1 de set de 2017

A mediunidade nos palcos


A faculdade mediúnica, mesmo quando restrita aos limites das manifestações físicas, não foi concedida para exibições de feira.” (Allan Kardec, item 308, de O Livro dos Médiuns.)

A comunicação existente entre aqueles que vivem na Terra e os que já demandaram a pátria espiritual é prática antiga que remonta aos primeiros tempos da humanidade, no entanto, após a codificação da Doutrina Espírita, por Allan Kardec, a partir de 1857, esse intercâmbio ganhou maior detalhamento, com disciplina, orientação e conhecimento de causa.

Somente Francisco Cândido Xavier publicou mais de 400 livros através da psicografia, trazendo à Terra as informações da vida espiritual. Dentre eles, uma grande quantidade versa sobre a comunicação de familiares que partiram deste mundo com os que ficaram.

A comunicabilidade com os Espíritos, hoje, com o aval de grandes setores da ciência e diante de profundos estudos efetuados pelas Universidades mais conceituadas dos Estados Unidos e Europa, é, incontestavelmente, uma realidade. A grande maioria da população brasileira sabe disso.

No entanto, esse intercâmbio entre os dois mundos não se dá de forma leviana, irresponsável e inconsequente. É fruto das Leis Universais, sábias e perfeitas, portanto, deve ser tratado com seriedade, responsabilidade, equilíbrio e, acima de tudo, com muita dignidade.

A mediunidade, embora seja uma faculdade inerente ao homem, carece de estudo, reflexão e experiência, para produzir o bem a que se destina, não podendo estar nas mãos dos vaidosos, orgulhosos e caçadores de projeção e fama, sem sérios prejuízos.

Allan Kardec, conhecendo como ninguém a personalidade humana, em “O Livro dos Médiuns”, advertiu: “a mediunidade não foi concedida para exibição de feira”, isto é, não veio ao mundo para ser vedete de palco e nem para servir de espetáculo, em atendimento aos interesses mesquinhos de médiuns e criaturas que apenas buscam a promoção pessoal.

E, esses desavisados, buscam com avidez, a mediunidade, para se apresentarem no meio artístico, na televisão, no rádio, no jornal etc, dando vazão à vaidade e ao orgulho que carregam no âmago.

Lamentamos profundamente que essa faculdade tão nobre, tão bela e que tantos serviços pode oferecer à humanidade, esteja sendo manuseada por apresentadores de programas televisivos, abrindo portas para que aventureiros adentrem nossos lares, com palavrórios vazios, mentirosos, ferindo criaturas e arrasando famílias que carregam a dor da separação de entes queridos.

Se aqui na Terra existem comentaristas do Governo que nada entendem de política, se existem os que discutem futebol sem nunca terem ido aos estádios, se existem os que falam de assistência social sem vontade de oferecer uma esmola, no Mundo Espiritual, obviamente, encontramos Espíritos que pouco entendem das coisas e também se lançam a falar, discutir e comentar o que não sabem. E, esses médiuns de plantão, muitos sem saberem, servem a esses Espíritos, esparramando asneiras e comprometendo estruturas familiares de forma leviana, sob a proteção de meios de comunicação de massa.

Allan Kardec, ainda em “O Livro dos Médiuns”, afirma, no item 308: “Quem pretender dispor de Espíritos às suas ordens para os exibir em público pode ser suspeito, com justiça, de charlatanismo ou de prática mais ou menos hábil de prestidigitação”.

Portanto, devemos saber sempre mais sobre o charlatanismo, mistificação, prestidigitação etc., para que não sejamos enganados por esses espertalhões de programas de auditórios.

Em “O Livro dos Espíritos”, na pergunta 163, Allan Kardec perguntou: “A alma, deixando o corpo, tem imediata consciência de si mesma? Obteve como resposta: “Consciência imediata, não é bem o termo. Ela passa algum tempo em estado de perturbação”.

Assim, caro leitor, como um Espírito recem-desencarnado, às vezes de forma traumatizante, pode se comunicar conosco momentos depois de seu desencarne?

E, se desejarmos conhecer mais sobre o assunto, pois que um artigo se torna insuficiente para destacar a abrangência do tema, consultemos “O Livro dos Espíritos” e o “O Livro dos Médiuns”, ambos de Allan Kardec, obras que versam sobre a mediunidade e relação de encarnados com desencarnados.

Fiquemos alertas e reflitamos demoradamente em Jesus quando afirma: “Meus bem-amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas experimentai se os Espíritos são de Deus, porque vários falsos profetas se ergueram no mundo”. (João, 1ª Epístola, Cap. IV: V. 1).

Somente o estudo sério e a firmeza de caráter com o tempero da dignidade e lisura de comportamento nos mostrarão a verdade que nos libertará das peias da ignorância, destinando-nos ao rumo da angelitude.

Meditemos.

Waldenir A. Cuin

CONSTELAÇÃO FAMILIAR - NOVO CAMPO DE OBSERVAÇÃO DA PSICOLOGIA (JOANNA DE ÂNGELIS-DIVALDO FRANCO)





Há algumas décadas, psicólogos em todo mundo começaram a estudar um novo

campo de compreensão para alguns distúrbios de personalidade baseado na estrutura familiar do indivíduo. A esta técnica de observação e tratamento se dá o nome de Constelação Familiar.

