luta era desigual. O moço de tal modo se achava subjugado que sobre ele a voz da razão era impotente.
Notadamente o Espírito de seu pai lhe fez escrever as seguintes palavras:
“Sim, meu filho, coragem! Sofres uma rude prova, que será para o teu bem no futuro. Infelizmente no momento nada posso fazer para te libertar – e isto muito me custa. Vai ver Allan Kardec. Escuta-o; ele te salvará.”
Efetivamente, o Sr. F. veio procurar-me e, para começar, contou-me sua história e eu o fiz escrever em minha presença; desde o início reconheci sem dificuldades da manhã à noite a influência perniciosa sob que se achava, quer nas palavras, quer por certos sinais materiais que a experiência dá a conhecer, e que não nos podem enganar.
Voltou várias vezes. Empreguei toda a minha força de vontade para chamar os bons Espíritos por seu intermédio, toda a minha retórica para lhe provar que era vítima de Espíritos detestáveis; que aquilo que escrevia não tinha senso, além de ser profundamente imoral.
Para essa obra de caridade juntei-me a um colega, e, pouco a pouco, conseguimos que escrevesse coisas sensatas.
Tomou aversão àquele mau gênio, repelindo-o por vontade própria cada vez que tentava manifestar-se e lentamente os bons Espíritos triunfaram.
Para modificar as suas idéias, seguiu o conselho dos Espíritos de entregar-se da manhã à noite a um trabalho rude, que não lhe deixasse tempo para escutar as sugestões más.
O próprio Dillois acabou confessando-se vencido e exprimindo o desejo de se melhorar em nova existência; confessou o mal que tinha querido fazer e deu provas de arrependimento.
A luta foi longa e penosa e ofereceu ao observador particularidades realmente curiosas.
Hoje o Sr. F. sente-se livre e feliz; e como se tivesse deposto um fardo. Recuperou a alegria e agradece-nos o serviço que lhe prestamos.
Algumas pessoas deploram que haja Espíritos maus. Realmente não é sem um certo desencanto que topamos com a perversidade neste mundo, onde gostaríamos de encontrar apenas seres perfeitos.
Desde que assim o é, nada podemos fazer: é preciso tomar as coisas como elas são. É a nossa própria inferioridade que faz com que pululem em redor de nós os Espíritos imperfeitos.
As coisas mudarão quando nos tornarmos melhores, como acontece nos mundos mais adiantados.
Enquanto esperamos, e desde que nos achamos ainda nos “basfonds” do universo moral somos advertidos; cabe, então, pormo-nos em guarda e não aceitar sem controle tudo quanto nos dizem.
À medida que nos esclarece, a experiência deve tomar-nos circunspectos. Ver e compreender o mal é um meio de nos preservarmos contra ele.
Não seria cem vezes mais perigoso ter ilusões quanto à natureza dos seres invisíveis que nos rodeiam?
O mesmo se dá entre os homens, pois diariamente nos achamos expostos à malevolência e às sugestões pérfidas; são outras tantas provas, às quais a nossa consciência e a nossa razão nos oferecem os meios de resistir. Quanto mais difícil for a luta, maior será o mérito do sucesso. “Quem vence sem perigo triunfa sem glória.”
Esta historia que infelizmente não é a única de nosso conhecimento, levanta uma questão muito grave.
Perguntar-se-á se não é um aborrecimento para esse moço o ter sido um médium? Não terá sido tal faculdade a causa da obsessão de que foi vítima?
Numa palavra, não será uma prova do perigo das comunicações espíritas?
Nossa resposta é fácil e pedimos que a meditem cuidadosamente.
Não foram os médiuns que criaram os Espíritos. Estes existiam de todos os tempos e de todos os tempos exerceram sobre os homens uma influência salutar ou perniciosa.
Para isto, pois, não é necessário ser médium.
A faculdade medianímica não lhes é mais que um meio de manifestar-se; em falta dessa faculdade agem de mil e uma outras maneiras.
Se esse moço não fosse médium, nem por isso ter-se-ia subtraído à influencia desse mau Espírito, que, sem dúvida, lhe teria feito praticar extravagâncias, as quais teriam sido atribuídas a qualquer outra causa.
Felizmente para ele a sua faculdade de médium, permitindo que o Espírito se comunicasse por palavras, por estas o Espírito se traiu; elas permitiram conhecer a causa do mal, que poderia ter tido conseqüências funestas e que, como se viu, nos destruímos por meios muito simples e racionais e sem exorcismos.
