30 de out de 2016

Voluntariado Espírita

Vera Meira Bestene


Cada vez mais estamos conscientes que estudar é preciso, trabalhar é necessário e amar ao próximo o menor caminho para chegar à Deus.
O trabalho, a consciência do trabalho, da atividade constante em prol de nós mesmo e de outrem, é necessidade evolutiva e oferecida a todos em igualdade de condições, depende de nós, diante das responsabilidades assumidas, colocarmos a prova as nossas atitudes.
Na conceituação genérica trabalho é a “ocupação em alguma obra ou ministério; exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa”
Nos mundos mais evoluídos e nos inferiores, a natureza do trabalho não é a mesma, pois que ela está diretamente ligada às necessidades de cada um, sendo a inatividade, a ociosidade, um verdadeiro suplício.
Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” Allan Kardec nos norteia o princípio da Lei do Trabalho através das máximas “ajuda-te que o céu te ajudará e, análoga a esta, “buscai e achareis”, pois que aí encontramos a verdadeira noção que instiga, incita o homem a trabalhar, fazer a sua parte, para que possa, assim ser ajudado por Deus.
Diz o Cap. XXV, item 3:
”Se Deus houvesse isentado o homem do trabalho do corpo, seus membros estariam atrofiados; se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal; por isso, lhe fez do trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e achará, trabalha e produzirás; dessa maneira, serás o filho das tuas obras, delas terás o mérito e serás recompensado segundo o que tiveres feito.”
Na realidade não importa o esforço físico que cada qual tenha que desprender para atender as faixas menos favorecidas da cultura e do destaque social, pois que o trabalho dignifica quem o executa e é-lhe garantia de crescimento. Não se há de fazer comparações ou medições de quanto trabalho se tem de executar, o que importa é ir à luta, semear para poder frutificar.
Sendo a Lei do Trabalho uma lei natural, motivo porque é uma necessidade, engloba os trabalhos materiais, assim como toda ocupação útil. (O Livro dos Espíritos p. 675)
O trabalho está alicerçado em princípios morais, principalmente no amor, e, por isto mesmo, ao lado da oração, é um dos maiores antídotos contra o mal, pois que corrige imperfeições e disciplina a vontade. “A ociosidade é a casa do demônio” é a máxima popular que bem explica que quando nada se faz se faz muito mal, pois que aí estão o egoísmo, o pensamento deprimente, a negatividade e as tentações.
O trabalho, entretanto, longe de ser apenas aquele de ordem material, física, é também aquele que se desenvolve através de ações inteligentes, intelectuais, objetivando a cultura, a arte, o conhecimento, o desenvolvimento e a ciência.
O trabalho do homem objetiva a transformação para melhor. Isto na generalidade. Desdobra-se o arquiteto para produzir imóveis cada vez mais modernos e adequados à realidade de um local e época; o economista busca ajustar as riquezas sociais a fim de que haja sempre progresso financeiro. O carpinteiro trabalha em móveis de estrutura rígida que se lhe justifiquem a tarefa e estejam íntegros para o ambiente a que se propõem. O médico trabalha com afinco para salvar vidas e fazer a prevenção. O cientista submete-se a buscas longas, aparentemente intermináveis, com o fim de ampliar e melhorar as condições de vida do planeta e seus habitantes. Todos motivam-se por atividades instintivas de conservação da vida e de conhecimento social.
Esta é a ação natural e primeira do homem: produzir para suprir suas necessidades imediatas.
Buscando um pouco na história, vemos o homem se utilizando das reservas animais e vegetais. Com o decorrer dos tempos as reservas foram se rareando, As fontes naturais se exaurindo. No período da pedra lascada já jogou-se a buscar mais recursos, ampliando assim seu trabalho já com a ajuda de instrumentos rudes. Mais tarde lançou-se à agricultura e, da terra, passou a extrair os bens necessários a sua subsistência e também ao seu crescimento financeiro. Depois, domesticou animais e os rebanhos renderam-lhes atividades mais estáveis. Com o aparecimento de instrumentos mais aprimorados, do comércio crescente, do aparecimento e evolução da indústria, foram fomentados recursos novos e, paulatinamente, as dificuldades iniciais serviram de base ao equilíbrio social e, posteriormente, o trabalho remunerado, a divisão de classes decorrente do próprio trabalho.
Podemos ver que a própria evolução material do homem está ligada diretamente ao trabalho. Com os tempos e as reencarnações, as evoluções oriundas do trabalho intelectual, produzindo melhoramento da forma de produzir, pois que ao homem cabe a missão de trabalhar pela melhoria do planeta.
Assim, podemos dizer que o trabalho remunerado é a forma que o homem tem de modificar o meio que vive e produzir a melhoria do Planeta.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu cap. XVI, item 7, em uma simples leitura, podemos verificar a verdade das necessidades materiais, compreendendo também que “na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividades, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso.”
Há, entretanto, uma outra forma de trabalho, este que não rende moeda, nem produz conforto maior, tampouco crescimento permanente da conjuntura econômica. Este é o trabalho-abnegação, do qual não produz troca ou remuneração mas que redunda em crescimento de si mesmo no sentido moral e espiritual. Modernamente a este trabalho dá-se o nome de TRABALHO VOLUNTÁRIO.
O primeiro caso, o trabalho gerando crescimento material e progresso social, se desenvolve uma melhora exterior da criatura, enquanto o segundo, o trabalho voluntariado, ascende no sentido vertical da vida e modifica, transforma o homem de dentro para fora, superando a si mesmo como instrumento da misericórdia divina.
Jesus é exemplo destes dois tipos de trabalho. Enquanto carpinteiro, dedicado, com José laborava. Ele, ativamente, mostrando a importância do trabalho, ensinando que o trabalho em atividade honrada é o dever primeiro para a manutenção do corpo e da vida terrena. Seguidamente a isto teve Jesus um ministério de amor, um verdadeiro trabalho de autodoação até o sacrifício da própria vida.
Seu exemplo infunde coragem estimula o trabalho-serviço, o trabalho-redenção, fraternal, procurando manter a sociedade unida, acalentando os menos favorecidos, dando conforto aos necessitados de toda ordem.
Podemos perceber, portanto, que o trabalho voluntariado é muito antigo, pois que foi inventado por Jesus Cristo, quando às margens da Galiléia chamou os pescadores Simão Pedro Barjonas e seu irmão André, João e seu irmão Tiago, os dois filhos de Zebedeu, para uma jornada que jamais terminaria. Trabalho voluntário e mais trabalho voluntário os esperava ao longo do tempo, das horas, dos dias, dos anos, dos séculos e milênios.
Aceitaram trabalhar de graça, e como lucraram!
Na Segunda Carta de Timóteo (2:6) Paulo adverte que o lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar os frutos.
Hão de se perguntar: Como gozar os frutos se não recebemos dinheiro pelo que produzimos?
Emmanuel, no livro Perante Jesus nos fala do trabalho voluntariado explicando–nos como nos chega a remuneração mais do que compensadora por trabalharmos pelo simples prazer de servir, desinteressadamente.
Quando o trabalho se transforma em prazer de servir surge o ponto mais importante da remuneração espiritual: Toda vez que a justiça divina nos procura no endereço exato para a execução da sentença que determinamos a nós próprios, segundo a lei de causa e efeito, se nos encontra a serviço do próximo, manda a justiça divina que seja suspensa a execução, por tempo indeterminado.
Assim, podemos entender que todo mal que cometemos estamos nos sentenciando de forma a constituir dívida correspondente a que estamos obrigados a pagar pela lei de causa e efeito. É dando que se recebe, nos ensinou Jesus. O que fazemos ao próximo volta com a mesma intensidade.
Sócrates já considerava que o bem e o mal nada mais eram que a sabedoria e a ignorância, pois que o ignorante concretiza o mal porque não sabe que mais tarde será obrigado a quita-lo, a ajustar contas. Mas, como dissemos, quando se nos encontramos a serviço do próximo, a Justiça Divina manda que o pagamento seja suspenso. Pedro, na sua Carta Universal (4.8) já profetisava: “Tende caridade para com os outros, porque a caridade cobrirá a multidão de pecados”.
A caridade e todo o bem que conseguirmos amealhar na vida presente, será descontado na dívida que contraímos no passado, seja nesta ou em existência anterior. No acerto de conta, quando forem colocar nossa conta na balança, certamente haverá a compensação de nossas ações caridosas e nossas dívidas diminuirão ou até desaparecerão, dependendo do crédito de amor que acumularmos.
O trabalho é alimento da alma e cumpre-nos observar que o trabalho desinteressado não é objeto de troca ou remuneração, de quaisquer espécies. Precisamos compreender que doar trabalho é doar amor, boa vontade, sem escolher a quem e muito menos julgando o merecimento deste ou daquele para quem está rendendo o trabalho.
As pessoas nem imaginam o bem que estão fazendo a si próprias quando se dedicam a realizar algum trabalho sem a respectiva recompensa financeira. O Voluntariado é hoje uma verdadeira explosão, uma vez que está transformando hábitos, sobretudo quando realizado por jovens. É uma característica comum aos jovens a vontade de ajudar, de ser útil, de diminuir a dor alheia, praticando assim a solidariedade. O incentivo cabe a nós, mais velhos, exerce-lo.
Querem eles oferecer um pouco do seu tempo, uma parcela apenas do fruto de sua profissão, um pedacinho de seu coração a instituições voltadas para causas nobres ou que cuidem de seres humanos com provas dolorosas. O voluntariado espírita é essencialmente um doador de seu próprio trabalho e a princípio poucos são os que percebem, mas são felizes porque têm algo para oferecer; sobra-lhes boa vontade e disposição.
As maravilhosas obras beneméritas e de caridade erguem-se no planeta, materializando pensamentos de bondade. Todos somos chamados a produzir obras de trabalho desinteressado, aquele que é abnegado e exige a doação plena.
Ao trabalho voluntariado todos fomos chamados, basta parar para pensar que esta é a mais pura verdade. Entretanto, aos que deixaram passar a oportunidade, conclamamos agora: Venha compor esta fileira. Deixe as desculpas do “não tenho tempo”, “meus filhos são pequenos”, “meu marido é sistemático”, “quando aposentar vou ajudar vocês”, “minha família necessita de mim”. Estas são apenas umas das muitas desculpas usuais e corriqueiras daqueles que fogem, adiam a tarefa do auxílio. É necessário se conscientizar da responsabilidade que temos em relação ao próximo. A firmeza de propósitos, o espírito de altruísmo precisam ser ativados. O maior beneficiado é sempre quem auxilia. Emmanuel, no Livro Pronto Socorro recomenda:
“Não te esqueças do tempo e auxilia agora”.
É tempo de agir, de aprender que o doar-se de forma absolutamente desinteressada, é semeadura de amor e libertação, pois que a justiça divina dá a cada um segundo o seu merecimento e o seguimento da máxima de Cristo “Ama o próximo como a ti mesmo” extirpando o egoísmo e a arbitrariedade que devem ser banidos o quanto antes de nosso comportamento. O trabalho é e será o único meio de evolução do ser encarnado ou desencarnado e, sem trabalho, não há progresso, sem trabalho voluntariado não há evolução espiritual e não há luz. A forma que cada um pode ser mais útil para o maior número de pessoas, é análise pessoal, mas nos cabe alertar a importância do auxílio, da cooperação de acordo com a capacidade e possibilidade de cada um, mas sempre há e haverá um trabalho, uma tarefa que diante da boa vontade e do amor, será sempre, simples, prazerosa e fácil.
Realiza o teu compromisso, por menos significante que te pareça, pois que esta será a base para grandes realizações futuras.
Hoje, tantos anos já passados, o trabalho tem leis que o regem para que a sociedade possa ser mais justa, devido a imperfeição natural dos homens que neste Planeta habitam. Cumpre às Casas Espíritas o cuidado de fazer o registro de seu corpo de voluntariado, cumprindo assim as necessidades das leis humanas.
Os valores de fé, de amor e de persistência, nos levam à reflexão de que a caridade deve substituir a filantropia, sendo trabalho útil, ativo, passando a existir nos moldes dos mundos superiores, onde o trabalho em lugar de ser impositivo, é conquista do homem livre que serve sempre, sem cessar, buscando sempre assistir mas promover o ser humano, buscando ensinar a pescar, não apenas dando o peixe, como nos ensinou .
“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” Pedro 1: 4.10 .