E o que é Constelação Familiar?

Constelação Familiar, é uma técnica criada por Bert Hellinger, psicoterapeuta
alemão, que propõe reconstituir a árvore genealógica da pessoa, com o objetivo de
localizar e remover bloqueios do fluxo amoroso de qualquer geração ou membro da
família.
Muitas das dificuldades pessoais, assim como problemas de relacionamento atuais
do indivíduo, são resultados de confusões nos sistemas familiares.
Hellinger nos fala sobre ordens do amor referindo-se a três princípios norteadores do ser humano:

1 – A necessidade de pertencer ao grupo ou clã
2 – A necessidade de equilíbrio entre o dar e o receber nos relacionamentos
3 – A necessidade de hierarquia dentro do grupo ou clã.
Sabemos que quando um conhecimento novo chega ao plano material, ele provém
do plano espiritual. Como grande estudiosa da área de psicologia, a grande benfeitora Joanna de Ângelis tem elucidado bastante esta área de forma abrangente e inovadora.

O Conhecimento sobre a grande importância e influência da estrutura familiar em
nossa personalidade não poderia ser melhor colocado, nos trazendo a tona novas
elucidações sobre tema tão debatido e importante que resume o remédio para todos os males: o grande papel do Fluxo do Amor no desenvolvimento e saúde mental do

individuo.
Esse texto foi baseado no livro Constelação Familiar escrito pelo espírito 

, psicografado por Divaldo Pereira Franco.




A autora enfatiza repetidamente que a família é a base fundamental sobre a qual se
ergue o imenso edifício da sociedade. Quando falta um lar seguro os jovens buscam se organizar em tribos e reagem a tudo que os vincule à estrutura familiar, dando lugar a novos hábitos e a costumes próprios, matando as imagens ancestrais e construindo a própria identidade, agressiva e arrogante, estranha e especial.
O ser humano é estruturalmente constituído para viver em família, a fim de
desenvolver os sublimes conteúdos psíquicos que estão adormecidos. Através da
convivência do lares eles serão liberados de forma positiva.
Como espíritas sabemos que o agrupamento familiar não é um encontro casual no
mundo físico, mas sim uma programação espiritual entre os espíritos comprometidos,seja de forma positiva ou negativa, afim de que haja progresso para todos.

Em uma cultura social saudável, os primeiros relacionamentos afetivos têm por
finalidade a vivência do companheirismo, o desabrochar da humanidade, o amor
duradouro.
O namoro é o primeiro passo no caminho a percorrer afetivamente, quando há
respeito moral recíproco e quando há uma convivência positiva.
Embora a união sexual seja essencial, é fundamental o sentimento de amor que
pode resistir aos conflitos do relacionamento a dois e mais tarde com os espíritos
renascidos no corpo físico como filhos se faz o santuário doméstico.
A constelação familiar do namoro é importante para o futuro alicerce doméstico,
que deverá resistir às tormentas do cotidiano. E quando os problemas se apresentarem aos parceiros, a consciência do dever deve se encarregar de orientar bem o comportamento de ambos em favor do relacionamento e da futura família.

A formação familiar é um campo experimental de lutas íntimas e externas, uma
grande oportunidade para que o espírito evolua de forma pessoal.
O distúrbio de personalidade de um dos membros da família, afeta todo o grupo.
Nem sempre a responsabilidade do mal proceder de um filho é dos pais ou da família, pois a cada um é dado o livre arbítrio e cada um escolhe o quanto quer evoluir. Às vezes o espírito teve várias chances, nasceu em um lar equilibrado, religioso, com boas condições financeiras e mesmo assim optou pelo caminho contrário a luz. Cada pessoa tem sua responsabilidade!

Quem não consegue amar aqueles com os quais convive, dificilmente poderá amar
aqueles outros que não conhece. Com o treinamento doméstico o espírito adquirirá a capacidade de amar com mais amplitude, alcançando a sociedade.


Sabemos que é no mundo espiritual que um casal decide formar um novo grupo

familiar, assumindo responsabilidades perante os futuros filhos, elaborando planos e projetos que devem concretizar na vida material .

Os guias espirituais apresentam aqueles que serão seus filhos, em cuja convivência
desenvolverão os sentimentos de amor, crescimento espiritual, no qual todos deverão atingir as metas que perseguem.

Os espíritos se reencontram e mais tarde há o casamento. Depois vem o primeiro
filho. Os cuidados que o recém nascido exige alteram completamente os hábitos do
casal, propondo novas condutas e atividades, nas quais a renúncia pessoal começa a impor-se em benefício do ser frágil e em desenvolvimento.

Infelizmente a imaturidade psicológica de muitos adultos que se tornam pais, leva-os a comportamentos infantis, procurando manter os mesmo hábitos que tinham antes da constituição da família. Pensam que só pelo fato de sustentarem o lar, já se sacrificam muito.

Muitas mães transferem para as filhas ainda pequenas as angústias e frustrações,
tornando-as modelos infantis, roubando-lhe a infância, precipitando a sensualidade, o desrespeito pelo corpo e pela vida.

