30 de jul de 2014

O SERMÃO DA MONTANHA



Apóstolo Mateus
(Evangelho segundo Mateus – Novo Testamento)
Entre cerca de 50 e 75 d.C.

O Sermão da Montanha Apóstolo Mateus
MATEUS 5
Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus
discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque
deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. Bemaventurados
os mansos, porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de
justiça porque eles serão fartos. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão
misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. Bem-aventurados
os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são
perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós,
quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.
Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos
profetas que foram antes de vós. Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se
há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos
homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem
os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a
todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as
vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Não penseis que vim destruir a lei
ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a
terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.
Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos
homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será
chamado grande no reino dos céus. Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos
escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. Ouvistes que foi dito aos antigos:
Não matarás; e, quem matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se
encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do
sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno. Portanto, se estiveres apresentando a
tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do
altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.
Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não
aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão. Em verdade te digo que
de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil. Ouvistes que foi dito: Não
adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em
seu coração cometeu adultério com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de
ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no
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Doenças do corpo e do espírito.



Para a Doutrina Espírita há três gêneros de doenças, a saber:
Doenças Cármicas 
São as congênitas e as hereditárias, resultantes dos desequilíbrios que tivemos em vidas passadas. As doenças espirituais são aquelas provenientes de nossas vibrações. O acúmulo de energias nocivas em nosso perispírito gera a auto-intoxicação fluídica. Quando estas energias descem para o organismo físico, criam um campo energético propício para a instalação de doenças que afetam todos os órgãos vitais, como coração, fígado, pulmões, estômago etc, arrastando um corolário de sofrimentos. As energias nocivas que provocam as doenças espirituais podem ser oriundas de reencarnações anteriores, que se mantém no perispírito enfermo enquanto não são drenadas. Em cada reencarnação, já ao nascer ou até mesmo na vida intra-uterina, podemos trazer os efeitos das energias nocivas presentes em nosso perispírito, que se agravam à medida que acumulamos mais energia negativa na reencarnação atual. Enquanto persistirem as energias nocivas no perispírito, a cura não se completará.
Doenças Adquiridas 
São aquelas que chegam por meio de uma sintonia com fluidos negativos. O que uma criatura colérica vibrando sempre maldades e pestilências pode atrair senão as mesmas coisas? Essa atração gera uma simbiose energética que, pela via fluídica, causa a percepção da doença que está afetando o organismo do espírito que está imantado energeticamente na pessoa, provocando a sensação de que a doença está nela, pois passa a sentir todos os sintomas que o espírito sente. Aí, a pessoa vai ao médico e este nada encontra.
Predisposições (físicas ou espirituais) Para as Doenças 
Provenientes de um ou vários desequilíbrios das vidas passadas e/ou de tendências genéticas que, ante uma fragilidade na presente existência, se manifestam sob a forma de doença (a predisposição é cármica, mas a doença é adquirida).
O surgimento das doenças
A cada pensamento, emoção, sensação ou sentimento negativo, o perispírito imediatamente adquire uma forma mais densa e sua cor fica mais escura, por causa da absorção de energias nocivas. Durante os momentos de indisciplina, o homem mobiliza e atrai fluidos primários e grosseiros, os quais se convertem em um resíduo denso e tóxico. Devido à densidade, estas energias nocivas não conseguem descer de imediato ao corpo físico e vão se acumulando no perispírito. Com o passar do tempo, as cargas energéticas nocivas que não forem dissolvidas ou não descerem ao corpo físico formam manchas e placas que aderem à superfície do perispírito, comprometendo seu funcionamento e se agravando quando a carga deletéria acumulada é aumentada com desatinos da existência atual. Em seus tratados didáticos, a medicina explica que, no organismo do homem, desde seu nascimento físico, existem micróbios, bacilos, vírus e bactérias capazes de produzirem várias doenças humanas. Graças à quantidade ínfima de cada tipo de vida microscópica existente, eles não causam incômodos, doenças ou afecções mórbidas, pois ficam impedidos de terem uma proliferação além da “cota-mínima” que o corpo humano pode suportar sem adoecer. No entanto, quando esses germes ultrapassam o limite de segurança biológica fixado pela sabedoria da natureza, motivados pela presença de energias nocivas no corpo físico, eles se proliferam e destroem os tecidos de seu próprio “hospedeiro”. Partindo das estruturas energéticas do perispírito na direção do corpo, em ondas sucessivas, essas radiações nocivas criam áreas específicas nas quais podem se instalar ou se desenvolver as vidas microscópicas encarregadas de produzir os fenômenos compatíveis com os quadros das necessidades morais para o indivíduo. Elas se alimentam destas energias nocivas que chegam ao físico, conseguindo se multiplicar mais rapidamente e, em conseqüência, causando as doenças. A recuperação do espírito enfermo só poderá ser conseguida mediante a eliminação da carga tóxica que está impregnada em seu perispírito. Embora o pecador já arrependido esteja disposto a uma reação construtiva no sentido de se purificar, ele não pode se subtrair dos imperativos da Lei de Causa e Efeito. Para cada atitude corresponde um efeito de idêntica expressão, impondo uma retificação de aprimoramento na mesma proporção, ou seja, a pessoa tem que dispender um esforço para repor as energias positivas da mesma maneira que dispende esforços para produzir as energias negativas que se acumulam em seu perispírito. O espírito André Luíz explica que: “Os fatores que programam as condições do renascimento no corpo físico, são o resultado dos atos e pensamentos das existências anteriores”. Por aqui constatamos que no que se refere às doenças cármicas e às predisposições para as mesmas, somos herdeiros de nós próprios. Há dois comportamentos que marcam negativamente o perispírito e que provocam as doenças cármicas: um deles é a consciência culpada, tanto pelo mal que fizemos a nós e aos outros, como pelo bem que deixamos de fazer (quando está nas nossas mãos realizar o bem e por egoísmo ou comodismo, optamos por não o fazer); o outro, é o desejo de continuar doente. Há pessoas que querem ficar ou continuar doentes, como uma maneira de substituírem a carência afetiva que sentem. Esta atitude vai marcar fortemente o perispírito, fazendo com que essa marca passe para outras vidas, onde o atual desprezo pela saúde, será resgatado pelo desejo de a poder recuperar. Vocês podem pensar: “Mas não há nada que se possa fazer para suavizar as doenças cármicas?” E a resposta é um rotundo sim!
Vejamos quais são então os meios de que dispomos para isso:
a) Aceitar a doença com uma resignação ativa, ou seja, fazendo um esforço constante para superar ou amenizar as limitações desta, quer sejam físicas ou psíquicas;
b) Nunca nos revoltarmos;
c) Trabalhar a favor do próximo, o Mestre Jesus assegurou-nos há mais de dois mil anos que “o amor cobre a multidão de pecados” e assim, compreendemos que fazer o bem incondicionalmente é uma excelente maneira de suavizarmos as nossas dívidas do passado e de amenizarmos as marcas no nosso perispírito.
A cura está formada por três pontos básicos:
Ação terapêutica da Fé 
Querermos curar-nos e tornarmos este desejo cada dia mais forte, é fundamental para qualquer cura. Mas para isso, precisamos de acreditar em nós próprios e em Deus, e mudarmos a nossa atitude perante a doença, isto é, temos que vê-la como um obstáculo que temos que ultrapassar. E para nos ajudar a consegui-lo, devemos usar o recurso da prece sincera e fervorosa, tal como no-lo aconselha O Evangelho Segundo o Espiritismo, no ponto 11 do cap. XXVII. É que, por meio da prece, entramos em sintonia com o Mundo Maior, equilibrando o nosso ser e favorecendo a ação curativa dos Benfeitores espirituais.
“A tua fé curou-te. Vai e não peques mais!” – disse Jesus. Se aplicássemos esta recomendação do Mestre a toda a nossa vida, não voltaríamos a adoecer. A medicina atual conta já com inúmeras pesquisas que demonstram a importância que tem o pensamento positivo no fortalecimento imunológico do corpo físico, favorecendo a reação orgânica pela qual se obtém a cura. E o espírito Miramez comenta no seu livro Saúde, psicografado pelo médium João Nunes Maia, que “não existe verdadeira cura sem oração. Eis porque em todos os métodos de cura,  devemos usar para alcançarmos o beijo de luz de Deus, que se transforma no nosso peito em magnetismo animal, para curar os nossos semelhantes e a nós mesmos”.
Autoconhecimento

