10 de abr. de 2012

O que te faz melhor...





Narra-se que Leonardo Boff, num intervalo de uma conversa de mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, perguntou ao Dalai Lama:

Santidade, qual a melhor religião?

O teólogo confessa que esperava que ele dissesse: É o budismo tibetano. Ou são as religiões orientais, muito mais antigas que o cristianismo.

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, olhou seu inquiridor bem nos olhos, desconcertando-o um pouco, como se soubesse da certa dose de malícia na pergunta, e afirmou:

A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor.

Para quem sabe sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, Boff voltou a perguntar:

O que me faz melhor?

Aquilo que te faz mais compassivo; aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável...

A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião...

Boff confessa que calou, maravilhado, e até os dias de hoje ainda rumina a resposta recebida, sábia e irrefutável.

O Dalai Lama foi ao cerne da questão: a religião deve nos ser útil para a vida, como promotora de melhorias em nossa alma.

Não haverá religião mais certa, mais errada, mas sim aquela que é mais adequada para as necessidades deste ou daquele povo, desta ou daquela pessoa.

Se ela estiver promovendo o Espírito, impulsionando-o à evolução moral e estabelecendo este laço fundamental da criatura com o Criador – independente do nome que este leve – ela será uma ótima religião.

Ao contrário, se ela prega o sectarismo, a intolerância e a violência, é óbvio que ainda não cumpre adequadamente sua missão como religião.

O eminente Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, quando analisou esta questão, recebeu a seguinte resposta dos Espíritos de luz:

Toda crença é respeitável quando sincera, e conduz à prática do bem. As crenças censuráveis são as que conduzem ao mal.

Desta forma, fica claro mais uma vez que a religião, por buscar nos aproximar de Deus, deve, da mesma forma, nos aproximar do bem, e da sua prática cotidiana.

Nenhum ritual, sacrifício, nenhuma prática externa será proveitosa, se não nos fizer melhores.

Deveríamos empreender nossos esforços na vida para nos tornarmos melhores.

Investir em tudo aquilo que nos faz mais compreensivos, mais sensíveis, mais amorosos, mais responsáveis.

A melhor doutrina é a que melhor satisfaz ao coração e à razão, e que mais elementos tem para conduzir o homem ao bem.

Gandhi afirmava que uma vida sem religião é como um barco sem leme.

Certamente todos precisamos de um instrumento que nos dirija. Assim, procuremos aquela religião que nos fale à alma, que nos console e que nos promova como Espíritos imortais que somos.

Transmitamos às nossas crianças, desde cedo, esta importância de manter contato com o Criador, e de praticar o bem, acima de tudo.

Redação do Momento Espírita com base no item 838 de 'O Livro dos Espíritos' e no item 302 de 'O livro dos Médiuns', ambos de Allan Kardec (Ed. FEB) e no livro 'Espiritualidade, um caminho de transformação', de Leonardo Boff (Ed. Sextante)
* * *

Pergunta - Por que indícios se poderá reconhecer, entre todas as doutrinas que alimentam a pretensão de ser a expressão única da verdade, a que tem o direito de se apresentar como tal?

Resposta - “Será aquela que mais homens de bem e menos hipócritas fizer, isto é, pela prática da lei de amor na sua maior pureza e na sua mais ampla aplicação. Esse é o sinal por que reconhecereis que uma doutrina é boa, visto que toda doutrina que tiver por efeito semear a desunião e estabelecer uma linha de separação entre os filhos de Deus não pode deixar de ser falsa e perniciosa.”

(O Livro dos Espíritos, questão 842)

6 de abr. de 2012

Feliz Páscoa!



O Grupo Espírita Caminho de Damasco deseja os amigos do blog:
Que a alegria da Páscoa invada o seu coração e o daqueles a quem ama, irradiando luz para iluminar e fazer brilhar o mundo em que vivemos, enchendo-o de AMOR SAÚDE PAZ
Feliz Páscoa!!!

5 de abr. de 2012

A mulher ante o Cristo.