Pais masculinos inescrupulosos iniciam os filhos nos vícios, condicionando eles ao
tabaco, álcool, à agressividade, ao desrespeito ao lar e às mulheres.
Outros tantos exibem os filhos como objetos, dessa forma exibem-se a si mesmos
através deles, chamando a atenção para a aparência sem maior preocupação com o
caráter e com a realização íntima.
Geralmente, quando há conflitos sérios entre pais e filhos, estes conflitos tiveram
inicio em outra existência.
A amante desprezada de ontem, retorna como filha rebelde, atormentada, tanto
quanto o filho ingrato e grosseiro é o pai da existência anterior, tendo nova oportunidade de se desculpar.

Sempre funciona a afinidade vibratória que identifica os indivíduos que se
encontram na mesma faixa de pensamento e de evolução, unindo-os e reunindo-os
conforme a necessidade da evolução.
Segundo os estudos de Constelação Familiar, para se manter uma estrutura saudável, os filhos devem sempre aos pais gratidão e respeito, mesmo quando estes não conseguem ter todo o compromisso necessário com os filhos, afinal, foram os pais que lhe deram a vida.

A convivência entre pais e filhos é recurso psicoterapêutico valioso, trabalhando o
inconsciente de ambos, de maneira a serem superados conflitos do passado,
programando a reconciliação e o bem estar através do amor incessante.


Os filhos que são descendentes de genitores negligentes ou inescrupulosos,
perversos ou cruéis, que os pais são mais enfermos do que maus, devem compreender que nesse lar, é que se encontram os mecanismos necessários à regularização do
passado infeliz, agradecendo mesmo assim aqueles que lhe concederam a vida, quando poderiam ter negado e não o fizeram.

Na infância já se pode notar a afinidade ou não existente entre os irmãos, através da
afeição constante ou através das birras e brigas contínuas e da implicância um com o outro.

 É natural que a medida que se vão estruturando e avançando os processos
biológicos, as agressões podem significar necessidade de chamar a atenção,
manifestação de ciúme por insegurança emocional, reações psicológicas que vem à
tona...
Esses comportamentos são passageiros, quando não são de ódios anteriores, gerando dificuldades nos relacionamentos passados.

Contudo, as atitudes negativas contínuas denunciam sentimentos infelizes que não
foram superados e ressurgem do inconsciente, devido a outras vidas.
A vigilância dos pais, especialmente nesse período se torna necessária, para que se
trabalhe em favor da harmonia e da compreensão entre todos.
A educadora italiana Maria Montessori quando consultada sobre a época em que se
deveria começar a educação dos filhos, teria dito que vinte anos antes do nascimento dos mesmos, isto é, quando os futuros pais deveriam começar a preparar-se, trabalhar-se emocionalmente para saberem como orientá-los.

Assim cabe aos pais, na saudável convivência com os filhos, observa-lhes as
imperfeições morais e a agressividade especialmente entre eles, corrigindo- lhes tais manifestações, dialogando com paciência e ternura, sem ceder ao comportamento negativo dos filhos.

É normal e até esperado que o pai ou a mãe tenham mais afinidade por um filho do
que por outro, devido a histórias passadas, mas não se deve excluir nenhum filho por outro.

 No episódio bíblico da aversão de Caim por Abel, que terminou por cometer
fratricídio, teria sido a preferência de Deus, que aceitava os sacrifícios do segundo em detrimento do outro, que se sentia desprezado.

A lição merece uma reflexão profunda, essa história se tornou um arquétipo apelando para a vigilância dos pais em relação aos filhos.

Muitos pais não educam os filhos em casa e acham que quem educa é a escola. A
escola é apenas um complemento, mas a educação começa em casa.


Além da educação no lar, é muito importante a amizade na família. Quando se
experiência a amizade na família, com muita facilidade ela se expande em relação a
outras fora do círculo biológico, favorecendo o enriquecimento da existência,
estimulando ao trabalho em benefício de todos.
Os pais são o exemplo dos filhos, por isso eles devem dar o exemplo em relação ao
trabalho também. O trabalho produz uma conexão entre o indivíduo e o progresso
sociocultural, estimulando mudança de hábitos, libertação de vícios, crescimento
interior e despertamento para ideais adormecidos e a preservação deles.
Também é muito importante o dialogo dentro do lar e a educação sexual deve
começar dentro de casa!
Desde quando o sexo foi estudado e discutido pela primeira vez pelo neurologista e
psiquiatra Freud, criador da psicanálise, houve uma libertação da ignorância em relação a isso.
Graças a visão espírita além do sexo ter suas funções orgânicas, desempenha
também um papel emocional muito significativo, pelo modo como é vivenciado.
Na atualidade, devido a muitos fatores sociológicos e educacionais, o sexo tornouse instrumento de fama, de poder e de domínio.
Tornou-se instrumento de comércio, foi montada toda uma indústria de perversão
e de permissividade, fascinando as pessoas atormentadas.
Nos lares sem dignidade, multiplicam-se os casos de pedofilia, que se espalham
pelas comunidades, estimuladas pelo turismo sexual infantil e pela internet.
A educação sexual deve fazer parte do programa familiar, as questões devem ser
abordadas com naturalidade, no dia-a-dia, sem precipitação nem atraso.
O que a criança não aprende no lar pode aprender em outros lugares e de uma
forma que não é a correta.
A maneira como cada um de nós vive a jornada terrestre irá estimular o nosso
crescimento espiritual ou necessidade de refazer o caminho através da recuperação que nos será proposta.