28 de out de 2016

A degeneração do Espiritismo

Dalmo Duque dos Santos


Comparando a história do Espiritismo com a do Cristianismo Primitivo, podemos tirar algumas conclusões importantes para a o futuro da nossa doutrina e o do seu movimento social.
O Cristianismo, cuja pureza doutrinária do Evangelho e simplicidade de organização funcional dos primeiros núcleos cristãos foi conquistando lenta e seguramente a sociedade de sua época, sofreu com o tempo um desgaste ideológico. Corrompeu-se por força dos interesses políticos, financeiros e institucionais. Os novos adeptos e seus líderes, não conseguindo penetrar na essência do Evangelho, que é regeneração, ou seja, o mergulho doloroso no mundo interior e a reversão das atitudes exteriores, adaptaram o mesmo às suas conveniências psico-sociais, atacando suas idéias mais contundentes à moral animalizada, alimentando os mecanismos de defesa da mente, fazendo concessões às fraquezas dos adeptos e desviando-os para o comodismo dos disfarces rituais exteriores. Repressão de forças espirituais espontâneas e idéias consideradas ameaçadoras ao clero, como a mediunidade e a reencarnação; a falsificação de tradições e a adoção do sincretismo do costumes bárbaros, foram as principais estratégias dessa clericalização do cristianismo.
O resultado de tudo isso é bem conhecido: dois milênios de intolerâncias, violências, atraso espiritual, perpetuação das injustiças sociais, agravamento de compromissos com a lei de ação e reação e forte comprometimento da regeneração do nosso planeta.
Com o Espiritismo não está sendo muito diferente.
Apesar das advertências dos Espíritos e do próprio Allan Kardec quanto aos períodos históricos e tendências do movimento, os espíritas insistem em cometer os mesmos erros do passado. Os mesmos erros porque provavelmente somos as mesmas almas que rejeitaram e desviaram o Cristianismo da sua vocação e agora posamos de puristas ortodoxos, inimigos ocultos do Espírito da Verdade.
Negligentes com a oração e a vigilância, cedemos constantemente aos tentáculos do poder e da vaidade. Desprezamos a toda hora a idéia do “amai-vos e instruí-vos”, entendendo-a egoisticamente, ora como fortalecimento intelectual competitivo, ora como o afrouxamento dos valores doutrinários. Não conseguindo nos adaptar ao Espiritismo, compreendendo e vivenciando suas verdades, vamos aos poucos adaptando a doutrina aos nosso limites, corrompendo os textos da codificação, ignorando a experiência histórica de Allan Kardec e dos seus colaboradores, trazendo para os centros espíritas práticas dogmáticas das nossas preferências religiosas, hábitos políticos das agremiações que freqüentamos e mais comumente a interferência negativas dos nossos caprichos e vaidades pessoais.
Como os primeiros cristãos, também lutamos pelo crescimento de nossas instituições, deixando-nos seduzir pelo mundo exterior e imitando os grupos já pervertidos, construindo palácios arquitetônicos, cuja finalidade sempre foi causar impressão aos olhos e a falsa idéia de prestígio político; e dentro deles praticamos as mesmas façanhas da deslealdade, das rivalidades, das perseguições aos desafetos, da auto-afirmação e liderança autoritária, de crítica e boicote às idéias que não concordamos.
E, finalmente, cultivamos uma equívoca concepção de unificação, esperando ingenuamente que a nossas idéias e grupos sejam majoritários num Grande Órgão Dirigente do Espiritismo Mundial, do nosso imaginário, e muitas outras tolices e fantasias que nem vale a pena enumerar aqui.
E assim caminhamos, unidos em nossas displicências e divididos nas responsabilidades. Preferimos esquecer figuras exemplares que atuaram na Sociedade Espírita de Paris quando ignoramos nossa história sabiamente registrada na Revista Espírita. Deixamos de lado líderes agregadores – ainda que divergências normais e toleráveis existissem entre eles – para ouvir e nos deixar dominar por um disfarçado clero institucional, comando por vozes medíocres e ciumentas, figueiras estéreis, sofistas encantadores e improdutivos, enfim, velhas almas e velhas tendências, vinho azedo e frutas podres em nossos mais caros celeiros doutrinários.
Mas como evitar esse processo de corrupção e, em alguns casos notórios, de contaminação e má conduta? Como reverter a situação para reconduzir essas experiências para os rumos verdadeiramente espíritas? O que fazer com as más instituições, com os maus dirigentes, os maus médiuns, maus comunicadores, enfim os maus espíritas? Devemos identificá-los e expulsá-los dos nossos quadros? Devemos denunciá-los e discriminá-los como fazia a Inquisição com os acusados de heresia?
O que fazer com os livros que consideramos impuros ou inconvenientes ao movimento?: devemos queimá-los em praça pública, censurá-los em nossas bibliotecas ou então deixar que a própria comunidade espírita pratique o livre arbítrio e aprenda a fazer escolhas corretas e adequadas às suas necessidades?
O Espiritismo foi certamente uma doutrina elaborada por Espíritos Superiores e isto nos deixa tranqüilos quanto ao seu futuro doutrinário. Mas o seu movimento vem sendo feito por seres humanos, espíritos ainda imaturos e inexperientes. Isso realmente tem nos deixado muito preocupados, pois sabemos que, hoje, os inimigos do Espiritismo estão entre os próprios espíritas.

26 de out de 2016

A técnica do passe.