Toda vez que nos dispomos a considerar a mulher em plano inferior, lembremo-nos dela, ao tempo de Jesus.
Há vinte séculos, com exceção das patrícias do Império, quase todas as companheiras do povo, na maioria das circunstâncias, sofriam extrema abjeção, convertidas em animais de carga, quando não fossem vendidas em leilão público.
Tocadas, porém, pelo verbo renovador do Divino Mestre, ninguém respondeu com tanta lealdade e veemência aos apelos celestiais.
Entre as que haviam descido aos vales da perturbação e da sombra, encontramos em Madalena o mais alto testemunho de soerguimento moral, das trevas para a luz; e entre as que se mantinham no monte do equilíbrio doméstico, surpreendemos em Joana de Cusa o mais nobre expoente de concurso e fidelidade.
Atraídas pelo amor puro, conduziam à presença do Senhor os aflitos e os mutilados, os doentes e as crianças. E embora não lhe entregassem o círculo apostólico, foram elas – as representadas nas filhas anônimas de Jerusalém - as únicas demonstrações de solidariedade espontânea que o visitaram, desassombradamente, sob a cruz do martírio, quando os próprios discípulos debandavam.
Mais tarde, junto aos continuadores, da Boa Nova, sustentavam-se no mesmo nível de elevação e entendimento.
Dorcas, a costureira Jopense, depois de amparada por Simão Pedro, fez-se mais ativa colaboradora da assistência aos infortunados. Febe é a mensageira da epístola de Paulo de Tarso aos romanos. Lídia, em Filipos, é a primeira mulher com suficiente coragem para transformar a própria casa em santuário do Evangelho nascituro. Lóide e Eunice, parentas de Timóteo, eram padrões morais da fé viva.
Entretanto, ainda que semelhantes heroínas não tivessem de fato existido, não podemos olvidar que, um dia, buscando alguém no mundo para exercer a necessária tutela sobre a vida preciosa do embaixador divino, o supremo poder do universo não hesitou em recorrer à abnegada mulher, escondida num lar apagado e simples...
Humilde, ocultava a experiência dos sábios; frágil como o lírio, trazia consigo a resistência do diamante; pobre entre os pobres, carreava na própria virtude os tesouros incorruptíveis do coração, e, desvalida entre os homens, era grande e prestigiosa perante Deus.
Eis o motivo pelo qual, sempre que o raciocínio nos induza a ponderar quanto à glória do Cristo - recordando, na terra, a grandeza de nossas próprias mães - nós nos inclinaremos, reconhecidos e reverentes, ante a luz eterna da Estrela de Nazaré.


(Chico Xavier/Emmanuel) 

No serviço do passe.



Há muitas dores esperando pelo socorro das mãos voltadas para a caridade.  Enquanto alguns se detêm a examinar a própria aflição, limitados nas questiúnculas insignificantes do caminho, muitos em desesperada agonia esperam por alguém.
Não é necessário que a saúde se enfloresça em suas carnes para que a possibilidade de ajudar surja vitoriosa.

A massa nutriente cresce em plena fermentação. O trigo benfazejo desenvolve-se nas largas faixas de terra úmida.
O bem se alarga nas áreas que vão ser drenadas.

Não se acredite, assim, sem recursos para o milagre do auxílio.


Dê o seu pouco e constrangerá aquele que tem muito a dar alguma coisa.
Do que valem tesouros guardados e joias enterradas?
A moeda singela que se converte em pão é mais rica do que a fortuna que morre no cofre da usura.
Cada um serve como pode, utilizando com sabedoria o de que dispõe.
A contribuição do pedreiro é desenvolvida no barro lamacento, onde surge o alicerce do edifício para que o decorador complete a paisagem com murais de nobres artistas e tecidos de alto preço.
Faça o que lhe cabe e os outros se verão obrigados a fazer por você o que lhe seja talvez impossível fazer por eles.