Como psicóloga tenho visto muito a terceirização na educação dos filhos e isso me
preocupa! Muitos pais não estão se colocando no lugar de pais, mas no lugar de ``
tios`` ou `` amigos``, confundindo assim a constelação correta de seu grupo familiar, trazendo consequências alarmantes na personalidade futura de seus filhos.

Existem pais que mal saem com seus filhos, quem sai são as babás, então elas
sabem com quem as crianças brincam, conhecem os pais das outras crianças, enquanto os próprios pais não sabem com quem a criança está tendo contato no seu dia-a-dia.


Recentemente me contaram a história de um casal que, devido a muitos
compromissos de trabalho e que tem uma boa condição financeira, pagavam uma babá para levar a filha na praia durante as suas férias. Ou seja, ao invés dos pais tirarem férias com a filha, mandavam a babá viajar com a filha uma vez ano ano, assim teriam até ``sossego``. E sendo que era a sua única filha.

É compreensível quando os pais trabalham e não podem passar o dia por conta dos
filhos. Nesse caso o recomendável é que a babá fique somente de dia e que depois do trabalho eles cuidem dos filhos, lhes deem atenção, conversem com eles, fiquem com eles até dormirem, lhes dando bastante atenção e amor.

O princípio básico da Constelação Familiar é que devemos honrar nossos
antepassados, respeitando a hierarquia, e nos posicionando no lugar correto que nos cabe, lugar de pai, mãe, filha, esposa e assim consecutivamente, sem inverter ou se colocar em um papel que não é o nosso.


6 de jun de 2017

CREMAÇÃO NA VISÃO ESPÍRITA



O medo de ser enterrado vivo induz muita gente a desejar ser cremado. Queima-se o cadáver evitando o problema. Mas há uma dúvida que inspira a pergunta mais freqüente:
- Se no ato crematório o Espírito ainda estiver preso ao corpo, o que acontecerá?
Tudo aquilo que doamos temos, é da lei. Tudo que temos, devemos.
O corpo é uma veste e um instrumento muito valioso e útil para o espírito, enquanto encarnado. Depois de morto, nenhuma utilidade mais tem para o espírito que o animou. Poderá vir a ser cremado sem que nada disso traga qualquer prejuízo real para o espírito desencarnado.
Pensam alguns que se o seu corpo for queimado ou lesado haverá prejuízo para o seu ressurgimento no mundo espiritual. Entretanto, não é o corpo material que continua a viver além-túmulo nem é ele que irá ressurgir, reaparecer, mas sim o espírito com o seu corpo fluídico (perispírito), que nada tem a ver com o corpo que ficou na Terra.
É necessário observar que, se o Espírito estiver ligado ao corpo não sofrerá dores, porque o cadáver não transmite sensações ao Espírito, mas obviamente experimentará impressões extremamente desagradáveis, além do trauma decorrente de um desligamento violento e extemporâneo. Mas pense bem, enterrar o corpo é também algo horrível se o espírito permanecer preso a ele; a autópsia; a putrefação do corpo, os vermes devorando a carne putrefata, é também angustiante para o espírito. Entretanto devemos lembrar que o perispírito está em outra faixa vibratória, e que em circunstâncias normais não deve ser afetado, quer pela decomposição, quer pela cremação.
Entretanto, acreditamos que um espírito cujo corpo vai ser cremado, é desligado, talvez de forma violenta, mas não será queimado, mesmo que fique preso.
Sofrem mais os espíritos muito apegados à matéria, os sensuais, os que se agarram aos prazeres da vida. Mas respondendo objetivamente, acreditamos que não são sensações físicas, e sim emocionais, morais.
Para que o Espírito não se encontre ligado ao corpo físico, é recomendável um intervalo razoável após a morte (Emmanuel diz 72 horas), a fim de se ter maior segurança de que o desligamento perispiritual já tenha completado.
Nos fornos crematórios de São Paulo espera-se o prazo legal de vinte e quatro horas. Não obstante, o regulamento permite que o cadáver permaneça em câmara frigorífica pelo tempo que a família desejar. Espíritas costumam pedir três dias. Há quem peça sete dias.
Importante reconhecer, todavia, que muito mais importante que semelhantes cuidados seria cultivarmos uma existência equilibrada, marcada pelo esforço da auto-renovação e da prática do Bem, a fim de que, em qualquer circunstância de nossa morte, libertemo-nos prontamente, sem traumas, sem preocupação com o destino de nosso corpo.


