11 de set. de 2016

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE! CRISTÃOS BARGANHANDO COM DEUS!



Um fenômeno social que tem despertado a atenção de estudiosos na atualidade é o crescimento acentuado das igrejas neopentecostais que estão inseridas no grupo das religiões “evangélicas”. De acordo com a recente publicação do Atlas da filiação religiosa e indicadores sociais do Brasil (CNBB) os pentecostais cresceram de 6% para 10,6% da população brasileira nos últimos nove anos. O maior crescimento se dá nas camadas de menor renda das regiões metropolitanas onde os indicadores sociais são mais baixos; e também nas regiões norte e centro-oeste.

As causas desse fenômeno, a meu ver, são variadas. Uma delas como mostra o estudo são as condições sócio-econômicas; a maciça utilização da mídia também tem seu peso de influência e a competente administração empresarial dessas igrejas é algo relevante. Mas creio que a utilização da “teologia da prosperidade” seja a causa primordial desse sucesso, as outras dependem fundamentalmente dela.

O que é a Teologia da Prosperidade?

A teologia da prosperidade pode ser entendida como um conjunto de princípios que afirmam que o cristão verdadeiro tem o direito de obter a felicidade integral, e de exigi-la, ainda durante a vida presente sobre a terra. Bastando para isso que tenha confiança incondicional em Jesus. Seu desenvolvimento foi gradual desde a década de 1940. Vejamos:
Essek William Kenyon (Nova York, EUA, 1867)

Ex-pastor das igrejas batista, metodista e pentecostal, influenciado por idéias de seitas cristãs/metafísicas, desenvolveu estudos que entre outras coisas tratava de: poder da mente, a inexistência das doenças e o poder do pensamento positivo.
Kenneth Hagin (Texas, EUA, 1918)

Discípulo de Kenyon. sofreu várias enfermidades e pobreza na juventude; Aos 16 anos diz ter recebido uma revelação quando lia Mc 11.23,24, entendendo que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário. Isso é a essência da "Confissão Positiva". Foi pastor da igreja batista; da Assembléia de Deus, em seguida passou por várias igrejas pentecostais, e , finalmente, fundou sua própria igreja, aos 30 anos, fundando o Instituto Bíblico Rhema. As idéias de Hagin que levaram ao estabelecimento da teologia da prosperidade pode ser dividida em três pontos principais:

1) Autoridade Espiritual
Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos dias atuais, como seus porta-vozes. Ele diz que "recebe revelações diretamente do Senhor"; "...Dou graças a Deus pela unção de profeta...Reconheço que se trata de uma unção diferente...é a mesma unção, multiplicada cerca de cem vezes" (Hagin, Compreendendo a Unção, p. 7).

2) Bênçãos e Maldições da lei
K.Hagin diz, com base em Gl 3.13,14, que fomos libertos da maldição da lei, que são: 1) Pobreza; 2) doença e 3) morte espiritual. Ele toma emprestadas as maldições de Dt 28 contra os israelitas que pecassem. Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza; diante disso, doença e pobreza são maldições da lei. Eles ensinam que "todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças" e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções. Pregam que Is. 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe mais doença para o crente. Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo, casa nova própria, as melhores roupas, uma vida de luxo.

3. Confissão Positiva

É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na "fórmula da fé", que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandou escrever de 1 a 4, a "fórmula".
Se alguém deseja receber algo de Jesus, basta segui-la:


1) "Diga a coisa" positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. De acordo com o que o indivíduo quiser, ele receberá". Essa é a essência da confissão positiva.

2) "Faça a coisa". "Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com sua ação, você será impedido ou receberá".

3) "Receba a coisa". Compete a nós a conexão com o dínamo do céu". A fé é o pino da tomada. Basta conectá-lo.

4) "Conte a coisa" a fim de que outros também possam crer". Para fazer a "confissão positiva", o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de dizer : peço, rogo, suplico; jamais dizer: "se for da tua vontade", pois isto destrói a fé.

