20 de mai de 2019

ESTADOS DE COMA PROVOCADOS POR ACIDENTES


O “Fantástico”, programa da Globo, do dia 17 de setembro de 2017, enfocou alguns casos de coma devidos a traumatismo craniano, destacando o caso de uma mulher estadunidense que teve o fio da existência “desligado” (eutanásia por decisão judicial), apresentando opiniões de especialistas e cientistas da área da medicina, que manifestaram opiniões, pareceres ou emitiram juízos a respeito do assunto.

Claro que o problema de um ser humano, dentro de uma UTI, alimentado artificialmente, monitorado 24 horas por dia, exigindo cuidados permanentes de pelo menos um médico especialista, algumas enfermeiras, nutricionistas, técnicos, auxiliares de enfermagem, ajudantes, auxiliares de serviços gerais, etc, etc, a par de oneroso financeiramente é desgastante sob o aspecto emocional e psicológico, para todos, em particular para os parentes e amigos que se revezam na vigília fraterna, movidos por laços de afeto, caridade ou solidariedade.

A bioética (transpessoalmente eu diria cosmoética), mencionada aligeiradamente por um dos entrevistados, foi lembrada como valor contemporâneo, que deve presidir decisões envolvendo eutanásia.

Muitos comentários incisivos de nomes respaldados por trabalhos científicos publicados e pela credibilidade profissional, foram expendidos, mas nenhum lembrou de que ali, naquele corpo que vegeta, há além do cérebro, a mente, comandada pelo espírito. É compreensível que alguns cientistas, diante das evidências de quase “ressurreição” de alguns acidentados que permanecem anos em coma e, de repente, retornam à normalidade, ou quase, excluam qualquer referência a espírito...

Será que todos os cientistas negam o Espírito? Felizmente não. Vejamos como pensam alguns dos mais respeitáveis nomes da ciência:

“Há, no ser vivente, princípios dinâmicos e psíquicos de ordem superior, independentes do funcionamento orgânico, preexistentes e sobreviventes ao corpo” (Gustave Geley, médico francês, na sua obra “Do Inconsciente ao Consciente”, citado pelo filósofo e pensador Hermínio Miranda em “Alquimia da Mente”, 2ª edição, 1994)


“...antes do aparecimento da humanidade, os seres já eram seres. Num dado ponto da evolução, surgiu uma consciência elementar. Com essa consciência elementar apareceu uma mente simples; com uma maior complexidade da mente veio a possibilidade de pensar e, mais tarde ainda, de usar linguagens para comunicar e melhor organizar os pensamentos. Para nós, portanto, no princípio foi a existência e só mais tarde chegou o pensamento. E para nós, no presente, quando vimos ao mundo e nos desenvolvemos, começamos ainda por existir e só mais tarde pensamos. Existimos e depois pensamos e só pensamos na medida em que existimos, visto o pensamento ser, na verdade, causado por estruturas e operações do ser “ (grifei) (Antonio R. Damásio PHd, Chefe do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Iowa – USA, no livro “O Erro de Descartes” – 1ª edição, 2001).

“Somos, em nosso ser essencial, feitos do mesmo material e sustentados pela mesma dinâmica que responde por tudo o mais no Universo.

E mais importante, se queremos combater o materialismo e toda sua ética reducionista, essa visão nos permite argumentar que a mente não é um mero ramo da função cerebral. Assim como o relacionamento entre dois elétrons cujas funções de onda se sobrepõem não pode ser reduzido às características individuais de cada um dos dois elétrons, também o relacionamento das ondas que formam o condensado de Bose-Einstein da consciência, não pode ser reduzido às atividades de moléculas vibráteis individuais. Nós não somos nosso cérebro” (Danah Zohar, física e filósofa, no livro “O Ser Quântico”, 14ª edição, 2000).

“A alma tem, no corpo, uma sede determinada e circunscrita? R – Não. Mas ela se situa mais particularmente na cabeça...” . Pergunta 146 “O Livro dos Espíritos”, com a resposta oferecida pelos Espíritos a Allan Kardec.

Éis um convite à reflexão...

Daniel Valois

17 de mai de 2019

Catástrofes naturais


Catástrofes que dizimaram centenas e milhares de pessoas têm assolado o planeta nestes últimos tempos e é comum ouvir que se trata do fim dos tempos. Reflitamos sob a ótica espírita.