Adenauer Novaes, na Psicologia do Evangelho diz-nos que “querer ficar curado é não atribuir aos outros a responsabilidade pelo processo da cura… O meu salvador sou eu”. Se nós imprimimos a nossa doença de dentro para fora, é lógico que devemos curá-la da mesma maneira, de dentro para fora. Só conhecendo as nossas tendências boas e más, seremos capazes de nos curar. Mas para isso precisamos de fazer uma ação terapêutica em três passos, na qual devemos, em primeiro lugar, identificar as causas do sofrimento; a seguir, tentarmos compreender a razão desse sofrimento e assumirmos a atitude correta; e finalmente, libertarmo-nos dos sentimentos negativos que temos dentro de nós, como a mágoa, o rancor ou o ódio – libertação esta que só é possível mediante o perdão. Hoje em dia, a ciência médica já chegou à conclusão de que é o estado psicológico da pessoa, isto é, o seu espírito, que influencia o estado de saúde ou de doença; já se sabe que, por exemplo, o perdoar-se alguém, não só é necessário devido às concepções morais ou religiosas, mas também é um imperativo, como meio de se curarem várias doenças crônicas. Atualmente, em praticamente todo o mundo, os psicólogos passaram a fazer parte das equipas médicas de Oncologia, para fazerem terapia de recuperação da auto-estima aos pacientes, pois descobriu-se que este é um componente que tem muito peso na cura do cancro. Resignação Dinâmica, isto é, aceitação da vontade de Deus. 
Neste caso, a resignação é, em primeiro lugar, aceitarmos a doença, mas termos a coragem de a enfrentar e de extirparmos ou suavizarmos a sua causa; em segundo lugar, procurarmos o tratamento para a mesma. Devemos fazer todos os tratamentos que estiverem ao nosso alcance, através da medicina, da psicologia e também das terapias espirituais (
passes, palestras e desobsessão). No entanto, devemos fazer aqui uma ressalva importantíssima: Tudo aquilo que expusemos só dará resultado se a doença nos tiver motivado para fazermos a nossa reforma íntima do bem! Adenauer Novaes esclarece que “curar-se, é alcançar uns níveis maiores na capacidade de nos amarmos a nós próprios, ao próximo, e à vida”; e Roberto Brólio afirma que “a profilaxia das doenças da alma decorre do conhecimento que cada qual deve ter das leis da vida, que são totalmente voltadas para o bem”. O curso de extensão de Medicina e Espiritualidade é hoje comum em muitas universidades dos Estados Unidos e Brasil, pelo trabalho de pesquisa do doutor Sérgio Felipe Oliveira da Universidade de São Paulo é reconhecido atualmente pela Organização Mundial de Saúde os fatores: “corpo, mente e espírito”.

25 de jul de 2014

BULIMIA! TRANSTORNOS ALIMENTARES NA VISÃO ESPÍRITA!



Com a modernidade da sociedade, novas doenças foram criadas e muitas ainda não explicadas pela ciência convencional. Já para a medicina espiritual, doenças como transtornos alimentares têm envolvimento direto com a obsessão de espíritos que ainda se encontram com os sentimentos terrenos: culpa, dúvida e desejo.

De acordo com o médico mineiro Roberto Lúcio, os conceitos que ligam o espiritismo às doenças alimentares, diferente do que muitos imaginam, vão além de problemas psicológicos. As pessoas que sofrem com bulimia, anorexia e transtorno compulsivo alimentar, segundo diz o médico, são indivíduos de pouca fé, que são portas fáceis para espíritos mal intencionados.

A exigência de uma estética perfeita faz com que milhares de pessoas sofram de anorexia, doença muito comum no mundo da moda. Mulheres buscam a magreza evitando comer e, em seu psicológico, a imagem de uma pessoa obesa domina a vontade de se alimentar, e dessa maneira, caminha a pessoa para o óbito.

A bulimia é semelhante à anorexia, porém, a pessoa em momento considerado por elas de fraqueza, se alimenta de forma excessiva e, após isso, sente-se culpadas. Neste caso, também, o individuo busca a beleza estética, apesar do desejo de se alimentar, vivendo a dúvida entre a beleza e a fome.

No caso do transtorno compulsivo alimentar, o individuo come exageradamente como se fosse a última alimentação de sua vida. Exclui-se do convívio de pessoas por vergonha da maneira como se alimenta. Obesos e com a estima baixa também são abatidos pela depressão, ingerindo ainda mais comida para conter a necessidade de se socializar com as pessoas.

Como explicar, na visão espírita, transtornos alimentares tão comuns na sociedade? - De acordo com Roberto Lúcio, vícios alimentares, alcoólicos e sexuais são avaliados da mesma forma. Espíritos sem evolução sentem necessidade de vingar erros cometidos em vidas passadas. Para deixar a teoria mais clara, o médico contou a história de uma paciente no Hospital André Luiz.

'Tínhamos uma paciente que sofria de anorexia. Ela tinha cerca de 1,60 metros e pesava menos de 40 quilos. O grau de desnutrição dela era tão sério que havia momentos em que ela não participava das nossas reuniões. Mas mesmo assim, ela reclamava dizendo não entender por que Deus a tinha feito tão gorda?', conta. 'Em uma das nossas terapias de regressão, descobrimos que essa paciente, na sua vida passada, havia sido uma senhora de escravos. Para torturá-los, ela colocava os negros de baixo da casa, sem comida e água. Os escravos morriam de fome e eram comidos pelos animais', diz.

'Em certo momento, um dos espíritos desses escravos apareceu e contou para nós, que quando estavam de baixo da casa, morrendo, eles falavam que essa mulher iria morrer magra e deformada', termina. Ou seja, um espírito obsersor e vingativo fazia com que essa mulher perdesse os sentidos e o bom senso em relação à alimentação.



O exemplo contado pelo médico também explica a bulimia. Da mesma forma que existem espíritos vingativos, há aqueles questionadores, que se agarram a pessoas que não acreditam e recusam curas e tratamentos para dar término à doença. Segundo Roberto Lúcio, o transtorno compulsivo  alimentar é a prova da necessidade que o espírito tem com os desejos da terra.

Apesar de estar morto, sente fome e sede, e a única forma de conseguir saciar essa vontade, é buscando em pessoas que tem essa fragilidade, e ainda desligados da fé, tornam-se alvos fáceis. Os indivíduos se alimentam por si e pelo espírito que suga as energias equivalentes ao desejo alimentar que sentem.

'O tratamento para as pessoas que sofrem dessas doenças deve começar tirando o foco no ato de comer. Devemos tentar mudar essa questão da vaidade. Tentar dar disciplina a essas pessoas, não em relação à alimentação, mas uma educação que sirva para todos os conceitos da vida', frisa. 'Também usamos a prece, fluidos de energia e estudo da doutrina espírita', conclui.