Introdução no Brasil

Como vimos a Teologia da Prosperidade teve sua origem na década de 40 nos Estados Unidos, mas a efetiva introdução no meio evangélico se deu na década de 70. Adicionou um forte cunho de auto-ajuda e valorização do indivíduo, agregando crenças sobre cura, prosperidade e poder da fé através da confissão da "Palavra" em voz alta e "No Nome de Jesus" para recebimento das bênçãos almejadas; por meio da Confissão Positiva, o cristão compreende que tem direito a tudo de bom e de melhor que a vida pode oferecer: saúde perfeita, riqueza material, poder para subjugar Satanás, uma vida plena de felicidade e sem problemas. Em contrapartida, dele é esperado que não duvide minimamente do recebimento da bênção, pois isto acarretaria em sua perda, bem como o triunfo do Diabo. A relação entre o fiel e Deus ocorre pela reciprocidade, o cristão semeando através de dízimos e ofertas e Deus cumprindo suas promessas.

No Brasil a primeira e principal igreja seguidora dessa doutrina é a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), fundada em 1977 por Edir Macedo que adaptou as suas práticas para as características brasileiras, além de possuir metodologias e princípios próprios. Em vez de ouvir num sermão que "é mais fácil um camelo atravessar um buraco de agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" (Mateus 19,24 e Marcos 10,25), agora a novidade reside na possibilidade de desfrutar de bens e riquezas, sem constrangimento e com a aquiescência de Deus.

Para os pobres e desafortunados de uma em maneira geral, o direito de possuir as bênçãos como filho de Deus traz alívio e esperança na solução de todos os seus problemas. Segundo Edir Macedo, Jesus veio pregar aos pobres para que estes se tornassem ricos. Arrependimento e redenção, tema central no Cristianismo, e as dificuldades nesta vida para o justo de Deus são temas raramente tratados. Além da IURD temos as Igrejas Renascer em Cristo, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Nova Vida, Bíblica da Paz, Cristo Salva, Cristo Vive, Verbo da Vida, Nacional do Senhor Jesus Cristo e pelas organizações Adhonep, Missão Shekinah e Internacional da Graça de Deus.

O Papel do “Diabo”

Um importante ponto dentro da doutrina da IURD, assim como na maioria das outras igrejas neopentecostais brasileiras é a intervenção do Diabo na vida do homem. Ele, o Diabo, é o elemento perturbador que está entre a graça de Deus e os pedidos do crente. As bênçãos estão ao alcance de todos mediante a fé, inclusive com a alteração radical de realidades miseráveis em vidas prósperas; porém, se alguém tiver qualquer envolvimento direto ou indireto com o Diabo ou não estiver disposto a "sacrificar" para a obra de Deus, não será agraciado. Não é primordialmente o pecado (individual ou social) que impede a posse dos bens, mas o Diabo, que age segundo seu próprio arbítrio, contra quem o crente deve lutar. Uma vez que a responsabilidade fica por conta do fiel e do Diabo, cria-se uma linha de tensão entre a posse da bênção e a atuação diabólica. Este mecanismo permite explicar porque muitos fiéis não alcançam a graça.

Ao longo do ano de 2001, a IURD passou a utilizar o vocábulo ”encosto” que na linguagem popular corresponde aproximadamente à “obsessor” na nomenclatura espírita. O encosto passou a ser a entidade que “pessoalmente” provoca todo e qualquer tipo de mal ao homem, aparentemente a serviço do Diabo. Creio que essa mudança estratégica se deva a dois fatores: Primeiro o de sugerir ao crente que ele pode vencer mais facilmente o inimigo, já que não se trata do próprio Diabo em pessoa; e segundo pelo aprendizado prático dos pastores que perceberam que não estão tratando sempre com a mesma entidade durante as seções onde supostamente o Diabo se manifestava através de alguns fiéis.

A este propósito devemos lembrar, mais uma vez, que segundo a doutrina da IURD, o indivíduo não é exatamente a sede do pecado, o que exigiria dele o arrependimento, mas uma vítima da ação maligna: o ato de pecar não deriva de sua escolha, mas o Mal é fruto do encosto que atrapalha a sua vida, em especial a financeira, que consideram um sinal de bênção.