Nesse sentido, lembre-se da bênção do passe.
O passe é mensagem ativa de amor, desdobrando os tesouros da bondade pessoal para o enriquecimento da alma da Humanidade.
Ore e doe-se confiante.
Erga as mãos e converse com Jesus...
Recorde-se de Pedro, exortando o paralítico, à entrada do Templo de Jerusalém: “Não tenho prata nem ouro para te dar; mas o que tenho dou-te: levanta-te e anda em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”, e faça o mesmo.
Não se detenha no exame das inferioridades próprias.
Quem não guarda problemas íntimos de solução demorada, enquanto na Terra?
Esperar a paz interior para ajudar os outros na conquista da paz é condená-los a demorado abandono e prolongada agonia.
Converta suas mãos em conchas de luz a esparzirem saúde e alento.
As mãos que dão passes, enquanto sofrem, são como roseiras que perfumam aqueles que lhe reclamam os espinhos.
Mãos no trabalho do passe são como flores na cruz do dever espalhando alegria.
Não inquira quanto a origem do sofrimento nem procure penetrar nas nascentes das lágrimas dos outros.
Ajude e entenda, socorra e silencie.
A água que dessedenta venceu muito lodo entre a fonte e o copo transparente.
Quanto possível, estruture na alma a confiança em nosso Pai, rogando a Ele transformar a sua vida em claridade para a vida dos outros e adapte as suas possibilidades à máquina do Bem Constante para que o bem invariável acione e conduza sua mente e seu coração à verdadeira felicidade.

Aura Celeste

(Divaldo Franco. “Crestomatia da Imortalidade”.)

Estado de prece.

Quem compreende a Lei de Deus e procura praticá-la liga-se constantemente, pelo pensamento e pelas obras, à Presença do Pai, que a tudo envolve.
Pelo esforço do aperfeiçoamento, aproxima-se sempre mais da compreensão de sua Natureza.
Pelo cumprimento de Sua Vontade, harmoniza-se com a Diretriz do Todo e descobre a paz verdadeira.
Está, portanto, constantemente em estado de prece, ou seja, em comunhão com os planos elevados que veiculam para o homem as bênçãos divinas – mais apto, por isso, a manter o equilíbrio espiritual, mental e físico indispensável a atravessar com êxito as experiências da vida.


A síntese destes propósitos que, se efetivados, representam para o homem libertação, elevação e, finalmente, integração com o Pai, Jesus traduziu de modo admirável em pequeno conjunto de frases, onde encontrarás a fórmula mais simples e mais profunda de entoar ao Criador teu cântico de súplica e louvor: “Pai nosso, que estás nos céus”...

Analisa-as, por isso, uma a uma e acabarás por compreender o verdadeiro sentido que lhes dava o Divino Mestre quando as proferiu.
Mentaliza-as com cuidado. Faz com que cada uma ressoe em teu íntimo, despertando ali harmonias desconhecidas e anseios de perfeição antes ignorados...
Santificarás, então, o nome do Pai respeitando a Vida que Ele te oferece para tua edificação.
Construirás o Seu Reino em teu coração, purificando-o do mal que o entenebrece.
Cumprirás Sua Vontade harmonizando-te com Sua Lei.
Proverás às necessidades do teu corpo, sem negligenciar as do espírito.
Habilitar-te-ás a receber o perdão divino, perdoando por tua vez a teu irmão.
Abrigar-te-ás da tentação, evitando costumes e ambientes viciosos e fortalecer-te-ás contra o mal pela prática das boas obras.


Assim fazendo, estarás com o coração em prece permanente, porque terás sabido transformar as palavras em ações e as súplicas em esforço construtivo para o aperfeiçoamento de ti mesmo.



(Euclides da Cunha)

Análise do "PAI NOSSO"




Pai Nosso;
Pois somos, todos, filhos do todo, somos centelhas divinas e Deus está em nós e em todas as coisas. Fazemos parte de uma família, universal no seu contexto, eterna na sua realização plena. Como filhos do amor, somos amor, como filhos da luz, somos luz, como filhos do eterno, somos eternos, enfim, somos irmãos que caminham para o mesmo destino escolhendo cada um o caminho que lhe cabe, conforme seu conhecimento das coisas e de si mesmo. 



Que estás nos céus,
Este “Deus interno” que todos carregamos e devemos tomar consciência. O céu é um conceito de felicidade que cada um pode construir em si mesmo, através do descobrimento do amor para o qual fomos criados. Deus que está em cada um de nós, latente em suas potencialidades, real em suas características, pleno em sua semente, pois que cada um carrega em si o céu que é capaz de criar e viver. A manifestação de Deus se faz em nós e em todas as criaturas do universo.

“o reino dos céus está dentro de vós”.