De acordo com ele, é necessário que essas pessoas tenham fé e força de vontade para conseguir se recuperar da doença. 'Nós médicos não fazemos a desobsersão, quem faz isso são espíritos, mas é preciso que a pessoa tenha força para conseguir que esse obsersor entenda o seu lugar', ressalta o médico.


Redação Portal ORM

23 de jul de 2014

Pensando a Dependência Química.



Vivemos em um mundo cheio de crises nas mais diversas áreas. Situação que não poderia ser diferente, tendo em vista que vivenciamos um tempo de transição, no qual quaisquer tipos de valores deverão ser aferidos, na chamada separação entre o trigo e o joio, possibilitando o desaparecimento daquilo que não mais interessa para a evolução planetária. Assim, só restarão os princípios e os elementos imprescindíveis para viabilizar o mundo de regeneração, tão propalado no movimento espírita.
É fundamental, portanto, desvincular-nos daquilo que já não é mais útil, ligando-nos aos padrões mais nobres nos mais variados campos de ação do espírito, na construção do homem novo, na busca da angelitude.
A dependência é uma dessas vivências que amarram o espírito às situações de inferioridade, não nos permitindo alçar voos maiores, mantendo-nos ligados a este mundo de provas e expiações.
A dependência química, vinculada às mais diversas substâncias usadas pelo homem, capazes de alterar nosso comportamento de forma patológica, reflete a fragilidade do espírito que, se sentindo de menor valia, busca, no exterior, aquilo que acredita não ter em si mesmo.
Infelizmente, tais atitudes são vivências de prazeres imediatos e fugazes, com resultados devastadores, porque a real e importante necessidade do ser é o Amor divino, que o espírito só é capaz de viver e sentir na sua real ligação com o Criador. E levam muitos indivíduos ao próprio extermínio, numa forma direta ou indireta de suicídio.
As drogas ilícitas e as armas têm proporcionado altos lucros comerciais no âmbito mundial, pois o tráfico movimenta valores que transcendem os recursos disponibilizados pelas maiores nações para governarem seus territórios.
A sociedade em geral tem responsabilizado o Estado, em especial os setores administrativo e judiciário e a área da saúde, pela resolução de tais problemas. Esquece-se de que essas instituições são fruto dela mesma e que todo e qualquer problema começa na célula social, seja ela o próprio indivíduo ou o seu agrupamento mais primário – a família.
Ela exige que os dois primeiros setores eliminem o tráfico e o terceiro solucione todas as consequências físicas, emocionais e afetivas advindas da dependência química.
É importante frisar que, geralmente, quando se fala em dependência química, as pessoas imediatamente a associam com as chamadas drogas ilícitas.
No entanto, esse tipo de dependência envolve, também, o álcool, o tabaco e os medicamentos psicotrópicos, em especial, os barbitúricos, ansiolíticos, determinados xaropes e as anfetaminas – medicações usadas para inibir o apetite e para tratar a hiperatividade.
Na realidade, as drogas que causam os problemas mais graves de saúde pública mundialmente não são as ilícitas. Temos no álcool e no fumo os grandes vilões dessa situação, visto que a dependência do cigarro é uma das mais difíceis de ser abandonada e é causadora de doenças crônicas, irreversíveis e fatais – inclusive, para os que não usam, mas convivem proximamente com os viciados, os fumantes passivos.
Todo esse processo de dependência é fruto de uma crise moral.
Primeiro, do ponto de vista do tráfico, vive-se, hoje, uma postura de hipocrisia. Voltam-se os olhos para aqueles que diretamente atuam na distribuição das drogas, fingindo-se não saber que os verdadeiros senhores desses cartéis fazem parte de uma porção privilegiada socialmente, muitas vezes, ocupando cargos políticos e públicos, de onde simulam combater o comércio ilegal, ou ainda vivem nababescamente das propinas para não impedir o tráfico.
Na década de 1970, trabalho publicado por uma instituição não governamental denunciava que 45% dos lucros auferidos com o tráfico de drogas, no mundo, eram direcionados para subornar governos, profissionais do Judiciário e a polícia.
No caso das drogas chamadas lícitas, em especial o fumo e o álcool, os tributos pagos pelos fabricantes e pelos que as comercializam, ultrapassam em dois terços o valor final do produto ao consumidor e são importante fonte de renda para os governos.
Ambos os valores andam na casa dos bilhões de dólares, em todo o mundo, ultrapassando o Produto Interno Bruto (PIB) da maioria dos países. É querer acreditar muito que essa casta de pessoas que vivem desse tipo de comércio abrirá mão, por si mesma, dos imensos ganhos que a sustenta. Se a sociedade não se organizar e atuar nos pontos reais dessa situação, vai se continuar na mesma condição, até que haja uma intervenção do mundo superior, certamente de consequências mais profundas.
Do ponto de vista da patologia, a visão social é ainda paliativa e, geralmente, os indivíduos só se lembram dos verdadeiros e reais cuidados quando a própria pessoa ou algum ente querido já se encontra em situação de dependência, fase na qual os resultados dos tratamentos são bastante pobres.
Nesse sentido, costuma-se pensar que o afastamento do dependente do objeto ao qual está viciado é o suficiente para curar a dependência. O que se vê, infelizmente, é o contrário: o primeiro contato, em especial com as drogas lícitas, é feito em casa e direcionado pelos genitores, que mantêm, apesar do surgimento da patologia no lar, essas substâncias no ambiente familiar.
Muito embora os estudiosos sérios do tema saibam que a problemática não é o objeto, mas a condição psicológica do dependente, a abordagem de forma geral está vinculada à substância ou situação viciante, negligenciando-se, na maioria das vezes, o aspecto individual e as condições e posturas psicológicas e éticas do viciado.
Dentro dessa abordagem, desconhece-se ou se esquece de que a condição viciosa é íntima e antecede ao vício. Na verdade, muitos estudos já caminham para o campo da conclusão da existência de fatores genéticos, os quais, se sabe, pelos estudos da Doutrina Espírita, são frutos das ações pretéritas da criatura em vidas passadas.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) traz, no conceito de saúde, as dimensões física, psíquica e social. Acrescentamos a elas a dimensão espiritual, lembrando que, na perspectiva espírita, temos a Essência Espiritual, ou o espírito propriamente dito, e o seu corpo espiritual, denominado, por Allan Kardec, de perispírito, que serve de molde para o corpo físico.
A viciação é uma doença espiritual, como descrito anteriormente, e é fruto da insegurança do ser. Um posicionamento anômalo da criatura em sua caminhada, durante a qual o desejo de transcendência sai do lugar verdadeiro, que é a sua realidade íntima no encontro com o seu Criador, e se encaminha para objetos ou situações externas, as quais se caracterizam pela possibilidade de um prazer fugaz e imediato, mas sem condições de levá-lo ao crescimento necessário. Prazer este incapaz de alimentar o espírito de forma adequada, pois nosso verdadeiro alimento é o Amor Divino. Só no encontro com Deus, por meio da vivência integral das Suas Leis, alcançamos o prazer maior, o êxtase dos místicos, que nos promove até a conquista da Felicidade.
A dependência química é uma condição patológica, caracterizada por uma necessidade incoercível da pessoa de utilizar a substância pela qual se viciou, com aumento progressivo da quantidade para obter o mesmo efeito que sentia anteriormente (tolerância), com a perda paulatina da capacidade laborativa e relacional, devido à necessidade de viver em função do uso da droga, com um comprometimento orgânico que pode chegar ao óbito.
Assim, a dependência química leva a um comprometimento do ser em suas mais diferentes dimensões. Tem como origem esse sentimento de insegurança íntima, a partir do afastamento da criatura das Leis Divinas, levando a alterações nas diversas estruturas comandadas por sua essência espiritual. Entretanto, o abuso dessas substâncias, que adoece a dimensão física de forma particular, conforme a droga, agride e compromete o espírito em suas emoções, em suas relações interpessoais e em seus componentes energéticos, pertencentes ao corpo espiritual.
As ações danosas dessas substâncias lesam os órgãos físicos, reduzem a capacidade de funcionamento do organismo, tiram a sua vitalidade, dirigindo-se para patologias graves ou óbito. Esse ato é entendido pelas leis maiores como uma forma de suicídio, que leva o indivíduo a assumir uma responsabilidade de reorganização e reparação dolorosa, por um tempo que só a consciência pessoal é capaz de determinar.
Pela perda da capacidade de controle e a necessidade constante do uso, o dependente passa a viver focado na aquisição da droga. Por causa disso, deixa os demais interesses e abandona progressivamente os laços familiares e sociais. Se trabalha, o faz para adquirir o objeto do vício; se já não consegue trabalhar, age de forma complicada para consegui-lo, chegando a roubar e matar para não ficar sem a droga. Ocorre um empobrecimento afetivo e intelectivo, uma queda social, vivendo, muitas vezes, no campo da marginalidade. Ele perde o sentido da dignidade humana.
A dependência química não se limita a esses aspectos, segundo esclarecem os espíritos que orientam o conhecimento espiritual. Tais substâncias não atuam apenas nas estruturas orgânicas, com as repercussões acima citadas. Afirmam eles que essas drogas têm uma parte energética, etérea, que atua de forma patológica nos corpos espirituais.
Por um lado, ocorre uma repercussão nos órgãos do corpo espiritual, de acordo com as estruturas físicas comprometidas pelo vício. Essas lesões demarcam energeticamente o corpo espiritual e produzem, na vida espiritual, os sofrimentos relatados pelos espíritos viciados e que se manifestam nas reuniões de intercâmbio mediúnico; e numa reencarnação posterior, determinam as predisposições do espírito a certas doenças e a repetição da atitude viciosa.
De outra forma, o abuso dessas substâncias pode destruir as barreiras energéticas que mantêm as lembranças de vivências pretéritas desligadas da memória do corpo físico ou que impedem a percepção do mundo espiritual, colocando a criatura numa condição de patologia mental, em que surgem alucinações e delírios, conforme a visão da psicopatologia, constituindo-se nas psicoses causadas por essas substâncias.
Esse processo é uma emissão de pensamentos e emoções adoecidas, que são, na verdade, ondas de pensamentos conturbadas, as quais atraem outras criaturas, encarnadas ou desencarnadas, na mesma sintonia, produzindo os processos obsessivos.
A situação obsessiva pode ocorrer por afinidade, quando os espíritos que se vinculam o fazem por ter interesses semelhantes; ou por vingança, quando o dependente tem uma história anterior de agressão àquelas entidades que se juntam a ele no sofrimento, acreditando fazerem justiça, em ressarcimento pelo passado criminoso.
Diante de tudo isso, fica clara a necessidade do tratamento integral do ser no que se refere à dependência química, de modo a reduzir os danos nos mais diversos níveis de manifestação do espírito.
A partir dessa abordagem mais profunda da viciação, fica óbvio o motivo que inspirou os criadores dos Alcoólicos Anônimos a enfatizarem que os primeiros passos para vencer a dependência são: a constatação efetiva da pequenez da criatura diante da grandiosidade da vida e do seu Criador (humildade) e a necessidade do reconhecimento de um Ser Superior (Deus), fonte única da força imprescindível para a transformação.
Sem se prender às terapêuticas utilizadas pelas diversas especialidades que atuam no campo da dependência química, cujo conhecimento é tão divulgado pela mídia, enfatizamos a terapêutica espírita, que tem a sua base maior na reforma íntima, através da evangelhoterapia e do autoconhecimento. Nesse campo, a Doutrina Espírita ainda oferece as terapias energéticas e de fonte mediúnica como instrumento da redução dos danos causados pela dependência, agindo naquelas estruturas ainda desconhecidas pela ciência oficial.
Concluindo, afirmamos que só o Amor é verdadeiramente o remédio que nos leva à condição de saúde real ou felicidade e Ele – o Amor – só é vivido em sua plenitude na relação com o próximo e com Deus.