Consta em O Livro dos Espíritos profunda pesquisa realizada por Allan Kardec sobre este tema, questões 737 e seguintes: os flagelos destruidores.

Allan Kardec ao discorrer na questão 741 esclarece quais seriam os flagelos estudados e os enumera da seguinte forma: “Entre os flagelos destruidores, naturais e independentes do homem, devem ser colocados em primeira linha a peste, a fome, as inundações, as intempéries fatais à produção da terra”. Notamos que a última enumeração abarca todas as hipóteses do que vem acontecendo atualmente, tais como tsunamis, terremotos e furacões. Portanto, estão aí elencados todos, todos os acontecimentos naturais cujas notícias nos assustam hoje em dia.

O insigne Codificador preocupado com o assunto perquire no Plano Maior qual a necessidade de tais acontecimentos, e como resposta obtém que são necessários para o adiantamento mais ligeiro.

Sob este aspecto podemos considerar sim, que se trata de uma indicação do período de transição por que passa a Terra. Sim, estamos sendo catapultados adiante. Tais fenômenos servem para impulsionar a humanidade à frente. Por exemplo: os cientistas estudam freneticamente para encontrar uma forma de se prever os furacões, e a cada período do ano em que as atividades climáticas favorecem, a humanidade consegue aumentar o tempo de previsão, salvando desta forma muitas vidas e até preservando patrimônio.

Mas devemos parar por aqui. As ilações sobre o fim dos tempos facilmente nos levam a pensar nas previsões do Médico Nostradamus, ou mesmo nas predições bíblicas do apocalipse do evangelista João. Não se trata disso. O grande número de mortes se deve, em primeiro lugar, ao acúmulo populacional em áreas sujeitas a estes fenômenos.

Por óbvio, sendo o contingente humano maior vivendo sob a sombra de um vulcão, por exemplo, no Vesúvio, na península Itálica, naturalmente serão maiores as baixas humanas, caso o mesmo volte à atividade. No ano de 79 de nossa era, estima-se que houve uma mortandade de 2.000 pessoas em Pompeia e Herculano. Hoje vivem cerca de 600.000 pessoas somente em Pompeia.

Para o Espírito é indiferente, quer a morte se dê nestas situações ou em decorrência de um acidente doméstico. Diz o Mestre de Lyon em comentário à questão e resposta número 738: “Quer a morte se verifique por um flagelo ou por uma causa ordinária, não se pode escapar a ela quando soa a hora da partida: a única diferença é que no primeiro caso parte um grande número ao mesmo tempo”.

Devemos ter muito cuidado para não sermos traídos pela falsa ideia de que o mundo vai acabar, na visão apocalíptica de Hollywood. Pois isso, o susto, o medo e o assombro nos impedem do mais comezinho ato Cristão quando nos deparamos com a notícia sensacionalista, qual seja dirigir preces aos que acabaram de deixar o exílio terrestre, regressando à pátria verdadeira, numa situação inesperada e abrupta, com sensível prejuízo ao período de perturbação.

Ora, ao invés de considerarmos o fim dos tempos, proponho fazermos as malas recheadas de tesouros que os ladrões não roubam, nem as traças corroem, pois a morte do corpo, isso, sim, é certo.

Silas Lourenço

15 de mai de 2019

Está na hora de receber uma carta psicografada?


Considerada uma faculdade mediúnica, a psicografia é uma comunicação entre encarnados e desencarnados. 

E ainda, quem popularizou a psicografia no Brasil foi o médium Chico Xavier, por meio de seu trabalho mediúnico no espiritismo, ele escreveu mais de 400 obras com os espíritos Emmanuel, André Luiz, entre outros.

Antes de receber a carta é preciso entender um dos ensinamentos de Chico Xavier: “O telefone toca de lá para cá”. Ou seja, são os espíritos que entram em contato com o médium, com isso, pode demorar meses, anos, e muitas vezes, o encarnado não recebe a mensagem porque não é necessário.

Entretanto, aqueles que desejam receber uma mensagem, é preciso saber que:
- Existe um tempo determinado para o espírito se adaptar à nova realidade, por isso, pode demorar para entrar em contato;
- Permissão superior, ou seja, pode ser que o espírito não tenha recebido a permissão para entrar em contato;
- É preciso ter preparo emocional antes de receber uma carta psicografada porque a falta de preparo pode atrapalhar essa experiência.