A faculdade medianímica permitiu ver o inimigo, se assim nos podemos exprimir, face a face, e combatê-lo com suas próprias armas.
Pode, pois, dizer-se, com absoluta certeza, que foi ela quem o salvou; quanto a nós, fomos apenas o médico que, tendo julgado a causa do mal, aplicamos o remédio.
Grave erro seria pensar que os Espíritos não exercem sua influencia senão por comunicações verbais ou escritas.
Essa influência é de todos os instantes e a ela, tanto quanto os outros, e mais do que os outros, acham-se expostos aqueles que não acreditam nos Espíritos, pois não têm um instrumento de aferição.
A quantos atos infelizmente não somos levados e que teriam sido evitados se tivéssemos tido um meio de nos esclarecermos!
Os mais incrédulos não se apercebem de que dizem uma verdade quando, em relação a um homem que se desencaminha, proclamam: É o seu mau gênio que o empurra para a perdição.
Regra geral:
Quem quer que obtenha más comunicações espíritas, orais ou escritas, acha-se sob ma influencia.
Esta se exerce sobre ele, quer escreva, quer não, isto é, seja ou não seja médium.
A escrita fornece um meio de nos assegurarmos da natureza dos Espíritos que atuam sobre ele e de os combater, o que se faz com tanto maior sucesso quanto mais e conhecido o motivo que o leva a agir.
Se ele for bastante cego para não o compreender, outros podem abrir-lhe os olhos.
Aliás, não é necessário ser médium para escrever absurdos.
E quem nos diz que entre todas essas elocubrações ridículas ou perigosas não haverá algumas cujos autores são impulsionados por Espíritos malévolos?
Três quartas partes de nossas ações más e de nossos maus pensamentos são frutos dessa sugestão oculta.
Perguntar-se-á se se teria feito cessar a obsessão, caso o Sr. F. não fosse médium?
Certamente. Apenas os meios teriam diferido, conforme as circunstancias.
Mas então os Espíritos não teriam podido encaminhá-lo para nós, como o fizeram; e é provável que a causa tivesse sido posta de lado, de vez que não havia manifestação espírita ostensiva.
Toda criatura de vontade e simpática aos bons Espíritos pode sempre, com o auxílio destes, paralisar uma influencia perniciosa.
Dizemos que deve ser simpática aos bons Espíritos, porque se ela atrai os inferiores é evidente que não se caçam lobos com lobos.
Em resumo, o perigo não esta propriamente no Espiritismo, desde que este, ao contrário, pode servir de controle, preservando-nos daquilo a que, mau grado nosso, estamos expostos; o perigo está na propensão de certos médiuns para mui levianamente se crerem instrumentos exclusivos de Espíritos superiores e da espécie de fascinação que não os deixa compreender as tolices de que são intérpretes.
Aqueles mesmos que não são médiuns podem ser arrastados. Terminaremos este capítulo com as seguintes considerações:
1º – Todo médium deve prevenir-se contra o irresistível empolgamento que o leva a escrever sem cessar e até em momentos inoportunos; deve ser senhor de si e não escrever senão quando o quer;
2º – Não dominamos os Espíritos superiores, nem mesmo aqueles que, não sendo superiores, são bons e benevolentes; mas podemos dominar e domar os Espíritos inferiores.
Aquele que não é senhor de si não o pode ser dos Espíritos;
3º – Não há outro critério, senão o bom senso, para discernir o valor dos Espíritos.
Qualquer fórmula dada para esse fim pelos próprios Espíritos é absurda e não pode emanar de Espíritos superiores;
4º – Os Espíritos, como os homens, são julgados por sua linguagem; toda expressão, todo pensamento, todo conceito, toda teoria moral ou científica que choque o bom senso ou não corresponda à idéia que fazemos de um Espírito puro e elevado, emana de um Espírito mais ou menos inferior;
5º – Os Espíritos superiores têm sempre a mesma linguagem com a mesma pessoa e jamais se contradizem;
6º – Os Espíritos superiores são sempre bons e benevolentes; em sua linguagem jamais encontramos acrimônia, arrogância, aspereza, orgulho, basófia ou tola presunção: falam com simplicidade, aconselham e se retiram quando não são ouvidos;
7º – Não devemos julgar os Espíritos por sua forma material nem pela correção da linguagem, mas sondar-lhes o íntimo, perscrutar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção: qualquer fuga ao bom senso, à razão e à sabedoria não pode deixar dúvidas quanto à sua origem, seja qual for o nome com que se mascare o Espírito;
8º – Os Espíritos inferiores receiam os que lhes analisam as palavras, desmascaram as torpezas e se não deixam prender por seus sofismas; às vezes tentam erguer a cabeça, mas acabam sempre fugindo, quando se sentem mais fracos;
9º – Aquele que em tudo age tendo em vista o bem eleva-se acima das vaidades humanas, expele do coração o egoísmo, o orgulho, a inveja, o ciúme e o ódio, e perdoa aos seus inimigos, pondo em prática esta máxima do Cristo: “Fazer aos outros como quereria que fosse feito a si mesmo”; simpatiza com os bons Espíritos, enquanto que os maus o temem e dele se afastam.