Doutrina da Reciprocidade

Na busca da bênção, o fiel deve determinar, decretar, reivindicar e exigir de Deus que Ele cumpra sua parte no acordo; ao fiel compete dar dízimos e ofertas. A Deus cabe abençoar. Ao estabelecer esta relação de reciprocidade com Deus, o que ocorre é que Ele, Deus, fica na obrigação de cumprir todas as promessas contidas na Bíblia na vida do fiel. Torna-se cativo de sua própria Palavra.
Macedo ensina como proceder:

Comece hoje, agora mesmo, a cobrar d'Ele tudo aquilo que Ele tem prometido (...) O ditado popular de que 'promessa é divida' se aplica também para Deus. Tudo aquilo que Ele promete na sua palavra é uma dívida que tem para com você (...) Dar dízimos é candidatar-se a receber bênçãos sem medida, de acordo com o que diz a Bíblia (...) Quando pagamos o dízimo a Deus, Ele fica na obrigação (porque prometeu) de cumprir a Sua Palavra, repreendendo os espíritos devoradores (...) Quem é que tem o direito de provar a Deus, de cobrar d'Ele aquilo que prometeu? O dizimista! (...) Conhecemos muitos homens famosos que provaram a Deus no respeito ao dízimo e se transformaram em grandes milionários, como o sr. Colgate, o sr. Ford e o sr. Caterpilar. (MACEDO, Vida com Abundância, p. 36)

E prossegue:

Ele (Jesus) desfez as barreiras que havia entre você e Deus e agora diz ¾ volte para casa, para o jardim da Abundância para o qual você foi criado e viva a Vida Abundante que Deus amorosamente deseja para você (...). Deus deseja ser nosso sócio (...). As bases da nossa sociedade com Deus são as seguintes: o que nos pertence (nossa vida, nossa força, nosso dinheiro) passa a pertencer a Deus; e o que é d'Ele (as bênçãos, a paz, a felicidade, a alegria, e tudo de bom) passa a nos pertencer. (MACEDO, Vida com Abundância, pp. 25,85-86)

O Neopentecostalismo se caracteriza exatamente por este tipo de relacionamento do fiel com Deus, inspirada na Teologia da Prosperidade: o cristão tem direito a tudo de bom e de melhor neste mundo. Nas palavras de Macedo: A Bíblia tem mais de 640 vezes escrita a palavra oferta. Oferta é uma expressão de fé. Se Deus não honrar o que falou há três ou quatro mil anos, eu é que vou ficar mal. (MACEDO, O Globo, 29/4/1990). 

Cabe ao fiel demonstrar revolta diante de Deus e "de dedo em riste" exigir que as promessas bíblicas se cumpram.

Sacrifícios

Torna-se impossível não evidenciar que essa relação agrega um forte simbolismo ao dinheiro: o fiel propõe trocas com Deus para conseguir a bênção desejada. Neste discurso, a soberania de Deus é compartilhada pelo fiel na relação de troca. É incentivado que o fiel se acomode ao mundo das novas tecnologias, acumule riquezas, more melhor, possua carro e não tenha sentimento de culpa por não negar o mundo; pelo contrário, a conduta ascética tem diminuído entre os pentecostais desde a década de 70.

Na relação de troca o fiel dá o dízimo, ofertas, participa das campanhas:
É necessário dar o que não se pode dar. O dinheiro que se guarda na poupança para um sonho futuro, esse dinheiro é que tem importância, porque o que é dado por não fazer falta não tem valor para o fiel e muito menos para Deus. (MACEDO, Isto É Senhor, 22/11/1989).

E tem a garantia dos pastores de que Deus cumprirá sua parte: Ele ficará na obrigação de cumprir Sua Palavra. (MACEDO, Mensagens, p. 23). E ainda,O ditado popular de que 'promessa é dívida' se aplica também a Deus. (CRIVELLA, 501 Pensamentos do Bispo Macedo, p. 103). A ênfase na necessidade de dízimos e ofertas é explicada pelos líderes da IURD: caso o fiel não alcance o sucesso almejado, a responsabilidade e a falha são suas.

As doações em dinheiro ou bens são presentes colocados no altar de Deus, logo, para uma grande bênção, um valioso presente! A fé é um instrumento de troca; uma mercadoria, e nesta relação "toma lá, dá cá", a imagem de Deus torna-se mais próxima e trivializada, em oposição à doutrina difundida pelo protestantismo histórico e pelo catolicismo tradicional, a partir da qual reverência e submissão são enfatizadas.