Compilação de Rudymara

4 de jun de 2017

AUTISMO NA VISÃO ESPÍRITA




Conta Carlos Baccelli:
Um casal aproximou-se ao Chico, o pai sustentando uma criança de ano e meio nos braços, acompanhando por distinto medico espírita de Uberaba.
A mãe permaneceu a meia distância, em mutismo total, embora com alguma aflição no semblante.
O médico, adiantando-se, explicou o caso ao Chico: a criança, desde que nasceu, sofre sucessivas convulsões, tendo que ficar sob o controle de medicamento, permanecendo dormindo a maior parte do tempo, em consequência, mal consegue engatinhar e não fala.
Após dialogarem durante alguns minutos. O Chico perguntou ao nosso confrade a que diagnostico havia chegado.
- Para mim, trata-se de um caso de autismo – respondeu ele.
O Chico disse que o diagnostico lhe parecia bastante acertado, mas que convinha diminuir o anticonvulsivos mesmo que tal medida, a principio, intensificasse os ataques. Explicou, detalhadamente, as contra indicações do medicamento no organismo infantil. Recomendou passes.
- Vamos orar- concluiu.
O casal saiu visivelmente mais confortado, mas, segurando o braço do médico nosso confrade. Chico Explicou a todos que estavamos ali mais próximos:
- “o autismo”, é um caso muito sério, podendo ser considerado uma verdadeira calamidade. Tanto envolve crianças quanto adultos... Os médiuns também , por vezes, principalmente os solteiros sofrem desse mal, pois que vivem sintonizados com o mundo espiritual, desinteressando-se da Terra. É preciso que alguma coisa nos prenda no mundo, porque, senão, perdemos a vontade de permanecer no corpo...”.
E Chico exemplificou com ele mesmo:
-Vejam bem: o que é que me interessa na Terra? A não ser a tarefa mediúnica, nada mais. Dinheiro, eu só quero o necessário para sobreviver casa, eu não tenho o que fazer com mais de uma... Então, eu procuro me interessar pelos meus gatos e meus cachorros. Quando um adoece ou morre, eu choro muito, porque se eu não me ligar em alguma coisa eu deixo vocês...
Ele ainda considerou que, muitos casos de suicídios têm as suas raízes no “autismo”, porque a pessoa vai perdendo o interesse pela vida. Inconscientemente deseja retornar à Pátria Espiritual, e para se libertar do corpo, que considera uma verdadeira prisão, força as portas de saída...
E o Chico falou ao médico:
- È preciso que os pais dessa criança conversem muito com ela, principalmente a mãe. È necessário chamar o espírito para o corpo. Se não agirmos assim, muitos espíritos não permanecerão na carne, porque a reencarnação para eles é muito dolorosa.
Evidentemente que não conseguimos registrar tudo, mas a essência do assunto é o que está exposto aqui.
E ficamos a meditar na complexidade dos problemas humanos e na sabedoria de Chico Xavier.
Quando ele falava de si, ilustrando a questão do “autismo”, sentimo-lo como um pássaro de luz encarcerado numa gaiola de ferro, renunciando à paz da grande floresta para entoar canções de imortalidade aos que caíram, invigilantes, no visgo do orgulho ou no alçapão da perturbação.
Nesta noite, sem dúvida, compreendemos melhor Chico Xavier e o admiramos ainda mais.
De fato, pensando bem, o que é que pode interessar na Terra, a não ser o trabalho missionário em nome do Senhor, ao Espírito que já não pertence mais à sua faixa evolutiva?
O espírito daquela criança sacudia o corpo que convulsionava, na ânsia de libertar-se...
Sem dúvida, era preciso convencer o Espírito a ficar. Tentar dizer-lhe que a Terra não é cruel assim... Que precisamos trabalhar pela melhoria do homem.

OBSERVAÇÃO DE DIVALDO FRANCO: Precisamos considerar que “somos herdeiros dos próprios atos”. Em cada encarnação adicionamos conquistas ou prejuízos a nossa contabilidade evolutiva e, em determinados momentos, ao contrairmos débitos mais sérios, reencarnamos para ressarci-los sob a injunção dolorosa de fenômenos expiatórios, tais os estados esquizóides e suas manifestações várias. Dentre eles, um dos mais cruéis é o AUTISMO. No fenômeno do autismo estamos diante de um ex-suicida a qual, desejando fugir à responsabilidade dos delitos cometidos, envereda pela porta falsa da autodestruição. Posteriormente, reencarna com o drama na consciência por não ter conseguido libertar-se deles. São, também, os criminosos não justiçados pelas leis humanas ou Espíritos que dissimularam muito bem suas tragédias. Assim, retornam à Terra escondendo-se da consciência nas várias patologias dos fenômenos esquizofrênicos. Os pais devem esperar a criança dormir e conversar com ela. Pois a conversa é captada pelo inconsciente (Espírito). Fale devagar, pausadamente: Estamos contentes por você estar entre nós; Você tem muito que fazer na Terra; você vai ser feliz nesta vida; Nós te amamos muito; etc.

Compilação de Rudymara

2 de jun de 2017

A AIDS É CASTIGO DE DEUS?