Seguindo estes preceitos, garantimo-nos contra as más comunicações, contra o domínio dos Espíritos impuros e, aproveitando tudo quanta nos ensinam os Espíritos verdadeiramente superiores, contribuiremos, cada um por nossa parte, ao progresso moral da Humanidade.
Allan Kardec
Livro: A Obsessão
Aparições
O fenômeno das aparições apresenta- se hoje sob um aspecto de certo modo novo, projetando uma viva luz sobre os mistérios da vida de além-túmulo.
Antes de abordar os estranhos fatos que vamos relatar, julgamos de nosso dever repetir a explicação que foi dada e completá-la.
Não se deve de maneira alguma perder de vista que, durante a vida, o Espírito encontra-se unido ao corpo por uma substância semi-material que constitui um primeiro envoltório que designamos sob o nome de perispírito.
Tem, pois, o Espírito dois envoltórios: um grosseiro, pesado e destrutível – o corpo; e outro etéreo, vaporoso e indestrutível – o perispírito.
A morte nada mais é que a destruição do envoltório grosseiro, é a roupa usada que deixamos; o envoltório semi-material persiste, constituindo, por assim dizer, um novo corpo para o Espírito.
Essa matéria eterizada – é bom que notemos – absolutamente não é a alma, é apenas o seu primeiro envoltório. A natureza íntima dessa substância ainda não é perfeitamente conhecida, mas a observação nos colocou no caminho de algumas de suas propriedades.
Sabemos que desempenha um papel capital em todos os fenômenos espíritas; após a morte, é o agente intermediário entre o Espírito e a matéria, assim como o corpo durante a vida. Por aí se explica uma porção de problemas até então insolúveis.
Veremos, em artigo subseqüente, o papel que ele representa nas sensações dos Espíritos. A descoberta do perispírito, portanto, se assim nos podemos expressar, permitiu que a ciência espírita desse um passo enorme e entrasse numa via inteiramente nova.
Mas, direis, não será esse perispírito uma criação fantástica da imaginação? Não seria mais uma dessas suposições feitas pela ciência para explicar certos efeitos? Não; não é obra da imaginação, porque foram os próprios Espíritos que o revelaram; não se trata de idéia fantástica, desde que pode ser constatado pelos sentidos, ser visto e tocado.
A coisa existe; apenas o termo é nosso. Necessitamos de palavras novas para exprimir coisas novas. Os próprios Espíritos o adotaram nas comunicações que tivemos com eles.
Por sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível para nós, embora possa sofrer modificações que o tornam perceptível à vista, seja por uma espécie de condensação, seja por uma mudança em sua disposição molecular: é então que nos aparece sob uma forma vaporosa.
A condensação – termo que utilizamos à falta de outro melhor, mas que não deve ser tomado ao pé da letra – a condensação, dizíamos, pode ser de tal intensidade que o perispírito passa a adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível, embora seja capaz de retomar instantaneamente o seu estado etéreo e invisível.
Podemos ter uma idéia desse efeito pelo vapor, que é capaz de passar da invisibilidade ao estado brumoso, depois ao líquido, em seguida ao sólido e vice-versa.
Esses diferentes estados do perispírito são o produto da vontade do Espírito, e não de uma causa física exterior. Quando ele nos aparece é que dá ao seu perispírito a propriedade necessária para o tornar visível, e essa propriedade ele a pode
estender, restringir e fazer cessar à vontade.
Uma outra propriedade da substância do perispírito é a de penetrabilidade. Nenhuma matéria
lhe opõe obstáculo: ele as atravessa todas, como a luz atravessa os corpos transparentes.