Santificado seja o vosso nome;
Faz-se necessário reconhecer o belo em todas as coisas, assim como buscar o belo em nosso íntimo, nos tornando cada vez mais “deuses em nós mesmos” e entendendo que somos todos capazes de atingir um estado de equilíbrio íntimo, nos tornando saudáveis de corpo e mente, exteriorizando o que é verdadeiro em nós.
Todos sem distinção, fomos criados com a mesma capacidade de construir o que de melhor acreditarmos e conhecermos.

Venha a nós o vosso reino;
Como um apelo, busquemos em nós esse reino de paz e alegria. E que esse reino se torne cada vez mais presente em atitudes renovadas no bem e na harmonia íntima de cada um de nós. Tudo o que precisamos para, sermos felizes, se encontra em nós como se encontra na semente a plenitude da vida de uma árvore, que colocada em contato com os elementos da natureza se faz presente respeitando-se o tempo que cada um necessita para tal. O grande instrumento da vida é o conviver, entrar em contato com o todo, com o todo que está em cada um, fazendo brotar as virtudes libertadoras, da bondade, da tolerância, da indulgência para com os outros, da compreensão de si mesmo e dos companheiros de jornada, tornando a caminhada uma grande viagem de conquistas eternas.



Seja feita a vossa vontade, assim na terra como nos céus;
Que as vontades do “ego” possam assim se tornar, cada vez mais, as vontades de Deus em nós quando unidos á matéria ou quando no plano espiritual. Não nos deixando levar pelos modelos e costumes sociais, fazendo com que nos tornemos muitas vezes escravos do consumo, da desesperança, e do imediatismo mundano, seja em que época estejamos a viver, prevalecendo sempre os valores eternos e não o que é perecível. Pois que tudo passa na vida e pela vida, permanecendo apenas aquilo que é elemento do amor. Que a confiança seja parte integrante das nossas ações, não nos deixando aprisionar nas angústias, nas frustrações, que nos fazem muitas vezes cair nas armadilhas das fugas enganosas, construindo em nós conceitos e preconceitos inconvenientes.



O pão nosso de cada dia dai-nos hoje;
O que nos liberta das dores, da fome de liberdade, da sede de justiça, é o conhecimento, o conhecimento de nós mesmos. Possamos então cuidar do abençoado corpo físico, esse veículo maravilhoso da vida, sem nos esquecermos, porém, da verdadeira missão que cada um carrega dentro de si. Analisar, perceber, investigar em nós mesmos, sentimentos e emoções sem nos esconder aquilo que é necessário enfrentar e vencer, nos tornando seres mais livres das sombras, aumentando assim nossa capacidade de enfrentar novos desafios. Conhecer-nos é antes de tudo assumir uma posição de instrutores de nós mesmos, experimentando e vivenciando situações que enriqueçam nosso Espírito. Buscar a verdade, para que a verdade seja a grande libertadora de toda e qualquer ignorância que aprisiona. A verdade sobre o que somos, quem somos, como somos e para que somos, definindo assim um roteiro de conquistas valiosas.