Quais são os procedimentos para receber a mensagem?
Muitos Centros Espíritas apresentam requisitos para participar da sessão mediúnica, por exemplo, alguns locais pedem que o encarnado faça uma simples inscrição informando o nome do desencarnado, a data do desencarne e também o nome da pessoa que está pedindo a mensagem, para que assim, o dirigente da sessão saiba a quem entregar a mensagem.

Já outros centros pedem para que a pessoa se inscreva alguns minutos antes de iniciar a palestra espírita, para que logo em seguida, comece a sessão mediúnica.

Dica
Escolha sempre um Centro Espírita de confiança, e lembre-se, que a mensagem pode ser entregue ou não. Porquê? O espírito pode não estar em condições de transmiti-la, ou então, ele não teve a permissão, motivo que só é conhecido no mundo espiritual.

Juliana Chagas

13 de mai de 2019

Desejo e prazer - Joanna de Ângelis


O desejo, que leva ao prazer, pode originar-se no instinto, em forma de necessidade violenta e insopitável, tornando-se um impulso que se sobrepõe à razão, predominando em a natureza humana, quando ainda primitiva na sua forma de expressão. 

Nesse caso, torna-se imperioso, devorador e incessante. Sem o controle da razão, desarticula os equipamentos delicados da emoção e conduz ao desajuste comportamental.

Como sede implacável, não se sacia, porque é devoradora, mantendo-se a nível de sensação periférica na área dos sentimentos que se não deixam de todo dominar É voraz e tormentoso, especialmente na área genésica, expressando-se como erotismo, busca sexual para o gozo.

Em esfera mais elevada, torna-se sentimento, graças à conquista de algum ideal, alguma aspiração, anseio por alcançar metas agradáveis e desafiadoras, propensão à realização enobrecedora.

Dir-se-á que as duas formas confundem-se em uma única, o que, para nós, tem sentido diferente, quando examinamos a função sexual e o desejo do belo, do nobre, do harmonioso, em comparação àquele de natureza orgânica, erótica, de compensação imediata até nova e tormentosa busca.

O desejo impõe-se como fenômeno biológico, ético e estético, necessitando ser bem administrado em um como noutro caso, a fim de se tornar motivação para o crescimento psicológico e espiritual do ser humano.

É natural, portanto, a busca do prazer, esse desejo interior de conseguir o gozo, o bem-estar, que se expressa após a conquista da meta em pauta.

Por sua vez, o prazer é incontrolável, assim como não administrável pela criatura humana.

Goethe afirmava que ele constituía uma verdadeira dádiva de Deus para todos quantos se identificam com a vida e que se alegram com o esplendor e a beleza que ela revela. A vida, em consequência, retribui-o através do amor e da graça.

O prazer se apresenta sob vários aspectos: orgânico, emocional, intelectual, espiritual, sendo, ora físico, material, e noutros momentos de natureza abstrata, estético, efêmero ou duradouro, mas que deve ser registrado fortemente no psiquismo, para que a existência humana expresse o seu significado.

O prazer depende, não raro, de como seja considerado. Aquilo que é bom, genericamente dá prazer, abrindo espaço para o medo da perda, das faltas, ou para as situações em que pode gerar danos, auxiliando na queda do indivíduo em calabouços de aflição.

Muitas pessoas consideram o prazer apenas como sendo expressão da lascívia, e se olvidam daquele que decorre dos ideais conquistados, da beleza que se expande em toda parte e pode ser contemplada, das inefáveis alegrias do sentimento afetuoso, sem posse, sem exigência, sem o condicionamento carnal.

Por uma herança atávica, grande número de pessoas tem medo do prazer, da felicidade, por associá-lo ao pecado, à falta de mérito, que se tornaria uma dívida a resgatar, ensejando à desgraça vir-lhe empós, ou, talvez, como sendo uma tentação diabólica para retirar a alma do caminho do bem.

Tal castração punitiva, que se prolongou por muitos séculos, ao ser vencida deixou uma certa consciência de culpa que, liberada, vem conduzindo uma verdadeira legião de gozadores ao desequilíbrio, ao abuso, ao extremo das aberrações.