Separado do corpo, o perispírito assume uma forma determinada e limitada, e essa forma normal é a do corpo humano, embora não seja constante; o Espírito pode dar-lhe, à vontade, as mais variadas aparências, até mesmo a de um animal ou de uma chama.
Aliás, concebe-se isso muito facilmente. Não vemos homens que imprimem ao rosto as mais diversas expressões, imitando, a ponto de nos enganarem, a voz e as expressões de outras pessoas, parecerem corcundas, coxas, etc.? Quem na rua reconheceria certos atores que só são vistos caracterizados no palco?
Se, portanto, o homem pode assim dar ao seu corpo material e rígido aparências tão contrárias, com mais forte razão o Espírito poderá fazê-lo com um envoltório eminentemente flexível e que se pode prestar a todos os caprichos da vontade.
Os Espíritos, pois, geralmente nos aparecem sob a forma humana; em seu estado normal não tem essa forma nada de bem característico, nada que os distinga uns dos outros de uma maneira muito nítida; nos bons Espíritos, ela é ordinariamente bela e regular: longos cabelos flutuantes sobre os ombros e túnicas a envolver-lhes o corpo.
Mas quando querem fazer-se conhecidos, tomam exatamente todos os traços sob os quais eram conhecidos e, quando necessário, até mesmo a aparência do vestuário. Assim, para exemplificar, como Espírito, Esopo não é disforme: mas se for evocado como Esopo, ainda que tivesse tido várias existências posteriores, apareceria feio e corcunda, com a indumentária tradicional.
Essa vestimenta, talvez, é o que mais espanta; porém, se considerarmos que faz parte integrante do envoltório semi-material, concebe-se que o Espírito possa dar a esse envoltório a aparência de tal ou qual vestuário, como a de tal ou qual fisionomia.
Tanto podem os Espíritos aparecer em sonho como em estado de vigília; essas últimas não são raras nem novas; sempre existiram em todos os tempos e a História as registra em grande número; mas sem retroceder tanto, hoje essas visões são bastante freqüentes e muita gente, num primeiro instante, as tomou por alucinações.
São freqüentes sobretudo nos casos de morte de pessoas ausentes, que vêm visitar seus parentes ou amigos. Muitas vezes não têm um fim determinado mas, em geral, podemos dizer que os Espíritos que assim nos aparecem a nós são atraídos por simpatia.
Conhecemos uma jovem senhora que à noite, em sua casa, com ou sem iluminação, via homens que entravam e saíam, embora as portas estivessem fechadas. Isso a deixava muito espantada, tornando-a de uma pusilanimidade que tocava as raias do ridículo.
Certo dia viu distintamente seu irmão, então na Califórnia e que absolutamente não havia morrido, o que vem provar que o Espírito dos vivos pode vencer as distâncias e aparecer num determinado lugar, enquanto seu corpo repousa alhures.
Desde que foi iniciada no Espiritismo essa senhora não mais teve medo, porque se deu conta das visões e sabe que os Espíritos que a vêm visitar não podem fazer-lhe nenhum mal.
Quando seu irmão apareceu, é provável que estivesse dormindo; se pudesse ter explicado a sua presença poderia ter mantido conversação com ele, o qual, ao despertar, talvez conservasse uma vaga lembrança desse encontro. Além disso, é provável que nesse momento ele sonhasse que se achava ao lado da irmã.
Dissemos que o perispírito pode adquirir a tangibilidade; já falamos desse assunto quando nos referimos às manifestações produzidas pelo Sr. Home.
Sabemos que por diversas vezes fez aparecessem mãos, que se podia apalpar como se fossem vivas mas que, repentinamente, se desvaneciam como uma sombra; mas não se tinham visto ainda corpos inteiros sob essa forma tangível, embora esse fato não seja impossível.
Numa família do conhecimento íntimo de um de nossos assinantes, um Espírito se vinculou à filha do dono da casa, menina de seus dez a onze anos, sob a forma de um belo garoto da mesma idade.
Fazia-se visível para ela qual se fora uma pessoa comum, e visível ou invisível para os outros conforme lhe aprouvesse; prestava-lhe toda sorte de bons serviços, trazia-lhe brinquedos, bombons, fazia o serviço doméstico, ia comprar aquilo de que precisavam e o que mais o valha.
Não se trata absolutamente de uma lenda da mística Alemanha, e de forma alguma é uma estória da Idade Média, mas, sim, de um fato atual, que se passa no momento em que escrevemos, numa cidade da França e numa família muito honrada.