Roberto Lúcio Vieira de Souza

Associação Médico-Espírita do Brasil

DEPRESSÃO PÓS PARTO! O QUE PENSAR DISTO?





O período compreendido entre o parto e o retorno do corpo da mulher às condições pré-gravídicas é conhecido entre os médicos como puerpério. É nesse momento que uma série de expectativas e mitos cultivados ao longo da gravidez começam a se concretizar ou a se desfazer. Nessa fase, muitas são as novidades para os pais, principalmente se esse for seu primeiro filho. Apenas com muita paciência, amor e dedicação é que juntos, irão se adaptar a essa nova etapa da vida em família.


Três são as principais preocupações que rondam a mente das mães nos primeiros dias de vida de seu bebê. Muitas se angustiam achando que não serão capazes de cuidar do recém-nascido como acreditavam ser a melhor maneira. A imagem de mãe perfeita ou está associada com suas próprias mães ou, quando essas não foram tão carinhosas e participativas, com mães idealizadas em suas mentes.


Ao longo da gravidez, o ganho de peso e o inchaço eram tolerados, uma vez que estava gerando uma criança. Porém, após o parto, será preciso algum tempo até que retorne a forma anterior – de seis meses a um ano. Em uma sociedade onde o “corpo perfeito” é cultuado ao extremo, os quilinhos a mais adquiridos ao longo dos nove meses podem se tornar um grande incômodo.


Além disso, muitas mães idealizam a maneira como seu bebê vai parecer. Apesar do exame de ultrassom ajudar nesse contato com o filho ainda no útero, muitas se baseiam em fotos de revistas ou imagens de televisão. Isso porque as crianças recém-nascidas dificilmente são utilizadas nesses trabalhos. Portanto, as mães podem sentir extrema frustração no primeiro contato, porque seus bebês geralmente são mais magros e delicados.



Se por algum o motivo, a puérpera não contar com o apoio do seu parceiro e de sua família, poderá desenvolver um quadro conhecido como depressão pós-parto. Dificilmente é necessário o uso de medicação, sendo que os casos mais graves são raros. Mas o médico deve estar atento para evitar complicações.

Essa é uma fase de adaptações. Pais novatos estão geralmente despreparados para a atividade altamente estressante que é ter um recém-nascido. Muitas mulheres se queixam dos últimos meses de gravidez, e esperam ansiosamente pelo parto, acreditando que ele trará fim a suas angústias. 

 Porém, alimentar, dar banho, carregar e trocar seu bebê, muitas vezes em horários irregulares, dia e noite, fazem da insônia associada ao terceiro trimestre parecer, comparativamente, um bom sono. Até mesmo algo simples, como ir ao banheiro, poderá exigir algum planejamento. O grande desafio dos pais será trazer as coisas de volta a um certo equilíbrio. Mesmo um bebê calmo pode fazê-los sentir que não tem nenhum controle da situação, causando-lhes desespero.


Essa é apenas uma fase que exige maiores cuidados. Conforme o tempo passa, a tríade mãe-pai-filho consegue se entender melhor, e no final, vão esquecer as partes ruins e lembrar-se apenas das boas, que são muitas. Nesse momento, a ajuda de familiares e amigos é muito bem vinda.