A Aids não veio para moralizar, como dizem muitos. Ela é resultado da promiscuidade e da negligência, é a colheita, da má sementeira. Ela não tem caráter moral, não é punição divina, como dizem alguns. Nós é que a criamos. É como correr na contra mão à 200km/h no meio da rua. Quando somos acidentados, dizemos que Deus nos castigou. A sífilis aí está com uma incidência terrível. O herpes genital é tão cruel ou pior do que a Aids, e vem se manifestando de forma acelerada. Precisamos compreender que todos nos encontramos na Terra em processo de lapidação. Buscamos a plenitude espiritual, através das ininterruptas jornadas do ir-e-vir, do nascer, morrer e renascer, adquirindo experiências numa área, enquanto, não raro, noutra nos comprometemos. É a dor, ainda, o instrumento que mais nos adverte e que melhor nos lapida as arestas morais, quando deveriam ser o amor e a abnegação a sublimar-nos os sentimentos. Graças a isso, periodicamente a humanidade é visitada por enfermidades ásperas e aparentemente indecifráveis, como foi o caso, no passado, da lepra ou Mal de Hansen, da varíola, da peste bubônica, das enfermidades endêmicas como: tuberculose, câncer, doenças do aparelho respiratório, das alienações mentais e, mais recentemente, da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
A Aids é uma manifestação degenerativa do organismo, que tem a sua causa matriz num vírus, hoje identificado, e que apresenta polivalência, já que ele tem a propriedade de sofrer mutações. Em determinado momento, ele modifica a estrutura e passa a ter outras reações, o que vem impedindo a ciência de lograr uma vacina preventiva ou uma terapia de resultados positivos. A Aids é, portanto, um desses recursos de que a Vida se utiliza, para que aqueles que estão incursos nos desequilíbrios morais possam libertar-se dos mesmos.
Só se tornam aidéticos: os que se entregam à promiscuidade sexual, a atos contrários à anatomia estabelecida pela natureza; os hemofílicos e aqueles obrigados a receberem transfusões sanguíneas; os usuários de drogas injetáveis; os nascidos de mães contaminadas. Se tomarmos cuidado na atividade sexual, fazendo uso correto de preservativos descartáveis, estaremos resguardados da Aids na área do sexo. Quanto à transfusão de sangue, este deve ser previamente examinado, para determinar se procede ou não de doador contaminado. No caso da aplicação de drogas, as agulhas e seringas devem ser descartáveis. Em relação aos hemofílicos, que são obrigados a receber transfusões de sangue, o problema tem as suas raízes em vida anterior. Nas crianças que nascem infectadas, a problemática também remonta às encarnações passadas, graças às quais o ser retorna à luta terrestre para expungir, através de um fenômeno degenerativo, os delitos praticados, como o suicídio, a promiscuidade do sexo, o desrespeito à vida, que criam no organismo matrizes receptivas para que o vírus se desenvolva com rapidez. Lembremos que a criança é um espírito velho em corpo novo. Sofrer sem dever seria injustiça de Deus.
A ciência também detectou que um grande número de infectados não tem facilidade de multiplicar o vírus, embora possa tornar-se contaminador, podendo conviver com ele por muitos anos, sem sofrer, na saúde, qualquer dano, ou seja, a pessoa transmite o vírus, mas não sofre com os sintomas da doença. Os grupos de risco estão estabelecidos predominantemente na área do exercício da promiscuidade a que cada um se coloca. São os chamados homossexuais, mas também, os heterossexuais. O vírus chamado HIV, quando se instala, ataca o linfócito, célula do sangue, comprometendo as defesas orgânicas, assim gerando um estado de desequilíbrio, em que qualquer enfermidade nos pode destruir a vida. É como se nós tivéssemos dentro de nós soldadinhos que nos ajudam a combater as doenças que possam nos atacar. Quando adquirimos o vírus HIV, ele mata nossos soldadinhos, e nós ficamos sem defesa orgânica. Os que desencarnam com a AIDS, sofrem do mesmo modo que os desencarnados por gripe, por infarto ou por câncer. Por isso, não devemos ter nenhum preconceito contra a Aids, nenhuma atitude negativa contra o aidético, nenhuma segregação contra as pessoas pertencentes aos grupos de risco. São irmãos necessitados de carinho, assistência e compaixão. O aidético, sim, deve ter medo de nós e não, nós, dele, porque nós o contaminamos com doenças para as quais ele não tem resistências orgânicas. O aidético é que deveria usar máscara, luva, etc., pois uma simples gripe pode matá-lo.


Compilação de Rudymara

30 de mai de 2017

ALGUÉM NASCE PREDESTINADO A MATAR?



Não, ninguém nasce para matar. Nascemos para evoluir. Se alguém nascesse predestinado a matar não estaria evoluindo. Portanto, ninguém nasce predestinado ao crime e todo crime ou qualquer ato, seja bom ou ruim, resulta sempre da vontade e do livre-arbítrio da pessoa. O Espírito pode escolher, ao encarnar, esta ou aquela prova“FÍSICA” para sofrer, como deformidades físicas e mentais. Mas, quanto às provas “MORAIS” e às“TENTAÇÕES”, o Espírito, conservando o livre-arbítrio para escolher se quer praticar o Bem ou o Mal, é quem decidirá ceder ou resistir. Exemplo: se aceitarmos o convite de alguém para usar drogas, não poderemos alegar que a culpa é de quem fez o convite. Aceitamos por livre e espontânea vontade e afinidade. Então, aceitar a idéia que alguém nasce predestinado a cometer um crime seria acreditar que o assassino não é um criminoso, e sim um instrumento que Deus utiliza para punir alguém, o que seria um absurdo.