Fizemos até mesmo estudos bastante interessantes sobre esse fato, os quais nos forneceram as mais estranhas e inesperadas revelações.
Haveremos de entreter nossos leitores de modo mais completo em artigo especial que publicaremos brevemente.
Allan Kardec
Fonte: Revista Espírita —dezembro de 1858
O Livro dos Espíritos
Muitas vezes já nos dirigiram perguntas sobre a maneira por que foram obtidas as comunicações que são objeto de O Livro dos Espíritos.
Resumimos aqui, com muito prazer, as respostas que temos dado a esse respeito, pois que isso nos ensejará a ocasião de cumprir um dever de gratidão para com as pessoas que de boa vontade nos prestaram seu concurso.
Como explicamos, as comunicações por pancadas, ou tiptologia, são muito lentas e bastante incompletas para um trabalho alentado; por isso não utilizamos jamais esse recurso: tudo foi obtido através da escrita e por intermédio de diversos médiuns psicógrafos.
Nós mesmos preparamos as perguntas e coordenamos o conjunto da obra; as respostas são, textualmente, as que foram dadas pelos Espíritos; a maior parte delas foi escrita sob nossas vistas, algumas foram tomadas das comunicações que nos foram enviadas por correspondentes ou que recolhemos para estudo em toda parte onde estivemos: a esse efeito, os Espíritos parecem multiplicar aos nossos olhos os motivos de observação.
Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho foram as senhoritas B***, cuja boa vontade jamais nos faltou: este livro foi escrito quase por inteiro por seu intermédio e na presença de numeroso auditório que assistia às sessões e nelas tomava parte com o mais vivo interesse.
Mais tarde os Espíritos recomendaram sua completa revisão em conversas particulares para fazerem todas as adições e correções que julgaram necessárias.
Essa parte essencial do trabalho foi feita com o concurso da senhorita Japhet, que se prestou com a maior boa vontade e o mais completo desinteresse a todas as exigências dos Espíritos, pois que eram eles que marcavam os dias e as horas para suas lições.
O desinteresse não seria aqui um mérito particular, visto que os Espíritos reprovam todo tráfico que se possa fazer de sua presença; a senhorita Japhet, que é também sonâmbula notável, tinha seu tempo utilmente empregado, mas compreendeu, igualmente, que dele poderia fazer um emprego proveitoso, consagrando-se à propagação da doutrina.
Quanto a nós, temos declarado desde o princípio, e nos apraz reafirmar aqui, que jamais pensamos em fazer de O Livro dos Espíritos objeto de especulação, devendo sua renda ser aplicada às coisas de utilidade geral; por isso seremos sempre reconhecidos aos que se associarem de coração, e por amor do bem, à obra a que nos estamos consagrando.
Allan Kardec
Fonte: Revista Espírita
Janeiro de 1858
9 de jul. de 2013
Libertação do Sofrimento.
Desde todos os tempos, de todas as eras, o homem vem travando uma batalha para livrar-se da dor em contínuas tentativas infrutíferas, quedando quase sempre em novas aflições.
A influência da mitologia, de algumas filosofias e doutrinas religiosas estabeleceram métodos depuradores para a libertação do sofrimento, que vão desde as mais bárbaras flagelações – silícios, holocaustos, promessas e oferendas, até ao ascetismo mais exacerbado (asceta – aquele que se dedica a um tratamento de autodisciplina, praticando mortificações, privações e contínuas orações).
Por outro lado, o homem vive na Terra sob a influência de medos: da doença, da pobreza, da solidão, do desamor, do insucesso, da morte, etc. Essa conduta é o resultado de seu despreparo para os fenômenos normais da existência, os quais devem ser encarados como processo de evolução.
Os motivos geradores do sofrimento residem, na maioria das vezes, na incapacidade do homem de dar o justo valor às suas necessidades básicas. A ambição desmedida pelas coisas, divertimentos, prestígio social, fama, e tantas outras ilusões, acabam por desviá-lo da sua rota espiritual.
A busca da realidade, do Eu, deve partir de uma análise profunda e interna das necessidades legítimas da vida. Primeiramente, é necessário adquirir um estado de espírito de paz, para passar por tudo sem ater-se a nada. Lembrando palavras lindas de Joanna de Angelis, “a chama que clareia exteriormente projeta luz, mas faz sombra; enquanto a que se manifesta do interior, irradia-se por igual em todas as direções, sem qualquer escuridão”
A mente e o corpo suscetíveis à dor pela posse ou perda das coisas externas sempre atravessarão largos períodos de sofrimento, transferindo-se de uma para outra forma de sofrimento, sem conseguir a libertação. O autoconhecimento será fator preponderante para que o discernimento se amplie e assim, sabermos o que é útil ou supérfluo para o nosso viver.