Depois de nove meses de convivência diária com o bebê, após o parto muitas mães podem se sentir obrigadas a passar cada momento ao seu lado. É importante não cometer esse erro. Nem que seja um tempinho por dia, é importante que a mães consigam alguns momentos para retomar a consciência de que são pessoas individualizadas. Se dispensarem um tempo para fazer coisas para si mesmas, serão pessoas mais felizes e mães melhores para todas as outras muitas horas em que estarão com seus filhos. Além disso, devem lembrar de cultivar o relacionamento com seus parceiros. Lembrarem-se o quanto esse vínculo foi importante para que juntos desejassem ter um filho. Uma criança é a maior tradução da beleza do amor de um casal.


Se em suas mentes existir espaço para dúvidas e receios, não haverá de ter espaço para a perseverança, para a fé e para o amor. Muitas devem ser as certezas. Certeza de que existe um grande número de amigos no plano espiritual, que estão dispostos a ajudá-los no amparo ao espírito reencarnante. Certeza de que para isso, basta manter o padrão mental em um nível elevado, permitindo-lhes o auxílio. Os pais, ao receberem uma criança em seu lar, são abençoados. A eles são confiados o cuidado e a educação de um espírito pelo qual serão responsáveis por todo período de convivência.


Pode ser difícil saber quais são as reais necessidades de uma criança. Entretanto, se buscarem nos ensinamentos do Mestre Jesus a base da educação de seus filhos, os pais oferecerão a eles a estrutura de que precisam para enfrentar os percalços da vida. Todo restante por ser útil, mas irrelevante.

AME- ASSOCIAÇÃO MÉDICO ESPÍRITA DO BRASIL

21 de jul de 2014

DOENÇAS MENTAIS E OS MANICÔMIOS NA VISÃO ESPÍRITA!


O Espiritismo vem desde o século XIX lançando luz sobre os mais variados temas que até então pareciam insolúveis. A deficiência mental – ou a loucura – tratada de forma marginal pela ciência durante milênios, chamou a atenção do codificador lionês que lhe reservou alguns artigos na famosa Revue Spirite. Mas como deve ser encarado o problema da doença mental sob a ótica espírita? Quais os elementos envolvidos nesse processo de tanta dor? Qual o papel da família que tem em seu seio um doente? São essas algumas das questões que nos propomos abordar nas linhas que se seguem.

História e a visão materialista

Hoje em dia o termo deficiência mental é preferível à palavra loucura para designar os portadores de algum distúrbio psíquico, isso porque nas últimas décadas a doença mental tem sido tratada de forma mais racional. A classe médica e mesmo a sociedade civil em geral vem mudando a maneira como encara esse distúrbio.
Mas nem sempre foi assim. O francês Michel Foucault (1926-1984), em seu livro clássico sobre a história da loucura, estabeleceu um paralelo interessante entre a loucura e a lepra. A lepra, na Antigüidade, era objeto de exclusão e supressão de elementos da sociedade; o portador da doença era o bode expiatório culpado de causar males aos outros. Os vales dos leprosos eram lugares ermos, afastados das cidades, em que se “depositavam” todos os doentes leprosos escorraçados do convívio social comum. A loucura, sobretudo a partir da Idade Média, viria ocupar o lugar da lepra, como alvo da brutalidade dos homens ditos normais. Seria, nas palavras do autor, o novo “espantalho”, que estabeleceu com a sociedade uma relação de divisão e exclusão.

Na sociedade medieval, ou medieval, temerosa dos poderes espirituais ocultos, a doença mental passa a ser encarada como resultado da presença demoníaca, da força maligna na sua plena ação. O louco era submetido a sessões de tortura física e psicológica; não havia compreensão e um sentimento de ódio e temor rondavam a relação entre os sãos e os doentes.

O desconhecimento quase que completo, levou à busca de tratamentos antiquados e dolorosos aos doentes. A trepanação – o embrião das modernas lobotomias – consistiam na abertura de buracos nos crânios dos doentes de 2,5 a 5 cm de diâmetro, sem anestesia ou assepsia adequadas. Os “doutores” buscavam remover a pierre de folie (pedra da loucura) que acreditavam existir nos cérebros dos doentes. O que acontecia de fato é que eram feitas verdadeiras mutilações que exauriam as forças dos doentes e, por vezes, acabavam por deixar os pacientes privados de certos movimentos.

A partir do século XIX, com o nascimento da psicanálise e as importantes contribuições de Freud, a psiquiatria como um dos braços da medicina pôde avançar em alguns pontos no tratamento da loucura, mas não suficientemente. Freud, com o desenvolvimento da teoria da libido, não conseguiu dar conta do complexo problema da deficiência mental. Jung então questionou a influência capital do aparelho genésico do desenvolvimento do ser, defendido por Freud.
Os tratamentos com eletrochoque, a eletroconvulsoterapia, as convulsões induzidas por metrazol, a indução a febre, enfim, nunca foram completamente bem sucedidos no auxílio aos doentes. Tratamentos por vezes polêmicos e resultados efêmeros levaram a partir das décadas de 60 e 70 a um movimento conhecido por antipsiquiátrico, que questionava as terapias convencionais e o sistema psico-hospitalar tradicional.

Visão Espírita

O fato é que a ciência tradicional nunca soube realmente o que provocava a doença mental. Por que pessoas relativamente sãs em alguma fase da vida começavam a manifestar traços de insanidade? Por que outras já nasciam doentes? E ainda, por que tantas se curavam sem razão aparente?
A psiquiatria tem estado atada, é verdade, pelos limites do cérebro, pelas barreiras do corpo material, fonte que, sabemos, não é a origem principal da doença, mas sim a manifestação de algo que é externo a ele. Vejamos agora no que o Espiritismo contribuiu para o entendimento dessa questão.

Allan Kardec e os Espíritos da Codificação nos apresentaram um elemento primordial para o entendimento do ser humano na sua essência: o Espírito. O ser imortal; aquele que viveu e viverá inúmeras existências através das reencarnações; o ser que possui um histórico de uma vida milenar que não se restringe somente à vida presente. O Espiritismo abalou as estruturas do materialismo vigente, trouxe uma revolução no campo das idéias, inovou os conceitos religiosos e científicos. A idéia da existência do Espírito pôde explicar a gênese de muitos problemas da vida cotidiana.
Através da lei da reencarnação, explicou a questão das causas atuais e passadas das nossas aflições; que como seres imortais, somos fruto do que fizemos anteriormente. Sofremos mais ou somos mais felizes de acordo com o que viemos construindo nas nossas existências nas diversas moradas do Pai.


Uma das idéias mais importantes introduzidas pelo Espiritismo fora a da Lei de causa e efeito, emprestada de certa maneira da lei da física de ação e reação. A Lei de causa e efeito nos deu uma amplidão de visão que nos ajudou a compreender, por exemplo, que nossa vida presente é reflexo do que temos sido até hoje, inclusive de nossas vivências passadas. Nossas faltas anteriores, nossos erros passados surgem hoje como expiações; assim como nossos acertos aparecem-nos como paliativo ou recompensa na vida atual. Plantamos sementes voluntariamente e hoje somos chamados à colheita. É uma lei natural.
A loucura – ou a doença mental, como preferir – deve ser também encarada sob esse prisma, como reflexo de uma atitude passada. Como se manifesta de uma forma negativa, trazendo sofrimento tanto para o doente, como para a família, há que se concluir que seja reflexo de uma falta anterior.

Emmanuel e Joanna de Ângelis nos explicam que são várias as causas da loucura e que, quase sempre, são contraídas por faltas em uma existência anterior. O suicídio, o uso inadequado das faculdades mentais, o envolvimento exagerado com a vida mundana, ou mesmo um progresso intelectual sem a contraparte moral podem ser assinalados como causas anteriores de uma vida atual mergulhada na insanidade.
O Espírito que procedeu assim, no seu desencarne percebe que viveu de forma desequilibrada sente-se ele próprio um criminoso. No seu tribunal de consciência vê que foi causador de uma desarmonia muito grande e na aferição dos males que praticou sente-se culpado. Suas faltas todas, assim como as boas ações também, impregnaram o seu perispírito e ele vê no processo do reencarne a única forma de reparação possível. Busca um mecanismo auto-punitivo que possa absolvê-lo dos males que praticou. Sente que uma nova vida na Terra, num corpo portador de uma doença mental, poderá livrar-lhe do peso das suas ações infelizes.