Aluney Elferr Albuquerque Silva

Breve Conceito

Quando duas mentes se sintonizam, uma passivamente e outra ativamente, estabelece-se entre ambas, uma corrente mental cujo efeito é o de plasmar condições pelas quais o "ativo" exerce influência sobre o "passivo". A esse fenômeno denominamos magnetização. Assim, magnetismo é o processo pelo qual o homem, emitindo energia do seu perispírito, age sobre outro homem, bem como sobre todos os corpos animados ou inanimados. A foto Kirlian concluiu pela emissão dessa energia, através das mãos do curador. Foi fotografada a energia brilhante que flui do curador para o paciente, o que indica que a cura envolve uma "transferência de energia do corpo bioplásmatico do curador para o do paciente." Temos, portanto, que o passe é uma transfusão de energia do passista e/ou espírito para o paciente. Pode-se dizer que é uma transfusão fisio-psíquicas, que resulta na troca de elementos vivos e atuantes, recurso fundamental para rearmonização do perispírito. Podemos dizer que o passe atua diretamente sobre o perispírito, agindo de três formas diferentes:
Mecanismo de assepsia, na limpeza do campo vibratório do paciente para o recebimento de energias salutares. Facilitando até a maior absorção dessas energias.
Revitalizador, compondo as energias perdidas
Dispersante - Eliminando os excessos e distribuindo de uma maneira igual os fluidos doados ao longo do campo vibratório e por todos os chacras.
Auxiliando assim, na cura das enfermidades, a partir do reequilibro do perispírito.
O Universo (visível e o invisível) trabalha num equilíbrio, num encadeamento perfeito, de uma harmonia sem par.
Com base nessa orientação, perguntamos:
Que é saúde?
Que é enfermidade?
Definimos a saúde como sendo a harmonia perfeita entre o microcosmo e o macrocosmo, ou seja, entre nosso tônus vibratório ainda imperfeito com o tônus vibratório da natureza e do cosmos pela lei Eterna do Amor. Como o resultado de viver em completa harmonia, em completo acordo, com as Leis que regem o Universo, o Cosmo.
Leis Morais e Materiais, da Natureza. A mudança desse ritmo vibratório normal (ódio, egoísmo, amor próprio excessivo, gula, paixões inferiores etc.) produz um desequilíbrio, e é deste desequilíbrio que se origina a enfermidade. Este desequilíbrio pode ocorrer ao longo dos séculos, várias encarnações por onde o espírito deverá passar.
A Lei de movimento e evolução implica um sucessivo acondicionamento do ser humano (encarnado ou desencarnado) a uma contínua transformação, a qual se manifesta em todas as ordens da vida.
A vida é e será sempre uma perene, eterna e infinita potência criadora no Universo.
À ela, se devem as formas de pensamento, as concepções humanas, que logo se materializam, se corporificam no plano dos sentidos físicos.
Dessa forma, podemos assimilar a existência de modulações vibratórias que constituem a essência da Vida, adquirindo diversas densidades de expressão entre o plano material e o plano espiritual.
A Vida é uma criação de Deus, e das Leis Cósmicas, e por isso, estamos intimamente ligados ao Todo. No físico ou denso, no sutil ou espiritual.
Esta mesma relação de continuidade opera-se com respeito aos elementos de nosso planeta, e olhando mais longe, vemos que se estende até às potências cósmicas, dentro da esfera do Universo.
Traduzindo, portanto, em linguagem mais simples, o homem significa equilíbrio ou desequilíbrio das forças cósmicas, espirituais ou materiais, ou até melhor, o homem por ser livre poderá colaborar com a harmonia ou desarmonia onde estiver.
Forças que partem do sutil ao denso e do denso ao sutil. Assim, no que concerne à Vida, os efeitos são a saúde ou a enfermidade.
Chegados a este ponto, e compreendendo-o, destacamos que, uma pessoa pode estar fisicamente mal, quando seu mundo espiritual não está em harmonia, o que provoca o desequilíbrio (a enfermidade) físico por repercussão.
Com o tônus vibratório prejudicado, transfere-se ao corpo somático esta desarmonia que através dos maus tratos poderá encadear problemas inimagináveis.

OS PRECURSORES DO MAGNETISMO DE CURA

Para compreendermos de maneira diferenciada, vejamos alguns dos principais precursores, na história do magnetismo e do passe.

PARACELSO - (1493-1541)

Seu nome era FELIX AURELIO TEOFRASTO BONBAST VON HODENHEIM. Médico, antropólogo, teólogo e um grande médium. Na época denominava-se mago.
Sem ter os conhecimentos científicos, hoje em voga, PARACELSO dizia que a NATUREZA era a autoridade suprema e que nela dever-se-ia buscar todas as verdades, porque a natureza, diferentemente do homem, não comete erros.
Mostrava que o mundo natural é "algo mais" daquilo que se pode ver com os olhos, sentir com as mãos, pesar ou medir. Inclui uma variedade de influências sobre a vida dos seres humanos.
As coisas não são simples pedaços de matéria inerte: possuem propriedades ocultas que se fundamentam em um mundo invisível.
Afirmou que o homem possui em si mesmo um fluido magnético e que sem essa energia não poderia existir. Tratara-se de uma espécie de fluido universal que produz todos os fenômenos que observamos.
Com base nestes conceitos afirmava que, como o homem emite e recebe vibrações, pode também emitir ou receber boas ou más vibrações.
PARACELSO foi um dos principais precursores do estudo do magnetismo animal, ainda que se considere MESMER, posterior quase dois séculos, como o pai da teoria do magnetismo.
PARACELSO aplicava suas idéias à medicina afirmando que "o primeiro médico do homem é Deus", autor da saúde, já que "o corpo não é mais que a casa da alma".

VAN HELMONT - (1577-1644)

JUAN BAUTISTA VAN HELMONT, projetou nova luz sobre o magnetismo animal, tendo sido o mais importante continuador e discípulo de PARACELSO.
Destacou clara distinção entre o que chamava magnetismo animal proveniente do corpo físico do homem (exterior), e as vibrações que emanavam do "homem interior", de suas forças espirituais.
A Igreja, como sempre, combateu os médiuns, e VAN HELMONT certa feita, respondendo a um jesuíta as críticas que o mesmo fizera a PARACELSO, atribuindo ao demônio as curas por ele efetuadas, expressou que os teólogos deveriam se ocupar com as causas divinas e os naturalistas com as causas da natureza, porque a natureza não havia escolhido os teólogos como seus intérpretes, e sim os seus filhos, os físicos e naturalistas.
Afirmava Van Helmont, que os espíritos eram ministros do magnetismo.

MESMER - (1734-1815)

FRIEDRICH FRANZ ANTON MESMER, era médico. As curas magnéticas de MESMER provinham de uma tradição que reconhecia como expoente máximo PARACELSO.
Sua teoria, com base na tese de doutorado apresentada em Viena em 1776, denominada de PLANETARUM INFLUXU (A influência dos planetas na cura das enfermidades), proposta esta que gerou polêmicas em torno do assunto.
A tese descrevia a influência dos planetas por intermédio de um fluido universal com poderes magnéticos sobre a matéria viva. Descrevia também o magnetismo animal, que existiria em duas formas opostas e tenderia a emanar dos lados direito e esquerdo do corpo humano.
Explicava que a cura das enfermidades consistia na restauração do equilíbrio ou harmonia alteradas entre os dois fluidos.
Com base nestas teorias, MESMER construiu sua técnica terapêutica, utilizando a fixação dos olhos e os passes com as mãos.
MESMER criou uma escola pelos métodos empregados, o MESMERISMO.
Sua teoria expunha e descrevia que um princípio imponderável atuava sobre os corpos; que em todo organismo vivente existe um fluido magnético, no qual circula uma força especial animando tanto o mundo orgânico como o inorgânico; que esse fluido se transmite, podendo revigorar os corpos debilitados; que as pessoas dotadas de grande vitalidade podem transmitir essa energia aos outros, se souberem dirigir essa mesma energia, utilizando a imposição das mãos.
Sobre as forças vitais, MESMER apoiou-se em WILLIAM MAXWELL, que em 1676, na sua obra MEDICINA MAGNÉTICA, afirma que a alma humana não está contida dentro dos limites do corpo e atua fora dele; que o corpo humano emite radiações, compostas de elementos imateriais, que são os veículos que transmitem a ação da alma e que contém forças vitais.
MESMER assegurava que dirigindo esse fluido segundo métodos corretos, poder-se-ia "curar imediatamente as doenças dos nervos e mediatamente as outras" e que "a arte de curar chegaria assim à sua perfeição última".
Acrescentava MESMER, que o organismo como um todo, age como elemento sensível e captor das energias fluídicas e qualquer desequilíbrio rompendo a harmonia entre o homem e o todo, gera a doença.
Dessa forma, acrescentava, não haveria senão uma única doença, sob múltiplos aspectos, como, similarmente, não haveria senão um único remédio para todos os males: o magnetismo.