Jesus afirmou com sabedoria que o “Filho do homem não possuía uma pedra para reclinar a cabeça”, embora “as aves dos céus, as serpentes e feras tivessem ninhos e covis”, demonstrando o Seu desapego total a todas as coisas que sobrecarregam a criatura de tensão e de inquietação. Sabemos o quanto é difícil o desapego, o quanto é forte em nós as influências atávicas (hábitos e costumes trazidos na nossa bagagem espiritual), mas, o sofrimento poderá ser superado pelo amor, pela meditação, pela reeducação do espírito, que logrará com a vitória sobre ele, através das sucessivas reencarnações.
Jesus sintetizou no amor a força poderosa para a anulação das causas infelizes do sofrimento. Allan Kardec, através da observância das lições do Evangelho e das diretrizes propostas pelos espíritos superiores, aludindo a Jesus, apresentou a caridade como sendo a via real para a salvação, a aquisição da saúde integral.
O sofrimento tem vigência transitória, por ser efeito do desequilíbrio da energia que, direcionada para o bem e para o amor, deixa de desarticular-se, facultando aos seres a iluminação, a plenitude, portanto, a saúde integral, que a todos os seres do mundo está reservada pelo Pai Creador.
Por outro lado, o homem vive na Terra sob a influência de medos: da doença, da pobreza, da solidão, do desamor, do insucesso, da morte, etc. Essa conduta é o resultado de seu despreparo para os fenômenos normais da existência, os quais devem ser encarados como processo de evolução.
Os motivos geradores do sofrimento residem, na maioria das vezes, na incapacidade do homem de dar o justo valor às suas necessidades básicas. A ambição desmedida pelas coisas, divertimentos, prestígio social, fama, e tantas outras ilusões, acabam por desviá-lo da sua rota espiritual.
A busca da realidade, do Eu, deve partir de uma análise profunda e interna das necessidades legítimas da vida. Primeiramente, é necessário adquirir um estado de espírito de paz, para passar por tudo sem ater-se a nada. Lembrando palavras lindas de Joanna de Angelis, “a chama que clareia exteriormente projeta luz, mas faz sombra; enquanto a que se manifesta do interior, irradia-se por igual em todas as direções, sem qualquer escuridão”
A mente e o corpo suscetíveis à dor pela posse ou perda das coisas externas sempre atravessarão largos períodos de sofrimento, transferindo-se de uma para outra forma de sofrimento, sem conseguir a libertação. O autoconhecimento será fator preponderante para que o discernimento se amplie e assim, sabermos o que é útil ou supérfluo para o nosso viver.
Jesus afirmou com sabedoria que o “Filho do homem não possuía uma pedra para reclinar a cabeça”, embora “as aves dos céus, as serpentes e feras tivessem ninhos e covis”, demonstrando o Seu desapego total a todas as coisas que sobrecarregam a criatura de tensão e de inquietação. Sabemos o quanto é difícil o desapego, o quanto é forte em nós as influências atávicas (hábitos e costumes trazidos na nossa bagagem espiritual), mas, o sofrimento poderá ser superado pelo amor, pela meditação, pela reeducação do espírito, que logrará com a vitória sobre ele, através das sucessivas reencarnações.
Jesus sintetizou no amor a força poderosa para a anulação das causas infelizes do sofrimento. Allan Kardec, através da observância das lições do Evangelho e das diretrizes propostas pelos espíritos superiores, aludindo a Jesus, apresentou a caridade como sendo a via real para a salvação, a aquisição da saúde integral.
O sofrimento tem vigência transitória, por ser efeito do desequilíbrio da energia que, direcionada para o bem e para o amor, deixa de desarticular-se, facultando aos seres a iluminação, a plenitude, portanto, a saúde integral, que a todos os seres do mundo está reservada pelo Pai Creador.
Martha Triandafelides Capelotto- Divulgadora do Espiritismo.
8 de jul. de 2013
Casa mental
Nossa mente é como uma casa. Pode ser grandiosa ou pequenina, suja ou cuidadosamente limpa. Depende de nós.
Você já observou como agimos com relação aos pensamentos que cultivamos?