Como efeito secundário, ainda existem muitas pessoas que temem o prazer ou que procuram dissimulá-lo, envolvendo-o em roupagens variadas de desculpismos, para acalmar seus conflitos subjacentes.

Acentuamos, porém, que o prazer é uma força criadora, predominante em tudo e em todos, responsável pela personalidade, mesmo pela esperança. Muitas vezes, é confundido com o desejo de tudo possuir, a fim de desfrutar, mais tarde, da cornucópia carregada de todos os gozos, preferentemente o de natureza sexual.

Wilhelm Reich, o eminente autor da Bioenergética, centrou, no prazer, todas as buscas e aspirações humanas, considerando que a pessoa é somente o seu corpo, e que este é constituído por um sistema energético, que deve ser trabalhado, sempre que a couraça bloqueie a emoção, propondo como terapia a Teoria dos Anéis, a fim de, através da sua aplicação nas couraças correspondentes, poder liberar a emoção encarcerada.

Tendo no corpo somente a razão de ser da vida, Reich tornou-se apologista do prazer carnal, sensual, capaz de levar ao estado de felicidade psicológica, emocional.

A natureza espiritual do ser humano, no entanto, não mereceu qualquer referencial de Reich, assim como de outros estudiosos do comportamento e da criatura em si mesma, na sua complexidade, ficando em plano secundário.

Desse modo, o desejo e o prazer se transformam em alavancas que promovem o indivíduo ou abismos que o devoram.

A essência da vida corporal, no entanto, é a conquista de si mesmo, a luta bem direcionada para que se consiga a vitória do Self, a sua harmonia, e não apenas o gozo breve, que se transfere de um estágio para outro, sempre mais ansioso e perturbador.



Do livro Amor, imbatível amor, de Joanna de Ângelis, obra mediúnica psicografada pelo médium Divaldo Franco.

11 de mai de 2019

De que forma a Doutrina avalia o homicídio?


O homicídio é um tipo de delito considerado grave em todas as legislações e em todos os tempos, divergindo a sua valorização de acordo com a cultura da época em que vivem os legisladores. O que pensa, porém, a Doutrina Espírita a respeito desse tema?

A questão do homicídio é abordada sob o título de Assassínio, na pergunta 746 de O livro dos Espíritos. Interroga Kardec: "É crime, aos olhos de Deus, o assassinato?" responde o Espírito: "Grande crime, pois que aquele tira a vida de seu semelhante, corta o fio de uma existência de expiação ou de missão. Aí está o mal." 

Aqui se inicia uma diferença entre o homicídio visto por uma ótica Espírita. Para os não espíritas, o homicídio é um crime em si mesmo, é a eliminação de uma vida por um modo traumático e violento, daí, no Código Penal , receber adjetivos como qualificado , premeditado, hediondo, simples e assim por diante.

Do ponto de vista Espírita, entretanto, há uma sensível modificação neste ato. Segundo a Doutrina Espírita, a vida não é eliminada. O homicida acredita, falsamente, que ao matar alguém livrou-se para sempre de um desafeto. O que o homicida elimina é a forma física, o corpo de seu inimigo, mas não o Espírito que, não raro, do outro lado da vida, espera por ele para ajustarem contas. 

Na pergunta seguinte, questiona Kardec: "O homicídio tem sempre o mesmo grau de culpabilidade?" Resposta: "Já o dissemos: Deus é justo e julga  a intenção mais do que o fato." Aqui se abre um espaço para a distinção entre homicídio doloso (com intenção) e o homicídio culposo (sem intenção). Ambos têm a mesma consequência, interrompe uma encarnação, mas o primeiro é, por certo, jugado com maior severidade. Um fato, entretanto, ressalta-se na Doutrina Espírita: o homicídio é muito pior para o homicida do que para a sua vítima.

Na questão 748, Kardec traz à baila uma figura jurídica muito conhecida dos juristas e mesmo dos leigos, que é a legítima defesa. Pergunta Kardec: "Em caso de legítima defesa, escusa Deus o assassínio?" Resposta: "Só a necessidade o pode escusar. Mas, desde que o agredido possa preservar sua vida, sem atentar contra a de seu agressor, deve fazê-lo".