No processo da reencarnação, o Espírito aplica-se-lhe de forma consciente ou inconsciente, uma punição porque deseja evoluir e sabe que para isso tem de apagar os erros cometidos no passado. Veja que não é uma punição vinda unicamente de Deus, ou um veredicto traçado por um deus vingativo, mas antes disso, um alerta da consciência do próprio Espírito que se sente faltoso com a harmonia universal, pois sabemos que ninguém se escusa da própria consciência.
A partir do momento da permissão do reencarne e a posterior fase da concepção, o Espírito passa a imprimir nas moléculas de DNA do novo corpo físico, as suas necessidades e heranças. Essas impressões materiais serão recursos propiciatórios à sua evolução. Os atos anteriores do Espírito, herdeiro de si mesmo, lhes plasmam o destino futuro e, através do seu desejo de redimir-se, aplica-se-lhe a pena necessária aos crimes que lhe pesam na economia moral.

Notemos que o Espírito não é louco, pois tem a consciência de suas faltas e deseja repará-las. É certo que há Espíritos que têm de ser submetidos a uma reencarnação compulsória, mas mesmo nesses casos o Espírito não é louco, e sim terá em mãos um corpo que não lhe permitirá manifestar todas as suas faculdades.
Na nova vida encarnada a doença poderá manifestar-se desde o nascimento ou poderá ser desencadeada por uma aparente causa material: uma fixação, um trauma, um estresse ou mesmo uma decepção. O que devemos saber é que em ambos, o gérmem da doença mental já estava registrado no perispírito do reencarnante. Da neurose mais simples, passando pelo mongolismo, pela demência, pela esquisofrenia: a gênese é sempre espiritual.

Outro aspecto que temos de considerar é a loucura desencadeada por um processo obsessivo, que também tem por causa um ato anterior. A obsessão é um mecanismo de cobrança do ser desencarnado em relação ao encarnado. Um histórico de disputas e relações não resolvidas envolvem vítima e algoz, agora em papéis trocados. O obsessor acredita que sua má influência e vingança do ofensor encarnado se livrará da dor que carrega, influência essa que pode inclusive levar o obsediado a um diagnóstico equivocado de deficiência mental. Com a devida terapia espírita, mudança de comportamento do encarnado, reforma íntima e amor dos companheiros mais próximos é quase certo que a cura total é possível nesses casos.

A doença mental é expiação ou prova também para os pais que podem ter sido coadjuvantes nas faltas desses espíritos. Eles são agora testados e deverão aplicar todo o amor possível na convivência com o doente, sendo responsáveis pelo ser débil que os acompanha. Sabemos que a cura total é quase sempre impossível porque consta do plano reencarnatório da criatura, mas a dor tanto do doente quanto da família pode ser suavizada se tivermos em mente que nunca estamos sozinhos; se confiarmos e termos a figura divina como nosso norte, espíritos amigos estarão sempre nos inspirando e colaborando em nossa caminhada.

A terapêutica espírita no tratamento da loucura é essencialmente preventiva, pois sugere a resignação ante as vicissitudes da vida que poderiam causar o afloramento da doença. O auto-conhecimento, a busca constante da reforma íntima e a transformação pessoal de cada um constituem meios eficazes de manter a saúde psíquica de todos, já que qualquer um de nós pode ser doente em potencial.
O auto-conhecimento tão bem aplicado por Santo Agostinho é uma das chaves mestras na prevenção de toda e qualquer doença. A auto-observação no dia-a-dia, na busca constante de identificar os pontos a serem melhorados, as fraquezas e más tendências são elementos importantes para assegurar a qualidade de vida. A proposta de renovação íntima, de transformação moral, da mudança dos hábitos mentais, da substituição do pensamento negativo pelo positivo são ferramentas de prevenção ditados pelo Cristo e renovados pelo Espiritismo.

A fé e confiança em Deus deverão nos dar uma natural resignação ante as tribulações cotidianas e o Espiritismo nos faz lembrar que a vida na Terra é sempre passageira; que se passarmos por tudo de forma equilibrada uma sorte mais feliz nos aguardará no plano espiritual.
Se olharmos para a vida eterna do Espírito que somos, veremos que passamos hoje apenas uma fase passageira nessa existência. Que a cruz, embora possa parecer demasiado pesada, pode ser perfeitamente carregada se tivermos força e confiança na providência divina. Todo esforço será recompensado e aos olhos do Pai, cada gota de suor será computada no final.
Nunca há injustiça alguma vinda do céu. Encaremos as dificuldades como oportunidades de progresso. Essa é a proposta do Espiritismo.

Danilo Pastorelli

A LINDA FERRAMENTA DE VIDA CHAMADA "DOAÇÃO DE ÓRGÃOS"!!



Faço parte de um grupo de estudos chamado Papo entre Amigos e abordamos vários temas polêmicos e pouco debatidos dentro da doutrina espírita, o que causa muito desconhecimento sobre determinados temas, e o da Doação de Órgãos é um deles, pois ainda há muita ignorância, preconceito e pior, falsas informações que são colocadas como orientações da espiritualidade.

A intenção que nos move ao escrever este artigo não é tentar convencer ninguém a se tornar um doador de órgãos, pois isso feriria um dos princípios fundamentais do Espiritismo: o livre-arbítrio. Nossa motivação não é outra senão aquela que objetiva contribuir com um pouco mais de esclarecimento a respeito deste assunto tão polêmico e sempre muito atual.

Há que se considerar que a medicina representa as mãos de Deus na Terra agindo em benefício do homem. Essa bênção divina é acompanhada pelos Espíritos tutelares de nosso planeta e está sob a sábia orientação do próprio Cristo. Assim, no tempo certo, os progressos da medicina propiciam a cura ou o alívio de várias enfermidades que ainda assolam o homem terreno. Os transplantes, ocorridos em função da doação de órgãos, se enquadram nesta situação. Trata-se de conquista da humanidade e uma sublime oportunidade em que Deus nos permite auxiliar na salvação de uma vida ou pelo menos na diminuição das dores dos nossos semelhantes.

A doação de órgãos foi regulamentada no Brasil em agosto de 1968, conforme a lei nº 5.479, desde que consentida pelo doador. Os critérios adotados para a constatação da morte limitavam muito os transplantes, pois não existia o conceito de morte encefálica, sendo que os órgãos só podiam ser removidos após uma parada cardiorrespiratória e a realização do exame denominado eletroencefalograma isoelétrico. Esses procedimentos faziam com que, muitas vezes, se perdessem as qualidades dos órgãos para transplantes. Somente no ano de 1993 o conceito de morte encefálica foi incorporado à esta prática.

Quatro anos mais tarde, em 1997, através do senador Darci Ribeiro, foi aprovada a lei nº 9.434 que autorizava a retirada de órgãos para transplante após constatação de morte encefálica. Entretanto, essa lei estabelecia também a doação presumida de órgãos, ou seja, presumia-se que todo cidadão que não se manifestasse como “não-doador” em seu documento de identidade seria considerado como um doador de órgãos.