Perdoa as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos ofende;
Na nossa caminhada evolutiva vamos agregando valores, mas também carregamos ilusões que nos fazem acreditar que não somos capazes, que não somos amados, ou muitas vezes tentando carregar os sonhos e vontades dos outros, como se nós fôssemos responsáveis pela felicidade daqueles que conosco caminham. Somos verdadeiramente parte de um todo, mas cada um é responsável por si no que diz respeito à construção da própria felicidade. Por não conseguirmos carregar ou resolver os problemas dos outros é que acabamos por acreditar que não temos o direito de buscar o que queremos e necessitamos para sermos felizes. È verdade que temos como pais a responsabilidade de educar nossos filhos, mas jamais confundir educação com controle, amor com propriedade, que nos levam a querer projetar nossas frustrações, nossa vida, na vida dos nossos.
Assumindo muitas vezes uma posição de salvadores, queremos evitar que nossos filhos sofram, criando em suas mentes a ilusão de que a vida é um caminhar sem esforços ou situações desagradáveis, definindo assim um conceito irreal sobre si mesmos, impedindo que descubram os potenciais íntimos que cada um carrega no âmago.
Vivemos atualmente em uma era onde os modelos sociais nos cobram comportamentos baseados no imediatismo, fazendo com que a grande multidão atenda a apelos de aparências exteriores, de consumismo desenfreado, causando quase sempre um grande vazio interior, pois não se pode fugir de si mesmo, e os momentos de reflexão são inevitáveis.
Diante dos mesmos a grande multidão procura as fugas das suas dores e emoções em falsos mecanismos de defesa, definindo assim os equivocados conceitos do que se é ser bem sucedido e feliz.
Como a ilusão não é eterna e em nós só se deve permanecer o que é real e não o ilusório, a vida com sua infinita sabedoria se encarrega com seus mecanismos sutis e infalíveis de nos recolocar no verdadeiro caminho. Quase sempre ainda, a dor, continua sendo a ferramenta necessária para que possamos perceber os desvios que nos enveredamos na grande jornada.
Com a inevitável frustração diante desses comportamentos, muitas vezes, nos tornamos juízes de nós mesmos, nos condenando implacavelmente aos conflitos íntimos, sem nos dar novas chances de reparação.
Adotamos também a atitude de vítimas do mundo, vítimas da vida, enfim, transferimos nossas responsabilidades, atribuindo aos outros a culpa pelas nossas angústias e frustrações.
Pois, que o auto-perdão, é a primeira condição para entendermos a nossa fragilidade ainda ligada ao nosso desconhecimento das coisas, compreendendo assim que todos estamos sujeitos a erros e acertos, não havendo o porque da mágoa ou do rancor, nos dando a chance de reparação, reconstruindo em nós o equilíbrio.
Diante da abençoada oportunidade da reencarnação, a vida nos coloca muitas vezes diante daqueles que em uma pregressa oportunidade, ferimos por ignorância ou negligência.
A misericórdia deve fazer parte de nós, assim como, a sinceridade para conosco admitindo os equívocos, sem colocar sobre os outros o peso da responsabilidade daquilo que nós mesmos somos os arquitetos e executores.
O perdão é a grande libertação que nos permite aceitar os erros como desconhecimento das leis naturais, leis essas que estão, de forma ainda obscura para nós, em nosso íntimo. O arrependimento é o reconhecimento das verdadeiras possibilidades momentâneas provocando assim atitudes de aceitação e disciplina no fazer de novo, de uma maneira melhor, sem carregar no íntimo as energias deletérias do remorso e da mágoa. Não podemos estancar os sofrimentos sem curar em nós as feridas internas.



Não nos deixeis cair em tentação;
Novas experiências virão, atraídas pelas nossas próprias necessidades ou pela necessidade da vida, pois que temos o poder de construir o nosso amanhã, a partir das ações do hoje, tomando a consciência de que atraímos para nós, pessoas e situações, conforme nossos conceitos e julgamentos, que fazemos aos outros e a nós mesmos. Que possamos assim vencer os desafios sem acumular ainda mais compromissos de reparação futura. Pois, que, tentação é, nos colocar em prova, conforme as necessidades de aprendizado de cada um. Se o pré-conceito nos é presente nas atitudes, a vida se encarregará pela lei de atração, de colocar diante de nós os indivíduos ou situações que nos ajudarão a exercitar o respeito e a aceitação às diferenças de cada um. Quanto mais resistimos à natureza, mais a natureza se torna instrutora de nós mesmos. Portanto, quanto mais cedo compreendemos a vida, mais cedo a liberdade se fará presente, com suas flores de paz e harmonia.
Quando não escolhemos, a vida escolhe por nós respeitando nosso livre-arbítrio, mas provocando pela lei de evolução a retirada da inércia em nosso caminhar. Analisar atitudes e pensamentos é antes de tudo reconhecer em nós as deficiências e valores que nos levarão a vivenciar o que chamamos de lei de atração e afinidade. “Somos herdeiros de nós mesmos”, construtores do próprio destino e responsáveis por nossa própria redenção. Atraímos, pelo sincronismo dos acontecimentos, momentos que muitas vezes chamamos de fatalidade, como se a vida agisse em nós sem um finalismo sábio, amoroso e perfeito.