Dependendo do grau de interesse do ofertante, o presente, por mais caro que seja, ainda assim se torna barato diante daquilo que está proporcionando ao presenteado. Quando há um profundo laço de afeto, ternura e amor entre o que presenteia e o que recebe, o presente nunca deve ser inferior ao melhor que a pessoa tem condições de dar. (MACEDO, O Perfeito Sacrifício: o significado espiritual do dízimo e ofertas, p. 12)

O fiel deve sacrificar o "seu tudo". A IURD tem uma campanha em que estimula o fiel a doar o máximo que puder na espera da bênção. Muitas pessoas dão tudo o que têm naquele momento de sua vida: uma caderneta de poupança, o dinheiro para comprar comida, o dinheiro para o ônibus, e assim por diante.

Aqueles que vêem as doações das ofertas com maus olhos, ou seja, do ponto de vista meramente mercadológico, principalmente do lado da Igreja, também têm dificuldades para compreender a razão da vinda do Filho de Deus ao mundo. (...) haja vista que a oferta está intimamente relacionada com a salvação eterna em Cristo Jesus. (MACEDO, O Perfeito Sacrifício: o significado espiritual do dízimo e ofertas, p. 14)

O adepto é conclamado a concorrer por melhores condições num mundo de extrema desigualdade social. E ainda tem de assumir uma responsabilidade a mais: a de ter sucesso, senão sua vida pode estar comprometida com as forças malignas ou com sua própria incapacidade de gerenciar suas possibilidades. Há muitas oportunidades para aqueles que vivem nos bolsões de pobreza? É onde se encontram muitas igrejas da Universal. Mas, mesmo assim, é preciso "sacrificar" diante de Deus e, de preferência, em dinheiro: Aqueles que examinam o custo do sacrifício jamais sacrificarão uma grande oferta, e aqueles que não sacrificam para a obra de Deus jamais conquistarão qualquer vitória. (CRIVELLA, 501 Pensamentos do Bispo Macedo, p. 21).
Colocado nestes termos, é o fiel quem decide: Tudo depende de você. Se perseverar, automaticamente conquistará as bênçãos de Deus. E assim, entrará na terra prometida. (MACEDO, Mensagens, p. 21).

E a igreja administra a sua doação: A árvore proibida, no paraíso, representava o dízimo, isto é, a parte de Deus na qual o homem não podia sequer tocar, embora pudesse regá-la e fazê-la crescer. (CRIVELLA, 501 Pensamentos do Bispo Macedo, pp. 99-100). Já ao fiel cabe expulsar Satanás, participar das correntes de prosperidade, ler sobre como muitos irmãos conseguiram resultados exigindo de Deus o que têm direito. De resto, aquele que não alcançar uma bênção, não dará testemunho nem será citado nos livros.

Auto-ajuda

É certo que muitas pessoas neste mundo são ricas, mesmo sem possuírem Deus no coração. Vencem, entretanto, porque confiam na força do seu trabalho, e por isso, são possuidoras de uma riqueza honesta e digna. (...) Reafirmo que nossa vida depende de nós mesmos. (MACEDO, Mensagens, pp. 27, 22).

Algumas das características do discurso iurdiano denotam a recomendação de autoconfiança; o fiel deve crer nele mesmo, em sua capacidade individual. A estratégia oferecida pela IURD, baseada na Teologia da Prosperidade, estimula o membro da igreja a ser participativo nos cultos em relação a ofertas e dízimos e reivindicar perante Deus aquilo que lhe pertence por direito. Se todo o discurso sobre espiritualidade vem atrelado à intervenção do Diabo, quando se trata de dinheiro, o fiel tem de ir à luta e buscar a Deus com revolta, que neste caso, assume um sentido de inconformidade com a própria situação: doença, pouco dinheiro, ser empregado assalariado, etc., e é Deus quem tem que assumir Sua posição diante do fiel: a IURD assim o exige. Porque Deus é obrigado, como em um contrato, a fazer sua parte!

Depende apenas de você o que será feito de sua vida, pois quem decide nosso destino somos nós mesmos. Não são as outras pessoas; não é Deus, nem o Diabo. (...) Não adianta ficar só jejuando ou orando. É preciso buscar o que você quer; fazer a sua parte, e então falar ousadamente com Deus, revoltado com a situação. Você deve dar o primeiro passo, pois Deus não o fará por você. (MACEDO, Mensagens, p. 28)

Conclusão

É evidente que esta teologia tem conseguido, até o momento, um grande sucesso tendo em vista o objetivo da expansão do número de fiéis e da área de abrangência das igrejas, inclusive a nível internacional. Não é objetivo desse artigo julgar se esse fenômeno (o crescimento dessas igrejas) é um fato positivo ou negativo. Entretanto não posso deixar de mostrar um confronto com os postulados da Doutrina Espírita e até mesmo com os ensinamentos de Jesus nos evangelhos.