Posteriormente, o governo brasileiro aprovou a lei nº 10.211 em março de 2001 e que está em vigor atualmente. De acordo com esta lei, não vale mais o conceito de doação presumida e perde a validade a manifestação de vontade do cidadão em sua carteira de identidade ou habilitação. Assim, a doação de órgãos só pode ser efetivada mediante a autorização expressa do cônjuge ou de parente mais próximo, independente da vontade do falecido. Em outras palavras: a decisão será sempre da família. Entretanto, cabe a cada um de nós fazer a sua escolha e comunicá-la aos seus familiares, solicitando que a sua decisão seja acatada e respeitada, seja ela qual for.

Mas e o Espiritismo? É a favor ou contra a doação de órgãos? É importante ressaltarmos que na época da codificação espírita nem se cogitava desse assunto. Porém, encontramos ensinamentos nas obras de Allan Kardec que nos autorizam a dizer que sim, o Espiritismo é a favor da doação de órgãos, respeitando também aqueles que optam em não doar, pois essa escolha é de cunho pessoal e não deve ser forçada sob nenhum pretexto.

Com o Espiritismo aprendemos que:

1. “Na agonia, a alma, algumas vezes, já tem deixado o corpo; nada mais há que a vida orgânica. O homem já não tem consciência de si mesmo; entretanto, ainda lhe resta um sopro de vida orgânica. O corpo é a máquina que o coração põe em movimento. Existe, enquanto o coração faz circular nas veias o sangue, para o que não necessita da alma.” (Questão 156 de O Livro dos Espíritos). Não seria isso muito semelhante ao conceito de morte encefálica, cujo diagnóstico só foi possível no final do século XX? Há sangue nas veias, mas já não existe mais vida.

2. Na questão 257 de O Livro dos Espíritos aprendemos que, depois de desligado do corpo físico por ocasião da morte, o Espírito não sente nenhuma dor relacionada à sua antiga vestimenta carnal, pois esta já não tem mais ligação fluídica com o seu perispírito (corpo espiritual).

3. Ao tratar da alimentação do homem na questão 723 de O Livro dos Espíritos, os benfeitores espirituais dizem que no atual estágio da humanidade a carne alimenta a carne. Essa idéia nos permite um questionamento sob o seguinte enfoque: se, para o sustento da vida, a carne alimenta a carne, será que um órgão em boas condições não poderia substituir um outro que esteja danificado? Isto também não seria “carne alimentando carne”?

Não podemos nos esquecer de que o corpo físico é apenas uma vestimenta, um invólucro que é descartado quando não tem mais condições de uso, tendo em vista que o Espírito despoja-se dele por ocasião do fenômeno que chamamos de morte. Na verdade, o corpo físico não nos pertence. Ele nos é concedido por Deus como um empréstimo, a fim de que possamos usá-lo em nossa trajetória terrestre, visando nossa evolução espiritual. Tanto é assim que quando morremos, ele fica por aqui mesmo, no solo do planeta. “(...) és pó, e ao pó tornarás.” (Gênesis, 3:19).


Ademais, as lesões que ficam registradas em nosso corpo espiritual geradas a partir da desarmonia do Espírito são aquelas causadas por suicídio e pelos nossos excessos, tais como as doenças oriundas do uso do álcool, do fumo e das drogas. Podemos dizer que o comprometimento e, consequentemente, o desequilíbrio de nossas estruturas perispiríticas ocorrem quando infringimos as Leis Divinas.

Não obstante, a ideia de que precisaríamos do corpo físico na vida espiritual tem sua origem no antigo Egito, de onde surgiram as múmias, pois os faraós acreditavam que a vestimenta carnal era imprescindível para a continuidade da vida no Além. Corrigindo este pensamento, Paulo de Tarso, o grande apóstolo dos gentios, ensinou em sua primeira carta aos Coríntios (15:50) que “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus”.

Se já sabemos que vida continua após a morte do corpo físico e que no plano espiritual não teremos necessidade dele, por que então não beneficiar alguém que ainda sofre na Terra? Doar nossos órgãos após a partida deste mundo é o coroamento de uma existência consagrada a auxiliar os semelhantes; é saber que nossa última contribuição foi ajudar alguém a viver um pouco mais.

Portanto, com base nos postulados doutrinários, cabe-nos então a seguinte interrogação: o interesse individual de preservação da integridade física, mesmo após a morte, deve prevalecer sobre o interesse social de garantir a vida de pessoas enfermas? As respostas para esta pergunta encontramos no próprio Evangelho do Mestre Maior a nos ensinar que devemos amar o próximo como a nós mesmos e fazer aos nossos semelhantes tudo aquilo que gostaríamos que eles nos fizessem (Marcos 12:31 e Mateus 7:12). Não podemos pensar na nossa situação e de nossos entes queridos somente como doadores. No porvir, poderemos ser um de nós a figurar como um possível receptor. Tudo isso nos leva a concluir que devolver a saúde e a esperança a um indivíduo enfermo é muito mais importante do que conservarmos intacto um cadáver que os vermes comerão debaixo da terra ou que se tornará um punhado de cinzas após a cremação.

Um ponto obscuro nesse assunto e sobre o qual a Doutrina Espírita jorra suas luzes é com relação a rejeição dos órgãos doados. Isto ocorre quando as vibrações energéticas do corpo espiritual do doador e do receptor são diferentes, fazendo com que o órgão transplantado não encontre sintonia vibracional no destino. A rejeição orgânica é, na verdade, uma consequência da divergência vibratória dos sistemas vitais de um e de outro. Para atenuar tal problema e até mesmo saná-lo em alguns casos, é necessário uma grande dose de altruísmo por parte do doador e de gratidão por parte do receptor, tudo isso somado ao auxílio dos benfeitores espirituais. Aí ocorre o processo que o espírito André Luiz denomina como “vibrações compensadas” e que, no caso dos transplantes, o autor espírita Eurípedes Kühl chama de “equalização de fluidos, transitando nas camadas mais profundas do psiquismo do doador e do receptor”.

É importante salientar que o doador sempre será beneficiado em virtude do seu ato de amor. Além de ter todo o amparo da misericórdia divina, os amigos espirituais e protetores daquele que recebeu os órgãos lhe serão eternamente gratos. As vibrações de gratidão por parte do próprio receptor e de seus familiares beneficiarão ainda mais o desencarnado no plano espiritual.

Como determina a legislação vigente o que vale é a palavra final da família. Portanto, ao comunicarmos nossa decisão aos nossos familiares, pensemos nas crianças gravemente enfermas, cuja salvação reside apenas no transplante. Pensemos que temos em nossas mãos o poder de aliviar dores e salvar vidas, sob as bênçãos de Deus. E por falar Nele é bom lembrar que Suas leis são perfeitas e que o não-doador de hoje pode ser um receptor amanhã. Cabe a cada um de nós contribuir para esclarecer o fenômeno da morte do corpo físico, a imortalidade da alma e a vida no plano espiritual. É nosso dever cuidarmos do corpo que nos serve de instrumento evolutivo, mas não devemos ser egoístas e vaidosos a ponto de não permitir sua mutilação para fins humanitários após a morte.

Reproduzimos parte de um artigo publicado no jornal “Folha de São Paulo” no dia 15/05/2001. O autor é o Professor Doutor Raul Marino Júnior, neurocirurgião e professor titular de Neurocirurgia da Divisão de Clínica Neurocirúrgica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Eis o texto: “(...) Heróis são difíceis de achar – doadores vivos, doadores potenciais mantidos vivos em UTI’s em respiradores artificiais e famílias esclarecidas que acabaram de sofrer a tragédia da perda de um ente querido. É preciso uma alta dose de altruísmo, solidariedade e generosa caridade cristã para transferir a própria vida, por nossa vontade, após nos despirmos das prisões da carne, ou consentir que um parente venha a compartilhar o dom da vida com alguém da lista nacional (de pacientes aguardando recepção de órgãos), após um infortúnio. (...) Os transplantes, ligados intimamente que estão ao ato supremo das doações, surgiram como que para testar nossas virtudes de solidariedade humana, nosso altruísmo, nossa generosidade, nossa piedade, nossa compaixão, nossa filantropia, nossa benevolência, nossa bondade, nosso amor ao próximo, nosso Espírito humanitário, nossa indulgência, nossa excelência moral, nossa grandeza de alma, nossa misericórdia, nosso Espírito de socorro, amparo e auxílio e, sobretudo, a virtude mais decantada nos Evangelhos: o amor e a caridade”.