Em geral, não temos com a mente o cuidado que costumamos dispensar aos ambientes em que vivemos ou trabalhamos.
Quem pensaria em deixar sua casa ou escritório cheio de sujeira, acumulando lixo ou tomado por ratos e insetos?
Certamente ninguém.
No entanto, com a casa mental somos menos atenciosos. É que permitimos que pensamentos infelizes e maus sentimentos encontrem morada em nosso coração.
E como fazemos isso?
Agimos assim quando permitimos que tenham livre acesso às nossas mentes os pensamentos de revolta, inveja, ciúme, ódio.
Ou quando cultivamos desejo de vingança, rancor e infelicidade.
Nesses momentos, é como se enchêssemos de sujeira a mente. Uma pesada camada de pó cobre a alegria e impede que estejamos em paz.
Além da angústia que traz, a mente atormentada influencia diretamente o corpo, acarretando doenças e sofrimentos desnecessários.
E pior: contribui para o isolamento.
Sim, porque as pessoas percebem quando não estamos bem espiritualmente.
O azedume de nossas palavras, o rosto contraído, tudo faz com que os outros desejem se afastar de nós, agravando nossa infelicidade.
E o que fazer para impedir que isso aconteça?
A resposta foi dada por Jesus: Orar e vigiar.
A vigilância é essencial para quem deseja a mente saudável.
Nossa tarefa é observar cada pensamento que se infiltra, analisar a natureza dos sentimentos que surgem.
E, principalmente, estar alerta para arrancar como erva daninha tudo o que possa nos prejudicar.
Dado esse primeiro passo que é a vigilância, é importantíssimo estar atento para a segunda recomendação de Jesus: a oração.
Quando identificamos dentro de nós os feios sentimentos, as más palavras e os pensamentos desequilibrados, sempre podemos recorrer à oração.
A prece é um pedido de socorro que dirigimos ao Divino Pai. Quando nos sentimos frágeis para combater os pensamentos infelizes, é hora de pedir auxílio a Deus.
É tempo de falar a Ele sobre a fraqueza que carregamos ou a tristeza que nos abate. É o momento de pedir força moral.
E o Pai dos Céus nos enviará o auxílio necessário.
Mas… de nossa parte, é importante não haver acomodação. É preciso trabalhar para ser merecedor da ajuda que Deus nos manda.
Como fazer isso? Contrapondo a cada mau pensamento os vários antídotos que temos à nossa disposição: as boas atitudes, o sorriso, a alegria, as boas leituras.
Em vez da maledicência, a boa palavra, as conversas saudáveis.
No lugar da crítica ácida, optar pelo elogio ou pela observação construtiva.
Se surgir um pensamento infeliz, combatê-lo com firmeza.
* * *
Não se deixe escravizar.
Se alguém o ofender ou fizer mal, procure perdoar, esquecer. E peça a Deus a oportunidade de ser útil a essa pessoa.
Não esqueça: todo dia é excelente oportunidade para iniciar a limpeza da casa mental. Comece agora mesmo.
Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v.13, ed. Fep.
Em 13.07.2009.
Disponível no CD Momento Espírita, v.13, ed. Fep.
Em 13.07.2009.
Reforma íntima
Buscai primeiro o reino de Deus. (Mateus, 6:33)
A reforma íntima consiste em eliminar as imperfeições e conquistar novas virtudes.Precisamos nos educar, pois somos Espíritos imperfeitos. Quando reencarnamos trazemos as tendências positivas e negativas que construímos no passado. Devemos trocar orgulho por humildade, egoísmo por amor, agressividade por mansidão, indiferença por misericórdia, malícia por pureza de coração, descrença por fé, materialismo por espiritualidade.
A humildade e a caridade são as principais virtudes que devemos desenvolver. A humildade abre caminho para a conquista de todas as outras virtudes. O amor é o mais sublime dos sentimentos. Jesus resumiu seus ensinos em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Devemos assumir o controle de nossa evolução. Enquanto não nos dispomos a crescer voluntariamente a dor nos educa. Se vamos pelo caminho errado ela nos segura. Quando paramos, ela nos empurra. Nossas imperfeições, como o ciúme, a inveja, a mágoa, o melindre, o nervosismo, são as causas de nossos sofrimentos. Aumentamos nossa felicidade à medida que evoluímos.
O autoconhecimento é o principal recurso para realizar a reforma íntima. Precisamos identificar nossas imperfeições para superá-las. É preciso analisar todos os dias nossas ações e o que falamos, pensamos e sentimos. Observar como nos relacionamos com Deus, com o próximo e conosco mesmo. Devemos comparar o que fazemos com os ensinos de Jesus e com o que nos diz a consciência.