O poder da fé é um dos mais contundentes ensinamentos de Jesus, basta lembrar que segundo ele, se tivermos fé do tamanho de um grão de mostarda poderemos ordenar e a montanha se moverá. É evidente que se trata de uma figura de linguagem, e é claro que devemos condicionar a realização dos nossos desejos às leis e a “vontade” de Deus. Pai, seja feita a tua vontade __ Disse Jesus. Este argumento refuta a ideia da confissão positiva, se tomada como algo absoluto.

Sabemos da existência de falanges de espíritos malévolos e da sua efetiva ação junto a humanidade encarnada, porém não podemos atribuir a eles a causa de todo e qualquer mal que ocorra ao homem (alguns espíritas “fanáticos” também pensam assim); e nem eles estão fora do controle da lei divina, eles são somente instrumentos da lei que permite as suas ações com um determinado fim.
Os sacrifícios se apoiam principalmente nos textos do antigo testamento. A prática de sacrifícios remonta o tempo das sociedades agrárias, onde eram realizados com o objetivo de pacificar os deuses e solicitar boas colheitas. Apoiada nessa ideia, a “reciprocidade” de Deus não dá para ser levada a sério.

Uma leitura mesmo superficial dos evangelhos, mostra a total despreocupação de Jesus pelos bens materiais. Mesmo o seu reino, não era desse mundo. A Quem quisesse segui-lo aconselhava a vender seus bens e dá-los aos pobres. Disse que a riqueza dificultava a entrada no reino de Deus. Aos pobres, famintos e sofredores recomendou paciência. É evidente que essa doutrina é diametralmente oposta à teologia da prosperidade. Isso não significa que a riqueza, a saúde e o bem estar devam ser repudiados pelo cristão pois que são necessárias, mas não pode fazer disso a razão principal da sua vida. Buscai, em primeiro lugar, construir o reino de Deus dentro de vós!

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15 de jul. de 2016

Imortalidade.