DO QUE RESULTA A CRUELDADE? A crueldade resulta sempre de uma natureza má, ela deriva da falta de desenvolvimento do senso moral, porque o senso moral existe como princípio, em todas as pessoas. É esse senso moral que fará dos seres cruéis, mais tarde, seres bons e humanos.

O HOMEM DE BEM ESTÁ LIGADO AO SEU DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL? Não. Pois, há muitos que são superiores em inteligência, mas são maus. Temos o exemplo de Hitler. Já Chico Xavier tinha 4º ano de grupo, mas era bom.

EM ALGUNS CASOS DE MORTE VIOLENTA, HÁ ESPÍRITOS QUE AFIRMAM (EM COMUNICAÇÕES MEDIÚNICAS) QUE: "ESTAVA NA HORA DELE DESENCARNAR". COMO EXPLICAR ESTA AFIRMATIVA? Ele, provavelmente, deveria desencarnar de qualquer forma. Mesmo que, em outra encarnação, ele tenha cometido um crime, não quer dizer que ele deveria passar pelo mesmo sofrimento que fez outra pessoa passar. A lei não é do “olho por olho, dente por dente”.

COMO RESSARCIR NOSSO DÉBITO COM A LEI DIVINA? A LEI É “OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE”? Não. Se fosse estaríamos num circulo vicioso, por exemplo: se eu matei alguém no passado, nesta encarnação alguém tem que nascer para me matar para eu quitar meu débito, e depois outro alguém terá que nascer para atirar no meu assassino, e assim sucessivamente. E na verdade o resgate acontece assim, por exemplo: quem matou uma pessoa a facadas na região do estômago, não necessita que alguém lhe dê facadas na mesma região para que ela resgate seu débito. Esta poderá reencarnar predisposto a desencadear uma úlcera ou um câncer no órgão que ele lesou no próximo. Os códigos divinos dispõem de mecanismos hábeis para regularizar os conflitos e os atentados às Leis, sem gerar novos devedores, e conforme muito bem acentuou Jesus: "O ESCÂNDALO É NECESSÁRIO, MAS AI DO ESCÂNDALOSO”, ou seja, A REGULARIZAÇÃO DE DÉBITO É NECESSÁRIA, MAS AI DO REGULARIZADOR. Portanto, ninguém tem o direito de tornar-se um desumano regularizador das Leis de harmonia, utilizando-se dos próprios e ineficazes meios.

ENTÃO, ESTAMOS SUJEITOS A QUALQUER TIPO DE MORTE PARA REGULARIZAR NOSSO DÉBITO? A Terra é um planeta de provas e expiações. O simples fato de aqui vivermos significa que somos Espíritos comprometidos com débitos que justificam qualquer tipo de sofrimento ou morte que venhamos a enfrentar, como contingência evolutiva, sem que tenha ocorrido um planejamento dos superiores celestes nesse particular.

QUE DÉBITO TEM UMA CRIANÇA? Não podemos esquecer que, uma criança, é um Espírito que traz, ao reencarnar, uma bagagem de ações boas e/ou más que fizeram em encarnação anterior. É um Espírito velho num corpo novo. Ninguém sofre por acaso. Elas também estão no mundo para resgatar algum débito do passado. Ficamos sensibilizados com a morte de uma criança, mas talvez, se soubéssemos o que fizeram, ficássemos assustados.

DEUS NÃO PERDOA NOSSA DÍVIDA? Quem não perdoa é a LEI DE DEUS, porque perdoar seria anular o mal que foi feito. A lei ama, deixando ao infrator a oportunidade de reparação. Aqueles que conseguiram romper as amarras do passado, pelo Bem que fizeram, naturalmente minimizaram ou excluíram as conseqüências do Mal que realizaram.

ENTÃO, PODEMOS MUDAR NOSSO CARMA? Sim, podemos mudar o nosso carma a cada minuto. O Bem que praticamos, diminui o mal praticado; todo mal que realizamos, aumenta a carga dos males que já fizemos. Então, se trazemos um carma muito pesado, com o Bem que fizermos, vamos diminuindo nosso débito, porque Deus não é cobrador de impostos, Deus é amor, e na sua lei o que vigora é o Bem.

COMO DEVE PROCEDER O ESPÍRITO ASSASSINADO, NO PLANO ESPIRITUAL? As “pseudovítimas”, se conseguirem superar as reações de ódio e vingança, ganham muito. Regressam à Espiritualidade como alunos bem sucedidos em inesperado teste, habilitando-se a uma situação melhor no futuro. E aqueles que se tornarem verdugos (obsessores), um trágico futuro os aguarda, em virtude de seu comprometimento com o mal. Este conselho serve também aos encarnados. Toda vingança é contrário ao perdão. O assassino é um enfermo da alma. Fazer justiça com as próprias mãos, seria igualar-se ao irmão desequilibrado. O pedido de Jesus, não deve ficar no papel. É no momento de dor que somos testados. Como nos pediu Jesus: "Se alguém te bater numa face, apresenta-lhe a outra". Explica Joanna de Ângelis: "A vida possui duas faces: a boa e a má. Uma é a face da violência, do orgulho ferido, da vaidade mesquinha, do medo. A outra é a da paz, da confiança no bem, da vitória do amor, da dignidade." Então, se alguém nos ofender ou ferir, apresentemos a ele a outra face que ele desconhece, que é a da paz, do perdão .