ROBERT FLUDD – (1629)

Afirmou haver obtido curas com água magnetizada

PETÉTIN – (1744 – 1808)

Verificou que o paciente em sono induzido magnético podia chegar ao transe cataléptico e apresentar então transposição de sentidos (percepção deslocada dos órgãos materiais)

DIVERSOS

Entre os estudiosos e pesquisadores, criaram-se ao longo do tempo escolas que se diferenciavam na arte e no processo de curas pela magnetização (Passes).
A descrição de MESMER, que fez escola, de que existiriam duas formas opostas, no magnetismo animal, que tenderiam a emanar-se dos lados direito e esquerdo do corpo humano, denominou-se POLARIDADE DOS CORPOS. Vários pesquisadores, tendo à frente H. DURVILLE, afirmavam que o corpo humano, como qualquer outro objeto, seria polarizado, ou seja o lado direito positivo e o lado esquerdo negativo. Que dessa forma não se poderia magnetizar indistintamente com a mão direita ou com a esquerda.
No entanto, vários outros pesquisadores, como DU POTET, DELEUZE, GAUTHIER, BUÉ, BINET e FERÉ e inclusive a Doutrina Espirita, CONTESTAM as conclusões dos POLARISTAS, afirmando que a potência volitiva do magnetizador UNIFICA a ação radiante dos fluidos e a conduz com igual segurança ao paciente, de face, de lado, pelas costas, de perto ou de longe, através de um compartimento para outro, vendo ou não vendo o paciente.
Todos, polaristas ou não, evidenciam um fato: a ação curadora do fluido magnético.
Verificando estas opiniões, vejamos: sabemos que o passe, ou melhor as emanações de energias se dão de perispírito a perispírito, e que este perispírito não esta circunscrito a uma área definida do corpo, senão em todo o corpo. Então poderemos dizer que ficamos com a contestação da Doutrina Espírita sobre estas opiniões. Pois estamos doando energias boas ou más, sem sequer direcionarmos nossas mãos a lugar algum.
Para o estudo e a análise, por parte dos leitores interessados, endereçamos às seguintes obras:
  • MICHAELUS - MAGNETISMO ESPIRITUAL (FEB)
  • JOSÉ LAPPONI - HIPNOTISMO E ESPIRITISMO
  • ALLAN KARDEC - O LIVRO DOS MÉDIUNS
  • ALLAN KARDEC - OBRAS POSTUMAS
  • ALLAN KARDEC - REVISTA ESPÍRITA

ALLAN KARDEC - (03.10.1804/31.03.1869) - Doutrina dos Espíritos

A Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, veio trazer luzes às trevas do conhecimento humano.
Sua missão, bem como a dos espíritas em geral, é a de contribuir para o aprimoramento dos espíritos, encarnados e desencarnados, com o fim de libertá-los da ignorância e da superstição. Racionalizando a fé, conduz o ser à certeza, à convicção das Leis Imutáveis que regem a Vida, Leis essa que emanam de Deus, Causa Primeira e Inteligência Suprema do Universo, enfim, ao conhecimento integral da Verdade. Conhecereis a Verdade e ela vos libertará, afirmou Jesus há quase 2 milênios.
No que tange às curas, ao passe, a Doutrina dos Espíritos, fruto da interação entre encarnados e desencarnados, hoje aliada às inúmeras pesquisas científicas em todo o planeta, veio demonstrar a existência do perispírito, estabelecendo sua origem, suas propriedades e suas funções; veio estudar a propriedade dos fluidos, bem como a ação desses mesmos fluidos sobre a matéria.
Allan Kardec, para codificar a Doutrina, criou e estabeleceu uma metodologia científica, que até o presente momento serve de parâmetro para todos os pesquisadores sérios:
  1.  Localizar e descobrir o fenômeno;
  2. Observar e conhecer o fenômeno na sua manifestação;
  3. Provar e comprovar que o fenômeno existe, e
  4. Estudar, conhecer e formular as causas e o mecanismo desses fenômenos.

24 de out de 2016

A difícil arte de dizer não aos filhos

Você costuma dizer não aos seus filhos?

Considera fácil negar alguma coisa a essas criaturinhas encantadoras e de rostos angelicais que pedem com tanta doçura?

Uma conhecida educadora do nosso país alerta que não é fácil dizer não aos filhos, principalmente quando temos os recursos para atendê-los.

Afinal, nos perguntamos, o que representa um carrinho a mais, um brinquedo novo, se temos dinheiro necessário para comprar o que querem? Por que não satisfazê-los?

Se podemos sair de casa escondidos para evitar que chorem, por que provocar lágrimas?

Se lhe dás tanto prazer comer todos os bombons da caixa, por que fazê-los pensar nos outros?

E, além do mais, é tão fácil e mais agradável sermos bonzinhos...

O problema é que ser pai é muito mais que apenas ser bonzinho com os filhos. Ser pai é ter uma função e responsabilidade sociais perante os filhos e perante a sociedade em que vivemos.

Portanto, quando decidimos negar um carrinho a um filho, mesmo podendo comprar, ou sofrendo por lhe dizer não, porque ele já tem outros dez ou vinte, estamos ensinando-o que existe um limite para o ter. Estamos, indiretamente, valorizando o ser.

Mas, quando atendemos a todos os pedidos, estamos dando lições de dominação, colaborando para que a criança aprenda, com nosso próprio exemplo, o que queremos que ela seja na vida: uma pessoa que não aceita limites e que não respeita o outro enquanto indivíduo.

Temos que convir que, para ter tudo na vida, quando adulto, ele fatalmente terá que ser extremamente competitivo e, provavelmente, com muita flexibilidade ética, para não dizer desonesto.

Caso contrário, como conseguir tudo? Como aceitar qualquer derrota, qualquer não, se nunca lhe fizeram crer que isso é possível e até normal?

Não se defende a ideia de que se crie um ser acomodado, sem ambições e derrotista. De forma alguma. É o equilíbrio que precisa existir: o reconhecimento realista de que, na vida, às vezes se ganha e, em outras vezes, se perde.

Para fazer com que um indivíduo seja um lutador, um ganhador, é preciso que ele aprenda a lutar pelo que deseja, sim, mas com suas próprias armas e recursos, e não fazendo-o acreditar que alguém lhe dará tudo, sempre, e de mão beijada.

Satisfazer as necessidades dos filhos é uma obrigação dos pais, mas é preciso distinguir claramente o que são necessidades do que é apenas consumismo caprichoso.

Estabelecer limites para os filhos é necessário e saudável.

Nunca se ouviu falar que crianças tenham adoecido porque lhes foi negado um brinquedo novo ou outra coisa qualquer.

Mas já se teve notícias de pequenos delinquentes que se tornaram agressivos quando ouviram o primeiro não, fora de casa.

Por essa razão, se você ama seu filho, vale a pena pensar na importância de aprender a difícil arte de dizer não.

Vale a pena pensar na importância de educar e preparar os filhos para enfrentar tempos difíceis, mesmo que eles nunca cheguem.

O esforço pela educação não pode ser desconsiderado.

Todos temos responsabilidades no contexto da vida, nas realizações humanas, nas atividades sociais, membros que somos da família universal.



Redação do Blog Espiritismo Na Rede baseado no verbete Educação, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

22 de out de 2016

AFINIDADE E SINTONIA (Fatores relevantes nas doenças)


A sintonia psíquica constitui fator relevante nas doenças.

       Fenômeno inconsciente oriundo de nossos hábitos mentais, ela exige profundo exame e acurado esforço para que abandonemos as faixas do abatimento e viciação e ascendamos às que dão forças e estímulos para os empreendimentos de sucesso.

       Acomodados nos velhos hábitos do personalismo, permanecemos em sintonia com o mal e essa situação cria graves uniões com espíritos ignorantes e pervertidos.

       Em toda enfermidade existe sempre uma predisposição orgânica e psíquica, decorrente do pretérito espiritual ou da vivência atual.

       Conveniente por isso o cultivo do otimismo e a realização de trabalhos que induzam a mente indisciplinada a novos hábitos.

       A doença como a saúde resulta invariavelmente da posição interior de cada um.
      
Toda ascese decorre em clima de sacrifício
 A renovação exige esforço.
 A liberdade propõe disciplina.


Redação do Blog Espiritismo Na Rede baseado na obra Leis Morais da Vida
pelo Espírito de Joanna de Ângelis 

20 de out de 2016

Droga: Traficante e Usuário




«… e não ha nada como estar limpo, cara, mas você precisa de esperança e esperança é algo que você tem que construir dentro de você.” John Lennon

(Por ocasião de sua entrevista em 1971, comentando sua prisão por porte de maconha pela Policia londrina).

Ando muito inquieta, incomodada com a maneira desintegrada como os últimos acontecimentos se passam. Observo como toda a população, aliviada, aplaude. E ela tem razão. Sair do cerco onde aquelas comunidades se encontravam ha três décadas, no mínimo, é motivo de comemoração pela possibilidade de recomeço.

Quem não quer ser livre, quem não quer exercer a liberdade, segundo o seu arbítrio, o famoso direito de ir-e- vir ainda que seja da escola ate a quitanda, do trabalho para casa, do vizinho ate a praça? Essas coisas comezinhas que fazem parte da condição humana, todos as queremos, pois é através deste caminho singelo que vamos costurando nossas historias de vida. Todos nos, seres humanos, independente de nosso berço histórico, cultural e social.

Então quem abre as portas, derruba as barricadas, deixa o caminho livre, sem balas perdidas que nos possam atingir e aos nossos filhos mesmo estando dentro de nossos quartos, são os nossos heróis. Os nossos libertadores, nossos salvadores.

Sem duvida nenhuma.

A estratégia de guerra se impôs e os soldados do bem, da policia pacificadora se fizeram presentes. A comunidade sofrida, cheia de otimismo e com a sua confiança recuperada entregou as informações a quem de direito e tuneis foram explorados, telhados descobertos, paredes foram ao chão, o armamento de guerra foi relocado e o que havia sido roubado recuperado.

E a erva, de todo tipo foi incinerada, a toneladas. A mais bela fumaça jamais vista, o mais belo incêndio provocado pelo homem subiu aos céus… Um verdadeiro apocalipse ao contrario.