No justo momento em que a técnica atinge as 
culminâncias, e o homem sofre aflições sem 
termo, somos convidados a recordar Jesus-Cristo 
exclamando: “Eu vendi o mundo!”
A ciência vaticinou, para o século corrente, a 
morte das doutrinas espiritualistas, tendo em 
vista a marcha natural do progresso intelectivo.
E em verdade, até à metade do século passado, a 
filosofia espiritualista não passava de um 
amontoado de informação místicas e de arranjos 
dogmáticos incapazes de competir com os 
sistemas filosóficos vigentes, resistindo aos 
descobrimentos da ciência investigadora.
Coube a Allan Kardec a inapreciável tarefa de 
demonstrar, pela pesquisa experimental, a 
realidade do fenômeno da imortalidade da alma. 
E, graças a isso, o Codificador da Doutrina 
Espírita se destaca entre os vates do pensamento 
universal, pelo gigantesco empreendimento de 
positivar, consoante os dados oficiais da 
indagação, a continuação da vida além da morte.
A tarefa era, a princípio, sob todos os aspectos 
intratável, considerando-se a posição da ciência 
ante os rudimentos da nascente Psicologia.
De um lado, o cientificismo pontificava arbitrário, 
e o empirismo, no outro extremo, ditava leis 
falseadas sobre a verdade.
Kardec, porém, embrenhou-se no matagal das 
informações.
Não foi somente um coligidor dos informes dos 
Espíritos. Foi, antes de tudo, um admirável 
garimpeiro da verdade, separando da ganga o 
ouro rebrilhante, na mensagem eterna.
De 1854 a 1869, pesquisou, selecionou, reparou, 
fez acréscimos, sopesou e apresentou uma 
doutrina que pudesse enfrentar o materialismo, 
justamente no momento em que Engels e Marx 
iriam desdobrar os conceitos hegelianos, 
favorecendo os aspectos dialético e histórico, já 
que o materialismo mecanicista não podia 
resolver o problema fundamental da imortalidade 
por lhe faltarem os elementos basilares para 
destruir a realidade da alma.
Com Hegel, o pensamento passou a ser uma 
função do cérebro, cuja atividade era pensar, 
controlando as manifestações nervosas da vida.
Allan Kardec se distinguiu pela tarefa de 
demonstrar que o pensamento não é apenas uma 
função do cérebro, sendo este a conseqüência de 
um pensamento anterior que nele atua através de 
um outro cérebro mais sutil, comando geral e 
força dinâmica mantenedora do equilíbrio: o 
psicossoma.
E acolitado por figuras da enfibratura de 
Crookes, Zölner, do caráter de Lombroso e de 
Lodge que vieram a público, posteriormente, 
apresentar o resultado das suas pesquisas, 
Kardec demonstrou, à saciedade, o sentido 
incontroverso da imortalidade da alma, em 
experiências que se tornaram notáveis, 
realizadas mais tarde, com o curso de médiuns 
do quilate de Florence Cook, Eusápia, Daniel 
Home...
A tarefa se avultava por estarem em jogo os 
sistemas do monismo e do dualismo.
Allan Kardec demonstrou também que o homem 
não é constituído apenas de duas peças: o corpo 
e alma. Mas é formado por uma tríade de 
elementos: o espírito, perispírito e matéria, 
sendo o perispírito encarregado de funções 
específicas na engrenagem harmoniosa da vida 
hominal.
E quando o materialismo ateu, no seu aspecto 
dialético, veio a campo combater a Doutrina 
Espírita, o Espiritismo, como escola filosófica, na 
sua feição dialética, apresentava “O Livro dos 
Espíritos” como protesto nobre ao abuso e à 
arbitrariedade das informações hegelianas, às 
doutrinas nele inspiradas, bem como às velhas 
fisolofias espiritualistas sem fundamentação 
científica.
E a previsão da ciência, que aguardava para o 
século presente a morte das doutrinas 
espiritualistas, faliu, porque o século XX, com os 
seus valiosos descobrimentos e tirocínios, não 
pode retificar um único conceito da doutrina 
postulada pelo gigante lionês que, na atualidade, 
se faz o maior antídoto aos grandes males que 
afligem a Humanidade.
Como o materialismo é um veneno letal, o 
Espiritismo é o seu anticorpo, preparado para 
diminuir ou dirimir os efeitos terríveis dos ódios 
organizados secularmente e agora disseminados 
pelo ateísmo existencialista.
Enquanto o homem avança pelas trilhas do 
prazer, outros homensaparecem como exegetas 
do trabalho e apóstolos da caridade, formando a 
mentalidade para o Terceiro Milênio que colocará 
bem alto o estandarte da luz cristã refletida na 
mensagem nobre da Doutrina Espírita.
E embora se previsse o soçobro das religiões no 
século XX, Allan Kardec, semelhante a Copérnico, 
que veio por cobro às fantasias a respeito do 
sistema solar, por também termos às 
superstições a respeito da imortalidade da alma, 
arracando-a do sobrenatural e do dogma, 
retificando a sua feição mística, graças à 
documentação experimental de que a bibliografia 
espírita é farta, enriquecendo a ciência 
espiritualista para competir e esclarecer a ciência 
atual, ajudando-a na busca da verdade.
Ante as dores que se acumulam inevitáveis para 
os próximos tempos, sem nos desejarmos 
transformar em Parcas a tecerem a túnica 
mortuária da Civilização, o Espiritismo é a grande 
esperança, porque afirma não ser a morte mais 
do que uma grande transição para o 
despertamento na verdadeira vida: a Vida 
Imortal.
Pontifiquemos, desse modo, com Nosso Senhor 
Jesus-Cristo, o herói da sepultura vazia, 
atendendo o programa da solidariedade 
universal, transferindo o sangue novo da fé para 
os corações esfacelados pelo medo e acendendo 
em toda a parte a lâmpada da convicção 
imortalista. Sigamos a trilha da verdade, 
cumprindo o nosso dever para, vitoriosos, 
atingirmos o porto da nossa gloriosa 
Imortalidade.
Autor: Vianna de Carvalho (espírito)