Sou doador e minha família está bastante orientada sobre minha decisão e opção:
“Quando minha hora chegar, não tente introduzir vida artificial no meu corpo, através de uma máquina. Em vez disso, doe meus olhos para um homem que nunca viu o Sol nascer, nem o rosto de um bebê ou o amor nos olhos de uma mulher. Doe meus rins para uma pessoa que depende de máquina para viver de semana em semana. Pegue meu sangue, meus ossos, todos os músculos e nervos do meu corpo, e encontre uma maneira de fazer uma criança aleijada a andar. Explore todos os cantos do meu cérebro. Pegue minhas células, se for necessário, e cultive-as. Então, quem sabe um dia, um garoto mudo consiga gritar quando seu time marcar um gol, e uma garota surda consiga ouvir o som dos pingos da chuva batendo na sua janela. Queime o que restar de mim e espalhe as cinzas para ajudar as flores crescerem. Se você quiser mesmo enterrar alguma coisa, enterre meus erros e minhas fraquezas. Minha alma eu peço que seja entregue a Deus”.

Renato Mayrink 

15 de jul de 2014

Uma reflexão para o movimento espírita



            Inegavelmente percebemos, nos últimos anos, um crescimento notável nas ações desenvolvidas pelo movimento espírita. A cada dia surgem novas propostas de divulgação através de novos periódicos, programas de rádio e televisão, mídia eletrônica, conferências em locais públicos, seminários, workshops; os próprios meios de comunicação não comprometidos com o Espiritismo estão explorando o tema, cada vez de forma mais profunda, em documentários, entrevistas, reportagens, novelas e filmes.

            Isso confirma a frase de Allan Kardec1 “o Espiritismo está no ar”, abalisando as previsões dos Espíritos de que seus princípios básicos iriam naturalmente incorporar-se no conhecimento humano por estar em conformidade com a Lei Natural.

            Mundo espiritual, mediunidade, lei de causa e efeito, vida após a vida, pluralidade das existências não são mais considerados, por uma grande parte das pessoas, temas místicos ou teorias sem fundamento, mas assuntos de profunda seriedade filosófica, com graves consequências para o ser humano.

            A reencarnação, aos poucos, está deixando de ser uma ideia exclusiva das religiões e, através das pesquisas científicas, assumindo o seu verdadeiro aspecto: uma lei biológica natural que todo ser humano está sujeito.

            Quando Kardec codificou a Doutrina Espírita publicando o Livro dos Espíritos, foi baseando em intenso estudo, experiências metodológicas, cientificando-nos de que se algum princípio fosse comprovadamente ultrapassado pela ciência, a doutrina deveria se modificar neste ponto. Viu-se muita tentativa nesse sentido, mas o Espiritismo até hoje se mantém intacto na sua base teórico-prática.

            O Espiritismo no Brasil já teve sua fase empírica, fenomenológica, cujo objetivo era, através do processo mediúnico, chamar a atenção das pessoas. Hoje a fase é de consolidação e estudo, convidando o indivíduo para, através do conhecimento e da razão, assumir a postura de responsabilidade frente a sua própria reforma moral.

            Isso faz refletir na nunca demasiada necessidade de mantermos a Doutrina Espírita nos seus racionais princípios doutrinários, não permitindo a inclusão de novas teorias de cunho pseudocientíficos, que procuram denegrir a imagem da ciência espírita e toda sua respeitabilidade.

            O espírita individualmente, e o movimento espírita organizado, tem o compromisso impostergável de manter a Doutrina Espírita como foi recebida através das obras da Codificação. Livre de misticismos, de falsidades, de dogmas inquestionáveis, de líderes 'santificados', levada de forma pura e gratuita a todos que a buscarem. Isso só será conquistado quando o espiritista reconhecer o papel fundamental da Doutrina em sua vida e no mundo, comprometendo-se com o estudo e o trabalho edificante na Casa Espírita.


1KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. cap. 3 item 30.

Viver o Evangelho no Lar



            O grande desafio não só do espírita, mas de todo aquele que se diz cristão, é viver o Evangelho de Jesus especialmente dentro do lar. 

            Com aqueles que por necessidades comuns, Deus, por misericórdia e bondade, permite que juntos retornássemos à Terra, em uma nova experiência reencarnatória para, em família, aprender a vivenciar as lições trazidas pelo Cristo.

            Não basta dizer-se seguidor desta ou daquela religião, se os princípios cristãos não estão sendo aplicados em si mesmo. 

            Em O Livro dos Médiuns1, Allan Kardec, apresenta singular questionamento trazido pelos Mentores da Humanidade: Que importa crer na existência dos Espíritos, se essa crença não faz que aquele que a tem se torne melhor, mais benigno e indulgente para com os seus semelhantes, mais humilde e paciente na adversidade? De que serve ao avarento ser espírita, se continua avarento; ao orgulhoso, se se conserva cheio de si; ao invejoso, se permanece dominado pela inveja? Assim, poderiam todos os homens acreditar nas manifestações dos Espíritos e a Humanidade ficar estacionária.

            Não basta ter apenas a posse do conhecimento, conhecer as verdades sobre o mundo espiritual e a vida futura, poder dialogar com os Espíritos através da mediunidade se, com essas preciosas informações e experiências, não procurar tornar-se melhor.

            Vivemos na Terra um momento especial, em que o tão esperado Reino de Deus começa a ser instalado. Como isso acontece? Não por Decreto Divino, mas pelas atitudes dos homens. Iniciando em cada indivíduo, ao modificar seu universo interior. Depois se instalando nas famílias e, assim, gradativamente, a fraternidade se tornará uma prática universal.

            Então, sempre será oportuno questionar: como estamos nos relacionando com esses Espíritos que escolheram compartilhar conosco um tempo de vida na Terra sob o mesmo teto? Como é a nossa relação com as pessoas que nos auxiliam nas tarefas domésticas?

            Comecemos hoje, enquanto é possível, a ler o Evangelho como se fosse a primeira vez. Não para os outros, mas com aplicação prática. Amando, respeitando, perdoando-nos e, nessa oficina sagrada de redenção e aprimoramento, aplicando a máxima do Cristo: fazer aos outros o que gostaríamos que eles nos fizessem.

            Não temos mais que enfrentar as feras do circo, nem a crucificação no madeiro. Devemos enfrentar as feras do orgulho e do egoísmo na arena íntima e carregar, com resignação e coragem, a “cruz” que impomos a nós mesmos pelas escolhas equivocadas do passado ou pelo progresso que deixamos de realizar. Esse é o testemunho do cristão moderno: aprender, amar e servir.

            O respeito, a amizade, a colaboração são atitudes simples, mas fundamentais, para que, desde já, instalemos o Reino de Amor dentro do Lar. Pois somente assim, o fardo será mais leve e o jugo mais suave e teremos, na Terra, um lugar cada vez melhor para se viver.

            Que Jesus, Mestre e Amigo da humanidade terrena, irradie sobre todas as famílias o seu infinito amor, para que, com esse impulso, possamos também amar em especial aquele que está próximo de nós.


1KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 65. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. cap. XXIX, item 350