Ate mesmo as lagrimas de sofrimento das mães que ficaram sem seus filhos, das esposas sem seus maridos e dos filhos sem seus pais pareceu suportável em nome da vida nova que se anuncia!

E tudo parece se encaminhar para um Happy End bem a maneira dos filmes americanos de bandidos e mocinhos.

Acontece que estamos tão aliviados que parecemos ter nos esquecido do começo de toda esta historia – esquecimento de alivio? – talvez uma bela resistência a maneira de Lacan diante do absurdo da realidade, o que pode nos levar ao absurdo de nega – la.

Não tenho qualquer pretensão de esclarecer as multifaces das interfaces que regem o fenômeno do uso das drogas, tema por demais arraigado e complexo para um simples texto.

Melhor seria escrever um tratado e talvez nem assim lograsse o intento, pois muitos especialistas têm contribuído, sem ponto final. Alias, como todo assunto pertinente ao humano.

O que aqui venho chamar a atenção é para que se não houver um olhar sobre o usuário, se políticas sanitárias, de saúde em nível nacional, não se debruçarem sobre aquele que depende, o dito viciado, o dependente, todos estes últimos acontecimentos de saneamento social terão sido em vão. Afinal é ele quem sustenta a droga, ele é o seu comprador. Um comprador que depende do comercio , um cliente –doente.

Preciso me explicar?

Vão ai alguns exemplos: Fulano é filho de família de viciados de todos os tipos, sexo, álcool, baixa estima, depressão então compreensivelmente entrou nas drogas desde os 16 anos; as suas irmãs, muito esforçadas e voltadas a própria recuperação em termos de saúde mental, fazem de tudo para ajudar o irmão mais novo a sair deste lugar, internações se sucedem ha 14 anos mas Fulano perdeu a critica; sai do hospital e no mesmo ônibus desce no ponto de venda e por la fica anulando a internação. Some uma semana, dez dias, dorme com os mendigos da rua, volta estropiado para casa, machucado, doente, dizendo-se arrependido. Em casa é recebido, banhado, alimentado e vestido; diz que vai estudar ,fazer ginástica, namorar… Porem estes propósitos ate agora, estão somente nas palavras…

Beltrano também não se saiu bem. Advogado e filho de família de advogados bem sucedidos é jovem e bonito. Não se sabe bem porque ele entrou nas drogas, mas enquanto não sai delas vende o que encontra pela frente, seja da mãe, da irma, não importa. Carro, celulares, som, TV… A mãe agora aceitou sua dependência e custeia suas internações que não são baratas, pois o hospital onde ele se adaptou é longe de casa, em outro estado. Ele fica isolado da família, então volta, fica uns dias em casa e quando sente que “o bicho ta pegando”, retorna para a clinica…

Sicrano é bem diferente. Empresário bem sucedido, muito inteligente, fez muito dinheiro. Entrou nas drogas parece que por influencia do irmão mais novo também usuário. Agora se uniu a uma mulher, aparentemente não tem nada em comum, ou tem o uso de drogas, segundo o relato de sua mãe…

O jovem casal seguia o ritmo normal da vida ate que a esposa descobriu que o marido é usuário de crack. A esposa entrou em analise para ajudar-se a compreender o seu papel nisso tudo…

E assim vamos.

A preocupação dos profissionais da área de saúde, em especial da saúde mental emocional, se justifica através de exemplos infindáveis. E é lógico, existem outros tantos outros bem mais dramáticos, quando o afetivo fica completamente lesado e o sujeito dependente chega a oferecer a própria irma ao traficante para saldar dividas, ate chegar aos assassinatos e ao suicídio direto pois o indireto ai já esta implícito.

Hermínio Miranda vira ao nosso socorro e afirmara que: “O Homem tem saudades de Deus” explicando este enorme buraco que precisa ser preenchido a qualquer custo; a Psicanálise propõe uma falta fundamental, e a maioria das Terapias Humanistas e Cognitivas proporá um gerenciamento desta “falta” tornando-a existencialmente suportável e sistemicamente compreendida pelos muitos outros prazeres da auto realização e da auto aprovação.

Mas voltando a Lennon esta é uma tarefa pessoal, “esperança é algo que você terá que construir dentro de você”, cada um a seu tempo , sua maneira , sua escolha, seus valores fundamentais.Trabalho demorado e nem sempre bem sucedido.

Não é uma tarefa pequena a tarefa de viver. Citando Guimarães Rosa: “Viver é dificultoso e carece de coragem”. Fica fácil imaginar então a dificuldade que se eleva a potencia máxima quando você passa a ser regido, dirigido e aprisionado pela dependência química, filha do seu déficit emocional e porque não acrescentar, espiritual.

Temo me afastar do meu objetivo primeiro ao redigir este texto, então retomo a questão: se não houver um programa federal de apoio ao dependente químico grave, todo este esforço atual será passageiro. Ora se sou viciado em tomates e dizimam a plantação e prendem os plantadores de tomates, terei que ou morrer pela falta, o que não seria uma solução ética, ou terei que arrumar quem me forneça ou plantarei eu mesmo? Como fazer? Ate aqui nada que contemple a ética também.

Muito bem me lembrou uma amiga psicanalista que trabalhou na Saúde Publica num centro de recuperação para drogadictos, se não acontecer uma ação multidisciplinar e um apoio clinico a família, visando uma terapêutica do grupo e no grupo, se não forem assentadas as bases que permitam ao sujeito encarar-se, a droga continuara a ser a solução “perfeita” e rápida para “o buraco” onde o mesmo se encontra.

Um programa ativo de combate as drogas deve se propor não só a isolar a quem fornece mas a quem consome, duas pontas de um mesmo problema. Entre um ponto e outro, há tudo mais: família, sociedade, propriedade, educação,saúde, ética, Deus. Enfim, todo o entorno. A presença e ausência de todos estes elementos vitais que farão a diferença na vida de cada pessoa.

E mais,um programa com esta magnitude deve visar a formação da equipe multidisciplinar, ferramentas especificas para a sua execução.

Somente assim poderemos toda a sociedade, bater palmas e respirar aliviados.

A guerra estará vencida. E que maravilhosa será a sensação de termos contribuído para a presença da esperança!

Alcione Albuquerque

18 de out de 2016

Moléstia mental explicada sob o ponto de vista espírita


A jovem britânica Sara Green tinha um amplo histórico de problemas de saúde mental desde os 11 anos de idade. Ela gostava de escrever em seu diário, relatando as dificuldades que enfrentava no dia a dia. Aos 17 anos de idade, foi internada numa clínica psiquiátrica na Inglaterra para tratamento, mas acabou suicidando-se por automutilação, numa das unidades de tratamento especial.

Antes de ser internada, Sara foi vítima de bullying no colégio. Em face disso, se autoflagelava para tentar aliviar sua consternação. Cria que os colegas não a aceitavam na escola, que a odiavam pelo que era, mas expunha que não se gostava também. Green não conseguia entender como se deixou ser afetada nesse nível de anulação da autoestima.

Enquanto esteve internada, as automutilações se agravaram. O caso de Sara não é único. Serviços de saúde mental, seja no Reino Unido ou em outros países, têm demonstrado falhas ao lidar com crianças e adolescentes portadoras de distúrbios mentais. Segundo a ONG Inquest, somente na Inglaterra, desde 2010 nove jovens morreram durante internações em clínicas de tratamento psiquiátrico.

Não trataremos as eventuais falhas da clínica inglesa. Explanaremos rapidamente sobre os transtornos, as automutilações ou autolesões. Tais ocorrências são associadas a um distúrbio psicológico conhecido como Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), classificada pelo psicanalista Adolph Stern como uma patologia entre a neurose e psicose que gera uma disfunção no metabolismo cerebral, desintegrando o ego e gerando um sentimento de perda desesperador.

A literatura específica anota que os sintomas (TPB) costumam surgir durante a adolescência, permanecendo por aproximadamente uma década na maioria dos casos. As pessoas acometidas desse transtorno sentem uma necessidade enorme de autopunição pelos insucessos e frustrações pessoais na vida cotidiana. Os pesquisadores acreditam que pode ter origem genética também associada a fatores traumáticos durante a infância ou adolescência, como possíveis abusos sexuais, negligências, separações e orfandade.

A pessoa acometida do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) sente alívio emocional cada vez que se machuca. Entre os frequentes ferimentos associados estão: esmurrar-se, chicotear-se, enforcar-se por alguns instantes, morder-se, apertar ou reabrir feridas, arrancar os cabelos, queimar-se, furar-se propositalmente com objetos pontiagudos, beliscar-se, ingerir agentes corrosivos e objetos, envenenar-se por overdose de remédios ou produtos químicos (sem intenção de suicídio), bater com a cabeça na parede, esmurrar superfícies duras.

O fato é que a ciência clássica não alcança elucidar suficientemente as razoáveis causas dos distúrbios psicológicos e mentais. A psiquiatria se mantém aprisionada aos limites do cérebro, fonte que, como nós espíritas sabemos, não é a raiz essencial das patologias mentais, mas tão somente a exteriorização do efeito da enfermidade.