Sem dúvida, o Espírito concorda com o princípio da legítima defesa, entretanto, observa que se deve sempre tentar evitar ao máximo a morte daquele que nos põe em risco a  vida. Por certo, O Espírito não quis ser radical, entretanto, numa visão estritamente cristã nem mesmo em legítima defesa se poderia matar. De um ponto de vista radicalmente Cristão e Espírita, mais vale receber a morte do que impingi-la a alguém. Aquele que mata, mesmo em legítima defesa, vale-se da violência contra o  agressor  e a violência poderia ter atenuantes, porém jamais justificativa.

9 de mai de 2019

O Sofrimento dos Animais e a Espiritualidade






Como é o sofrimento de um animal quando desencarna vitimado de um câncer ou um envenenamento?

R: Quando o animal sofre alguma agressão física ou enfermidade grave, que resulta na perda da vitalidade do corpo e na sua consequente morte, as lembranças do sofrimento dos momentos derradeiros podem influir no tempo necessário para a preparação prévia do Espírito animal reencarnante. No entanto, o sofrimento e a dor são somente percebidos pelo corpo físico e não pelo Espírito, que não sente dor.

 Esta é uma interpretação de nosso sistema nervoso, que pode ser maior para uns e menor para outros e serve de aprendizado ao Espírito que está estagiando no mundo físico. De qualquer modo, os animais, como Espíritos encarnados, ficam sujeitos às dores porque, assim como nós, aprendem muito com as situações de sofrimento, pois vivemos em um mundo primitivo e a dor ainda é comum. Eles têm mais contato com ela do que com as alegrias neste planeta. 

Enfermidades como os cânceres ocorrem mais frequentemente provocados por nós mesmos. A alimentação inadequada, por exemplo, é uma das causas. Os envenenamentos acidentais são uma prova para eles, que aprenderão com isso. Os envenenamentos provocados são também aprendizados, mas estas dívidas que acumularemos precisarão ser quitadas com eles posteriormente. O sofrimento dos animais é mais físico do que moral, pois a sua noção moral ainda é embrionária. Somente aqueles que já possuem rudimentos de moral (animais superiores como elefantes, golfinhos, alguns macacos e outros) sofrem assim. Os sofrimentos físicos cessam com a morte do corpo e as lembranças da dor são quase todas apagadas ou amenizadas. Assim que desencarnam as dores não são mais percebidas.

Eu queria saber por que sofrem tanto os animais?

R: “O corpo é o instrumento da dor e, se não é a sua causa primeira, pelo menos é a causa imediata. A alma tem a percepção desta dor: essa percepção é o efeito” (Livro dos Espíritos).

Os animais são Espíritos encarnados e estão sujeitos a muitas provas, mesmo que não tenham consciência disso ou nem saibam o porquê de tanto sofrimento, que somente é percebido pelo corpo por ação do sistema nervoso, portanto a dor, apesar de não parecer, é ilusória, porque, caso os meios de sensações do corpo sejam desativados ela deixa de existir. Se cirurgicamente retirarmos do cérebro o centro da fome, ela deixa de existir; se retirarmos parte do hipocampo, deixaremos de sentir medo; se aplicarmos anestésicos não há mais dor; se rompermos os nervos que são sensíveis aos estímulos da dor ela deixa de existir também. Como percebemos, dor e sofrimento são interpretações dadas pelo corpo. O Espírito não sente dor.

Se existem órgãos sensoriais no corpo é para que percebamos as sensações do mundo físico. Se há órgãos sensoriais para dor é porque a dor tem alguma importância para o Espírito também e a importância reside no aprendizado de como evitá-la e de fazer evitar a dor aos outros. Exercitaremos a partir do conhecimento da existência da dor e do sofrimento a solidariedade e a compaixão. O resultado do aprendizado pode não ser imediato, mas surtirá o seu efeito cedo ou tarde. No entanto, a dor que importa para evolução é aquela que vem da Natureza, “porque vem de Deus” (Livro dos Espíritos), por isso “é necessário distinguir o que é obra de Deus e o que é obra do Homem”. A dor imposta por um ser humano sobre um animal será cobrada e deverá ser ressarcida quanto antes por aquele que se tornou um devedor em relação àquele a quem fez sofrer.