Texto Retirado do Site: http://grupoallankardec.blogspot.com.br/

29 de mai de 2017

QUEM PODE ATIRAR A PRIMEIRA PEDRA?



Jesus transmitia suas lições, quando surgiram alguns escribas e fariseus trazendo uma mulher, e explicando:
“MESTRE, ESTA MULHER FOI SURPREENDIDA EM ADULTÉRIO. MOISÉS ORDENOU-NOS QUE SEJA APEDREJADA. TU, POIS, O QUE DIZES?”
Para tal acusação, a lei mosaica, que está em Levítico (20:10), dizia: "Se um homem cometer adultério com a mulher de seu próximo, ambos, o adúltero e a adúltera, certamente serão mortos." E em Deuteronômio (22:22), dizia: "Se um homem for achado deitado com uma mulher casada, ambos serão mortos." Como sabemos, a legislação era muito rigorosa. E quem a aplicava era muito machista, pois estavam condenando apenas a mulher, o adúltero da história que também deveria ser punido, não foi trazido. Mas escribas e fariseus estavam mal intencionados. Submetendo a adúltera a Jesus, prepararam a armadilha perfeita, infalível. Se Jesus não a condenasse, estaria contestando a lei de Moisés. O que seria falta grave. Seria apontado como traidor. E se Ele a condenasse, perderia a simpatia popular e ficaria mais fácil diminuir sua influência. Mas o Mestre não se abalou. Sentado, escrevia na areia, como se meditasse. Após momentos de grande expectativa, pronunciou seu imorredouro ensinamento: “AQUELE QUE DENTRE VÓS QUE ESTÁ SEM PECADOS, ATIRE A PRIMEIRA PEDRA.” Pesado silêncio fez-se sentir. Ante a força moral daquele que devassava suas fraquezas, ninguém se sentia autorizado a iniciar a execução. Então, pouco a pouco, dispersou-se a multidão, começando pelos mais velhos, até chegar aos mais moços. Em breve, Jesus estava sozinho com a adúltera. Perguntou-lhe, então: “MULHER, ONDE ESTÃO ELES? NINGUÉM TE CONDENOU?” Ela respondeu: “NINGUÉM SENHOR.” Ele então finalizou dizendo: “NEM EU TAMPOUCO TE CONDENO. VAI E NÃO PEQUES MAIS.”
Nesta passagem vemos uma vez mais a extraordinária lucidez de Jesus, ágil no raciocínio, a confundir seus opositores, e ainda aproveita o ensejo para um ensinamento fundamental: NINGUÉM É SUFICIENTEMENTE PURO PARA HABILITAR-SE A JULGAR AS IMPUREZAS ALHEIAS. Essa idéia é marcante no ensinamento cristão. Jesus situa como hipócritas os que não enxergam lascas de madeira em seus olhos e se preocupam com meros ciscos em olhos alheios. Observam falhas mínimas no comportamento dos outros e não encaram gritantes defeitos em si mesmos.
Quem estuda as obras de André Luiz percebe claramente que os Espíritos orientadores jamais usam adjetivos depreciativos. Não dizem: “Fulano é um cafajeste, um vagabundo, um pervertido, um mau caráter, um criminoso, um monstro.”
Vêem o irmão em desvio, o companheiro necessitado de ajuda, o enfermo que precisa de tratamento . . .
Consideram que todo julgamento é assunto para a Justiça Divina.
Só Deus conhece todos os detalhes.
Mesmo quando lidam com obsessores, tratam de socorrê-los sem críticas, situando-os como irmãos em desajustes.
Por isso, Chico Xavier, que viveu esse ideal evangélico de fraternidade autêntica, não pronunciava comentários desairosos.
Se alguém comete maldades, não diz tratar-se de um homem mau.
É apenas alguém menos bom.
Faz sentido!
Somos todos filhos de Deus.
Fomos criados para o Bem.
O mal em nós é apenas um desvio de rota, um equívoco, uma doença que deve ser tratada.

A fórmula para esse visão tem dois componentes básicos: a intransigência (rigoroso) e a indulgência (uso do perdão).
Pode parecer tolice. Afinal, são atitudes antagônicas (opostos).
Mas é simples:
• Devemos ser intransigentes conosco. Vigiar atentamente nossas ações; não perdoar nossos deslizes; criticar nossas faltas, dispondo-nos ao esforço permanente de renovação. É o despertar da consciência.
• Devemos ser indulgentes com os outros. Evitar o julgamento, a crítica e as más palavras; respeitar o próximo, suas opções de vida, sua maneira de ser. É o despertar do coração.

Quando aplicamos essa orientação, ocorre algo muito interessante. Quanto mais intransigentes conosco, mais indulgentes somos com o próximo, exercitando o princípio fundamental:
Não podemos atirar pedras em telhados alheios, porquanto o nosso é de vidro, muito frágil.

Disse Jesus: "Aquele dentre vós que está sem pecados, atire a primeira pedra."


Richard Simonetti