Psicografia de Divaldo Franco

A Missão do Brasil



Meus filhos:
Prossegue o Brasil na sua missão histórica de 
“Pátria do Evangelho” colocada no “Coração do 
Mundo”.
Nem a tempestade de pessimismo que avassala, 
nem a vaga de dúvida que açoita os corações da 
nacionalidade brasileira impedirão que se 
consume o vaticínio da Espiritualidade quanto ao 
seu destino espiritual. Apesar dos graves 
problemas que nos comprometem em relação ao 
porvir – não obstante o cepticismo que 
desgoverna as mentes em relação aos dias do 
amanhã – o Brasil será pulsante coração 
espiritual da Humanidade, encravado na palavra 
libertadora de Jesus, que fulge no Evangelho 
restaurado pelos Benfeitores da Humanidade.
Não se confunda missão histórica do País com a 
competição lamentável, em relação às 
megalópoles do mundo, que triunfam sobre as 
lágrimas das nações vencidas e escravizadas pela 
política financeira e econômica internacional.
Não se pretenda colocar o Brasil no comando 
intelectual do Orbe terrestre, através de 
celebrações privilegiadas que se encarreguem de 
deflagrar as guerras de aniquilamento da vida 
física.
Não se tenham em mente a construção de um 
povo, que se celebrize pelos triunfos do mundo 
exterior, caracterizando-se como primeiro no 
concerto das nações.
Consideremos a advertência de Jesus, quando se 
reporta que “os primeiros serão os últimos e 
estes serão os primeiros”.
Sem dúvida, o cinturão da miséria sócio-
econômica que envolve as grandes cidades 
brasileiras alarma a consciência nacional. A 
disputa pela venda de armas, que vem colocando 
o País na cabeceira da fila dos exportadores da 
morte, inquieta-nos. Inegável a nossa 
preocupação ante a onda crescente de violência e 
de agressividade urbana...
Sem dúvida, os fatores do desrespeito à 
consciência nacional e a maneira incorreta com 
que atuam alguns homens nas posições 
relevantes e representativas do País fazem que o 
vejamos, momentaneamente, em uma situação 
de derrocada irreversível.
Tenha-se, porém, em mente que vivemos uma 
hora de enfermidades graves em toda a Terra, na 
qual, o vírus da descrença gera as doenças do 
sofrimento individual e coletivo, chamando o 
homem a novas reflexões.
A História se repete!...
As grandes nações do passado, que 
escravizaram o mundo mediterrâneo, não se 
eximiram à derrocada das suas edificações, ao 
fracasso dos seus propósitos e programas; 
assírios e babilônios ficaram reduzidos a pó; 
egípcios e persas guardam, nos monumentos 
açoitados pelos ventos ardentes do deserto, as 
marcas da falência pomposa, das glórias de um 
dia; a Hélade, de circunferência em torno das 
suas ilhas, legou, à posteridade, o momento de 
ilusório poder, porém, milênios de fracassos 
bélicos e desgraças políticas.
As maravilhas da Humanidade reduziram-se a 
escombros: o Colosso de Rodes foi derrubado 
por um terremoto; o Túmulo de Mausolo 
arrebentou-se, passados os dias de Artemísia; o 
Santuário de Zeus, em Olímpia, e a estátua 
colossal foram reduzidos a poeira; os jardins 
suspensos de Semíramis arrebentaram-se e 
ficaram cobertos da sedimentação dos evos e das 
camadas de areia sucessivas da história. Assim, 
aconteceu com outros tantos monumentos que 
assinalaram uma época, porém foram fogos-
fátuos de um dia ou névoa que a ardência da 
sucessão dos séculos se encarregou de demitizar 
e de transformar. Mas, o Herói Silencioso da 
Cruz, de braços abertos, transformou o 
instrumento de flagício em asas para a libertação 
de todas as criaturas, e a luz fulgurou no topo da 
cruz converteu-se em perene madrugada para a 
Humanidade de todos os tempos.
O Brasil recebeu das Suas mãos, através de 
Ismael, a missão de implantar no seu solo virgem 
de carmas coletivos, com pequenas exceções, a 
cruz da libertação das consciências de onde o 
amor alçará o vôo para abraçar as nações 
cansadas de guerras, os povos trucidados pela 
violência desencadeada contra os seus irmãos, os 
corações vencidos nas pelejas e lutas da 
dominação argentaria, as mentes cansadas de 
perquirir e de negar, apontando o rumo novo do 