Não consigo entender o porquê do sofrimento dos animais se eles não têm a consciência de seus atos, como nós, os humanos.

R: No Livro dos Espíritos encontramos: “Como pode um espírito que em sua origem é simples e ignorante e sem existência, sem conhecimento de causa ser responsável por essa escolha? - Deus supre a inexperiência traçando-lhe o caminho que deve seguir, como o fazes para uma criança desde o berço. Ele o deixa, pouco a pouco, senhor para escolher, à medida que seu livre-arbítrio se desenvolva”.

O sofrimento faz parte dos meios de fazer evoluir o Espírito primitivo, que com isso desenvolverá sua consciência. À medida que os Espíritos, na condição animal por exemplo, expandem sua consciência pela dor, expandem também sua condição de desenvolver sentimentos relacionados ao amor ao próximo, tornando-os aptos a entrar em outra faixa evolutiva da Humanidade.

Na verdade, as condições que determinam o sofrimento diminuem à medida que desenvolvemos a consciência e não ao contrário. Na condição humana ainda persiste o sofrimento porque não atingimos o nível ideal de consciência e, quando atingirmos este nível, a dor desaparecerá de nosso meio e somente existirá o que for relativo à ausência da dor e do sofrimento. Sofremos e também os animais porque ainda estamos nos exercitando para desenvolver esta consciência e, posteriormente, a teremos desenvolvido e deixaremos de sofrer.

"O sofrimento, nos animais, é um trabalho de evolução para o princípio de vida que existe neles; adquirem por este modo os primeiros rudimentos de consciência." (Léon Denis)

Qual a consequência para as pessoas que maltratam os animais na Espiritualidade?


R: Vivemos neste mundo ainda primitivo e por isso estamos em um estágio arrasado. Faz parte do nosso aprendizado o convívio pacífico com nossos companheiros de viagem evolutiva. Entre estes companheiros estão os animais. Muitas pessoas, por estarem ainda em aprendizado sobre o convívio com estes companheiros não-humanos, os vêem como seres inferiores e por isso mesmo crêem, equivocadamente, ter direitos sobre eles. Alguns não sabem ou não acreditam que sentem dor e sofrem. Outros sabem disso, mas se divertem infringindo-lhes dor. 

De acordo com a Lei de Igualdade, os animais são tão importantes para Deus quanto nós. Não podemos nos colocar acima deles, a ponto de tê-los como objetos de nosso desfrute. Certamente, aquele que abusa dos animais, maltratando-os e fazendo-os sofrer, terá de acertar suas contas antes de continuar a evoluir. A Justiça da Terra pode não ser eficaz contra os agressores dos animais, mas a Divina não falha. Se formos agressores teremos a oportunidade de encontrar situações para nos redimir do mal que lhes fizemos e somente então prosseguiremos com nossa carreira evolutiva. Não por castigo, pois Deus não castiga ninguém, mas por Misericórdia Divina, que sempre dá oportunidade ao faltoso de expiar seu erro e aprender com ele.
Marcel Benedi

7 de mai de 2019

COMO IDENTIFICAR OS SINTOMAS FÍSICOS DE OBSESSÃO ESPIRITUAL?


É possível identificar os sintomas físicos de obsessão espiritual sem ajuda de um médium?
Sim, é possível! Mas não é algo simples de identificar. Os sintomas físicos de uma obsessão espiritual podem variar muito. Existem uma infinidade de sintomas que uma pessoa pode ter, caso submetida a um processo obsessivo.

Outro problema é que nem sempre este processo é rápido, pois muitas vezes o estado obsessivo é insidioso, ou seja, vai se completando aos poucos, e em seu estado mais crônico, o obsidiado pode estar bem debilitado ou disperso do seu estado, ou seja, ele não se dá conta dos sintomas, pois sua atenção estará voltada para outra questão.

Podemos, ainda, considerar o fato de “quem é o obsessor?”. Seria uma entidade com muitos conhecimentos sobre os processos obsessivos? ou seria um espírito mais ignorante, que pouco conhece suas faculdades e obsedia o indivíduo sem intenção de fazê-lo de fato?

Parecem ser perguntas bobas, mas elas podem fazer a diferença na hora de identificar sintomas físicos de obsessão espiritual. O espírito que o faz conscientemente e usa as ferramentas que ele sabe que são necessárias, logicamente saberá exatamente onde dispersar tais energias de baixa vibração, causando os sintomas que ele mesmo definiu como objetivo.