Livra-nos dos males;
Pois que, sãos os males ainda presentes em nosso ser que, por muitas vezes, nos aprisionam e nos fazem sofrer. Livra-nos, Oh! “Deus interno” em nós, da ignorância que provoca o orgulho, a vaidade e que muitas vezes nos faz querer viver longe do todo universal, tornando presente em nós o tão doloroso egoísmo. Conhecendo assim a luz que somos, mas ainda obscuros pela ignorância natural e com as oportunidades de caminhada, tendo infinitas maneiras de burilar em nós as manchas que impedem o brilho verdadeiro, pois que, somos como diamantes brutos, onde as dores e sofrimentos muitas vezes nos apresentam como ferramentas de lapidação para que se faça presente a jóia real que se encontra por sob as cascas provocadas pelo tempo necessário à plenitude.
Males são todas as ilusões, crenças, medos, ciúmes, inveja, insegurança, imediatismo, desesperança, pessimismo, maledicência, enfim, sentimentos e idéias cultivadas equivocadamente pelo desconhecimento que temos do que somos e do que podemos conquistar.
Livrar dos males é adquirir a consciência da força interior, assumindo uma posição renovadora e firme diante dos desafios a serem vencidos, retirando de cada situação de dor e sofrimento o aprendizado necessário para a nossa felicidade eterna.
Durante muitos anos acreditamos que os males seriam sempre aquilo que no outro nos incomoda, ou as atitudes do outro para conosco, assim como as situações desconfortáveis que muitas vezes enfrentamos em incontáveis momentos da jornada. Porém, uma nova conscientização se faz necessária, a de que “somos herdeiros de nós mesmos”, entendendo assim que construímos o nosso castelo ou a nossa masmorra, conforme as atitudes do agora.
Somos verdadeiramente responsáveis pelo que estamos vivenciando hoje, pois que construímos isso de alguma maneira, através do determinismo das leis naturais “causa e efeito” ou do finalismo, necessários a cada um de nós. A vida obedece a um sábio e perfeito sincronismo, onde podemos ter a certeza de que estamos exatamente no momento e local com as pessoas, sentimentos e situações que deveríamos estar obedecendo à perfeição do funcionamento da vida.


Que assim seja.
Aceitar, compreender, modificar o que pode ser modificado, são atitudes libertadoras para o homem que quer se livrar das angústias que o atormentam, conscientizando-se que o seu destino se vincula ao uso do livre-arbítrio em conjunto com a observância das leis naturais, leis essas que independente do grau de evolução do ser humano, estão gravadas em sua consciência fazendo-se necessário que aos poucos, pela vivência das sucessivas vidas, essas leis se tornem ativas através da experimentação de si mesmo, construindo assim melhores atitudes para consigo e para com o seu próximo.
Construir em si cada vez mais a certeza de que o universo é regido por um perfeito equilíbrio chamado amor e que os homens se regeneram através da conscientização do seu papel no grande cenário da vida, reconhecendo que para a construção da paz e do equilíbrio basta que cada um reconheça que é através da modificação íntima de si mesmo é que se modifica a grande paisagem humana.



(Análise de Fidel Nogueira)

Seja feliz...

Durante um seminário para casais, perguntaram a uma das esposas:
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- "Seu marido lhe faz feliz? Ele lhe faz feliz de verdade?"
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Neste momento, o marido levantou seu pescoço, demonstrando total segurança.
Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento. Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro "NÃO", daqueles bem redondos!
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- "Não, o meu marido não me faz feliz"! (Neste momento o marido já procurava a porta de saída mais próxima).

- "Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz! Eu sou feliz". E continuou:
"O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim. Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade. Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas.
Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental. E assim eu poderia citar uma lista interminável.
Eu decido ser feliz! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz! Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não: eu sou feliz! Sou casada mas era feliz quando estava solteira. Eu sou feliz por mim mesma.
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As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de "experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria e tristeza”. Quando alguém que eu amo morre, eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza. Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar.
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Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem felizes, porque meus amigos não me fazem felizes, porque meu emprego é medíocre e por aí vai.
Amo a vida que tenho mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros. É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade. Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregar nos ombros. A vida de todos fica muito mais leve. E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos.
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Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto a de assumir e promover sua felicidade!
SEJA FELIZ, mesmo que faça calor, mesmo que esteja doente, mesmo que não tenha dinheiro, mesmo que alguém tenha lhe machucado, mesmo que alguém não lhe ame ou não lhe dê o devido valor.
Peça apenas ao Universo/Deus/Espírito Maior que lhe dê serenidade para aceitar as coisas que você não pode mudar, coragem para modificar aquelas que podem ser mudadas e sabedoria para conseguir reconhecer a diferença que existe entre elas.