Gostem ou não, aceitem ou não, em verdade, o Espiritismo abalou as estruturas da ciência mecanicista vigente e trouxe uma insurreição no campo das ideias materialistas, inovando as considerações religiosas e científicas. A ideia da existência de um ente extrafísico (Espírito) pôde elucidar a origem de muitos enigmas patológicos da psiquê.

Nesse sentido, o Espiritismo avança muito mais ao debater e analisar racionalmente a Lei da reencarnação, explicando a questão dos vínculos de causas atuais e passadas das doenças. A Lei de causa e efeito amplia o debate e auxilia a compreender, por exemplo, que a vida presente é reflexo do que temos sido até hoje, incluindo aí as nossas experiências pretéritas (reencarnações anteriores).

Os atuais quadros psicopatológicos devem ser analisados sob esse prisma (causa e efeito), como reflexo dos distúrbios morais de vidas anteriores, considerando sua manifestação de uma forma invariavelmente dramática, trazendo sofrimento tanto para o doente como para a família; daí concluir-se que realmente signifique repercussão de desvios éticos das existências pregressas.

A partir do momento da concessão da reencarnação com todas as fases, durante e após a concepção, o reencarnante imprime as suas necessidades e heranças genéticas nas moléculas de DNA do novo corpo físico, comprometendo ou até mesmo potencializando as funções dos neurotransmissores cerebrais. As experiências de vidas anteriores do Espírito, portanto, são os legados trazidos e construídos por si mesmo, plasmando-se-lhe o fadário. Se houver sincero desejo de redimir-se das faltas, o mecanismo da Lei de causa e efeito aplica-lhe o abrandamento correspondente aos ecos dos deslizes morais que lhe pesam na economia moral.

Isso equivale a assegurar que o gérmen da doença mental já estava registrado no perispírito do reencarnante. Da neurose mais simples, passando pela demência, histeria, ansiedade mórbida, esquizofrenia, a gênese é sempre espiritual. Destacando no debate que a doença mental é expiação ou prova também para os pais que podem ter sido coadjuvantes das culpas desses doentes.

Compreendemos que a cura integral dos quadros psicopatológicos é muito difícil porque consta do plano reencarnatório do Espírito, mas a dor, tanto do doente quanto da família, pode ser suavizada se houver em mente nos envolvidos no drama a certeza de que Deus não coloca fardos pesados em ombros frágeis.

Sob o ponto de vista espírita, a terapêutica no tratamento das tragédias psicopatológicas (obsessivas ou não) é essencialmente preventiva, pois o Espiritismo sugere a resignação ante as vicissitudes da vida que poderiam causar o acirramento ou a atenuação da doença. O autoconhecimento, a busca constante da reforma íntima e a transformação pessoal de cada envolvido constituem meios eficazes de manter a saúde psíquica de todos, já que qualquer um de nós pode ser doente em potencial.

Se atinarmos para a vida eterna, notaremos que sofremos hoje tão somente uma fase diminuta e transitória da existência. Urge reconhecer, por isso mesmo, que a cruz que transportamos, embora possa parecer excessivamente pesada, pode ser perfeitamente carregada se mantivermos a força moral e a confiança na Providência Divina, e todo esforço será recompensado consoante estabelecem os Estatutos do Criador, em cujos códigos jamais haverá espaços para dispositivos injustos.

JORGE HESSEN

16 de out de 2016

Como evitar a obsessão


A perniciosa influência de um Espírito obsessor pode levar a criatura humana ao estado depressivo, e até mesmo ao suicídio. A pessoa sente vontade de chorar, sem motivo algum; passa a ter sentimentos de tristeza, desânimo e idéia fixa em situações deprimentes; e, por fim, pode ter a idéia de se matar. Há inclusive casos em que o obsidiado sente vontade de beber, fumar ou de usar outras drogas compulsivamente.

É bom esclarecer que no mundo espiritual tanto vivem os bons quanto os maus Espíritos, influenciando as criaturas humanas no dia-a-dia. Os bons nos ajudam e nos influenciam para o bem, como, por exemplo, o benfeitor espiritual Bezerra de Menezes, que foi bondoso médico na Terra e continua nos ajudando espiritualmente por amor ao Cristo.

Já os maus Espíritos podem influenciar os encarnados com as suas vibrações malévolas e pensamentos negativos, desde que a pessoa abra brechas através de sua má conduta. Eles agem pelo desejo de vingança, ou pela vontade simplesmente de absorverem as emanações fluídicas de pessoas que fazem uso de bebidas alcoólicas, ou de outras drogas.

Por isso mesmo é que, em todos os casos nos quais há tais influências espirituais obsessivas, a prece direta a Deus é o mais poderoso meio que está à disposição do obsidiado. Aliás, Allan Kardec, n’O Evangelho segundo o Espiritismo, apresenta diversas preces que podem ser feitas por eles.

O processo obsessivo é sempre bilateral, ou seja, é a própria pessoa encarnada que oferece campo para o Espírito obsessor agir. Não basta, portanto, o Espírito obsessor desejar fazer o mal ou induzir a pessoa ao erro se ela estiver vigilante, pois o Espírito nada conseguirá.

Enfim, para a pessoa se libertar das malignas companhias, ela, além de orar, precisa também mudar seu comportamento moral. A primeira coisa a fazer é seguir a recomendação de Jesus, ou seja, perdoar os inimigos. Também é importante praticar a caridade, e abandonar todos os vícios. Afinal, quem muda seu proceder para o bem atrai para si a companhia dos bons Espíritos, liberta-se dos maus e, com isso, consegue a cura da obsessão.

GERSON SIMÕES MONTEIRO

14 de out de 2016

Existe sorte e azar?

Muitas pessoas creditam o sucesso alheio, ou mesmo o próprio, à sorte ou ao azar, porém nos diz o bom senso que o fruto dessas conquistas se deve ao trabalho em prol da realização dos objetivos.

A sabedoria popular define dessa forma: “Deus ajuda, quem cedo madruga!”

Realidade pura! E entenda-se como trabalho algo muito mais abrangente do que apenas a atividade profissional que nos traz o dividendo para manutenção da vida. Encontramos a definição perfeita de trabalho em “O Livro dos Espíritos”, Lei do Trabalho, na questão nº 675, em que Kardec questiona os mentores espirituais:

“Devem-se entender por trabalho somente as ocupações materiais?

R.: Não; o Espírito também trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho.”

Em suma, trabalho é tudo aquilo que agrega valores ao nosso espírito imortal.

Por isso, vamos à vida dessa grande figura, alma sedenta pelo conhecer, disposta a desbravar novos rumos para uma humanidade ainda carente de grandes conhecimentos, que não se limitou ao trabalho profissional, dedicando grande parte de seu tempo à observação e à pesquisa. Falamos do holandês Antony Van Leeuwenhoek (1632–1723), que descobriu os micróbios em 1674, uma das descobertas mais importantes para a Humanidade.

Alguns historiadores consideram Leeuwenhoek o homem que por pura sorte tropeçou em uma grande descoberta científica. Injustiça com o holandês!

Deixam de considerar seu árduo e meticuloso trabalho; paciente observador, curiosidade sem limites, Leeuwenhoek construiu seu próprio microscópio, polindo com cuidado e precisão pequenas lentes de aumento focal, com o que conseguiu maior eficácia do que outros microscópios de sua época.

Leeuwenhoek observava desde cabelo humano até sêmen de cachorro.

Em 1674, ao observar uma gota d’água, visualizou um mundo novo, repleto de vida e, graças a seu esforço, o homem pôde conhecer naquela distante época os chamados micróbios.

Graças ao trabalho desse holandês, não acredito em sorte ou azar! Sorte e azar não condizem com a justiça divina; admiti-las seria conceber que Deus tem preferências.

Crer que a sorte pode transformar nossa existência é deixar de acreditar em nossa força interior. Acreditar na sorte é deixar de colher o fruto do pomar ou a flor do jardim, esperando que ambos por forças misteriosas caiam em nosso colo.

Acredito na força do trabalho, na persistência na perseverança...

Acredito na organização, no planejamento, na criatividade, na luta por transformar sonhos em metas.

Acredito na quebra de paradigmas, no olhar além das aparências.

Acredito na força do amor que tem o poder de transformar nossa vida.

Mas não creio em sorte ou azar. Acredito que o destino está em nossas mãos e que depende de nós construir uma estrada de flores ante as dificuldades, sem relegar nossa vitória à sorte ou nossa derrota pedagógica ao azar.

Jogar a culpa dos fracassos no azar é cômodo; de certa maneira nos tira um pouco da responsabilidade, afinal “não deu certo porque nos faltou sorte” – é assim que raciocinamos quando acreditamos no azar.

Acredito na força da vida que conspira para que sejamos felizes. Acredito no estudo, no esforço, na labuta por buscar saídas quando se está encurralado por obstáculos.

Acredito no talento, na capacidade do ser humano, na força que extraímos das entranhas de nossa alma.

Acredito na inspiração e transpiração que colocam a pessoa na hora certa e no lugar certo dos acontecimentos.

Acredito na pujante força que vibra no coração de cada um de nós.

Portanto, graças a Leeuwenhoek, não acredito em sorte ou azar, mas, sim, na força do trabalho que nos impulsiona para que obtenhamos sucesso em nossos projetos de vida.