Pelo fato desses sintomas físicos se confundirem muito com situações não-obsessivas, torna interessante a presença do enfermo nos templos de oração (centros espíritas, por exemplo, no caso de uma pessoa espírita), não somente para que possa ser feita uma identificação mais precisa, mas também para um tratamento energético mais incisivo.

Outro motivo interessante é que a identificação desses sintomas poderia, sim, ser feita sem a presença de uma pessoa dotada de mediunidade, mas que a vítima do processo obsessivo tivesse um conhecimento mais apurado do assunto, ou seja, que saiba ou que tenha uma vivência dentro da área de discussão das obsessões, amplamente discutida dentro dos estudos espíritas.

Seja para identificação ou tratamento, com conhecimento ou não, nosso Mestre Jesus já nos advertia: “Orai e vigiai para não cairdes em tentação”.

Quais os sintomas físicos de obsessão espiritual mais comuns?

Existem vários sintomas comuns e que podem ser divididos categoricamente pela distribuição dos sistemas do organismo humano.

Sintomas no sistema nervoso: Irritação por pequenas coisas ou sem motivo aparente; tristeza sem motivo; pensamentos negativos repetitivos obsessivos; ansiedade generalizada; quadros depressivos (tristeza que dura várias semanas); pânico (síndrome do pânico); delírio; comportamento agressivo ou mudanças repentinas de comportamento; lentidão do raciocínio lógico; falta de concentração; ideias suicidas; dormência em partes do corpo; Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC); Bipolaridade; Esquizofrenia.

Sistema muscular: fraqueza corporal repentina e duradoura; dores musculares pontuais ou distribuídas pelo corpo todo

Outros: dores de cabeça; enxaquecas constantes; náuseas; vômitos; dores no estômago; pesadelos constantes.

Existem muitos outros, mas poderíamos passar horas listando, pois como dito, tudo depende da intenção do obsessor, que pode objetivar sintomas muito específicos, que nem mesmo tenha a ver com a saúde em si, mas que podem ser identificados na vida social das vítimas: dificuldades financeiras aparentemente sem fim, dificuldades de se relacionar com as pessoas etc.

Quais os sintomas e sinais físicos da chamada “obsessão espiritual complexa”?

Na literatura temos muitos exemplos desse tipo de obsessão e a descrição das suas causas. Um desses relatos está na obra Aruanda, escrita pelo médium Robson Pinheiro e ditada pelo espírito Ângelo Inácio.


No trecho abaixo, o espírito de João Cobú explica para Ângelo detalhadamente esse tipo de obsessão. Ambos estão observando o trabalho minucioso dos “cientistas das trevas”, como chamam espíritos que se dedicam a criar tecnologias para propósitos de obsessão espiritual à distância:

— Estamos num laboratório, meu filho — falou pausadamente. — Creio que você pode imaginar o que se passa por aqui. Cientistas com objetivos sombrios se encontram neste, recanto, encoberto pelas rochas e cavernas, e armam as bases de suas operações. Desenvolvem aqui uma tecnologia diabólica, já que têm a disposição a força mental e o tipo de matéria fluídica necessária, abundante no plano astral.

— De posse desses elementos, tudo fica mais fácil na execução de seus planejamentos. Criam chips, implantes e outros tipos de aparelhos microscópicos, que poderão ser utilizados para atender a diversas solicitações, envolvendo processos obsessivos complexos. A tônica de grande parte dos aparelhos é sua atuação no sistema nervoso de suas vítimas, onde despejam, ou melhor, minam uma carga tóxica ou fluido mórbido, em caráter mais ou menos regular.

— Outros são implantados no duplo etérico, a partir do qual determinam o colapso das energias vitais de seus hospedeiros. Há ainda modelos destinados a implantes no perispírito de suas cobaias, os quais podem levar ao coma e, em casos mais graves e duradouros, ao desencarne de suas vítimas.

Como vimos, o implante desses chips no perispírito dos encarnados podem levar a serias consequências. Sejam emitir estímulos que lhes provoquem dores, que emitam sentimentos, pensamentos ou emoções deletérias e, até quem sabe, lhes conduzir ao desencarne.