Precisamos desenvolver a inteligência e adquirir conhecimento. O progresso intelectual abre caminho para o progresso moral. O conhecimento possibilita distinguir o certo do errado. Quanto mais sabemos maior é nossa chance de acertar. Jesus disse: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João, 8:32). Devemos estudar principalmente o Evangelho.
Devemos rever nossos interesses. Nosso futuro depende de nossos desejos, valores, gostos, sonhos, aspirações. Nossa prioridade deve ser a busca do crescimento moral. Nossa meta deve ser a perfeição. Jesus disse: “sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai que está nos céus” (Mateus, 5:48).
A fé é o combustível de nosso crescimento espiritual. Fé em Deus e em nós mesmos. A confiança nos permite buscar nossos objetivos e nos permite colocar nossos recursos em ação. Quando Jesus disse que a fé transporta montanhas estava referindo-se às nossas imperfeições e às dificuldades que temos que superar.
Sem esforço não há conquista. A falta de esforço é que nos faz progredir lentamente. Temos a tendência de acomodar, mantendo os maus hábitos, os vícios, o apego à matéria, a valorização da personalidade. A força de vontade é fundamental. Jesus disse: “tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João, 16:33). Quando nos propomos a mudar o esforço inicial é grande. Depois que aprendemos fica fácil praticar.
Na prece encontramos consolação, estímulo, proteção, ajuda e inspiração. A prece desperta o que há de melhor em nós. Liga-nos a Deus, que é o poder supremo do Universo. Os espíritos nos amparam quando buscamos ajuda através da oração. Jesus disse: “seja o que for que peçais na prece, crede que o obtereis” (Marcos, 11:24).
Relação – O Evangelho segundo o Espiritismo – Capítulo XVII
Retirado do site: http://visaoespiritabr.com.br/page/10
melhor religião
Por Roosevelt A. Tiago
Estabelecer critérios competitivos, faz parte da natureza humana em todos os aspectos da vida, sempre comparamos nossa vida e as situações que ela envolve com as das demais pessoas. Acostuma-se dizer que política e religião não são passíveis de discussão, entretanto deixar de apresentar nossa opinião sobre os assuntos a nossa volta é tarefa quase impossível.
No processo de estruturação de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec perguntou aos espíritos na questão de número 842, qual seria a melhor religião. Na íntegra a questão foi formulada da seguinte maneira: – “Por que indícios se poderá reconhecer, entre todas as doutrinas que alimentam a pretensão de ser a expressão única da verdade, a que tem o direito de se apresentar como tal?”
A resposta é inundada de profundo bom senso:
– “Será aquela que mais homens de bem e menos hipócritas fizer, isto é, pela prática da lei de amor na sua maior pureza e na sua mais ampla aplicação. Esse é o sinal por que reconhecereis que uma doutrina é boa, visto que toda doutrina que tiver por efeito semear a desunião e estabelecer uma linha de separação entre os filhos de Deus, não pode deixar de ser falsa e perniciosa.”
Analisar a questão acima nos evidencia uma fonte inesgotável de reflexões a serem feitas, afinal, seria natural que cada segmento religioso defendesse o caminho por ele proposto como sendo “o melhor”, mas a natureza elevada e universalista oferecida pelos espíritos à Allan Kardec, apresenta uma visão dilatada, sem defender esta ou aquela filosofia religiosa. Simplesmente esclarece que a melhor religião, a mais verdadeira, é a que fizer “mais homens de bem”.
Desta forma, pouco importa a que religião pertencemos, o mais importante é possuir um comportamento de religiosidade, norteado por um caráter sólido e bases éticas depositadas nas próprias ações.
Nossas atitudes, nossos comportamentos mostram quem verdadeiramente somos, todo o resto forma apenas o cenário onde a vida se desenrola, visando o crescimento moral e espiritual da criatura humana.
Em boa definição é indiferente o rótulo utilizado para nossa apresentação na vida social, apenas o bem que fazemos e a nobreza que imprimimos em nossos atos, são capazes de dizer se a religião que abraçamos é a melhor, pois isso só pode ser medido quando ela nos faz melhor.
Por meio desse bom senso universal, é que o Espiritismo contribui para o desenvolvimento da consciência do homem e como consequência, auxilia a construção de um mundo melhor.
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