Pensemos nisso!
WELLINGTON BALBO


Bibliografia:

HART, Michael H. - As cem maiores personalidades da história. 5.ed. Trad.Antonio Canavarro Pereira. Rio de Janeiro, Difel, 2002. 241-243 p.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 50.ed. Trad. Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1980. 328 p.

12 de out de 2016

Preconceito.


Este tema foi abordado também em uma de minhas últimas palestras, porque se faz necessária a consideração reiterada do assunto, em razão dos disparates verificados nos acontecimentos atuais. 

São desdobramentos inquestionáveis do prejuízo sério enraizado na falta da tomada definitiva de consciência para com as realidades espirituais maiores, que nos aguardam a todos, a qualquer tempo.

 E uma das consequências mais lastimáveis deste quadro se verifica na tendência, ainda comum em muitos, de se posicionarem como se de fato, antes, e depois desta vida corpórea, nada mais houvesse, nada mais repercutisse.

 Como se a continuidade da nossa existência, ao longo das jornadas materiais evolutivas, não existisse, sem obedecer a um fio contínuo de efeitos, enraizados em causas que repousam, sobretudo, nas escolhas individuais, das menores às maiores!

Reencarnação, efetivamente, trata-se de fato natural, caro leitor e leitora. De lei universal, cuja dinâmica atinge cada ser em curso pela Terra, do mesmo modo como nos afeta cada nascer e cada pôr do sol. E, disso, cada qual obterá a devida constatação, mais uma, e ainda noutra vez, ao término das estadias transitórias num corpo material - à revelia de crenças, descrenças, e de ignorância voluntária, ou não, do assunto.

Costumamos dizer que de nada adianta alguém destituído do sentido da visão se pôr a negar a existência da luz do sol somente porque, temporariamente, sob os efeitos da provação de uma de suas muitas existências num corpo de carne, não consegue ver a luz; constatar-lhe a existência para além dos efeitos do calor de sua poderosa irradiação no mundo. De fato, o sol continuará lá, soberano nos céus, à espera de que aquele Espírito em trânsito pela Terra enfim resgate devidamente o dom da visão, no seu corpo de carne, ou após sua passagem para o mundo maior, quando, enfim, tornará a percebê-lo! Mas o sol não deixará de existir em função da incapacidade momentânea deste ou daquele para ver o brilho magnífico que espraia diariamente sobre todos os seres da Criação, instilando-lhes saúde e vigor.

Quantas “encadernações” novas tivemos?

Compreendido com clareza este ponto, a realidade das vidas sucessivas, conhecida de há vários milênios pelas mais diversificadas culturas e povos espalhados pelo planeta ao longo da história humana, passemos à consideração seguinte: durante nossas incontáveis vidas corpóreas sucessivas, quantos idiomas já articulamos? Quantos climas experimentamos? De quantos quadros culturais já partilhamos dos hábitos, crenças e humores?

Quantas cores de pele já vestimos? Quantas “encadernações” novas tivemos, para aproveitar a definição inspirada quanto divertida de uma amiga querida do meio profissional, em se referindo à reencarnação?

Efetivamente, na esteira de nossas vivências milenares, bastante provável é que já tenhamos exteriorizado múltiplas vezes nossas personalidades transitórias sob os tons de pele dos asiáticos, dos africanos ou dos holandeses. Poderemos contar como certo já termos nos empolgado, aborrecido, digladiado, emocionado ou nos alegrado debaixo das nuances de compreensão da vida de um sem-número de povos que percebem a própria existência, e, portanto, também Deus, com suas inumeráveis leituras religiosas, e de dentro de uma diversificação de entendimento de tal modo vasta quanto intrincada, conflitante, se confrontada com pareceres de outros extremos do mundo!

A riqueza magnífica da vida, da existência, neste orbe, quanto no universo infinito, e nas várias dimensões invisíveis às limitações rudes dos sentidos físicos, é fato! O que, por conseguinte, torna esta mesma vida tão mágica, respeitável, digna da mais profunda veneração, pela capacidade do Criador de se expandir infinitamente numa miríade de seres e de nuances que jamais se repetem em suas cores, e nas suas idiossincrasias!

E, no entanto, persiste ainda a raça humana, neste pequeno ponto azul perdido na imensidão do cosmos, na mesma e renitente ilusão dolorosa do ego cego, embora não mais do que transitório; no vício pernicioso de julgar e confinar tudo e todos no ínfimo modelo de sua escolha! Na garrafa mais ao seu gosto, em termos de formato, cor, e de detalhes superficiais!

O que é estético, superficialmente aceitável?

Preconceito é conceito prévio! Conceito precipitado, via de regra distanciado da autenticidade da realidade confrontada - por ser parcial, e se basear em um punhado de opiniões e ideias com que nos identificamos, diante de qualquer situação de diversidade daquilo que entendemos como nosso modelo, como o tido como “normal”, como o “comum”! E a razão é que este “comum” é confortável ao nosso ego. E toda a diferença, se mal compreendida, amedronta, provoca receios, porque nos lança em conflitos com nossas próprias definições, com as quais nos identificamos existencialmente, e das quais, por esta mesma razão, não podemos nem queremos nos desfazer sem perder a noção de nós mesmos, do nosso “chão”!

Mas isso reside no erro básico de se identificar com conceitos – distanciados de quem realmente somos –, que nada têm a ver com as ideias e pensamentos transitórios a que fomos condicionados ao longo da vida a respeito de nós mesmos!

Ponderemos, amigo leitor e leitora! Porque outra não é a razão dos dolorosos dramas observados atualmente, nos casos noticiados de discriminação racial e sexual, de opressão entre classes sociais; nos episódios lastimáveis relatados diariamente, havidos entre nossos jovens e crianças vitimadas pelo hoje chamado bullying – fundamentado justo nesta incapacidade brutal de se lidar, com respeito, quando não com admiração e afeto, com a diversidadeincessante presente na dinâmica da vida!

De outra forma, considere-se – o que é estético, superficialmente aceitável? Se já reencarnamos japoneses, ingleses, brasileiros ou africanos, vivendo milhares de estados de espírito correspondentes a cada uma dessas épocas e nacionalidades; dividindo com afetos e desafetos que nos acompanharam experiências, alegrias, preocupações, doenças, sofrimentos, e tendo como referência outros lugares, hábitos, valores – como, então, confinar dentro de cláusula pétrea o que é, em definitivo, estético, bom, atraente, “normal”? Como nutrir a pretensão a um padrão universal que, absurdamente, se pretenda impor a outros milhões de seres em trânsito no mundo?!

O que se lucra em maltratar negros, índios ou latinos?

Num país, prevalece a religião budista, a cor de pele bronzeada, ou a branca; determinada política, parlamentarista, imperialista ou democrática. Esse ou aquele idioma. Normas sociais, as mais díspares. Esta ou aquela visão da divindade – caminhos diferentes para um Deus só! Ou alguém, nalgum lugar, acha tal ou qual pessoa belíssima - pessoa essa cuja aplaudida “estética”, diante de outras percepções, não ultrapassa o lugar comum... Uns, ainda, apreciam certos paladares. Outros, tantos mais.

Ora, é de se perguntar aonde leva abrir guerra declarada contra quem não é branco ou não articula o idioma inglês, contra toda e qualquer diferença? O que se lucra em oprimir e maltratar indivíduos negros, ou índios e latinos; que fazem opção sexual conflitante com o que se convencionou considerar a normalidade neste sentido?

Qual o ganho, obtido em termos de felicidade individual ou grupal, ao se agredir física ou moralmente os seguidores do candomblé, da igreja evangélica ou protestante? Católicos ou espíritas? O que, em casos assim, nos diferencia dos malfeitores comuns, que conduzem suas vidas no engano grave da prática da violência contra a vida, contra o próximo?

No que, caros leitores, afinal, a leitura de vida diferenciada de uns nos afeta prejudicialmente, de fato? Pergunta que se deve fazer a todo instante, a cada impulso de julgamento ou de crítica irrefletida!

Por que não podemos conviver harmoniosamente com as diferenças múltiplas presentes na humanidade, e no contexto existencial global, se, sob uma análise fria, nada disso prejudica quem quer que seja – antes, beneficia a todos com a ausência da mesmice, com a troca saudável do debate e do crescimento por meio do aprendizado mútuo obtido pelo entrelaçamento entre vivências diferentes?

O orgulhoso senador Públio Lentulus voltou como um escravo

Um mestre espiritual indiano, há tempos, ponderava a respeito, ilustrando sobre a inutilidade que haveria se um pé de carvalho se empenhasse a debater com um pinheiro acerca de se achar superior ao outro, por esta ou aquela razão. Haveria sentido? Com cada exemplar da flora e da fauna terrestre desempenhando dignamente sua função na cadeia vital, que caos destrutivo ocorreria no mundo natural se também estes reinos se pusessem a querer provar uns aos outros a sua superioridade, destruindo, atacando, lançando-se contra o outro como gangrena incontrolável?