amor para re restaurem no coração a esperança e 
a coragem para a luta de redenção.
Permaneçam confiantes, os espíritas do Brasil, na 
missão espiritual da “Pátria do Cruzeiro”, 
silenciando a vaga do pessimismo que grassa e 
não colocando o combustível da descrença, nem 
das informações malsãs, nas labaredas 
crepitantes deste fim de século prenunciador de 
uma madrugada de bênçãos que teremos ensejo 
de perlustrar.
Jesus, meus filhos, confia em nós e espera que 
cumpramos com o nosso dever de divulgá-lO, 
custe-nos o contributo do sofrimento silencioso 
e das noites indormidas em relação à dificuldade 
para preservar a pureza dos nossos ideais, ante 
as licenças morais perturbadoras que nos 
chegam, sutis e agressivas, conspirando contra 
nossos propósitos superiores.
Divulgá-lO, vivo e atuante, no espírito da 
Codificação Espírita, é compromisso 
impostergável, que cada um de nós deve realizar 
com perfeita consciência de dever, sem nos 
deixarmos perturbar pelos hábeis sofistas da 
negação e pelas arengas pseudo-intelectuais dos 
aranzéis apresentados pela ociosidade dourada e 
pela inutilidade aplaudida.
Em Jesus temos “o ser mais perfeito que Deus 
nos ofereceu para servir-nos de modelo e guia”; 
o meio para alcançar o Pai, Amorável e Bom; o 
exemplo de quem, renunciando-se a si mesmo, 
preferiu o madeiro de humilhação à convivência 
agradável com a insensatez; de quem, vindo para 
viver o amor, fê-lo de tal forma que toda a 
ingratidão de quase vinte séculos não lhe pôde 
modificar a pulcridade dos sentimentos e a 
excelsitude da mensagem. Ser espírita é ser 
cristão, viver religiosamente o Cristo de Deus em 
toda a intensidade do compromisso, caindo e 
levantando, desconjuntando os joelhos e 
retificando os passos, remendando as carnes 
dilaceradas e prosseguindo fiel em favor de si 
mesmo e da Era do Espírito Imortal.
Chamados para essa luta que começa no país da 
consciência e se exterioriza na 
indimensionalidade geográfica, além das 
fronteiras do lar, do grupo social, da Pátria, em 
direção do mundo, lutais para serdes escolhidos. 
Perseverai para receberdes a eleição de 
servidores fiéis que perderam tudo, menos a 
honra de servir; que padeceram, imolados na 
cruz invisível da renúncia, que vos erguerá aos 
páramos da plenitude.
Jesus, meus filhos – que prossegue crucificado 
pela ingratidão de muitos homens – é livre em 
nossos corações, caminha pelos nossos pés, 
afaga com nossas mãos, fala em nossas palavras 
gentis e só vê beleza pelos nossos olhos 
fulgurantes como estrelas luminíferas no silêncio 
da noite.
Levai esta bandeira luminosa: “Deus, Cristo e 
Caridade” insculpida em vossos sentimentos e 
trabalhai pela Era Melhor, que já se avizinha, 
divulgando o Espiritismo Libertador onde quer 
que vos encontreis, sem o fanatismo dissolvente, 
mas, sem a covardia conivente, que teme 
desvelar a verdade para não ficar mal colocada 
no grupo social da ilusão.
Agora, quando se abrem as portas para 
apresentar a mensagem do Cristo e de Kardec ao 
mundo, e logo mais, preparai-vos para que ela 
seja vista em vossa conduta, para que seja 
sentida em vossas realizações e para que seja 
experimentada nas Casas que 
momentaneamente administrais, mas que são 
dirigidas pelo Senhor de nossas vidas, através de 
vós, de todos nós.
O Brasil prossegue, meus filhos, com a sua 
missão histórica de “Coração do Mundo e Pátria 
do Evangelho”, mesmo que a descrença habitual, 
o cinismo rotulado de ironia, o sorriso em 
gargalhada estrídula e zombeteira tentem 
diminuir, em nome de ideologias materialistas 
travestidas de espiritualismo e destrutivas em 
nome da solidariedade.
Que nos abençoe Jesus, o Amigo de ontem – que 
já era antes de nós -, o Benfeitor de hoje – que 
permanece conosco -, e o Guia para amanhã – 
que nos convida a tomar do Seu fardo e receber 
o Seu jugo, únicos a nos darem a plenitude e a 
paz.
Muita paz, meus filhos!
São os votos do servidor humílimo e paternal de 
sempre,


Autor: Bezerra de Menezes (espírito)

Psicofonia de Divaldo Franco