Duas obras de Chico Xavier, de autoria de Emmanuel, - Há Dois Mil Anos, eCinquenta Anos Depois, - romances históricos entrelaçados em conteúdo, de há muito nos ensinavam o impasse evolutivo a que se chega, quando essa postura atinge os extremos da opressão e da prática da intolerância contra o semelhante. Narra a história de Públio Lentulus, nobre senador romano, orgulhoso e déspota na conduta com seus subordinados, que retorna em reencarnação posterior como o simples escravo Nestório, no mesmo ambiente de contrastes sociais difíceis, onde sua invigilância espiritual contribuiu para arraigar os prejuízos desencadeados pelo mesmo padrão desvirtuado de compreensão do mundo. Padrão este que ainda assola os povos terrenos, de mais de dois milênios passados!

Em inúmeros casos, no entanto, trata-se da mesma humanidade reencarnada, enfrentando, ainda, o lento aprendizado de como coexistir com o próximo de dentro das necessidades inadiáveis do respeito e da harmonização entre as diferenças, se o que se quer, de fato, é o avanço das sociedades para cenários mais pacíficos, com autêntica qualidade de vida, porque residente em valores realistas que arrancam o homem da sua ilusão de identificação com seus “rótulos” de poder.

Nosso verdadeiro ser não é feito de coisas transitórias...

Em última análise, em se atingindo este patamar de melhoria íntima, compreenderemos, enfim, que não somos esses rótulos, convenientes à satisfação transitória do ego, no seu poço sem fundo de desejos que nunca satisfazem o vazio preenchido somente pelo entendimento claro do que concerne ao nosso verdadeiro ser! E este ser não é a transitoriedade inexorável de cada cor de pele, que vestimos a cada vida; a nacionalidade, o idioma, a orientação sexual momentânea, ou o conceito religioso mais afim a cada estágio de condicionamento experimentado nas vidas corpóreas, em função de climas culturais ou ideológicos!

Não somos, amigos leitores, a altura ou o peso corporal; a estética da moda, ou o que se considera a sua antítese, pelos padrões midiáticos consumistas. Menos ainda, o jargão das línguas e da escrita, o consumo utilitário deste ou daquele produto, ou marca de grife! Não somos também nossa conta bancária passageira, nossa classe social atual, e nem mesmo nossos nomes de família ou opiniões!

Tudo isso, em absoluto, passará – no mais das vezes, em não tanto tempo assim! E observem com isenção, para constatar, sem muita dificuldade, que há um distanciamento sutil entre o seu “ser” real, verdadeiramente inalterável, de todo este redemoinho de circunstâncias fadadas a um término natural, a longo ou curto prazo!

Há um observador! Há um estado de atenção, de consciência pura, isenta – esta sim, destinada à perpetuação, à eternidade! Um estado de ser que sabe existir de dentro dos preceitos do amor incondicional pela vida presente em toda a Criação, e por suas incontáveis manifestações – amor outrora ensinado e idealizado pelo Cristo, por Buda, e por tantos outros iluminados, em trânsito de tempos em tempos pela Terra, para exemplificar a rota segura para uma dimensão de Luz cujo alcance definitivo depende apenas de nossas escolhas por um modo de ser não mais do que simples; não mais do que pautado por respeito, compaixão e veneração pelo aspecto sagrado da Vida, existente em nós, como em todos e em tudo o que nos rodeia!

CHRISTINA NUNES

10 de out de 2016

Microcefalia, aborto e percepções espirituais da população.


Simplesmente por falta de políticas públicas mais efetivas, parte considerável da população está exposta à ação do mosquito Aedes aegypt, agente transmissor de doenças como dengue, febre amarela, chikungunya e do vírus da zika.

 Este último, segundo os especialistas, está associado à terrível manifestação da microcefalia, que, entre outras coisas, causa diminuição da caixa craniana e destruição do sistema nervoso central – conforme atestam recentíssimos experimentos realizados em solo brasileiro – dos fetos, comprometendo irremediavelmente as suas vidas. No momento em que escrevo essas linhas já foram confirmados 508 casos no país. Por motivos óbvios, esse quadro também representa um pesadelo para as gestantes. Mulheres grávidas ou que almejam tal condição pertencente a extratos sociais mais elevados estão deixando ou pelo menos considerando a possibilidade de deixar o país durante o período de suas gestações.

Reportagens jornalísticas têm abordado algumas faces cruéis atribuídas à microcefalia, ou seja, o abandono. Muitos pais ao saberem que têm um filho portador dessa doença deixam as suas companheiras. Essas, por sua vez, premidas por enormes dificuldades econômico-financeiras – às vezes são mães de outras crianças igualmente doentes exigindo cuidados especiais – deixam o filho problemático à adoção. O estado de Pernambuco tem concentrado a maioria dos casos de microcefalia do Nordeste. Segundo levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, 77% das 209 mães de bebês com a má-formação estão abaixo da linha extrema de pobreza – o que torna a situação mais emblemática.

No bojo desse caos, o instituto de pesquisas Datafolha fez um levantamento altamente revelador a respeito de como a população encara a possibilidade de aborto de um feto microcéfalo. Mais especificamente, 56% das pessoas com apenas o ensino fundamental e 53% das que possuem nível médio rejeitam veementemente a ideia do aborto. Em contraste, 53% das que possuem nível superior aceitam tal procedimento nessas circunstâncias contra 38% que pensam o contrário.

Avançando um pouco mais na análise, as pessoas mais pobres também rejeitam o aborto, isto é, 57% das que ganham até 2 salários mínimos (SM) e 48% das que recebem até 5 SM contra 43%. No entanto, 56% das que auferem entre 5/10 SM (em oposição a 38%) e 60% das que obtêm 10 SM ou mais aceitam a abominável alternativa em tais casos contra 34% que a rejeitam. Tais resultados levam a algumas conclusões extremamente preocupantes. Em poucas palavras, pessoas com mais renda e escolaridade tendem a aceitar o aborto de bebês microcéfalos.

Dito de outra forma, pessoas em flagrante processo de ascensão social e/ou que desfrutem de melhores condições econômicas e instrução tendem a rechaçar a possibilidade de conceber filhos limitados fisicamente. Em seus planos de vida aparentemente não há espaço para responsabilidades dessa ordem. As restrições daí decorrentes se chocam frontalmente com os seus ideais e projetos pessoais. Por possuírem mais recursos financeiros, o aborto lhes soa como algo naturalmente aceitável em tais circunstâncias. Enquanto isso, as pessoas mais pobres tendem a se conformar diante de tal probabilidade, apesar dos seus parcos meios de subsistência.

O Espiritismo tem posição firme contra o emprego do aborto. Por exemplo, na questão nº 358 de O Livro dos Espíritos encontramos esclarecedores subsídios da espiritualidade maior a respeito do tema – ou seja: “Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação? – Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, pois que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando”.

Vê-se, assim, que uma decisão que abrigue esse tipo de pensamento incorre, por conseguinte, em crime na percepção dos Espíritos. Sob essa perspectiva, o ser reencarnante se vê desprovido do essencial equipamento material para o seu reajuste perante as leis de Deus (ver questão nº 357 da mesma obra). Os seus pais materiais, por outro lado, ao assim proceder, negligenciam compromissos previamente acertados no Além, o que certamente muito lhes prejudicará no caminho ascensional do Espírito.

Na obra Ação e Reação ditada pelo Espírito André Luiz (psicografia de Francisco Cândido Xavier) encontramos igualmente outras importantes elucidações, a saber:

“Falta grave?! Será melhor dizer doloroso crime. Arrancar uma criança ao materno seio é infanticídio confesso. A mulher que o promove ou que venha a coonestar semelhante delito é constrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite, o vaginismo, a metralgia, o enfarte uterino, a tumoração cancerosa, flagelos esses com os quais, muita vez, desencarna, demandando o Além para responder, perante a Justiça Divina, pelo crime praticado. É, então, que se reconhece rediviva, mas doente e infeliz, porque, pela incessante recapitulação mental do ato abominável, através do remorso, reterá por tempo longo a degenerescência das forças genitais”.

Os Espíritos são muito claros e objetivos quanto ao, digamos, aceitável emprego do aborto, isto é, as situações em que esse procedimento é visto com atenuantes pelas normas divinas. A propósito, tal aspecto não passou despercebido a Allan Kardec, de tal forma que ele os indagou a respeito, conforme se observa na questão nº 359 da sua obra, previamente citada:

“Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda? – Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe”.

Voltando aos resultados da pesquisa do Datafolha, é fácil perceber que a maior escolaridade e a renda não têm ajudado a maioria dos membros desse grupo – basicamente eles pertencem à elite social – a desenvolverem maior compreensão acerca de temas sensíveis da trajetória humana como, por exemplo, o direito à vida.

Depreende-se a partir dos dados publicados que tais indivíduos possuem pouco interesse em encetar voos mais transcendentes do Espírito. O seu nível de alfabetização espiritual não parece ser muito elevado. Provavelmente movidos por interesses mais imediatistas de cunho material, a ideia de sacrifício por outro ser na dimensão ora analisada não lhes entra no terreno das cogitações ou os assusta vigorosamente – o que também é compreensível. Como bem pondera o Espírito Joanna de Ângelis, na obra Dias Gloriosos (psicografia de Divaldo Franco), “A criatura teme a dor”.

Mas como estamos geralmente atrelados a um passado tortuoso, temos outros deveres e responsabilidades a contemplar para a preservação da nossa própria saúde espiritual. Portanto, o melhor para nós é enfrentá-los logo. 

ANSELMO FERREIRA VASCONCELOS